Arquivo para Março, 2007

31 Março 2007

MARCAS

  • o futuro será das marcas que comunicarem valores com emoção a gerações e gerações de consumidores (p. 169)

Marcas e identidades. Guia da concepção e gestão das marcas comerciais é um livro recentíssimo de Teresa Ruão e que resultou de tese de mestrado que a autora fez em Gestão de Empresas (Universidade do Minho). Como o título indica, é um estudo sobre o fenómeno das marcas.

Para além da parte teórica, abaixo apresentada em curta nota, a autora fez um estudo empírico sobra a marca Vista Alegre Clássica, empresa e marca com quase 200 anos.


No percurso do livro, Teresa Ruão distingue produto e marca (p. 27), com aquele a ser o que a empresa fabrica e esta o que a empresa vende. O capital da marca surge como o valor acrescentado ao produto, ou, na linguagem da autora, a dimensão do valor patrimonial e da gestão da marca. A construção do capital de marca passa pela escolha dos elementos constituintes da identidade da marca – casos do nome, logótipo e símbolos – e pela integração em programas de marketing (p. 43). Para a sua caracterização, Teresa Ruão alude ao marketing de relacionamento, centrado na procura de relacionamentos positivos e estáveis com clientes e outros associados (stakeholders, em inglês).

Um segundo conceito forte do livro é a identidade da marca, aberta à interacção das visões de públicos externos (clientes e accionistas, por exemplo) e internas (colaboradores, fornecedores). Ou seja, a identidade da marca é o resultado do fluxo de informações, cognições e emoções que se orientam para o seu interior (p. 53). Alguns investigadores, diz Teresa Ruão, atribuem à personalidade de uma marca características como sexo, idade e classe socioeconómica (p. 59). Assim, distinguem-se personalidades: masculina (Marlboro), jovem (Apple), carismática (Nike). As estratégias de identidade de marketing envolvem relacionamento, emoção e interacção.

Quanto ao terceiro conceito chave, a comunicação das marcas, entende-se como o processo de transferência da identidade em imagem de marca (p. 77). Dentro da comunicação, distinguem-se os meios above the line (publicidade nos media, incluindo o cinema) e below the line (relações públicas, promoções, força de vendas, merchandising, patrocínio, mecenato) (p. 72). A autora acaba por referir um quarto conceito essencial, a imagem, desdobrado em duas leituras opostas mas complementares: imagem interna e externa, projectada e percebida, natural e controlada (p. 90).

Trata-se de um importante estudo sobre as marcas, área com grande desenvolvimento no estrangeiro, e que eu tenho referido no blogue (marcas em Wally Olins, Naomi Klein e Douglas Atkin; relações públicas e publicidade em Al Ries e Laura Ries). Para além de Olins, a leitura do livro lembrou-me autores como Ind, Kapferer, Levitt, Thayer, van Riel, Villafañe, que trabalhei em anos anteriores, em especial quando leccionei Comunicação Empresarial na Universidade Lusófona e estive activo na Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa (APCE), no final dos anos 1980 e década seguinte.

Pontos fortes do livro: quase todo o livro. Destaco a imagem da formação da identidade da marca (p. 137), o texto sobre relações públicas e patrocínios (p. 83 e seguintes) e o marketing de relacionamento (p. 45 e seguintes). Pontos fracos do livro: poucas páginas. Saliento o erro (a meu ver) da editora, ao etiquetar com data de 2006 um livro saído para as livrarias no mês que hoje acaba. No livro faltam textos sobre cultura empresarial e uma análise a peças produzidas pela fábrica (nem que fosse apenas a chávena que está na capa). Detecto uma discrepância quanto à localização histórica da teoria hipodérmica (a seguir à Primeira Guerra Mundial e não Segunda) e da teoria dos efeitos limitados. E um índice de temas e nomes (no final do livro) ajudaria.

30 Março 2007

FOTOGRAFIA E ENGENHARIA


Exposição de Fotografia e Engenharia 1846-2006 INGenuidades, na Fundação Calouste Gulbenkian. No domingo, dia 1 de Abril, o dr. João Caraça promove uma visita guiada.

30 Março 2007

OS MEUS LIVROS


É a edição de Abril. Grande tema: censura. Escreve Andreia Brites que “A censura de livros e escritores permanece na actualidade, embora, por vezes, adopte novas formas e designações”. Salman Rushdie é um nome conhecido por ter fugido à pressão dos fundamentalistas. Mas também os livros sobre Harry Potter. Anos atrás, livros como Fahrenheit 451, de Ray Bradbury (que resultou num inesquecível filme), e O admirável mundo novo, de Aldous Huxley, tinham sido censurados nos Estados Unidos.

30 Março 2007

LIVROS A EDITAR


Respigo da leitura da revista Os Meus Livros a saída próxima de dois livros, ambos na editora Campo das Letras:

- Kelly Basilio, Mário Jorge Torres, Paula Morão e Teresa Amado, Concerto das artes, e

- José Eduardo Franco e Hermínio Rico (coord.), Padre Manuel Antunes (1918-1985).

29 Março 2007

NANNI MORETTI E SILVIO BERLUSCONI


Não fiquei propriamente entusiasmado com o filme O caimão, embora no domingo, quando vi o filme, a sala estivesse cheia. Muitos cabelos brancos à espera, se calhar, de um filme político sobre Silvio Berlusconi. Pelos vistos, Moretti tem muitos fãs em espectadores mais velhos.

O filme fora do filme pareceu-me melhor – o retrato da relação de um casal às portas do divórcio: ele um cineasta arruinado que também via fugir, por dívidas, o estúdio onde produzira vários êxitos da série B, que inicia o filme de Nanni Moretti, como também não via que o argumento que lhe deram para a mão era a história de Berlusconi; ela, aparentemente mais bem sucedida, no amor, na vida artística e nas finanças. Mas dela sabe-se menos, pois é ele o centro do filme e sobre o filme que planeara produzir. Passando, aliás, de Cristóvão Colombo para Silvio Berlusconi.


Nanni Moretti acabou por interpretar o papel do antigo primeiro-ministro, planos com que o filme acaba. Mas outros intérpretes de Berlusconi haviam sido recrutados, uns recusaram, outro era o próprio Berlusconi em gravações da televisão, autor e actor de cenas burlescas como as que o próprio encarnou no parlamento Europeu (entre Julho e Dezembro de 2003, Berlusconi ocupou a presidência da União Europeia).

O livro de Paul Ginsborg, Silvio Berlusconi. Televisión, poder y patrimonio, saído em Itália um pouco antes do filme de Moretti (2005) e traduzido para castelhano o ano passado, dá uma ideia mais precisa do antigo primeiro-ministro italiano, da sua vida e dos seus negócios – e de onde eu tiro algumas notas.

Berlusconi nasceu em 1936 em Milão. Aos 16 anos, tocaria em vários clubes nocturnos e apresentava espectáculos em transantlânticos. Depois, regressou a casa e estudou direito, após o que se dedicou à construção civil, sendo o planificador da construção de um complexo de edifícios de apartamentos para cerca de 4 mil pessoas.

O seu terceiro projecto, Milano 2 (1970-1979), seria um complexo para albergar dez mil pessoas. A grande atracção do projecto Milano 2 foi a instalação de um canal gratuito de televisão (1974). Embora Berlusconi o considerasse um serviço optativo interessante, o certo é que ele seria o começo do seu império televisivo.

Ainda hoje há dúvidas quanto ao financiamento do projecto Milano 2 e do seu sucessor, o Milano 3. Suspeita-se que o dinheiro tenha vindo de empresas em paraísos fiscais ou de caixas chinesas da finança. A loja maçónica P2 também está nessa encruzilhada. No filme de Moretti, o dinheiro cai, metaforicamente, do tecto da casa onde estava o empresário-político.

Televisão (e filmoteca), publicidade (a sua Publitália com o slogan: “Não vendo espaços, vendo vendas”) e futebol (AC Milan) foram o novo triângulo das actividades de Berlusconi que, entretanto, se havia divorciado e casado com uma estrela de cinema (Verónica Lario), mais nova 20 anos que ele.

Seguir-se-ia a política. A Casa das Liberdades, o partido de Berlusconi, ganharia as eleições de 2001, com 45,5% dos votos entrados nas urnas, um pouco mais do que a coligação da Oliveira (43,8%). Televisão e poder político “casavam-se”. Paul Ginsborg, crítico de Berlusconi ainda mais acutilante que Nanni Moretti, descreve a televisão dentro dos seguintes moldes: 1) atenção aos índices de audiência (tipo: dar ao povo o que ele quer), 2) tendência para a televisão influenciar crescentemente a aquisição de bens, 3) marca cultural limitada e conformista. Acrescenta Ginsborg: além disso, uma televisão de qualidade repetitiva e pouco edificante, saturada de anúncios e técnicas de venda (observação: o produtor falido do filme de Moretti ainda tem um pequeno negócio no seu estúdio, exactamente as televendas).

Paul Ginsborg é professor de História na Universidade de Florença. Dois dos livros que publicou chamam-se A history of contemporary Italy e Italy and its discontents. Nos anos mais recentes esteve na linha da frente da mobilização da sociedade civil italiana em defesa da democracia.

29 Março 2007

HÁBITOS DE AUDIÊNCIA DA RÁDIO


Na edição mais recente da newsletter da Marktest (27 de Março), escreve-se sobre a mudança, nos últimos anos, do comportamento dos portugueses em termos de audiência de rádio, bem como o perfil dos ouvintes da rádio. Nesta mensagem, seguimos de perto o texto da Marktest.

Entre 1997 e 2006, o consumo de rádio em casa decresceu cerca de 39%, ao passo que a escuta de rádio no carro subiu 65%. O automóvel é, desde 2005, o local onde mais Portugueses ouvem rádio. Por outro lado, cerca de 10% ouve, diariamente, rádio no local de trabalho.

Quanto ao tempo médio de escuta diária entre 1997 e 2006, existe uma grande estabilidade. Sendo o carro o local onde mais indivíduos ouvem rádio, o tempo médio mantém-se próximo das duas horas diárias ao longo do período abordado. Já a audição no local de trabalho subiu e a escuta em casa teve uma ligeira descida. Há uma tendência para concentrar a escuta em dois períodos do dia – 08:00 às 10:00 e 17:00 às 20:00 -, períodos de deslocação casa/trabalho e vice-versa.

Quem ouve rádio são, maioritariamente, homens, entre os 15 e os 44 anos, classes Alta, Média/alta e Média, no Grande Porto, Litoral Norte e Grande Lisboa. A rádio é a companhia diária de perto de 60% do universo de perto de 8,3 milhões de indivíduos residentes no continente, com 15 ou mais anos.

No estudo da Marktest, há ainda uma comparação do meio rádio com a escuta em Espanha. Entre 1997 e 2006, a média de ouvintes em Espanha está abaixo dos valores registados em Portugal (respectivamente 54,8% e 57,4%).

28 Março 2007

EDIÇÃO DE REVISTA

A celebração do terceiro ano do PISA-PAPÉIS vai acontecer nos próximos minutos, com o lançamento do PISA-PAPÉIS 07/08, Roteiro que representa profissionais e entidades das mais diversas artes do espectáculo de todo o país.

28 Março 2007

CICLO: ARTE_LUGAR DE TRANSVERSALIDADE[S]

Na última sessão do ciclo dedicado ao papel das indústrias criativas na cidade contemporânea – amanhã, dia 29, pelas 18:00, José Pacheco Pereira e Manuel Falcão (ex-director do Canal 2) vão discutir, com moderação de Luís Serpa, a relação entre os novos media e a cultura [livraria Bulhosa, ao Campo Grande, em Lisboa].

Nas palavras da organização:

  • O desenvolvimento das Indústrias Criativas [Arquitectura, Mercado Artes Visuais & Antiguidades, Audiovisuais - Televisão & Rádio, Artes Performativas & Entretenimento, Cinema e Vídeo, Design - Gráfico & Produto, Escrita e Publicação, Moda, Música, Software Educacional e Lazer, Publicidade] carece da implementação de uma Nova Classe Criativa [aquela que concebe produtos culturais com pertinência comercial tão diversas como a ciência, a engenharia, a arquitectura, o software, a tecnologia, a arte e o design, a moda, a música e/ou o entretenimento].

    As Conversas na Bulhosa – A[s] Cidade[s] e as Indústrias Criativas propõem-se revitalizar a discussão sobre as potencialidades das Parcerias Estratégicas para a apresentação de projectos inovadores considerados como um driving force do crescimento económico da(s) cidade(s) integrados no conceito das Novas Geografias Cosmopolitas.

28 Março 2007

O BLOGUE DE CARLOS ROMÃO


É um espaço fantástico o do blogue de Carlos Romão, A Cidade Surpreendente. Já aqui fiz várias referências a ele, nomeadamente em 1 de Julho de 2005. Desde 28 de Janeiro último, Carlos Romão não tem colocado mensagens no seu blogue, mas eu sei que ele vai regressar em breve.

Com sua autorização, retiro imagens e texto incluídos por ele na mensagem de 20 de Janeiro último, intitulada Onde a tradição ainda é o que era. Vale a pena espreitar o seu blogue (e ainda o Álbum Cidade Surpreendente).

A singularidade da figura oitocentista da montra, deslocada no tempo há gerações, serena e levemente altiva, a par da peculiar actividade de produção de cabeleiras num ambiente fin-de-siécle, elevam a pequena loja conhecida como Cardoso Cabeleireiro, na Rua do Bonjardim, à condição de instituição urbana portuense.

Quando lá entrei estava Horácio Teixeira a «fazer a franja», a prender e a alinhar com destreza, num fio esticado, conjuntos de seis a nove cabelos. Para formar uma cabeleira são precisas 2000 fiadas destas, que podem demorar três dias a concluir. Trabalha com cabelo natural, matéria-prima que já foi mais fácil de encontrar. «Hoje os cabelos usam-se curtos; para serem trabalhados têm que ter no mínimo vinte centímetros de comprimento», diz-me.


A actividade já teve melhores dias, «no tempo em que os actores do Sá da Bandeira vestiam a rigor». «Hoje, um actor», mesmo que vá representar o papel de Luís XV, «entra no palco de qualquer maneira», acrescenta.

Nada é como era, com excepção daquele estabelecimento. Ali impera a tradição, patente num conjunto de mais de 300 cabeleiras para alugar – de senhores e de vassalos, de santos e de anjos – tratadas pelo mesmo método e com os mesmos instrumentos que eram usados há cem anos, quando a casa foi fundada.

Jerónimo Cardoso Jorge, o fundador, regressou ao Porto após ter visitado a Feira Universal de Paris em 1900, carregado de revistas e entusiasmado com o que tinha visto e aprendido por lá. Em 1906 alugou o edifício da Rua do Bonjardim, instalou a casa de família no primeiro andar e a loja no rés-do-chão, trabalhando como cabeleireiro e fabricante de perucas, capachinhos e bigodes. Chamou os sobrinhos, Manuel e António, para junto de si e, incansável, continuou a viajar por França e Espanha, donde trazia cabelo, e por Portugal e pelo Brasil, angariando clientes.

Morreu em 1920 deixando o negócio nas mãos dos sobrinhos. António desapareceu em 1973 e o irmão em 1988. Sem descendentes directos confiaram a casa a Horácio Teixeira e a Israel Matos, os seus mais leais empregados. Horácio, hoje com 61 anos, começou como aprendiz, aos 10 anos de idade, «depois de ter completado a 4ª classe». Israel foi introduzido na arte por um vizinho, empregado da loja, em 1965, quando tinha 11 anos.

A actividade da casa tem a época alta a partir da Páscoa, coincidindo com as festividades religiosas até Setembro. Nos restantes meses do ano «aguenta-se, há sempre que fazer».

Pergunto a Horácio Teixeira o que acontecerá à loja quando se cansar de exercer a profissão. Responde-me encolhendo os ombros e levantando as sobrancelhas, ao mesmo tempo que afasta os braços com as mãos abertas. Teve «três miúdos aprendizes» que se desinteressaram pela arte. Provavelmente fechará.

[Texto e imagens de Carlos Romão, em A Cidade Surpreendente]

27 Março 2007

UM ABRAÇO A JOSÉ CARLOS ABRANTES

Foi bom voltar a lê-lo na coluna do provedor do leitor do Diário de Notícias.

Continuação de excelente saúde.

27 Março 2007

VISITA AO MUSEU


Amanhã, dia 28, pelas 18:00, no Museu Nacional de Arte Antiga, haverá uma visita guiada à obra de Hans Memling, Virgem com o menino.

A apresentação da obra será feita por Ana Castro Henriques e Teresa Pacheco Pereira.

27 Março 2007

ARS SACRA


O Sector dos Bens Culturais da Igreja do Patriarcado de Lisboa, promove nos próximos dias 20 e 21 de Abril, o I Ciclo de Conferências para o Estudo dos Bens Culturais da Igreja, Ars Sacra. Formas de Religiosidade e Sacralidade nas Artes Decorativas Portuguesas. O curso será coordenado cientificamente por D. Carlos Moreira Azevedo, Pe. António Pedro Boto de Oliveira e Dra. Sandra Costa Saldanha e terá lugar na sacristia da Igreja Paroquial de Santa Catarina – Paulistas, na Calçada do Combro em Lisboa.

Segundo informação da organização, o “Evento circunscrito ao vasto património cultural da Igreja, visa abordar a multiplicidade de valências artísticas que um espaço religioso encerra, através da divulgação de trabalhos recentes de investigação científica, da autoria de diversos especialistas nacionais. Promovendo a reflexão e o debate interdisciplinar, pretende sensibilizar para a importância que o seu estudo desempenha na valorização efectiva desse legado, junto de todos quantos lidam de perto com os Bens Culturais da Igreja, nomeadamente sacerdotes, religiosos, investigadores, instituições e fiéis”.

Informações suplementares: ver sítios do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja (www.ecclesia.pt/bensculturais) e do Patriarcado de Lisboa (http://www.patriarcado-lisboa.pt/) ou telefones 213464443 e 218810500.

27 Março 2007

PRIMEIRA REDE EDITORIAL DE BLOGUES

O portal da primeira rede editorial de blogues em Portugal é apresentado publicamente hoje, conforme já havia anunciado aqui.

No endereço TubarãoEsquilo, vai mostrar-se “o rosto dos mais de vinte autores que desde o Outono têm vindo a aderir ao projecto pioneiro, bem como os seus trabalhos. Com um jornalista como pivot, a TubarãoEsquilo assume-se como um projecto editorial profissionalizante: os autores são remunerados em função dos resultados alcançados, remuneração esta assente, na fase de arranque, nas receitas de publicidade.A rede não tem pretensões no campo do jornalismo nem tenciona constituir-se como alternativa aos meios – embora entre a vintena inicial de autores constem os nomes de alguns jornalistas”, diz a informação disponibilizada pela nova rede.

Paulo Querido, o pivot da rede, “ressalva todavia que a rede virá a agenciar uma parte das matérias produzidas, servindo como um marketplace de conteúdos originais. Além dessa função de complementaridade, a TubarãoEsquilo inova através do fornecimento de informação em novos suportes visuais, por iniciativa dos autores ou a pedido de clientes, introduzindo em Portugal a programação informática como ferramenta jornalística.A rede editorial está em formação desde Outubro. Entre os primeiros blogues estão, já, alguns líderes de sector. O Economia & Finanças (economiafinancas.com), de Rui Cerdeira Branco, é o blogue português de economia mais consultado da Internet e está entre o top que lidera as audiências da blogosfera. O Remixtures (remixtures.com) tem em Afonso Caetano o autor de referência em matéria de cibercultura, tratando temas emergentes como os novos licenciamentos, o copy-left e a discussão sobre os direitos de autor. O Teknologico (teknologico.net) e o na Web 2 (naweb2.com) seguem a actualidade da Web 2.0. Há também lugar para as escolhas culturais (Modus Vivendi, Ideias Soltas) e históricas (Carreira da Índia)”.

Observação: informação disponibilizada inteiramente por Paulo Querido.

26 Março 2007

"DECIDA VOCÊ" NA TELEVISÃO


Os cartazes diziam: “Decida você”. Mais de 40% escolheram Salazar, seguindo-se Cunhal. Na minha perspectiva, foram más opções. Triunfou o militantismo das opiniões ideológicas. De entre os portugueses já mortos – porque foram os escolhidos na parte final do concurso -, há, inegavelmente, exemplos mais adequados de bons e justos.

Houve um lado de ridículo no concurso “Os grandes portugueses”, visível no dispositivo televisivo. Ontem, falava-se em bravura e coragem. Não sei se as pessoas que “representavam” determinadas personalidades do passado nacional tinham competência para assumirem essa função. Depois, cada “representante” tinha um tempo limitado para defender o seu “representante”, como se fosse um Quiz (teste) qualquer. As figuras (cartão?) que “representavam” as personalidades eram feias (não devo empregar a palavra “tosca”).

No debate sobre o concurso que se estabeleceu na opinião pública surgiram múltiplas posições, várias delas acaloradas e, por isso, despidas de bom senso. No fim de contas, tratou-se de um mero concurso de televisão, o qual aproveitou o canal onde foi emitido o concurso, ao pôr as pessoas a falarem dele. Eis uma razão positiva: relembrar figuras da História de Portugal, goste-se ou não.

Mas, para além desse lado de ridículo, devemos olhar o concurso dentro das narrativas da pós-televisão (ver aqui). Na pós-televisão, há pequenos canais especializados e audiência reduzida, com o espectador a ser programador do que vê. No caso de “Os grandes portugueses”, o espectador-militante usou o telefone para influir na votação, o que acontece desde o primeiro Big Brother (na TVI). Votar em Salazar seria uma outra versão do votar no Zé Maria. Eis uma razão negativa: abandonar o serviço público e entrar no infotainment (não devo usar a palavra “tablóide”).


26 Março 2007

REVISTA COMUNICAÇÃO & CULTURA


Está aberto o Call for papers dos números 4 e 5 da revista Comunicação & Cultura, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica, com temas principais respectivamente Terror e terrorismos e Mediatização da dor.

Data de fecho de comunicações a apreciação: 1) nº 4 – até 1 de Maio de 2007, 2) nº 5 – até 30 de Outubro de 2007. Para saber mais, clicar aqui.

Os trabalhos a submeter deverão estar de acordo com as normas de publicação da revista, podendo ser enviados para um dos seguintes endereços:

E-mail: comunicultura@fch.ucp.pt

Endereço físico: Universidade Católica Portuguesa
Faculdade de Ciências Humanas
Palma de Cima
1649-023 Lisboa

26 Março 2007

X JORNADAS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Na Universidade do Minho (Braga), amanhã e depois de amanhã (clicar em cima da imagem para ampliar).

26 Março 2007

JORNADAS DE COMUNICAÇÃO NO ISCSP

De hoje até depois de amanhã.

25 Março 2007

JORNALISMOPORTONET


O JornalismoPortoNet, espaço do curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, tem uma imagem renovada e novas funcionalidades, com integração multimedia e maior participação dos leitores, mais adequado ao ciberjornalismo.

O novo grafismo e mais funcionalidades do
JornalismoPortoNet apresentou-se na passada quinta-feira, dia da Universidade do Porto (UP). As mudanças, consideram os autores do espaço da internet, acontecem três anos depois da inauguração do jornal digital (ciberjornal) daquele curso. Incluem vídeos, sons e fotografias dentro de uma mesma peça. O visitante tem a possibilidade de dar notas às notícias, bem como de sugeri-las à comunidade de cibernautas, através de ferramentas como o Domelhor, Newsvine e Del.icio.us.

25 Março 2007

ANIVERSÁRIO DE ELTON JOHN E DOWNLOAD TOTAL DO SEU CATÁLOGO


Elton John faz hoje 60 anos, escreve Nuno Galopim no Diário de Notícias. Por seu lado, a newsletter do European Journalism Center, de 22 de Março, indica que o músico irá colocar todo o seu catálogo em on-line. Nesta mensagem, sigo os dois textos de muito perto.

Elton John, cujo nome de origem é Reginald Dwight, conhece o sucesso em 1970 com Young song. No ano seguinte, ainda pouco conhecido, toca no festival de Vilar de Mouros. Uma das diabruras que fez então foi dançar em cima do piano, partindo o aparelho. Depois, em 1972, lança a editora Rocket Records (que retirou do nome da canção Rocket man). Já mais perto de nós, em 1997, canta no funeral da princesa inglesa Diana Spencer a sua canção de 1976 Candle in the wind, fazendo as vendas saltarem para o primeiro lugar (30 milhões de cópias).

Agora, com o aniversário, Elton John disponibiliza mais de 30 álbuns em descarregamento digital, num total de cerca de 400 músicas. Isto é, um catálogo inteiro de um artista que vendeu mais de 200 milhões de cópias numa carreira de mais de 40 anos. Elton John já havia lançado em on-line e nos Estados Unidos alguns dos seus trabalhos mais recentes, mas é a primeira vez que o faz deste modo. O catálogo estará disponível exclusivamente através do serviço iTunes da Apple, de amanhã até 30 de Abril, após o que ficará disponível noutros serviços legais de descarregamento electrónico.

24 Março 2007

TUBARÃO ESQUILO, DE PAULO QUERIDO

Paulo Querido, do blogue Mas certamente que sim…, anuncia para a próxima terça-feira, dia 27, a “apresentação pública do website da nova espécie da web lusófona, a rede TubarãoEsquilo (grafia oficial). Em tubaraoesquilo.pt“.

Jornalista (Expresso) e pioneiro na criação do weblog.com.pt, esta nova proposta apresenta-se como uma rede de blogues. Retiro uma explicação sucinta do TubarãoEsquilo a partir da notícia escrita em JornalismoPortoNet: “vai reunir os «posts» mais recentes dos blogues agregados, peças multimédia e comentários dos leitores. O portal conta já com a participação de 24 «bloggers» de diversas áreas, mas o número deve crescer. Entre os participantes, estão os blogues Teknologico, Adufe, NaWeb2 e Memória Virtual. Esta rede formada por vários autores visa «muni-los de tecnologias, conceitos e sinergias, que potenciem as suas energias», explica Querido, jornalista e fundador do Weblog.com.pt. A rede editorial de blogues vai ser suportada pela publicidade. Os blogues agregados serão remunerados em função do investimento publicitário”.

Paulo Querido fala em “cerca de 25 projectos editoriais nos quais, usando as melhores ferramentas do blogging, participam outros tantos autores”. Explica ainda que, “entre os primeiros serviços de arranque estará, claro, o agregador dos textos e peças multimedia resultantes da actividade editorial dos membros”.

24 Março 2007

POR VOLTA DOS ANOS DE 1930


Nunca havia olhado para estas fotografias. Conheci a senhora que, em criança, aparece na primeira fotografia, o ano passado falecida. Do grupo de músicos nunca soube da sua existência. Logo, vou efabular quase tudo.


A menina, ida ao fotógrafo de propósito, tem um pequeno fio em torno do pescoço e outros fios em ambos os pulsos, presumivelmente de ouro. Seria Verão, dado o vestido de mangas curtas. Os sapatos parece terem já algum uso, apesar de polidos. O cabelo é encaracolado e o ar triste ou amedrontado. Não sei se se trataria apenas do impacto perante o fotógrafo – possivelmente a primeira ida ao estúdio e a necessidade de se manter quieta, com o braço direito apoiado na cadeira, algo desconfortável porque ela era ainda pequena para a posição. Teria quê, quatro anos? Se sim, estaríamos em 1928, já dentro do tempo da Ditadura Militar que haveria de catapultar Salazar, o homem de quem se volta a falar: um concurso na televisão, um museu na sua terra natal e até um musical, como um jornal de hoje afirma.

Como seria a sua vida, brincava muito com os seus irmãos? E a mãe como se ocupava dela? Ou teria já falecido, vitimada pela tuberculose que afectou muitas pessoas da área onde vivia?

Do conhecimento – como se fosse um eco longínquo – da história de vida da criança, salto para a fotografia dos quatro músicos. No chão, vêem-se três instrumentos de corda e uma bateria. Não possuo conhecimentos para afirmar de que tipo de agrupamento se trata. Tocariam em festas um repertório popular? E passaram por alguma estação de rádio?

Apesar das duas fotografias estarem no mesmo lote, não sei se haveria algum laço de familiaridade ou de amizade entre a menina e algum dos músicos. Nem sei se pertenceriam à mesma época. Pela roupa e penteados, é possível as fotografias serem de período próximo. São rostos urbanos mas, pelo olhar duro e tímido, não viveriam economicamente muito bem. A música seria um espaço de amadorismo, se calhar a partir de uma associação de bairro. Distingue-se bem que um dos músicos é mais velho e de estatura mais baixa, enquanto os dois homens do meio envergam uma espécie de fita como hoje usam os músicos que prendem a si os instrumentos que tocam. A pose é feita de propósito para a fotografia, com os corpos muito rígidos. Por trás dos quatro homens, parece haver uma tela, como se fosse um palco. Mas há uma parte da imagem, em cada um dos lados da fotografia, sem continuidade dessa tela. E existe um degrau à esquerda.

Adenda (colocada em 27 de Março)

Recupero, aqui, um comentário recebido pelo correio electrónico e um colocado na própria mensagem, a quem agradeço profundamente:

Fiquei “encantada” com o seu artigo com uma efabulação sobre duas fotos de ± 1930. Tenho inúmeras fotos desse tipo, tanto de pais e avós, como de trisavós. Para o cenário era requerida a mesma sisudez exigida aos rostos de todas as idades. Os adereços e os adornos eram preferentemente paisagísticos ou protocolares. Exibiam-se florestas e salões onde era pedida distinção às personagens da encenação.

Outro tipo de fotos da transição de século, bem mais curioso porque livre de alguns desses constrangimentos, era o dos grupos familiares. Aqui, as pessoas sentavam-se ou encostavam-se, predominantemente num exterior de prados ou escadarias, exibindo já um esquivo e cerimonioso sorriso.

Todavia, as minhas preferidas são as dos fotógrafos de rua, que protagonizei em criança. Levada a passear por empregadas (então criadas), ansiava pela foto mensal onde os seus sorrisos exuberantes deixavam um admirável registo de descontracção.

MJE

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Jorge Guimarães Silva said…

Se os músicos da fotografia forem portugueses, o conjunto é, no mínimo, estranho: Bateria, Banjo, Guitarra e Viola de arco. Pela configuração, pode ser um dos primeiros grupos de Jazz que existiram em Portugal e que remontam à década de 1920. No entanto, também podem ser um conjunto folk americano. O banjo é estranho, já que o braço é muito curto e não me parece ter corda de polegar. É um instrumento típico da música folk norte-americana. Foi levado por escravos africanos para a América e tornou-se o instrumento típico dos negros, sendo muito utilizado no Jazz. Mais tarde, popularizou-se na Inglaterra, mas o mesmo não aconteceu no resto da Europa. A configuração da guitarra (clássica ou espanhola, mas que é também conhecida como viola ou violão) também é estranha, pois os parafusos-sem-fim estão no topo do cravelhame – como na guitarra portuguesa – ao contrário das guitarras comuns em que os parafusos estão de lado. O instrumento que está ao centro, em frente à bateria, parece ser uma viola de arco (ou violeta) e não um violino, pelo seu tamanho. Os violinos costumam ser mais pequenos. Usei o arco como referência. A bateria da foto é típica dos princípios do século XX. Os fatos dos músicos parecem ser de finais da década de 1920. Para já, do que mostra a foto é só o que posso dizer.

23 Março 2007

TEATRO NO MONTIJO


Amanhã, dia 24, no Cinema-Teatro Joaquim d’Almeida (Montijo), em ligação com a Artemrede – Teatros Associados – é apresentado, pelas 21h30, o espectáculo Submersão do Meu Ser.

Com coreografia de Rita Galo e Rita Torrão, Submersão do Meu Ser é inspirada nas formas imaginárias e figurações demoníacas criadas por Hieronymus Bosch (1450-1516), e interpretada por Alexandrina Nogueira, Carla Jordão, David Silva, Jack Jones, Rita Galo, Theresa da Silva e Tiago Careto.


Submersão do Meu Ser tem figurinos de Ana Saraiva, desenho de luz de Pedro Machado, e som, edição e mistura de José Manuel Pacheco [não consegui saber o nome do autor da fotografia que acompanha esta mensagem] [para ampliar a imagem, clicar em cima dela].

O preço único é de €5. Como amanhã é Dia Nacional do Estudante, os estudantes ainda beneficiarão de um desconto. O Cinema Teatro Joaquim D’ Almeida fica na rua Joaquim de Almeida, no Montijo. Para saber mais, telefonar para 212327880/82.

23 Março 2007

AS FONTES DAS NOTÍCIAS


É do que falarei hoje ao fim da tarde, na Universidade Católica Portuguesa.

23 Março 2007

11% DOS LARES COM TELEVISORES DE LCD OU PLASMA


11% dos lares já tem LCD ou Plasma, estima a Marktest, na sua mais recente newsletter.

Assim, conforme dados recolhidos pelo Estudo de Base na segunda metade do ano de 2006, cerca de 11% dos lares já adquiriu este tipo de televisores. A Marktest começou a incluir estes receptores no seu Painel de audiências, embora considere mais complexa a sua ligação técnica.

Considera a Marktest (Audimetria) que as evoluções tecnológicas, quer na emissão quer na recepção televisiva, merecem atenção tendo em vista medições mais adequadas.

23 Março 2007

VÍDEOS

  • Os grupos de media norte-americanos News Corporation e NBC Universal vão lançar um sítio de vídeos online para concorrer com o You Tube. A News Corporation, que detém, entre outros, o canal FOX, e a NBC revelou que o seu projecto terá vídeos dos diversos canais e produtoras pertencentes às duas empresas, caso de séries como Heroes, Saturday Night Live, 24 e Simpsons. Falta definir se, como no You Tube, o novo sítio permite a utilizadores colocarem online os seus vídeos.

Fonte: Meios e Publicidade de hoje (texto de Hugo Real)

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