Até já. Até breve. Até sempre.
PROVAS DE DOUTORAMENTO DE MARISA TORRES DA SILVA
Título: As Cartas dos Leitores na Imprensa Portuguesa: uma Forma de Comunicação e Debate do Público. Na Universidade Nova de Lisboa, em data a anunciar.
RITUAIS, PROFISSIONALISMO E AUSTERIDADE
Em Portugal, parece-me, uma prova de doutoramento ainda ressoa a pompa e regras de pequena elite confortada por títulos académicos. As longas becas pretas recordam a ordem do reconhecimento por um curto número de pares. A dialéctica ao longo da prova, gongórica e com floreados, soa a velha retórica ou a medievalismo. Além disso, o processo é longo, de duas a três horas. A que são convidados a asssistir familiares, amigos, colegas. Lembro-me da sala dos Capelos (Sala Grande dos Actos) em Coimbra, onde fui uma vez como membro do júri: o candidato fica a uma grande distância dos membros do júri – em número de sete ou nove elementos – e a um grande desnível, o que pode intimidar. Ao candidato é dada a possibilidade de apresentar uma síntese do trabalho, findo a qual os elementos do júri podem argumentar (arguir). O orientador junta-se ao júri e pode e/ou deve influenciar os restantes membros do júri a atribuir determinada classificação.
Já em Espanha, o vestuário específico dos membros do júri é um simples fato habitual de saída, com gravata. Do júri (cinco ou sete elementos) não faz parte o orientador. A sala está também aberta à presença do público, que assiste à apresentação prévia de síntese do trabalho pelo aluno e depois à réplica pelo júri, modelo próximo do português. O tempo de duração da prova é semelhante ao de Portugal. A cerimónia leva à festa: o candidato convida o júri para almoçar (o comer). Tive uma única mas inolvidável experiência na Complutense (Madrid).
Uma arguência muito recente no Reino Unido (Lincoln), deu-me outra visão: o júri tem apenas três membros (a presença de um quarto elemento é uma espécie de garantia de que tudo corre bem, sem qualquer intervenção nas provas e retirando-se antes da decisão da aprovação). Antes da prova, o júri reune, debate as questões mais salientes do trabalho a examinar ao vivo (diz-se viva) – as forças e as fraquezas do texto em discussão – e distribui as perguntas entre si, numa divisão clara de tarefas. Não é uma prova pública, pois apenas estão o candidato e o júri, com aquele a fazer um exame perante este, com uma duração entre uma e duas horas. Ao orientador é dada a permissão de estar presente na sala mas sem qualquer envolvência. O júri veste ainda mais informalmente que em Espanha. A prova começa exactamente com perguntas e não é dada a possibilidade ao candidato de fugir a uma pergunta (em Portugal, o arguente levanta um conjunto de perguntas e, por vezes, até indica que o aluno pode não responder a uma ou outra). No Reino Unido, o aluno sai com a recomendação de fazer emendas (em maior ou menor quantidade), de modo a melhorar o trabalho – o minor amendment. A crítica construtiva visa tornar o trabalho mais apto para a leitura pela comunidade científica [as imagens a seguir foram tiradas em Lincoln].
O MILHÃO CHEGOU HOJE

Ups, o milhão de visitantes veio mais cedo que eu previra. Chegou às 5:06:30, estava ainda a dormir, proveniente do Brasil à procura de texto sobre spots radiofónicos, que publiquei em 4 de Junho de 2009.
Com um milhão de visitantes no Indústrias, o que posso dizer? Atingi o último objectivo pretendido. O blogue serviu de complemento de aulas, no começo, permitiu conhecer outros blogueiros em almoços e jantares, contactos com alguns dos quais se transformaram em amizade, fiz duas conferências em países fora de Portugal, editei um livro com textos retirados do blogue, organizei um encontro de blogues na universidade, fui arguente de uma dissertação de mestrado sobre indústrias culturais. Agora alcancei um número simbólico de visitas.
Por isso, mereço férias. Talvez deixe de escrever com a regularidade destes anos, talvez me reforme da actividade. Estou contente. Até breve.
LIVRO SOBRE COMUNICAÇÃO E SAÚDE

Comunicação e Saúde é um livro organizado por Fernando Oliveira Paulino e editado pela Casa das Musas, em Brasília. No prefácio, indica-se que o livro apresenta múltiplas abordagens da comunicação para a promoção da saúde e que a publicação, juntamente com outros produtos audiovisuais elaborados por jovens de Planaltina, Varjão, Ceilândia e São Sebastião, resulta do projecto Saúde e Comunicação Comunitária apoiado pelo ministério brasileiro da Educação. De entre outros objectivos, o projecto visou ampliar o acesso aos media na promoção da saúde e estimular a criação de novas linguagens audiovisuais. Com o artigo “Blogues e a promoção da saúde”, participei com muito agrado no projecto agora publicado.
Fernando Oliveira Paulino tem doutoramento em Comunicação pela Universidade de Brasília, é docente universitário e ouvidor (provedor) das rádios da Empresa Brasil de Comunicação EBC.
FREQUÊNCIA DO CINEMA
O estudo Bareme Cinema (Marktest), relativo ao período de Julho de 2008 a Junho de 2009, foi agora divulgado.
Os dados indicam que, dos residentes no Continente com 15 e mais anos, 2,607 milhões costumam ir ao cinema, o que representa 31,4% do universo em estudo. O estudo revela grande diferenciação se analisada a idade dos entrevistados: os jovens são os que têm maior afinidade com o cinema, com 64,2% dos jovens dos 15 aos 17 anos a afirmarem ir com regularidade e 68,0% dos jovens dos 18 aos 24 anos a manifestarem igual interesse. 51,6% são mulheres, 66,6% são jovens com menos de 35 anos, 42,1% são estudantes ou quadros médios e superiores, 43,2% residem na Grande Lisboa ou Litoral Norte e 58,7% pertencem às classes sociais média ou média baixa. Dos espectadores, 29,3% vão ao cinema ao sábado, 13,4% à sexta-feira e 10,5% ao domingo.
PERTO DO MILHÃO
PÚBLICO
- A secretária já não é a mesma e até já mudou uma dúzia de vezes. A sala já não é a mesma e também já mudou uma boa meia dúzia de vezes. Os vizinhos de secretária mudaram, as secções mudaram. Nem o edifício é o mesmo. E a rua já não é a mesma. Nem sequer o bairro. E o jornal também já não é o mesmo.
Este é o começo da última crónica de José Vítor Malheiros no Público enquanto jornalista daquele diário, “autor da casa”, como escreveu. Ele, em Setembro e em princípio, regressa apenas como cronista.
Nos vinte anos que levou de Público, o jornalista diz que assistiu a uma profunda revolução na informação. Na crónica assinada hoje, fala de equipas que coordenou: “Passámos muitas horas febris a discutir entusiasmados os novos desafios à frente dos nossos olhos – num tempo onde havia tempo e alma para discutir”. E lembrou o “capitão que iniciou o que foi uma bela aventura, Vicente Jorge Silva”. Habituei-me a ler José Vítor Malheiros, a respeitá-lo. Como ele diz a propósito do capitão e da forma de escrever jornalismo: “com honra e com paixão, usando do bom senso e sem abdicar do bom gosto, com rigor e ao serviço do público, com imaginação e com irreverência, com sentido crítico e sem subserviência perante nenhum poder”.
Sim, o Público mudou. O jornal está muito estranho. Começo a não o reconhecer.
ARQUITECTURA ROMENA
Hoje, 28 de Julho, pelas 19:00, o Instituto Cultural Romeno em Lisboa inaugura no Museu da Água – Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras a exposição fotográfica de arquitectura Art Nouveau na Roménia. A abertura da exposição conta com Sorin Vasilescu, o curador da exposição, com uma conferência sobre o tema. Mais informações no sítio do Instituto.
TEATRO EM SÃO PAULO
De 4 a 16 de Agosto, o Teatro de Dança organiza a 1ª edição do projecto Plataforma Estado da Dança. em São Paulo, Brasil. Os 21 espectáculos, entre eles 15 premiados no último Programa de Acção Cultural, vão decorrer em três lugares diferentes (Centro Cultural São Paulo, Pateo do Colégio e no palco do próprio TD). A programação inclui mesas redondas com curadores e programadores do universo da dança, nacional e internacional.
UBICINEMA
O curso de Cinema da Universidade da Beira Interior (UBI) vai realizar a 3ª edição do UBICINEMA, entre 12 e 16 de Outubro, na Covilhã. Na edição agora anunciada, destacam-se as Segundas Jornadas “CINEMA EM PORTUGUÊS” e a 3ª Mostra dos filmes realizados pelos Alunos de Cinema da UBI.
O formulário para a inscrição das propostas de comunicações está disponível aqui.
PRÉMIOS DE AQUISIÇÃO NA XV BIENAL DE ARTE INTERNACIONAL DE CERVEIRA
O júri composto por José Manuel Vaz Carpinteira (presidente da câmara municipal de Vila Nova de Cerveira), Laura Castro, Paulo Reis e David Barro (críticos de arte) e Henrique Silva (representante da Fundação Bienal de Arte de Cerveira) deliberou:
1) aquisições patrocinadas pela Câmara Municipal de V.N.Cerveira e Lavazza: Em cima da terra e debaixo do céu, de Isaque Pinheiro, Sem título e Sem título, ambos de Milica Rakic, três peças da série Escavação, de Samuel Rama, Interestrelar, de André Sier, Sem título (da série The strong man, de Mário Ambrózio), Limit II, de Marta Moura, No-Return 7, de Pavel Forman, e Auto-Retratos Modernos Latino Americanos/Europeus (Malevich), de Albano Afonso,
2) aquisição Águas do Minho e Lima: Parade of Vanity, de M.Fagundes Vasconcelos,
3) Prémio I.P.J – Instituto Português da Juventude – Obra de Arte Digital, em ex-aequo: Lemeh 42 e Marcin Dudek.
PEÇA NO TEATRO ABERTO
Devido ao êxito da peça O Deus da Matança, de Yasmina Reza, com encenação de João Lourenço, o Teatro Aberto vai continuar com as representações (de 4 de Setembro a 25 de Outubro). Os actores da peça são Joana Seixas, Paulo Pires, Sofia de Portugal e Sérgio Praia. A adaptação norte-americana do texto ganhou, no mês passado, o prémio de melhor peça do ano em Nova Iorque (Tony Award).
REMODELAÇÃO NA DIRECÇÃO DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS
Nuno Saraiva vai ser subdirector do Diário de Notícias, em substituição de Catarina Carvalho. Até agora editor de política daquele jornal, Nuno Saraiva iniciou a carreira na Rádio Renascença, em 1993 e foi editor de política na TSF, na Sábado e no Expresso. Na direcção do Diário de Notícias, mantêm-se João Marcelino, Rui Hortelão e Filomena Martins, os dois últimos como directores-adjuntos.
Fonte: Meios & Publicidade.
FESTIVAL DE PROGRAMAS AUDIOVISUAIS
Até 27 de Novembro, estão abertas as inscrições para o Festival International de Programmes Audiovisuales (FIPA), a decorrer na cidade francesa de Biarritz entre 26 e 31 de Janeiro de 2010. A competição inclui as seguintes categorias: drama, séries e seriados, documentários criativos e ensaios, reportagem e artes, e artes performativas.
CANAIS GENERALISTAS NÃO VÃO MORRER
Este era o título de notícia no Expresso de ontem. Paulo Vicente, vice-presidente da Accenture, indica que o consumo de conteúdos cresce nas diversas plataformas: telemóvel, computador, televisão. Os canais generalistas precisam apenas de seguir a segmentação e os hábitos e interesses dos consumidores.
PROMOÇÃO MUSICAL EM PORTUGAL
Ontem, o Expresso dedicava duas páginas ao negócio dos concertos e festivais de Verão de música pop (textos de Alexandra Carita). Os festivais movimentam três milhões de pessoas e valem € 33 milhões. Os brasileiros Gilberto Gil, Gal Costa, Bethânia, Chico Buarque e Ney Matogrosso fizeram encher os Coliseus na década de 1980, os Police e os Rolling Stones passaram por Portugal na década de 1990.
Foi em 1991 que se criou a promotora Música no Coração, de Luís Montez e Álvaro Covões, doravante a grande organizadora de espectáculos. A reedição do Festival de Mouros (1996) e do Festival do Sudoeste, na Zambujeira do Mar (1997), foram marcas de água da empresa. Depois, em 2007, os dois sócios separaram-se e Covões criou a Everything Is New. Montez controla o Festival do Sudoeste e o Super Bock Super Rock, Covões o Optimus Alive. Daquele a notícia não indica os ganhos, deste diz que detém 30% do mercado, incluindo os espectáculos realizados pelo Estado e por autarquias. Covões tem dez colaboradores permanentes, Montez tem estações de rádios como a Radar e a Oxigénio. Por norma, o artista ganha cerca de 90% das receitas e o promotor fica com 10%. A queda de vendas de discos levou os artistas a darem mais concertos. Os promotores, além dos contactos com os músicos, procuram sempre patrocinadores, entidades que apoiam os custos de produção dos espectáculos.
MUSICAIS
Não sou grande apreciador de teatro musical, embora reconheça que se aprende bastante quanto a públicos (e comportamentos). A semana passada fiz uma experiência e vi dois musicais, Wicked (Apollo Victoria Theatre) e We will rock you (Dominion Theatre), o primeiro contando a história das bruxas de Oz e o segundo baseado no repositório das músicas da banda Queen. Os espectadores do Apollo são ingleses de classe média e mais jovens (vi pais com filhos pequenos); os do Dominion, pelo menos desde há sete anos em que o musical está em cena, são turistas estrangeiros e de diferentes níveis etários (os mais jovens sabiam as letras de cor, como se os Queen fossem uma banda de hoje). Aquela peça musical tem enredo, a segunda baseia-se nas músicas de Fred Mercury e seus colegas (um deles, Roger Taylor faz hoje 60 anos), com o público a agitar-se como se estivesse num concerto de música pop. O musical no Dominion tem a particularidade do português Ricardo Afonso fazer de Galileo, uma das personagens com mais destaque na história e a actuar há mais de um ano. As duas salas estavam cheias (o Dominion tem 2069 lugares) – e os preços não são propriamente populares.
Depois, nos teatros e salas de espectáculos ingleses há uma democrática venda de bebidas e gelados dentro da plateia, antes do começo da exibição e nos intervalos. Isso inclui vinho e cerveja. Recordo-me que, num outro ano, num musical, junto a nós duas jovens bebiam vinho à vontade e exalavam um cheiro quase insuportável. Num concerto dos Promenade, no Royal Albert Hall, os espectadores da arena comportavam-se do mesmo modo. Para além do bilhete de ingresso na sala, a bebida constitui igualmente uma receita importante. Proíbidos são o consumo de tabaco e as conversas entre a assistência.
Tudo isto lembra-me o livro de Richard Butsch (2008), The citizen audience. Crowds, publics, and individuals, onde o autor traça a evolução das indústrias criativas e sua relação com a expressão nos espaços públicos e destaca a lenta evolução das salas (teatro, cinema), espaços inicialmente barulhentos e onde era permitido comer e beber para sítios recomendáveis e locais de cultura por excelência.
FÃS
Definição de fã: 1) identifica-se com uma estrela, 2) colecciona, 3) sabe tudo sobre a estrela, 4) é especialista, e 5) imita a estrela.
Racional do fã: 1) todo o mundo é fã de qualquer coisa, 2) há estrelas e fã por causa dos media, 3) o fã tem níveis diferenciados de envolvimento (até ao topo, a obsessão), 4) a relação entre fã e estrela exige que esta tenha uma produção ou esteja envolvida numa linha contínua de novidade e/ou extravagância e/ou polémica, e 5) relação com a estrela sempre actualizada.
PEDRO LINO E "ART DOESN’T CHANGE ANYTHING"
Até 29 de Agosto de 2009, Pedro Lino tem, na Galeria WHO (Edificio Interpress, R. Luz Soriano, 71, Bairro Alto, Lisboa), uma exposição de ilustração e animação intitulada Art Doesn’t Change Anything, You Do.
Há imagens da exposição disponíveis no blogue do autor (de onde retirei algumas) e imagens-videos dos trabalhos no sítio do autor (daqui tirei um pequeno vídeo).
MUSEU DO DESIGN (LONDRES)






Super Contemporary é uma das exposições temporárias actualmente patente no Museu do Design em Londres, numa parceria do museu com a Beefeater 24, onde se patenteia o design visionário dos criadores londrinos ao longo das últimas quatro décadas. A outra exposição mostra a criação do catalão Javier Mariscal.
ACORDO SIC E PT
De acordo com informação agora recebida da newsletter Meios & Publicidade, a SIC e a Portugal Telecom estabeleceram um acordo para “fornecimento de conteúdos na área de Televisão e Internet para todas as plataformas de distribuição do Grupo PT”, por um período de três anos.
Isto significa mais produção e desenvolvimento de conteúdos próprios para a SIC e aproveitamento do investimento em fibra óptica para a Portugal Telecom. Além dos canais temáticos já em funcionamento – Notícias, Mulher e Radical, disponíveis quer no Meo (PT) quer na ZON -, a partir do começo do próximo ano, haverá a distribuição de um canal infantil. O acordo engloba ainda a internet, com os sítios da SIC a passarem para a rede Sapo (PT).
O acordo surge quase um mês depois da PT ter falhado a compra de uma participação na TVI (Media Capital). O blogueiro tinha preconizado uma associação (ou aquisição) entre as duas empresas, após a possível compra da TVI ter sido liminarmente rejeitada pelo governo, após acusações da oposição parlamentar. Agora, que não se deve esperar nova reacção política, é previsível (especula o blogueiro) um melhor alinhamento de um putativo outro bloco – o da TVI com a ZON -, dados os investimentos e a necessidade de maior cooperação entre telecomunicações interactivas e media.




























