Arquivo para Abril, 2010

30 Abril 2010

O PRÉMIO DOS DEOLINDA

Os Songlines Music Awards 2010, organizados pela revista inglesa Songlines, premiaram os portugueses Deolinda, na categoria “Newcomer”, com o álbum Canção ao Lado. Também na lista final de nomeados estiveram os luso-suecos Stockholm Lisboa Project (que se apresentam hoje no Montijo e amanhã em Cascais), na categoria “Cross-Cultural Collaboration”, e Lura, cantora de origem cabo-verdiana mas nascida em Lisboa, na categoria “Best Artist”. Mais informação aqui.

30 Abril 2010

MUTAÇÕES DAS INDÚSTRIAS CULTURAIS (III)

O cinema em Portugal foi, política e culturalmente, marcado pela lei 7/71, com um sistema de apoio à criação de obras. Então foi previsto o IPC (Instituto Português de Cinema), actualmente ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual). Em 1974, com a mudança de regime, houve alterações, com o Estado a assumir o papel de produtor das obras cinematográficas. Depois, na altura de Manuel Maria Carrilho como ministro da Cultura, o objectivo passava pela produção nacional anual de 20 longas-metragens. Em 2004, dava-se corpo a nova legislação no cinema, criando-se um Fundo de Investimento ao Cinema e Audiovisual (FICA), com uma taxa de financiamento a cobrir pelos canais de televisão mas também por distribuidores de cinema e de televisão por cabo, em especial o último sector referido, pois se tem tornado o centro de actividades e de lucros na cadeia de valor do audiovisual e do cinema. O FICA entrou em actividade em 2007, mas, pouco tempo depois, colocava-se o problema do financiamento, tema de críticas recentes, como nos chegam dos media.

Assim, em Portugal, há dois meios principais de financiamento do cinema: o ICA (com orçamento anual de 16 milhões de euros e voltado para o apoio artístico de projectos cinematográficos a concurso) e o FICA (com objectivos mais comerciais de apoio). Além desta área de financiamento, que procura trazer estabilidade ao sector (apesar das críticas), é importante assinalar transformações na área do audiovisual, como a existência de cursos universitários para formar criadores e a base de produção de conteúdos de ficção na televisão desenvolvida pela TVI durante o período em que José Eduardo Moniz esteve à frente daquela rede. Também a aposta em conteúdos de língua portuguesa tem sido um objectivo, e que se reflecte na empregabilidade. Um estudo recente, de Augusto Mateus, apontou para que, por 100 euros que o Estado investe, retornam 30 por via de impostos (IVA, IRS).

Dados recentes da actividade do cinema em Portugal em 2009 apontam para um preço médio de bilhete de cinema de 4,7 €, um total de 577 ecrãs de cinema, sendo 180 digitais, com 73 milhões de € em receita, 82,3% de quota de mercado repartida por três exibidores (a Lusomundo lidera nos mercados da distribuição e da exibição e tem ainda uma forte presença na televisão por cabo), com 50 obras nacionais prontas em 2009 (14 longas-metragens) e que representam (dos 15 filmes nacionais estreados) apenas 2,5% do mercado, um dos mais baixos em toda a Europa. Por resolver, e dada a rápida mutação dos ecrãs para o digital, um modelo de apoio às pequenas salas, nomeadamente fora de Lisboa (o caso do Alentejo é dramático, com Évora a não ter uma única sala de cinema, mas também no Porto, onde a quebra de ecrãs dentro de edifícios na cidade baixou muito nos anos mais recentes). Desde 2007, há um projecto em discussão. É que se, em 2009, o analógico representava 68% do mercado de salas, estima-se que o digital possa ultrapassar este ano o sistema mais antigo.

29 Abril 2010

GREEN PAPER ON CULTURAL AND CREATIVE INDUSTRIES

  • Green Paper on “Unlocking the potential of cultural and creative industries”: The consultation is open to individual citizens and organisations and in particular national, regional or local authorities, the European institutions and associations from the cultural and creative industries. Period of consultation: from 27.04.2010 to 30.07.2010.

    Objective of the consultation: The objective of this consultation is to gather views on various issues impacting the cultural and creative industries in Europe, from business environment to the need to open up a common European space for culture, from capacity building to skills development and promotion of European creators on the world stage. The responses to the consultation will inform the Commission and help it ensure that EU programmes and policies involving cultural and creative industries are “fit for purpose”.

More information: European Commission Culture.

29 Abril 2010

EXPOSIÇÃO DE DESENHO HUMORÍSTICO EM LISBOA

No dia 3 de Maio, pelas 17:30, inaugura na Galeria de Exposições dos Paços do Concelho de Lisboa a exposição O Jogo da Política Moderna!, que “constitui uma excelente oportunidade para, a partir do desenho humorístico e da caricatura política e social publicada na imprensa pelos humoristas portugueses da época, mergulhar na política” da I República Portuguesa. Peças das colecções municipais, algumas até inéditas (Hemeroteca Municipal de Lisboa e Museu Rafael Bordalo Pinheiro) [informação da organização].

29 Abril 2010

INTERNATIONAL CONFERENCE ON COMMUNICATION

July, 12-19, 2010

Bitola, Macedonia Hosted by COMMUNIS and International Slavic Institute in Bitola, Macedonia

The International organization for research, training and development COMMUNIS is pleased to announce a five days international and multidisciplinary conference dedicated to the Language of Communication. We are welcoming broad participants, including researchers, educators, students, professors, NGO representatives and other interesting institutional representatives to present their papers, to share their research results and to discuss in all offered topics and sessions. This conference will focus the various types of communications (interpersonal, nonverbal, mass-communications, organizational etc.) between people, groups and organizations in general and the education, economy, history, politics, electronic media, arts (performing art especially) as a part of particular sciences.

The interactivity in those fields of interests enters the aspects of interdisciplinary which is generating new context and completely different observation of the problems and situations not recognizable before. Also, The Language of Communication is a kind of understanding the tendency of cross-culturality as very important and very attractive research point for the modern scientists. Topics of the conference:

1. Mass media and Political Communication
2. Gender and Communication
3. Public opinion and Communication
4. The Rhetoric of Violence
5. Media and Children Education
6. Voting in Transitional Countries (Media Approach)
7. New Media and Former Communists Countries
8. Politics, Nationalism and Media
9. Interculturality and Racism
10. Religion and Media
11. TV and Early Children Education
12. Electoral Campaign and Media
13. Film and Politics
14. Interculturalism and Domestic Politics
15. Family Communications in Eastern and Western European Countries

More information: here

29 Abril 2010

CANAL DE CULTURA ESCANDINAVO

Dois políticos conservadores, um da Noruega e outro da Suécia, publicaram um artigo num jornal em que defendem a criação de um canal cultural de televisão pan-nórdico que contribua para o melhor conhecimento da cultura dos países escandinavos. O projecto seria similar ao fundado há mais de 20 anos pela França e pela Alemanha, o Arte (via Media Network, em texto de ontem).

29 Abril 2010

JORNALISMO DE INVESTIGAÇÃO

Um ano após a Reuters ter começado a desenvolver jornalismo de investigação, a agência informa ir alargar a área como resultado do aumento da procura (ler mais aqui).

28 Abril 2010

TEATRO NACIONAL DE SÃO CARLOS

O maestro britânico Martin André será o director artístico do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) a partir de 1 de Agosto próximo. Substitui Christoph Dammann. Jorge Salavisa será o presidente do Conselho de Administração do Opart (empresa pública que gere o Teatro São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado) a partir de 18 de Maio próximo. Jorge Salavisa é o actual director do Teatro de São Luiz (base: notícia do Público Online).

28 Abril 2010

SONDAGENS EM BLOGUES

A ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) deliberou sobre uma “queixa de Raquel Martins pela publicação de sondagens em blogues de Matosinhos, designadamente no blogue de Narciso Miranda, sem que as mesmas tenham sido acompanhadas das respectivas fichas técnicas exigidas pela lei. Considerando que a Lei das Sondagens supõe a existência de uma intervenção mediada por entidade sujeita a regulação da ERC para que se possa aplicar e verificando que os blogues não são subsumíveis no conceito de órgão de comunicação social, o Conselho Regulador deliberou não dar provimento à queixa apresentada” (sublinhado meu; ver o documento aqui, com data de 17.2.2010).

28 Abril 2010

CANAL DE MÚSICA

Segundo o sítio Meios & Publicidade, a RTP projecta um canal de televisão para a área musical, podendo implicar uma associação com a Portugal Telecom (PT).

28 Abril 2010

APOIO AO CINEMA

Gabriela Canavilhas, ministra da Cultura, afirmou que haverá a entrega de 6,6 milhões de euros pelo Estado ao Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA) até final de Junho. Esse valor provém do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

27 Abril 2010

INDÚSTRIAS CULTURAIS NO BRASIL

  • Lisboa, 27 abr (Lusa) – As diversas indústrias culturais podem vir a representar, para as economias do Brasil e América Latina, um contributo maior do que os setores da soja ou pescas, destacou hoje um responsável do ministério da Cultura brasileiro. “No Brasil e na América Latina as expetativas são de que as industriais culturais representem entre cinco e sete por cento do PIB, mais do que o setor da soja, da pesca ou construção civil”, afirmou o secretário do ministro da Cultura do Brasil. Armando Ferreira, que esteve em Lisboa para falar sobre os desafios e oportunidades da língua portuguesa e a sua dimensão cultural, no ISCTE, salientou a importância e necessidade de “investir na cultura, que hoje é um dos setores de ponta da nova economia” [RTP].
27 Abril 2010

MÁQUINAS E ARTE

27 Abril 2010

JAZZ EM AGOSTO NA GULBENKIAN

27 Abril 2010

INDÚSTRIAS CULTURAIS NA UNIÃO EUROPEIA

  • “As indústrias culturais e criativas (ICC) são factor de desenvolvimento, disseram e repetiram estudos científicos revelados ao longo dos últimos anos. E quem pode operar mudanças, os políticos, parece ter já incorporado o discurso. Falta passar à prática. Para isso, como ferramenta, a Comissão Europeia criou um Livro Verde, um documento que pretende estruturar o sector e que veicula uma mensagem clara: se quiser fortalecer-se economicamente, a Europa deve investir mais em sectores como a música, o cinema, os media, a moda, as artes plásticas, o design, a publicidade, a arquitectura, o turismo cultural, as artes performativas ou o património” (Vítor Belanciano, Público Online de hoje) [ver blogue aqui].
27 Abril 2010

TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO

As tecnologias de comunicação são como os supermercados: têm sempre alguma coisa nova. Nos últimos 30 anos, ouvimos continuamente falar de novas tecnologias. De início, o termo referia-se aos gravadores de vídeo ou à televisão por cabo, depois ao computador portátil e agora à internet. Em cada período, as pessoas acreditam que o novo aparelho substitui e elimina o antigo, que os media pessoais substituem os media de massa, que finalmente os indivíduos se expressam sem intermediários e que as novas comunidades (e as redes sociais) juntam as pessoas de todo o mundo. Os reformistas acreditam que uma nova tecnologia resolve os problemas da educação e da democracia, enquanto as Cassandras percepcionam os novos media como uma ameaça à cultura ou aos direitos dos cidadãos.

[tradução livre do começo do livro de Patrice Flichy (2007). The internet imaginaire. Cambridge, MA, e Londres: The MIT Press]

26 Abril 2010

OS DIAS DA MÚSICA

Nos Dias da Música, de sexta-feira até ontem, venderam-se quase trinta mil bilhetes, com uma taxa de ocupação das salas a rondar os 87%. O tema foi As Paixões da Alma.

No próximo ano, o Centro Cultural de Belém acolherá o tema Da Europa ao Novo Mundo, com música criada entre o final do século XIX e o final da Segunda Guerra Mundial.

26 Abril 2010

LIVRO SOBRE CURTAS-METRAGENS

A Agência da Curta Metragem, que promove, programa e distribui a produção nacional de curta-metragem, faz agora 10 anos. Nesse contexto, organiza uma série de iniciativas em que se incluem o lançamento do livro e programa itinerante de cinema Agência, Uma Década em Curtas, o debate “O Futuro Próximo: uma década de curtas-metragens em Portugal” e associação à Festa “Club Docs Indie Party”.

O livro será lançado amanhã 27 de Abril, pelas 17:30, no Palácio Galveias (Lisboa). Tem coordenação de Daniel Ribas (investigador universitário) e Miguel Dias (director do Curtas Vila do Conde e Agência da Curta Metragem), em colaboração com Dario Oliveira (director do Curtas Vila do Conde), e reúne uma série de textos da autoria de Miguel Dias, Augusto M. Seabra (crítico de cinema), Daniel Ribas, Davide Freitas (programador e produtor da Agência da Curta Metragem), e entrevistas/conversas a alguns realizadores nacionais por Daniel Ribas, Sérgio C. Andrade (jornalista), Manuel Halpern (jornalista), João Lopes (crítico de cinema) e Rui Xavier (realizador e fotógrafo).

25 Abril 2010

JORNAL 57

Em texto publicado no número 41 da revista Jornalismo e Jornalistas (já aqui referida), Álvaro Costa de Matos escreve sobre O jornal 57 e o Movimento de Cultura Portuguesa: história & memória. Contextualiza o aparecimento do jornal 57: lançado no importante ano de 1957, época em que, apesar da ditadura política, se assistiu a uma forte viragem em parte proporcionada pelo Diário Ilustrado e pela consolidação de revistas e jornais, casos da Vértice (1942-), do Globo (1943-1959), do Panorama (1941-1959), de O Tempo e o Modo (1961-1977), da Revista Filosófica (1951-1958) e de Filosofia (1954-1961).

O jornal 57 editou 11 números, com média de 3 a 4 números por ano, o que revela uma certa irregularidade. Dirigido por António Quadros, contou com a colaboração de outras figuras importantes do pensamento da época, como Orlando Vitorino, Afonso Cautela, Luís Zuzarte, Francisco Sottomayor, Ernesto Palma, Azinhal Abelho, Alfredo Margarido e Ana Hatherly. À colaboração literária juntou-se uma menor colaboração plástica, dada a assunção do texto em detrimento da imagem: Jorge Costa, Santiago Areal, Vieira da Silva e António Botelho.

No jornal 57, António Quadros assumiu o lugar de maior destaque, com textos sobre filosofia da história, estética e arte, existencialismo, ensino, cultura e ciência, dança e cinema, além de recensões e crítica literária. O programa filosófico e cultural do jornal era a filosofia portuguesa, como a conferida por Sampaio Bruno e Leonardo Coimbra, a necessidade dos “novos” assumirem a potencialidade criadora no sentido de um destino e missão como a que Camões, Guerra Junqueiro, Teixeira Pascoaes e Fernando Pessoa assumiram.

Álvaro Matos considera muito elevado o contributo do jornal 57, em especial o dinamismo e valorização da cultura portuguesa e o contributo dado ao conhecimento e divulgação de pensadores como Hegel, Nietzsche, Freud, Voltaire, Balzac, através de traduções, e da publicação de originais portugueses como Afonso Botelho, Natércia Freire e Agustina Bessa Luís.

Álvaro Matos é coordenador da Hemeroteca Municipal de Lisboa e investigador do Centro de Investigação Media e Jornalismo.

25 Abril 2010

BRASÍLIA

Gostei de ler o artigo de Jorge Marmelo sobre Brasília na passada quarta-feira, dia 21 de Abril, no jornal Público (link aqui).

  • “Temos uma qualidade de vida muito melhor do que no Rio de Janeiro ou São Paulo, apesar de os problemas estarem aumentando com o crescimento da cidade e o desenvolvimento das regiões próximas. Mas a violência não é tanta [como noutras cidades brasileiras] e temos um céu lindo. E o traço do arquitecto”, diz a bióloga, recordando os versos de Linha do Equador, a canção de Caetano Veloso: “Céu de Brasília, traço do arquitecto/gosto tanto dela assim.”

    Victor Alegria, um português de 71 anos que chegou a Brasília há quase 47, fugido do Estado Novo, e que reclama a capital brasileira como uma segunda pátria, tem uma visão equidistante: reconhece os problemas da cidade, da violência e miséria da periferia à inadequação da cidade aos pedestres. “Quem não tem carro, sofre. Brasília é corpo, cabeça e rodas”, diz. Mas, acrescenta, “tem possivelmente o melhor nível de vida do Brasil”, “uma das melhores assistências médicas, boas moradias, muito lazer e bons restaurantes” [parcela de texto de Jorge Marmelo].

[imagem e vídeo originalmente colocados no blogue em 25 de Novembro de 2008]

24 Abril 2010

O HOMEM DA CABEÇA DE PAPELÃO

Sábado, 1 de Maio pelas 21:00, a Casa da Animação [Rua Júlio Dinis, 210, Ed. Les Palaces, Porto] promove a apresentação pública do filme de animação O Homem da Cabeça de Papelão, com a presença dos autores do filme, Luís da Matta Almeida e Pedro Lino. Estes conduzirão uma conversa informal com público sobre o processo criativo e aspectos ligados à produção da obra.

No mesmo dia será inaugurada a exposição O Homem da Cabeça de Papelão. Apoiado na lógica narrativa do filme, o visitante acompanha os passos do processo de produção: da escrita do guião a um fluxo contínuo de imagens – estudos visuais e de personagens, storyboard, layouts, esboços para animação e desenhos finais – pontuado por algumas peças audiovisuais que revelam line tests, gravação de vozes e making of.

O filme, de Luís da Matta Almeida e Pedro Lino, baseia-se no conto homónimo de João do Rio e conta a história de Antenor, que tinha um defeito terrível: só dizia a verdade, a verdade verdadeira. A família tudo tentou para o curar, em vão. Já adulto, consulta um relojoeiro que lhe oferece uma cabeça de papelão para substituir a sua, enquanto esta estiver a ser arranjada. Com esta nova cabeça nada voltará a ser como antes (informação fornecida pelos promotores). Ver o trailer aqui.

24 Abril 2010

TRIBOS URBANAS

O texto que provocou a leitura alargada ao grupo foi o de Carles Feixa e Laura Porzio, a partir de fotografias de Mireia Bordonada, intitulado “Um percurso visual pelas tribos urbanas em Barcelona”, e incluído no livro organizado por José Machado Pais, Clara Carvalho e Neusa Mendes de Gusmão O Visual e o Quotidiano (2008).

Apresenta-se dividido em duas partes, uma teórica e outra empírica, com base nas fotografias de Mireia Bordonada. O texto organiza um percurso através das tribos urbanas conduzido pela máquina fotográfica, procurando os discursos e os significados culturais produzidos em lugares distintos (p. 109).

Assim, a análise debruça-se sobre as culturas e estilos juvenis em Barcelona, a partir da segunda metade da década de 1970, e a produção teórica em volta desse tema. Primeiro, foi a promoção de estudos de opinião sobre consumo cultural e audiovisual e subculturas (culturas emergentes, delinquência juvenil, haxixe), multiplicidade de estilos (el pijo, com identidade da classe alta, marcha nocturna e makinero, como resultado dos novos locais de diversão e da música electrónica). Nos finais da década de 1980 e começo da seguinte, são visíveis os estudos como balanço teórico-conceptual, bem como os trabalhos sobre ultras do futebol, skinheads e okupas e etnografias com novas metodologias e enquanto resultado da expansão da investigação universitária, nomeadamente em teses de doutoramento, além de relatórios aplicados e ensaios gerais. Apesar de espaço escasso, o texto dedicou atenção às culturas juvenis do punk e do hip-hop/rap e do graffiti.

Para a presente década, os autores enunciam três grandes tendências das culturas juvenis em Espanha: 1) activismo (alternativos, antiglobalização, neo-hippismo na moda),  2) cultura da dança (techno, fashion, rave), 3) difusão da internet e geração de “culturas de quarto” e comunidades virtuais (cyberpunks, hackers).

As culturas juvenis mostram hibridação e identidades variáveis e efémeras. Nos meus próprios contactos, verifiquei as conclusões do texto. Após a leitura, uma entrevistada dizia que, quando se procura o mundo do trabalho, há a tendência para retirar piercings e disfarçar tatuagens. O jovem adulto considerava o graffiti como um período curto na adolescência, reconhecendo o risco e a imaturidade dessa intervenção cívica. Outros leitores falaram de subculturas que o texto não indica: os emos, as lolitas. A sua análise fica para outra ocasião.

Leitura de base: Carles Feixa, Laura Porzio e Mireia Bordonada (2008). “Um percurso visual pelas tribos urbanas em Barcelona”. Em José Machado Pais, Clara Carvalho e Neusa Mendes de Gusmão (org.) O Visual e o Quotidiano. Lisboa: ICS, pp. 87-113

23 Abril 2010

IEN ANG EM LISBOA

Ien Ang, conhecida mundialmente pelo seu texto Desperately seeking audiences (1991), estará em Lisboa (Universidade Católica Portuguesa, edifício da Biblioteca Universitária João Paulo II, Sala Brasil) na próxima quarta-feira, dia 28 de Abril, às 15:00. Título da conferência: Making Art and Scholarship Matter: Navigating the Collaborative Turn.

A professora Ien Ang lecciona Estudos Culturais e é directora fundadora do Centre for Cultural Research da Universidade de Western Sydney.

23 Abril 2010

DIA MUNDIAL DO LIVRO

O Diário de Notícias de hoje dedica três páginas ao Dia Mundial do Livro, focando os dez anos de existência de livros electrónicos no país.

Lê-se no começo do trabalho de Pedro Fonseca: “Mais de dez anos após o lançamento dos primeiros livros electrónicos em Portugal, é hoje lançada a primeira associação entre um fabricante de leitores de livros electrónicos (e-reader) e uma editora nacional. A Samsung revela o seu E60 (disponível em Junho) e a parceria com a Babel para disponibilizar conteúdos multimedia para esses dispositivos”.

José Afonso Furtado, especialista em livros electrónicos, tema sobre o qual tem escrito muito, aparece no jornal a dizer o que pensa sobre os novos livros. Para ele, “A tendência é para a compra de fragmentos de informação. Os utilizadores querem apenas a informação de que necessitam, numa filosofia de acesso cada vez mais rápido e permanente e de qualquer local”.

23 Abril 2010

MUTAÇÃO DAS INDÚSTRIAS CULTURAIS (II)

A rádio e a televisão não são hoje prisioneiras das ondas hertzianas como nas décadas passadas. Com a internet, já não existem os constrangimentos ao crescimento de canais de distribuição. Por isso, não se pode dizer que a rádio é somente FM ou a televisão VHF e UHF como se não diz que o jornal tem apenas edição em papel.

A rádio tem outro aspecto a salientar. Os estudos de opinião indicam que as pessoas gostam de ouvir rádio, mas os programadores tendem a introduzir histórias nos seus programas. Os ouvintes acabam por ser “apanhados” pelas narrativas. O Jogo da Mala da Renascença foi um êxito na década de 1980, com António Sala como um dos radialistas protagonistas. Na RFM, quando a radialista da manhã Carla Rocha resolveu casar o tema foi muito discutido dentro do programa. As histórias do nascimento do seu filho e a substituição dela durante a sua ausência por maternidade e o concurso criado para encontrar outra radialista trouxeram picos de audiências à estação.

A rádio continua a manter uma característica fundamental, a da criação e manutenção de uma comunidade de ouvintes, quer na rádio linear e hertziana quer na rádio não linear e de internet. As redes sociais acreascentam-se como novo espaço de ligação entre rádio e comunidades, como o Facebook. A estratégia principal é ter uma comunicação apelativa em FM e mantê-la no online.

A internet possibilita também a existência de acções de promoção de programas e a subsequente possibilidade de captação de investimento publicitário que tem escapado aos media tradicionais. Estima-se que o retorno publicitário da rádio na internet atinja um valor de 3 a 5%, pequeno ainda mas com grandes possibilidades de crescer, a partir de um investimento nos novos media por parte das estações na ordem dos 20%/30% anuais.

[Ver primeiro texto deste tema em 10 de Abril de 2010]

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