Arquivo para Setembro, 2008

30 Setembro 2008

MAR POR MEDIO – GALIZA E PORTUGAL – A CONSTRUCIÓN DUN ESPAZO COMÚM DE COMUNICACIÓN E CULTURA


As XVI Xornadas Mar por Medio este ano teñen como temática: “Galiza e Portugal, a creación dun espazo común de comunicación e cultura”.


Coas mesmas tratamos de crear un foro de debate no que, durante tres días, profesionais do sector cultural (música, literatura, xestión cultural) de Galiza e, sobre todo, de Portugal dean conta da situación actual e das posibilidades futuras. Con vistas a falar máis polo miúdo destas posibilidades, este ano habilitouse un espazo na programación para que os profesionais do sector teñades a ocasión entrevistarvos en privado cos ponentes se vos parezan de interese.

A inscrición é gratuíta e nela podedes, xa desde agora, reservar as vosas entrevistas. O prazo de inscrición para profesionais remata este venres 3 de outubro.

Atoparás toda a información na páxina web das xornadas: http://www.marpormedio.com.

30 Setembro 2008

ILUSTRAÇÃO NO FEMININO


Ilustração no Feminino é a organização de uma exposição com cerca de 100 obras levada a cabo pela Junta de Freguesia de S. João da Madeira, que “decidiu publicar a agenda-catálogo que representa a interpretação, por mais de trinta artistas portuguesas de várias gerações de ilustradoras, de um mesmo texto literário, o conto russo «A minha mãe é a mulher mais bela do mundo»”.

Continuando a citar a apresentação da iniciativa, lê-se que ela, “promovida no ano internacional do diálogo intercultural, quis celebrar também a importância da leitura polissémica. Ler o mundo na sua infindável diversidade, ler as relações infinitas e únicas que se tecem entre os seres, ler as várias formas de expressões artísticas e técnicas usadas”.

Decorre nos próximos dias 2 a 4 de Outubro (o programa completo está aqui e o número de ilustradoras é muito grande, como se pode ver aqui). O blogueiro adorava estar lá, mas as obrigações profissionais impedem mesmo uma visita rápida.

Retiro uma das ilustrações publicadas no sítio da internet, mas vale a pena clicar aqui para ver a colecção.


Uma muito feliz iniciativa. Parabéns!

30 Setembro 2008

ESCREVERIA ADORNO SOBRE SHARON STONE?

  • Para o consumidor, não há nada mais a classificar que não tenha sido antecipado no esquematismo da produção. A arte sem sonho destinada ao povo realiza aquele idealismo sonhador que ia longe demais para o idealismo crítico. Tudo vem da consciência, em Malebranche e Berkeley da consciência de Deus; na arte para as massas, da consciência terrena das equipes de produção. Não somente os tipos das canções de sucesso, os astros, as novelas ressurgem ciclicamente como invariantes fixos, mas o conteúdo específico do espectáculo é ele próprio derivado deles e só varia na aparência. Os detalhes tornam-se fungíveis. A breve sequência de intervalos, fácil de memorizar, como mostrou a canção de sucesso; o fracasso temporário do herói, que ele sabe suportar como good sport que é; a boa palmada que a namorada recebe da mão forte do astro; sua rude reserva em face da herdeira mimada são, como todos os detalhes, clichés prontos para serem empregados arbitrariamente aqui e ali e completamente definidos pela finalidade que lhes cabe no esquema. Confirmá-lo, compondo-o, eis aí sua razão de ser. Desde o começo do filme já se sabe como ele termina, quem é recompensado, e, ao escutar a música ligeira, o ouvido treinado é perfeitamente capaz, desde os primeiros compassos, de adivinhar o desenvolvimento do tema e sente-se feliz quando ele tem lugar como previsto. O número médio de palavras da short story é algo em que não se pode mexer. Até mesmo as gags, efeitos e piadas são calculados, assim como o quadro em que se inserem. Sua produção é administrada por especialistas, e sua pequena diversidade permite reparti-las facilmente no escritório. A indústria cultural desenvolveu-se com o predomínio que o efeito, a performance tangível e o detalhe técnico alcançaram sobre a obra, que era outrora o veículo da Ideia e com essa foi liquidada. Emancipando-se, o detalhe tornara-se rebelde e, do romantismo ao expressionismo, afirmara-se como expressão indómita, como veículo do protesto contra a organização. [Max Horkheimer e Theodor Adorno (1985). Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, pp. 117-118]

Quando Adorno escreveu, conjuntamente com Horkheimer, o livro Dialética do Esclarecimento estava no exílio, fugido da Alemanha nazi. Em especial o capítulo sobre “A indústria cultural: o esclarecimento como mistificação das massas” marcou a sua filosofia, ponto de progresso que chegaria até Teoria Estética, texto editado postumamente em 1970. A Dialética é um livro pessimista, aporético.

Sharon Stone, a super-dotada actriz americana muito conhecida por um descruzar de pernas no filme Instinto Fatal (1992, com sequela em 2006), aparece num anúncio da Dior. No sítio da Sack’s, lê-se que “Capture Totale, o primeiro produto anti-idade baseado em uma profunda pesquisa tecnológica e sociológica. Capture Totale oferece resultados anti-idade extraordinários e conta com tecnologias de vanguarda em sua composição. Esta nova geração de cosméticos está aliada a um novíssimo conceito – uma geração de mulheres completamente satisfeitas e confortáveis com sua real idade. Assim como a estrela da campanha de Capture Totale, Sharon Stone, estas mulheres estão em busca da beleza serena e completa”.

Certamente, Adorno não hesitaria em escrever sobre a actriz e a publicidade e sobre os “clichés prontos para serem empregados arbitrariamente aqui e ali e completamente definidos pela finalidade que lhes cabe no esquema”. Já não há exílio ou histeria mas procura da beleza até ao fim da vida.

30 Setembro 2008

RECURSOS SOBRE ADORNO


Para ler:
1) o capítulo do livro de Max Horkheimer e Theodor Adorno, Dialética do Esclarecimento, “A Indústria Cultural: o esclarecimento como mistificação das massas”, clicar aqui,
2) o prólogo à primeira edição alemã da Dialéctica do Esclarecimento (ou Iluminismo) (versão em castelhano), clicar aqui.

30 Setembro 2008

MAHLER NA RÁDIO


É sempre impressionante (e arrepiante) ouvir Mahler (5ª sinfonia). Agora, na Antena 2.

30 Setembro 2008

INDÚSTRIA CULTURAL EM HEINZ STEINERT


O conceito de indústria cultural em Adorno e Horkheimer aparece na forma de singular, referindo-se à produção de coisas como o princípio de uma forma específica de produção cultural (Steinert, 2003: 9). A cultura subordina-se à forma de mercadoria. Actualmente, usa-se também o plural indústrias culturais, que distingue produtos diferentes e géneros de produção (Steinert, 2003: 170), e inclui as indústrias da edição, musical, cinematográfica e da televisão e, mais raramente, as indústrias da ópera, dos museus e galerias e da arquitectura e da construção. Em simultâneo, estabeleceu-se um novo campo académico de “gestão cultural” nas escolas de negócios e nas universidades.

O que era originalmente uma crítica filosófica tornou-se uma descrição empírica de como se produzem os bens culturais, continua Steinert (2003: 171). Mas os bens ou coisas culturais não são menos bens que os da indústria pesada, pois a modernização da produção de bens não reduz o carácter de coisa do produto.

A conclusão é que, nos media e entretenimento, a mudança para indústrias culturais é muitas vezes entendida como um avanço decisivo sobre a simplificação de Adorno e Horkheimer. O argumento é que a cultura agora está muito diversificada, oferecendo sempre algo diferente para pessoas com gosto particular.

Steinert escreve: a nossa compreensão da cultura está pluralizada para incluir ritmos e harmonias mecânicas (e electrónicas) da música popular, telenovelas e talk-shows, ao lado de peças refinadas e distintas da herança aristocrática europeia. Por um lado, não há lugar a restrições à entrada nas galerias de arte e nos concertos, supondo-se que tudo seja bom, claro e alegre. Por outro lado, os intelectuais adquirem o estatuto de especialistas altamente remunerados, abandonando a antiga função da reflexividade. Steinert procura restabelecer o primeiro significado de indústria cultural como cultura transformada em coisa ou bem, e distinto dos media (2003: 10).

O lamento de Steinert aproxima-se do dos autores que estuda, dentro da linha da teoria crítica de influência marxista, e afasta-se de outros autores que eu cunho de liberais-pluralistas, como Bernard Miège, Enrique Bustamante e David Hesmondhalgh, que trabalham o plural indústrias culturais, e Justin O’Connor e Andy C. Pratt, que trabalham o conceito de indústrias criativas. Alguns destes autores já tiveram referências aqui no blogue.

Leitura: Heinz Steinert (2003). Culture Industry. Cambridge: Polity. Nascido em 1942, foi, até ao último ano lectivo, professor de Sociologia no J.W.Goethe Universität (Frankfurt). Escreveu sobre Adorno (em Viena), jazz e criminologia, entre outros temas. Foi igualmente docente em Viena (Institute for the Sociology of Law and Criminology), cidade onde reparte residência com Frankfurt. Steinert esteve em Setembro de 2001 em Nova Iorque, onde iniciou um projecto de investigação no departamento de Sociologia da New York University sobre o 11 de Setembro. Excepto a organização do volume Welfare Policy from Below, não conheço outra obra de Steinert em inglês ou francês, o que dificulta o seu conhecimento fora da língua alemã. Esperam-se, pois, traduções (não ouso pedir para português).

29 Setembro 2008

JORNAIS CULTURAIS


O 21º Encontro Europeu de Jornais Culturais realizou-se este fim-de-semana em Paris. Organizado pela rede de jornais culturais, Eurozine, e os franceses Sens Public, Multitudes e Esprit, em cooperação com Ent’revues, estava previsto reunir mais de 100 editores e intelectuais e explorado o tema do multilinguismo na Europa e a sua relação com a edição e a transformação nos media.

Se o blogueiro descobrir mais elementos, reportá-los-á aqui.

29 Setembro 2008

SOBRE INDÚSTRIA CULTURAL


Horkheimer e Adorno usaram o termo indústria cultural em dois sentidos: 1) refere a produção de coisas como o princípio de uma forma específica de produção cultural, em que a produção cultural de coisas ou mercadorias contrasta com a ideia burguesa da arte como algo isento de interesse prático, como “l’art pour l’art”, 2) denota um ramo específico de produção, como estúdios cinematográficos, fábricas de discos, rotativas dos jornais diários, estações de rádio e de televisão.

Torna-se necessário distinguir entre os dois significados do termo no texto original, dados pelo artigo definido: 1) “a indústria cultural” refere-se aos media e aos seus meios de fabrico, 2) “indústria cultural” significa o princípio da actividade cultural da forma coisificada ou mercantilizada.

[Heinz Steinert (2003). Culture Industry. Cambridge: Polity, pp. 9-10]

29 Setembro 2008

MEDIA ALTERNATIVOS E DE COMUNIDADE


Retiro do sítio Media Network de anteontem (escrito por Andy Sennitt) a informação que o Parlamento Europeu apoia a instalação de media alternativos e de comunidades, a partir do relatório de Karin Resetarits (do partido liberal austríaco) para promover o pluralismo e a diversidade cultural.

Com origem na velha família das rádios livres e piratas, os media alternativos são com frequência meios comunitários, dirigidos a um tipo de população (grupos religiosos como os muçulmanos e etários como idosos e jovens), podendo distinguir-se dos media comerciais pelo facto de não procurarem o lucro mas a ligação social com a comunidade que servem.

A senhora Resetarits entende que os media alternativos não isolam mas, pelo contrário, integram as pessoas numa comunidade, informando-as dos seus direitos, em especial na área da educação e no acesso a serviços públicos, promovendo os cidadãos a tomar parte na vida activa e a ouvir os seus problemas e interesses.

Karin Resetarits especifica que os apoios devem incluir os de natureza legal, financeira e técnica, como a atribuição de frequências. Ela espera que, quando a Comissão Europeia publicar no próximo ano o seu relatório sobre o pluralismo nos media, tenha em conta as propostas de media alternativos e de comunidade, os quais contribuem necessariamente para o pluralismo.

28 Setembro 2008

TECNOLOGIAS: USOS SOCIAIS E INDIVIDUAIS


O Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) abriu o call for papers para os dois próximos números da revista Media & Jornalismo, o primeiro dos quais sob o tema Tecnologias: usos sociais e individuais. Diz a direcção da publicação científica:

  • A tecnologia não é neutra e a sua influência pulveriza-se em todas as áreas da actividade humana; reciprocamente, ela é incorporada no dia-a-dia de acordo com necessidades específicas que podem, eventualmente, ser distintas das que inicialmente foram pensadas como fundamento para o seu surgimento. Neste processo de tornar familiar o que é estranho, a tecnologia sofre alterações no âmbito dos usos sociais e individuais.

    Como é moldado o quotidiano pela utilização de novos meios tecnológicos? Qual a relevância de escolhas individuais no universo de uma oferta massificada de objectos/gadgets? O que sustenta as resistências sociais à introdução de novas tecnologias? Quais as margens de liberdade individual na utilização de objectos técnicos? Quais as reais reconfigurações do espaço e do tempo nas sociedades contemporâneas? O que existe de realmente novo nos chamados novos media? Como problematizar a emergência do paradigma dos self media?

    Estas são algumas das questões que a Revista Media & Jornalismo propõe para análise por parte dos investigadores interessados na temática acima indicada, convidando-os a submeterem artigos com vista à publicação num próximo número da revista.

    As propostas devem ser enviadas para a Revista até 31 de Janeiro de 2009. Aceder ao CIMJ para consultar as normas de apresentação dos textos.

O número posterior está subordinado ao tema Imagem e Jornalismo.

28 Setembro 2008

RECURSOS SOBRE ADORNO

Stanford Encyclopedia of Philosophy (SEP)

28 Setembro 2008

PAULO GHIRALDELLI JR VÊ ASSIM A INDÚSTRIA CULTURAL EM THEODOR ADORNO

Vídeos de Paulo Ghiraldelli Jr sobre indústria cultural em Adorno.

28 Setembro 2008

ROTTERDAM


Recordação dos canais de Rotterdam.

28 Setembro 2008

IMACULADOS, DE DEA LOHER, NO TEATRO ABERTO


Imaculados, de Dea Loher, é o nome da peça a estrear em Novembro no Teatro Aberto. A peça cruza “as histórias de várias personagens numa linguagem actual, contemporânea e quase cinematográfica. Numa sucessão de cenas curtas, como se estivéssemos a fazer zapping, vamos conhecendo as histórias que se vão entrelaçando umas nas outras encontrando pontos comuns. São destinos cruzados que as contingências da vida separaram, que criam uma dança de roda marcada pelo humor do desespero e a energia de viver” (comunicado da companhia).

A encenação é de João Lourenço e o espectáculo conta com treze actores: Irene Cruz, Francisco Pestana, Carmen Santos, Ana Nave, Ana Brandão, Inês Rosado, Luís Barros, Pedro Ramos, Amílcar Azenha, Quimbé, Carlos Pisco, Cátia Ribeiro e Ana Rita Trindade. Deste conjunto, três actores e duas actrizes foram escolhidos de entre as candidaturas presentes nas audições do mês passado.

28 Setembro 2008

FOTOGRAFIA DE EDGAR MARTINS


Edgar Martins, português nascido em Macau (China), é licenciado em fotografia pela University of Arts London e é considerado um dos jovens artistas mais inovadores.

A sua exposição Tipologies estará presente em vários locais do mundo, incluindo a Fundação do Oriente (Lisboa), em Março do próximo ano (data a confirmar).

27 Setembro 2008

MOMENTO DA VERDADE


Não vi ainda o novo programa de Teresa Guilherme, Momento da Verdade, mas já li muitos comentários sobre o mesmo, o primeiro dos quais escrito por Eduardo Cintra Torres no Público de há uma semana atrás. Na segunda-feira passada, Manuel Pinto, da Universidade do Minho, escrevia acerca do programa no jornal digital Página 1. Ontem, na sua habitual coluna do Público, Graça Franco tinha como assunto o mesmo tema, apontando ainda para um artigo-comentário do presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, o que me levou a pensar no assunto.


Mesmo sem ter visto o programa, o que me inibe de tecer um comentário totalmente justo, pois me baseio apenas nos comentários escritos, há algumas reflexões a fazer. Primeiro, não vigora nenhum regime de censura no país, pelo que qualquer programa pode ser emitido, desde que não quebre regras de bom senso e de conduta moral. Ciclicamente, há vozes que se levantam contra determinados programas, que ofendem a moral e os costumes. Lembro-me do Big Brother, cuja abjecção também me dei conta aqui. E também de Morangos com Açúcar, hoje sem fortes críticas, apesar do programa se manter no ar. A existência de regulador é precisamente para analisar casos que quebrem regas.

Segundo, a existência da televisão comercial generalista passa pela obtenção de cada vez mais audiências. Isso é gerado por programas que chamem a atenção pública, e que incluem o inédito e o escândalo. O saudoso Eduardo Prado Coelho – às designações de paleotelevisão e neotelevisão, ou grosso modo, a televisão pública de canal único e a televisão comercial – acrescentava a designação pós-televisão, querendo ele dizer a televisão em que o indivíduo anónimo, não conhecido do grande público, entra na televisão e participa em programas onde a regra é expor as suas fraquezas e intimidades. O Big Brother, de novo, representaria um elemento fundamental na definição desse critério. Agora, mais abjecto ainda é o programa de Teresa Guilherme, como se lêem nas críticas. A SIC tem necessidade de se aproximar das audiências da TVI, de quem se afastou desde 2000. Um programa que dê escândalo é uma boa forma, dentro da etiqueta da pós-televisão, de chamar audiências. Não será um programa informativo, antes de riso cavalar, mas é uma maneira de ganhar mercado.

Terceiro, as empresas de comunicação, neste caso a televisão, são as principais interessadas. Devem auto-regular os seus conteúdos, pois um sucesso de momento pode tornar-se fracasso à distância.

Quarto, competindo ao Estado regular e não estar no negócio – que no caso não é verdade pois dispõe de canais públicos -, tem de possuir um órgão firme que verifique o que se passa. Li que o presidente da ERC considera o programa próximo da prostituição mas que não pode fazer nada. Porque o programa é um formato importado e que está (ou esteve) em exibição em muitos outros países, o que quer dizer que não se pode imiscuir num modelo já transmitido, sob o risco de ser chamado censor. Sei que o regulador está preocupado desde o seu começo, quando lançou um concurso para um estudo de análise do impacto dos programas de televisão sobre públicos sensíveis ou especializados, trabalho esse que deve estar em vias de conclusão, presumo.

Ora, se o Estado deve regular, os cidadãos têm de se unir em volta de temas que lhe dizem respeito: o desemprego, a poluição, o sucesso escolar, e a televisão. A meu ver, há duas formas simples de organização: a criação de uma opinião pública forte, caso dos textos expressos acima, e a instituição de organismos privados sem fins lucrativos que se tornem vozes activas em termos de pressão como associações de espectadores ou observatórios. Se queremos ter uma sociedade mais equilibrada, sem ou com menos problemas, temos de encontrar soluções.


[imagem de uma casa de prostituição no distrito de luz vermelha de Amsterdam; apesar de "não poder", por o modelo estar instituído há séculos, a autarquia holandesa procura reduzir a dimensão geográfica do distrito de luz vermelha, substituindo esses espaços por galerias e espaços de criatividade envolvendo jovens e instituições de lazer e cultura]

26 Setembro 2008

VELHOS E NOVOS MEDIA


Ontem, numa mesa redonda em Fátima organizada pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja, discutia-se o impacto do digital na comunicação. O tema preciso era Panorama do digital em Portugal: jornais, rádios, televisões – a realidade duma nova galáxia. Na mesa, acrescentámos a internet.

Algumas propostas geraram uma discussão muito acesa e estimulante. Como pano de fundo estava o eventual desaparecimento dos media clássicos devido ao impacto crescente da internet, em especial junto dos mais jovens. Uma corrente argumentava que os jovens já não consomem rádio ou televisão mas a internet, pelo que não haveria futuro para jornais, revistas, rádio e televisão. Alguém disse que este seria um discurso optimista (do lado dos defensores da internet); para mim, será um discurso redutor.

Passo a explicar sucintamente, eu que sou consumidor regular de internet – vê-se aqui no blogue.

Os jornais gratuitos têm vindo a aumentar tiragens desde o seu aparecimento, o que quer dizer que a imprensa em papel ainda não está em extinção. Pode mudar o modelo de negócio, como dizem os economistas. Se a rádio e a televisão genralistas são gratuitas, pagas pela publicidade, por que não jornais também gratuitos? Claro que se pode concluir: os jornais gratuitos fornecem informação, mas um leitor informado procura outras leituras (o conceito de público em Daniel Dayan). A televisão continua a ser consumida por jovens, mas não em todo o horário de transmissão, o que leva os emissores a dividir mais criteriosamente a grelha de programas atendendo às audiências. Por outro lado, o cabo atrai níveis etários mais jovens. Vê-se como alguns programas mais irreverentes no cabo ganharam audiências e migraram para os canais generalistas, que ainda conferem mais prestígio e visibilidade que aqueles. Além disso, a venda de séries de televisão nas FNAC e noutros locais, com grande destaque nas prateleiras, ilustra um consumo mais especializado – e que os mais jovens compram desde que tenham dinheiro para tal.

Quanto à internet, o aparente separador de gerações, parece-me que os mais velhos vão adquirindo competências, certamente de modo menos veloz e sofisticado que os mais jovens, mas aderindo ao email, às redes sociais e trocando mensagens com conteúdos de entretenimento. A blogosfera é um campo de experiência que engloba vários níveis etários. Amadurecido o mercado para os mais novos, as empresas de telecomunicações e de conteúdos procuram inevitavelmente os mais velhos para lhes vender produtos e serviços.

Um outro elemento a reflectir é o grau de atenção. Com mais media, a atenção individual é menor. Acrescento que estar na internet significa, com grande probabilidade, menor concentração que ler um livro de filosofia, por exemplo, o qual exige tempo e esforço de compreensão. Logo, o grau de atracção é diferente, o que não quer dizer que aquela seja mais importante que este. Outro elemento prende-se com a abundância de informação, pois esta não é sinónimo de qualidade. Uma pesquisa no Google serve como exemplo – a entrada mais popular e visitada de um tema não significa que seja a melhor, porque o Google é um algoritmo que fornece quantidade.

Não esqueço a tendência principal – o maior consumo do meio mais novo e a descida lenta dos meios mais clássicos. A publicidade colocada nos vários meios dá conta dessa tendência, com uma quebra nos media em geral e uma subida lenta mas promissora na internet.

O que escrevo não corresponde a uma interpretação linear ou indica um equilíbrio entre os vários media ou níveis etários. Mas, a par de outras variáveis como poder de compra (classes sociais) ou local de habitação, pretendo demonstrar, ainda que de modo impressivo, que a realidade é mais complexa que a imagem da morte anunciada dos media clássicos.

26 Setembro 2008

EXPOSIÇÃO


A cooperativa Curtas Metragens inaugura amanhã, pelas 22:30, a exposição YOUR TIME MY SPACE, FILM SPACE FILM TIME, YOUR SPACE MY TIME, de Graham Gussin, na Solar – Galeria de Arte Cinemática Cinematic Art Gallery, em Vila do Conde (à Rua do Lidador).

Para saber mais, ver o sítio www.curtas.pt/solar.

26 Setembro 2008

LEGISLAÇÃO SOBRE OS BLOGUES


Noticia o euobserver.com (texto de Leigh Phillips) de ontem, que o parlamento europeu abandonou a ideia de classificar os blogues em termos do seu estatuto legal.

Melhor: a resolução aprovada prefere uma discussão aberta sobre os assuntos relacionados com o estatuto dos blogues. Isto porque, num período de concentração da propriedade, se deve salvaguardar o pluralismo nos jornais, programas de televisão, rádio e internet.

A deputada de centro-esquerda Marianne Mikko, da Estónia, queria estabelecer o estatuto legal dos blogueiros, com revelação dos seus interesses e uma classificação voluntária dos blogues. No geral, os parlamentares europeus concluem que a protecção das fontes no caso dos blogues não é clara e não há garantias legais quando são levados a tribunal. Oe eurodeputados querem que os autores dos blogues saiam do limbo, deixando o estatuto de anónimos.

O texto de Leigh Phillips, do euobserver.com, lembra também que, em Junho passado, o governo sueco legislou no sentido das autoridades poderem aceder aos emails e conversas telefónicas de cidadãos, proposta próxima da de Mariane Mikko quanto aos blogues.

25 Setembro 2008

PRIMEIRAS JORNADAS CINEMA EM PORTUGUÊS

Organizadas pelo curso de Cinema da Universidade da Beira Interior, a realizar entre 9 e 12 de Dezembro de 2008, na Covilhã.

Os temas principais são: 1) O Cinema de Manoel de Oliveira, 2) Cinema Português e Cinema em Português (análise e crítica, história, estética, política).

A organização das jornadas indica que, na próxima semana, fornecerá o endereço electrónico para consulta das normas de publicação e formulário para o envio de propostas de comunicação.

25 Setembro 2008

EXPOSIÇÕES DE PAULA REGO E ANOS 80


No CAMB (Centro de Arte Manuel Brito), no Palácio dos Anjos, em Algés, a partir de 4 de Outubro.

25 Setembro 2008

EMERGENT ENCOUNTERS IN FILM THEORY

Intersections Between Psychoanalysis and Philosophy
An International Film Studies Conference


CALL FOR PAPERS
Keynote Speakers: Parveen Adams (Fellow of the London Consortium) and Steven Shaviro (Wayne State University).

  • Interdisciplinary approaches to the theoretical discussion of the cinematic medium have often engaged with philosophical or psychoanalytic perspectives. While philosophy and psychoanalysis are by no means opposed schools of thought, the potential to develop new ways of understanding film remains an opportunity to be explored. In seeking out further lines of enquiry, the study of intersections between cinema/philosophy/psychoanalysis, seems most pertinent to our generation of ‘film thinking’, to invoke Daniel Frampton’s concept of the ‘film mind’, whose future still stands, to some extent, in the shadow of psychoanalysis. Recent philosophical models of thought offered by film theorists such as Frampton and D.N Rodowick embrace a new ontological grasp of the cinema, but what then are the implications of this shift for psychoanalysis? The question, therefore, remains whether philosophy and psychoanalysis are indeed irreconcilable, or if the specific philosophical turn sets up boundaries that unjustly seal off the possibility of dialogue between the two methodologies.

Please send abstracts by 14th November 2008 to encounters@kcl.ac.uk.

25 Setembro 2008

PERSONA, PELA COMPANHIA BOAS RAPARIGAS

Encenação: João Pedro Vaz, Tradução: Armando Silva Carvalho, Cenografia: Cláudia Armanda, Design de Luz: Nuno Meira, Sonoplastia: Luís Aly, Elenco: Maria do Céu Ribeiro e Sandra Salomé. Teatro de Bolso, Rua do Heroísmo, 86, Porto.

Saber mais aqui.

24 Setembro 2008

COLÓQUIO INTERNACIONAL 1808-2008 DOIS SÉCULOS DE IMPRENSA


Realiza-se, em 2 e 3 de Outubro de 2008, o Colóquio 1808 – 2008. Dois Séculos de Imprensa organizado pelo Grupo de Investigação Estudos de Comunicação e Educação (coordenado por Isabel Vargues, docente da Universidade de Coimbra e investigadora do CEIS20, Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX). O objectivo é “aprofundar temas relacionados com a história da imprensa e dos meios de comunicação nos séculos XIX e XX bem como apontar novos desafios”. Local: Auditório da Universidade de Coimbra.


O programa é o seguinte:

2 de Outubro (Quinta-feira)
9:30 – Sessão de Abertura
10:00 – Conferência de Abertura – José Marques de Melo (Universidade Metodista de S. Paulo) .
Apresentação por Isabel Ferin (FLUC/CIMJ)
11:00 Mesa Redonda – A Imprensa no Século XIX. Moderação: João Rui Pita (FFUC / CEIS20)
Intervenientes: Ana Teresa Peixinho (FLUC / CEIS20) – «Jornalismo e Literatura no século XIX: uma introdução»; Isabel Nobre Vargues (FLUC / CEIS20) – «O Conimbricense, um jornal exemplar na imprensa local e nacional»; José Miguel Sardica (UCP) – «“Parler le language des foules”. Napoleão e a opinião pública em Portugal (1807-1809)»
14:30 – Mesa Redonda – O Jornalismo no século XX. Moderação: Mário Matos e Lemos (CEIS20). Intervenientes: José Carlos Abrantes (Ex-Provedor do Leitor Diário de Notícias) – «Imprensa e Internet: da conversa de café à CNN do Século XXI»; Carlos Camponez (FLUC / CIMJ) – «Da vulgata localista à vulgata da proximidade – crítica da economia de proximidade dos media»; João Figueira (FLUC / CEIS20) – «A luta política como critério noticioso»
16.00 – Comunicações Livres – Apresentação: Luís Mota ( ESEC/CEIS20). Intervenientes: João Rui Pita (FFUC / CEIS20) – «Farmácia, Medicamentos e Saúde Pública na Minerva Lusitana»; Lennon Schneider (Mestrando na UC) – “Hipólito José da Costa e o Correio Braziliense – pioneiros do jornalismo luso-brasileiro”; Noémia Malva (CEIS20) – «O Jornal República Portuguesa e o jornalista João Chagas»; Marco Gomes (Doutorando na UC) – «A imprensa portuguesa na Revolução de Abril: novas formas de comunicar política»
3 de Outubro (Sexta-feira)
9:30 – Mesa Redonda – Novos Desafios dos Media. Moderação: Maria João Silveirinha (FLUC / CIMJ). Intervenientes: Clara Almeida Santos (FLUC / CEIS20) – «Dos mass media aos mess media?»; Sílvio Santos (FLUC / RDP) – «Para onde vai a rádio? Perspectivas de desenvolvimento do sector privado e do serviço público»; Bruno Vicente (Diário de Coimbra) – «Jornalismo Regional: mecânicas de trabalho»
11:15 – Conferência de Encerramento – Jesus Timóteo Alvarez (U. Complutense de Madrid) – «Revoluciones Inutiles». Apresentação por Isabel Nobre Vargues (FLUC /CEIS20)

23 Setembro 2008

O ANTIGO PROVEDOR SOBRE A ANTENA 2

  • “Eu acho que houve impulsos demasiados quando o novo director tomou conta dos destinos da Antena 2. Há deficites grandes na programação da Antena 2 que se prendem, por exemplo, com a divulgação científica, divulgação de experiências de teatro radiofónico, de radioarte. Tudo são coisas desgarradas, não há conceptualização nenhuma a esse nível. O que houve foi a vontade de alterar modelos, paradigmas de programação da própria estação. E com isso o que resulta? Perdeu-se o público. Na tentativa revelada pelos próprios responsáveis em conversas comigo, tentava-se conquistar e regenerar o público. Empurraram-se daqui para fora, com maus modos, os grandes profissionais que sustentaram durante anos a Antena 2. Gente do conhecimento, da cultura, conceptualizadores, criativos e depois há a subida à antena de gente impreparada no próprio exercício da língua que falamos” (José Nuno Martins, anterior provedor do ouvinte da rádio pública, em entrevista a Luís Bonixe, publicada na revista Jornalismo e Jornalistas, Julho/Setembro de 2008).

Sobre o animador dos programas da manhã, José Nuno Martins diz: “Eu cheguei a ter peritos que consideram que o jornalista, que não está ali como jornalista, mas como animador das manhãs da Antena 2, como um prodigioso erro de casting. Dado o tipo de performance que apresenta, lamentavelmente, eu acho que sim. Concordo com esta dura realidade. Trata-se de um erro de casting e sobretudo de um erro de arrogância. Há uma arrogância muito grande”.

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