>”Televisões apostam em mais novelas e entretenimento” (Público).
>MEDIA PRO E EMÍDIO RANGEL
>“O grupo de media de Rui Pedro Soares e Emídio Rangel, com o apoio dos espanhóis da Media Pro, está a ser visto em Espanha como um aliado do Governo socialista de José Sócrates” (Diário de Notícias de hoje). Continua a notícia: “O objectivo é lançar um grupo de comunicação que englobe um jornal, uma rádio e uma televisão, com o apoio da espanhola Media Pro, que detém em Portugal o Porto Canal. Para isso, Rangel e Soares adquiriram à Media Pro, segundo informação veiculada pela imprensa, os direitos de transmissão da Liga espanhola de futebol, que até 2012 pertencem à Sport TV, detida em 50% pela Controlinveste, grupo que tem ainda o DN, o JN, O Jogo e a TSF”. A notícia indica ainda o seguinte: os direitos da Liga espanhola para a época 2012/13 custaram a Rangel e companhia 2,6 milhões de euros, pagos em três parcelas, admitindo-se que o grupo espanhol Imagina, que detém a Media Pro, seja um dos principais suportes do grupo.
>A COMUNICAÇÃO PORTUGUESA VISTA DE FORA
>
“[Degli anni Ottanta], i cittadini europei non rinunciano volontariosamente a vedere programmi americani in televisori giapponesi” (Bechelloni, 2009: 122).
Fascino Lusitano. Identità e cultura nella società della comunicazione portoghese, de Barbara Bechelloni, é um livro cujo ponto de partida reside numa bolsa de estudo Erasmus que a autora teve em Portugal em 2001. O encanto lusitano que fala o título serve como ideia central para ela escrever sobre identidade e memória, história de Portugal e estrutura social, modernidade (passagem de uma sociedade rural e fechada para uma sociedade plural e aberta), ênfase no período da década de 1960 para a de 1990 e entrada no século XXI, sociedade da informação como contributo para a democratização e entrada na Europa e seus reflexos na transformação do sistema dos media no país (1968-1986).
Sobre a história portuguesa, a autora traça rapidamente a origem do país (1143), grandes descobertas marítimas (séculos XV e XVI), revolução republicana (prefere o confronto entre absolutistas e liberais de 1830, mas salienta o assassínio do rei Carlos I e a constituição da República em 1911), revolta militar e ditadura, Rivoluzione dei Garofani (1974) e lenta democratização, ingresso na Europa.
Fixo-me no capítulo sobre os media portugueses (pp. 77-106). Barbara Bechelloni avalia o período entre 1968 e 1986 (de Marcelo Caetano como primeiro-ministro à entrada na Comunidade Europeia, hoje União Europeia). Para ela, existe um sistema de media decomposto em quatro parcelas: 1) produtivo, organizativo formal e empresarial; 2) discursivo ou da gramática do discurso nos suportes escrito, sonoro e audiovisual; 3) agentes produtores de informação; 4) significado do produto ou estrutura receptiva (público/audiências). A autora compara as mudanças iniciadas no marcelismo com a realidade do começo do século XXI – de pequenas empresas ligadas aos media, apesar de começarem a formar-se grupos de media, aos aglomerados e internacionalização e integração de media dentro do chamado hiper-sector da informação e da comunicação, em que a estrutura e circuitos de financiamento, produção, distribuição e publicidade são mais articulados e poderosos. Abandona-se a comunicação assente na cultura e na sociedade e chega-se a uma cultura do lazer e do entretenimento, paralelo à mudança de um mundo assente na industrialização que passa para um ligado aos serviços.
No período de 1974 a 1986, a docente da Università Sapienza, em Roma, detecta a seguinte periodização: 1) libertação (Abril de 1974), que assinala o fim da censura e culmina com a lei da imprensa, 2) estatização (Março de 1975), pela via indirecta da nacionalização da banca, 3) fase legislativa (em volta de 1979, marcada sobretudo pela acção de Daniel Proença de Carvalho), 4) crise económica-financeira (a partir de 1979), 5) pulverização das rádios livres (1984-1988), 6) desestatização e reprivatização dos media (de jornais e abertura à televisão privada, a partir de 1992). A autora identifica outros pontos essenciais na vida dos media portugueses no final do período em análise. Na imprensa, política de brindes para estimular a vendas dos jornais, tabloidização da imprensa generalista, jornais gratuitos e aumento do preço do papel (p. 96-98). Na rádio, apesar da sempre anunciada morte e dos baixos investimentos publicitários, a sua revitalização (430 frequências atribuídas a Portugal na conferência de Genebra em 1984) (p. 101). Na televisão, o surgimento quase simultâneo de canais privados em feixe hertziano com a oferta por satélite e por cabo conduziu a um aumento de volume de negócios e maior quantidade de conteúdos, com a crise de 2000-2001 a fazer ponderar quais as linhas do futuro, além de uma reflexão sobre a programação, em especial o sucesso de reality-shows como o Big Brother (p. 106).
O livro tem prefácio de Isabel Ferin da Cunha, da Universidade de Coimbra, um significativo ensaio de nove páginas sobre a história social dos media portugueses nas últimas três décadas.
Leitura: Barbara Bechelloni (2009). Fascino Lusitano. Identità e cultura nella società della comunicazione portoghese. Roma: Z!nes, 193 páginas
>IMPRENSA E INTERNET
>Na sua coluna do Diário de Notícias publicada hoje, J.-M. Nobre-Correia escreve sobre sucessivas crises que abalaram a imprensa: a rádio nas décadas de 1940 e 1950, a televisão nas décadas de 1960 e 1970, a perda dos monopólios com proliferação de rádios e televisões nas décadas de 1970 e 1980, a internet com abundância de fontes de informação e interactividade e possibilidade de criação de media nas décadas de 1990 e 2000. Para combater a quebra de vendas, abriram-se portas à “economia da gratuidade” e a passagem das “informações de serviço e dos classificados esvaziou seriamente duas funções sociais primárias dos jornais”. Mas a internet não permitiu atingir os resultados esperados em termos de pagamento das consultas, de assinaturas e de receitas publicitárias. O novo tablet da Apple parecia alterar esta situação, mas J.-M. Nobre-Correia apresenta razões para um novo falhanço.
>CULTURA
>O ministério da Cultura já não vai avançar com a fusão do Teatro S. Carlos e Companhia Nacional de Bailado com o Teatro D. Maria II e Teatro S. João (notícia do Expresso de hoje). A alteração de propósitos surge depois de críticas fortes e da demissão de Jorge Salavisa à frente da administração da OPART (Organismo de Produção Artística, que tutela o teatro S. Carlos e a companhia de bailado), cargo que assumira em Abril de 2010. A ministra Gabriela Canavilhas diz querer uma programação que seja do interesse dos frequentadores dos teatros associada a uma optimização de recursos.
>TELEJORNALISMO
>
Os noticiários televisivos são actualmente a principal fonte de informação da sociedade – eis o ponto de partida que reuniu oito investigadores (e jornalistas) do Brasil e de Portugal. O resultado é o livro Telejornalismo. A nova praça pública (2006), organizado por Alfredo Vizeu, Flávio Porcello e Célia Mota. A ideia do livro nasceu em 2005, quando foi criada uma rede de pesquisa em telejornalismo no Brasil. Além dos autores que organizaram o volume, o livro conta com textos de Sylvia Moretzsohn, Beatriz Becker, Iluska Coutinho, Aline Lins e João Carlos Correia, e um prefácio de Elias Machado.
No livro, analisam-se rotinas produtivas, modos como os jornalistas procuram atrair o público com as suas notícias, que códigos particulares, que audiência presumida, distinção entre urgência do “vivo” e tempo real (visibilidade por oposição à reflexão), como assinalam os noticiários as experiências do quotidiano, da festa e da comemoração em termos de identidade, que dramaturgia usa o noticiário, que cidadania é veiculada, relação entre televisão e poder, construção autoral colectiva. Semiótica, fenomenologia, sociologia do jornalismo, antropologia, são algumas das ciências usadas no livro.
Retenho algumas das ideias do texto de João Carlos Correia, docente da Universidade da Beira Interior (Covilhã): o mundo parece-nos como se apresenta e há uma premissa de confiança na permanência das estruturas do mundo, o que implica um padrão organizado de rotina (p. 203). Na perspectiva fenomenológica aplicada ao jornalismo, existe uma visão convencional associada ao senso comum. Seguindo o fenomenólogo Alfred Schutz, o conhecimento do mundo do senso comum é próprio de uma comunidade bem integrada, com aparência de coerência, clareza e consistência (p. 211). Se há uma ruptura, após essa alteração, o jornalista reorganiza o tempo e o espaço das ideias e cria uma rotina, uma continuidade, uma trama narrativa que imprime um dado significado aos acontecimentos (p. 205). João Carlos Correia fala de diversidade, pressuposição, leitura preferencial e enquadramento. O autor escreve ainda sobre a construção da realidade social, que atravessa as obras de Berger, Luckmann e Tuchman.
Leitura: Alfredo Vizeu, Flávio Porcello e Célia Mota (2006) (org.). Telejornalismo. A nova praça pública. Florianópolis: Editora Insular, 223 páginas
>MONSTRA – FESTIVAL DE ANIMAÇÃO DE LISBOA
>
A 10ª edição da MONSTRA – Festival de Animação de Lisboa, já tem datas marcadas: de 21 a 27 de Março de 2011. O mais antigo festival de Lisboa continua a mostrar o que de melhor se realiza no mundo do cinema de animação.
Em Fevereiro, a MONSTRA estará em Arras, França, a convite da galeria Quai de la Batterie, onde participará em três actividades relacionadas com o cinema de animação, com Fernando Galrito, professor de animação na ESAD, programador e Director Artístico da Monstra, e Pedro Serrazina, realizador de filmes de animação.
>GAETANO PESCE NO MUDE
>
No próximo dia 3 de Fevereiro, pelas 16:00, o designer italiano Gaetano Pesce vai estar à conversa no MUDE, com moderação da directora do MUDE, Bárbara Coutinho. O encontro é aberto ao público em geral e destina-se, em particular, a designers e estudantes de design, arquitectura e artes plásticas.
Para assinalar a visita deste criador, que vem lançar o modelo Melissa+Gaetano Pesce, o MUDE vai apresentar, a partir de 1 de Fevereiro, no centro da sua exposição permanente (Piso 0), um núcleo com todas as peças da sua autoria que integram o espólio do museu.
Gaetano Pesce é considerado um dos expoentes máximos do Design Radical. Os seus trabalhos de arquitectura e design privilegiam o significado em detrimento do funcionalismo, tornando-o num ícone do anti-design. Mais recentemente, colaborou com a Melissa, dando continuidade ao projecto que a marca brasileira tem vindo a desenvolver com grandes criadores da actualidade, como Vivienne Westwood, irmãos Campana e Zaha Hadid.
>DANÇA CONTEMPORÂNEA EM GUIMARÃES
>
“O Centro Cultural Vila Flor (CCVF), de Guimarães, levará à cena o 1.º Festival de Dança Contemporânea nos primeiros meses deste novo ano. Com este evento artístico ampliará a já reconhecida qualidade da sua programação no domínio dos espectáculos vivos. Saudamos a iniciativa, tanto mais que a dança é, infelizmente, frequentemente relegada para segundo plano quando comparada com as áreas da música, do teatro, das artes plásticas” (Paulo Santos Pinto, aluno finalista do Curso de Estudos Artísticos e Culturais (FacFil/UCP/Braga) em Estágio no Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), Diário do Minho, 26 de Janeiro de 2011).
>CIDADES – 9
>
“Cada viajante constrói, das cidades que ama, uma ideia que raramente coincide com a lógica da geografia urbana. [...] desenha percursos, associações imaginárias, mitos instrumentais que o fazem ver as fachadas, os monumentos, as praças e as gentes de uma determinada zona como os melhores sinais identificadores do espírito do lugar” (António Mega Ferreira, Roma. Exercícios de reconhecimento, 2004, p. 13).
>RÁDIO DE RANGEL AUTORIZADA
>A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) aceitou a venda da rádio Europa Lisboa a Emídio Rangel e sócios e a mudança de perfil de rádio musical para informativa (fonte: Meios & Publicidade). Esta aquisição prepara o começo de um novo grupo de media, a que se sucederão um semanário, um portal e um canal de televisão.
>REDES SOCIAIS NO NORTE DE ÁFRICA E MÉDIO ORIENTE
>A rede social Twitter confirmou ontem ter estado fechada pelas autoridades egípcias. Quando a revolta no Egipto parecia tomar o mesmo rumo dos acontecimentos da Tunísia, onde os governantes que se mantinham no poder há décadas foram contestados e expulsos, o governo egípcio desligou o acesso à rede social. Na Tunísia, grande parte da população, em especial a mais jovem, usou o Twitter, Facebook e YouTube nesse levantamento, repetindo manifestações semelhantes ocorridas no Irão em 2010.
As redes sociais estão a desempenhar um papel de mobilização social igual ao do telemóvel no começo da década passada. Acaba por ser mais eficiente dada a malha de redes pessoais ser mais complexa, capilar e dispersa mas chegando aos mesmos receptores que o telemóvel, para não falar na menor eficácia de contactos via panfleto em papel quando não existiam estas tecnologias electrónicas. Por seu lado, a televisão faz a recolha e tratamento de informação, conferindo uma narrativa aos dados dispersos que chegam às redacções. A televisão amplia, a televisão chega aos outros lugares, aos outros países, permite ensaios noutros espaços, comparabilidades e hipóteses de mudança.
>PRISA
>Bastante endividado, o conglomerado de media espanhol Prisa vai cortar 2500 empregos (18% do total da sua força de trabalho). Ontem, a Prisa comunicou à CMVN (Comissão de Valores Espanhol) que os cortes afectariam 2000 postos de trabalho em Espanha e 500 em Portugal e no continente americano, realizados através de mecanismos como o incentivo à reforma antecipada ou a partir de 2012. A redução de emprego faz parte de uma reestruturação devido à evolução recente do mercado dos media. No ano que acabou, a empresa de investimentos americana Liberty Acquisition Holdings comprou uma participação maioritária na Prisa. A Prisa é o maior grupo de media de Espanha e proprietário do El Pais, um dos mais conceituados jornais do país vizinho (fonte: m&g news). Em Portugal, os principais interesses da Prisa são a televisão TVI e rádios como Comercial e M80.
Actualização às 12:40: segundo informação via Meios & Publicidade, não haverá redução de efectivos na TVI e na Plural Portugal, segundo garantiu Bernardo Bairrão, administrador-delegado da Media Capital. Além das rádios, a Media Capital inclui a Castello-Lopes (filmes e cinemas) e a Prisa detém revistas (Progresa-MCE) e a editora Santillana.
>CIDADES – 8
>
Renato Miguel do Carmo propõe uma viagem ao mundo através do Google Earth, onde chega a Nova Iorque, Cidade do México, Lisboa. Não sai da cadeira nem vai para outra divisão da casa, salta de cidade em cidade. Elas mostram-se planas e geométricas, a duas dimensões.
O autor lembra alguns homens que há um século começaram a ver a cidade de cima, como Georg Simmel, Louis Wirth, Ernest Burgess. A cidade é apresentada como organismo vivo que molda uma forma a partir da auto-selecção de diferentes campos de força (indivíduos, grupos, empresas, bairros) (Carmo, 2008: 27). No começo do século XX, a cidade de Chicago, observada por Burgess, explodia de população vinda de outros países e continentes, amontoada em diversos bairros. Mas uma certa lógica persistia face ao aparente caos, com a cidade a transformar-se em organismo capaz de construir áreas específicas para grupos oriundos de uma mesma região ou país. Os indivíduos diferenciam-se no espaço e juntam-se aos que lhe são próximos (sociais, étnicos, religiosos). A expansão das cidades gera uma geometria quase invariável, uma estranha noção de ordem.
Apesar de círculos ou rectângulos em que se fecham os indivíduos, existe uma grande capacidade de circulação. Renato Miguel do Carmo fala da mobilidade diária (residência, emprego, escola, lojas) e depreende que a geometria inclui a circulação. E outra coisa: a individualização, que encontra em Simmel. Junta o descompromisso do sujeito, com atitudes generalizadas de indiferença, reserva e anonimato. A evidência do estrangeiro e do não possuidor de terra – por não preso ao lugar: bairro, rua, amigos – reforça a circulação, o passageiro permanente. O autor cita Castells, que indica que os lugares que ficam presos à cidade são os que se perderam do mundo, povoados por populações marginalizadas (p. 35).
Desconto a perspectiva pós-futurista de Castells e a poesia do conceito de “não lugar” em Marc Augé, que Carmo aceita, e penso na dicotomia entre ficar e partir. A partida pressupõe lugar para ficar. O estar a procurar uma cidade por meio virtual não inibe a necessidade de chegar ao lugar não conhecido. Aliás, estimula. A viagem prepara-se diante de um papel, de um itinerário encontrado na internet e reconstituído no percurso. A visita dá densidade à porosidade que é o planear a viagem.
Leitura: Renato Miguel do Carmo (2008). “Deambulando pelos duplos da cidade: do estrangeiro ao construtor de lugares”. In Renato Miguel do Carmo, Daniel Melo e Ruy Llera Blanes (coord.) A globalização no divã. Lisboa: Tinta da China, pp. 25-42
>ESTATÍSTICAS DE MEDIA E COMUNICAÇÕES
>A Sampler of International Media and Communication Statistics 2010 é uma compilação de Sara Leckner e Ulrika Facht, editada pela Nordicom. O objectivo do longo e interessante relatório é apresentar e reflectir sobre dados comparativos de vários países, em domínios como a televisão, a internet, as telecomunicações, a rádio e os jornais. Diz o texto de introdução: “Nós precisamos de criar plataformas para atingir objectivos de colaboração a níveis regional, nacional e internacional a médio prazo. Precisamos de estudos comparativos de modo a ter conhecimento em assuntos de real importância. Precisamos de desenvolver ferramentas analíticas que possibilitem análises comparativas nas culturas mediáticas” [indústrias culturais].
A Nordicom monitoriza as tendências dos sectores dos media nos países nórdicos: Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia e compila estatísticas sobre os media e fornece dados às empresas de media e aos reguladores de media e telecomunicações daqueles países. Ao mesmo tempo, fornece perspectivas sobre o que se passa fora daquela região, procurando alcançar uma posição de observação a nível mundial, dada a rápida evolução das tecnologias, dos usos e dos consumos.
>BLOGUE SOBRE A REGULAÇÃO DOS MEDIA
>Oreste Pollicino, jurista e professor italiano da Universidade de Bocconi, em Milão, fundou um blogue dedicado à regulação dos media na Europa e onde compara a legislação de cada país (direito comparado dos media). Chama-se Medialaws e tem textos em italiano e inglês.
>NOVELA DA SIC
>
Laços de Sangue, a novela da SIC no horário nobre, é o primeiro título de duas co-produções entre a Rede Globo e a portuguesa SP Televisão. A parceria envolve todas as etapas da criação e produção de novelas, incluindo guião, planeamento e definição de elementos artísticos, como se lê na revista Notícias Madre SGPS a que pertence a produtora SP Televisão.
Um dos objectivos é englobar a novela no pacote de vendas internacionais, a começar com o certame organizado pela National Associates of Television Program Executives (NATPE), que abriu ontem e se prolonga até amanhã em Miami, Estados Unidos. Depois de Laços de Sangue, em que está envolvido o guionista brasileiro Aguinaldo Silva, projecta-se uma segunda novela ainda para este ano. Outro dos objectivos é o de atender à crescente necessidade de programação provocada pelo surgimento de novos meios.
O terceiro objectivo da parceria é abrir um espaço de produção em Portugal. A co-produção significa o alargamento, para fora do Brasil, da produção de novelas e a concorrência mais directa, em Portugal, com as novelas da Plural Entertainment, da TVI.
>IOSSELIANI
>
Otar Iosseliani (ოთარ იოსელიანი, Tbilisi, Geórgia, 1934) é o realizador de Chantrapas (2010). Conta a história de Nicolas, que procura fazer um filme na Geórgia. Os dirigentes burocratas não entendem o conteúdo do mesmo e perseguem-no como dissidente. No fundo, o filme que ele se propõe fazer é sobre a liberdade e sobre a repressão, nem que as imagens mostrem apenas flores e plantas a serem derrubadas para a construção de uma zona habitacional. A repressão, no sentido da metáfora, é a perda da liberdade de vadiar após o final diário das aulas, a boleia do comboio de mercadorias, a iniciação do tabaco ou da bebida, como revela a analepse no filme. O avô conhece um amigo em Paris e encoraja-o a partir para França, pois encontrará um ambiente distinto. Nicolas, que trabalha na construção civil ou num jardim zoológico para sobreviver no Ocidente, prepara o seu filme. Os burocratas do seu país, noutra posição, parecem ajudá-lo – prometem não voltar a persegui-lo. Nicolas negoceia com os produtores, mas estes também não entendem o filme. Volta tudo quase ao princípio, com o regresso dele à Geórgia. O lar parece-lhe aconchegador, o avô procura descobrir o que Nicolas sabe de uma antiga apaixonada agora a viver em Paris. A família faz um piquenique, ele pesca. Os chantrapas são os que não servem para nada, os que devem ser excluídos. Certamente que uma sereia negra, surgida furtivamente num lago, o considerará e o levará para longe das burocracias do mundo. Talvez surja então a compreensão. Actores: Dato Tarielachvili, Tamuna Karumidze e Fanny Gonin. Vídeo no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=fs3wKEFnjMs&feature=player_embedded.
>SOBRE O STAR-SYSTEM PORTUGUÊS
>”Dantes, o sonho dos pais era que os filhos fossem doutores. Hoje querem que sejam famosos” (Público).
>FILME INACABADO DE WELLES EM PRÓXIMA EXIBIÇÃO
>Uma obra de arte inacabada filmada por Orson Welles, The Other Side of the Wind, realizada há cerca de 40 anos vai chegar aos ecrãs, noticia hoje o jornal Observer. O filme narra as últimas horas da vida de um velho realizador de cinema. John Huston é o realizador em causa.
>NOVO PROJECTO DE MEDIA
>”Os projectos de Emídio Rangel para a fundação de um semanário, uma rádio de informação e um site na Internet vão arrancar em simultâneo a partir de Abril. Trata-se de um investimento de cinco milhões de euros, que exigirá a contratação de mais de cem jornalistas que, no futuro, irão também trabalhar para um canal de televisão da responsabilidade do antigo homem forte da SIC” (fonte: Público).
>SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO (X)
>
Uncertain vision é um texto de Georgina Born sobre a BBC. A autora passou diversos anos a estudar o serviço público de audiovisual inglês, em especial os canais de televisão da BBC – 1995 a 1998, 2001 -, resultando uma profunda etnografia. Observação participante, com a escrita de oito diários, e 220 entrevistas fazem do estudo talvez o mais importante sobre aquela empresa, desde sempre.
Born avalia o trabalho desenvolvido por dois directores-gerais que sucederam um ao outro: John Birt (1993-2000; fora anteriormente director-geral adjunto, 1987-1993) e Greg Dyke (2000-2004). Recorde-se que Margaret Thatcher, do partido conservador, foi primeiro-ministro entre 1979 e 1990, a que sucedeu John Major (1990-1997), do mesmo partido, substituído por Tony Blair (partido trabalhista, 1997-2007), o que quer dizer que Birt trabalhou com dois tipos de administração governativa. Cultura de Estado, novo tipo de gestão introduzido por Birt, aproximando a cultura da BBC a valores comerciais e de marketing, com introdução de estudos de auditoria e audiências, e análise das estruturas internas da BBC em especial a produção de ficção e de informação são alguns dos tópicos apresentados por Born.
Nas páginas finais do seu extenso livro (564 páginas), a autora escreve mais atentamente sobre o serviço público de televisão (e rádio). Para ela, devido ao número crescente de conflitos internacionais e tensões domésticas, o serviço público funciona como arena independente para o complexo diálogo político e cultural que exige partilha, bem comum, reciprocidade e tolerância, não apenas com plataformas comuns para a discussão pública mas também representação e expressão dos diversos grupos da sociedade (p. 508). Hoje, uma nação é vista além da ideia de comunidade imaginada (Benedict Anderson), pois as identidades colectivas (minorias étnicas, culturais, religiosas) tornam a nação uma comunidade de comunicadores. O que significa que o serviço público de televisão tem de responder a ordens políticas distintas, a realidades multifacetadas (p. 512). O serviço público desempenha um duplo papel: memória social e observação e intervenção no presente. Born acrescenta a dinâmica tecnológica trazida pelo ambiente multicanal e multimedia e pela justaposição e mistura de géneros televisivos. O exercício da cidadania é melhor desempenhado pelo serviço público do que pelas redes comerciais de audiovisual, com objectivos diferentes e lógicas de mercado segmentado e em busca de publicidade e lucro (p. 515). Uma ideia final é a do encontro entre a maioria social e as minorias, dentro do que ela chama de função da diversidade na unidade cultural (p. 516). O papel da BBC já não é o atribuído por Reith (director-geral da BBC entre 1927 e 1938), o de representar uma nação unificada, mas o de fornecer um espaço de unidade adequado à pluralidade das comunidades imaginadas e de comunicadores (p. 517).
Leitura: Georgina Born (2005). Uncertain vision. Birt, Dyke and the reinvention of the BBC. Londres: Vintage
>DIABETES E MALÁRIA NOS MEDIA
>Uma estudante inglesa de jornalismo, Katie Davies, ganhou o prémio de melhor artigo escrito no concurso Young Reporters Against Poverty. O título do seu trabalho era “Mais vale ter sida do que diabetes” (“I wish I had AIDS and not diabetes”), realçando que a diabetes tem menos evidência nos media e no desenvolvimento do estudo da doença. O júri do concurso, organizado pelo European Journalism Centre e com o apoio financeiro da Comissão Europeia, escolheu o artigo de Katie entre 33 finalistas e cerca de 200 candidaturas e acrescentou que o título era um excelente aviso para um problema desconhecido por muita gente.
Hoje, uma notícia indica que o actor George Clooney contraiu malária numa recente viagem ao Sudão, quando acompanhou o recente processo eleitoral daquele país. A notícia acrescenta mais dados: Clooney já estaria recuperado, sendo esta a segunda vez que a doença o atacou. O portal TMZ, especializado em notícias sobre estrelas e vedetas, cita Clooney: “com a medicação adequada, a doença mais letal de África pode ser reduzida a dez dias de mau estar em vez de uma sentença de morte”.
O blogueiro não tem outra informação além desta, mas está convencido que a malária – mais do que a diabetes – ganhou espaço nos media, por haver uma estrela a falar dela. A investigação das doenças relacionadas ou provocadas pela sida acelerou-se quando os media e as estrelas do cinema e dos espectáculos começaram a falar dela, iniciando um movimento com impacto nos responsáveis de saúde nos principais países. Compare-se com a mediatização da gripe A em 2009.
>DEZ ANOS DE SIC NOTÍCIAS
>
No começo deste mês, o canal de notícias SIC Notícias comemorou dez anos de actividade. A revista dominical do Público de 9.1.2011 dedicou atenção a esta efeméride, com texto de Ana Machado e Miguel Gaspar e imagens de Nuno Ferreira Santos.
O canal, do grupo Impresa (Expresso, Visão, SIC) começou a emitir em 8 de Janeiro de 2001. Pedro Mourinho, Ana Lourenço e Clara de Sousa eram as caras mais visíveis do canal, com uma equipa de dirigentes com nomes como Emídio Rangel, Luís Marques, Nuno Santos e Alcides Vieira. Hoje, uma das caras mais conhecidas do canal é Mário Crespo. A SIC Notícias sucedia a uma experiência frustrada dos canais regionais, CNL (Lisboa) e NTV (Porto), ligados à Portugal Telecom.
Há uma espécie de quadro de origem da SIC Notícias: a rádio TSF. Aliás, Emídio Rangel esteve ligado à origem dos dois projectos. A ideia de emitir notícias hora a hora na televisão foi uma profunda alteração no modo de produzir e receber informação. Quando arrancou a SIC Notícias tinha uma média de 12 mil espectadores por dia, número que está hoje nos 29 mil. Os canais por subscrição (cabo, IPTV) têm actualmente cerca de 19% do share de audiência.
Depois da SIC Notícias surgiriam a RTPN (2004, ligada à RTP) e a TVI24 (2007, ligada à TVI), canais de subscrição que fazem parte das estratégias das estações generalistas a que pertencem, entendendo-se os canais de subscrição como constituindo uma outra plataforma de elaboração e transmissão da informação. Apesar da abundância de oferta de canais de informação, estes lutam contra duas questões: afunilamento da agenda, por falta de tempo de aprofundamento de informação e investigação, orçamento baixo (alguns produtores entregam programas a custo zero ou perto disso).
O directo ou o “jornalismo de secretária” (na crítica de Eduardo Cintra Torres) são usados com maior frequência do que seria desejado. Os jornalistas queixam-se, por seu lado, do peso e impacto das fontes de informação, muitas das quais se profissionalizaram em termos de estruturas. Pode acontecer uma perda de audiências mais jovens, menos interessadas em consumo de informação através da televisão, dada a transferência para a internet, embora o consumo da televisão generalista mantenha uma perplexidade: a par do peso dos noticiários, central nas programações, os canais tendem para um papel maior no entretenimento.
Recorde-se que o primeiro canal de notícias por subscrição surgiu em 1980, com a americana CNN. Em 1989, o canal Sky News, de Rupert Murdoch, era lançado, seguindo-se a oferta da CNN no Reino Unido em 1992. No ano anterior, 1991, a BBC abria o canal comercial que emitia 24 horas por dia, o World Service Television News, renomeado BBC World. Esta oferta seguia diversos desenvolvimentos, como a possibilidade de gravar em vídeo na década de 1980, que eliminava o processo mais lento e dispendioso do filme em película, a emissão em simultâneo através do satélite e redistribuição para outras cadeias de televisão em qualquer parte do mundo, a lenta aceitação do trabalho multi-tarefas (jornalista que escreve, regista em som e imagem e monta as peças), a flexibilidade e a maior velocidade permitidas pelas tecnologias digitais, a centralização da produção de informação e o aumento de serviços noticiosos pela expansão da internet (Georgina Born, 2005, Uncertain vision. Birt, Dyke and the reinventing of the BBC, p. 404).
>DISCURSO SOBRE A TELEVISÃO PÚBLICA
>“A «oferta televisiva tende a ser monotemática» com «três, por vezes quatro, novelas seguidas» nos canais privados, pelo que a função da RTP1 passa por ter uma «grelha vertical», com conteúdos diferentes todos os dias, e que apostem noutras áreas de actividade, como documentários ou concursos que «relevem o conhecimento» e «não humilhem» os participantes. [...] O responsável sublinhou ainda a aposta da estação na ficção nacional, concretizada em séries e telefilmes e não em telenovelas, já que «desde 2007» a RTP não produz um conteúdo do género” (José Fragoso, director de programas da RTP1, Diário de Notícias, , 19.1.2011).


















