Sei que o tema foge à linha editorial do blogue, mas registo este evento a decorrer amanhã, a partir das 20:00, no laboratório e espaço de exposições de Pièce de Résistance no Museum of National History. Local: Mediamatic Bank, Vijzelstraat 68, Amsterdam, Holanda. Quem convida é Erik Schilp, o director do museu. Haverá histórias sobre a história da resistência, em especial a holandesa, com música e performances. Mais informações em Mediamatic.
BEATRIZ PACHECO PEREIRA EXPÕE
Exposição individual de escultura de Beatriz Pacheco Pereira no Palacete Viscondes de Balsemão, Praça Carlos Alberto, 71, Porto, até 29 de Abril. Este ano, ela foi responsável pela concepção e execução do Programa Cinema e Artes Plásticas do Fantasporto, festival de cinema fantástico do Porto, com a produção de 17 filmes sobre artistas plásticos portugueses contemporâneos.
>RUI SOUSA E O MUNDO DAS MARIONETAS
>A mensagem Marionetas da Feira é aquela que teve maior número de visitantes nos últimos dois anos do blogue. Escrito a 15 de Janeiro de 2009, o texto começa do seguinte modo: “Não conheço directamente as Marionetas da Feira, mas sei que houve um espectáculo no passado dia 9, na Tertúlia Castelense, e que Rui Sousa, o seu director, vai estar no dia 18, pelas 11:30, na FNAC do Mar Shopping (Matosinhos), na construção de uma marioneta de manipulação directa, utilizando fita-cola crepe, papel de jornal e um pano colorido à escolha de cada formando”. Seguia de perto a informação que me haviam endereçado por essa ocasião e que achei pertinente inserir no Indústrias.
Contudo, dois links ali colocados já não funcionam: o do sítio e o do vídeo, áreas de autor que não controlo. Por qualquer razão, o autor dos links desligou-os. Isso ilustra a fragilidade do mundo dos hiperlinks, pela sua interdependência.
Mas Rui Sousa e o seu teatro continuam activos, como se verifica no sítio Rui Sousa – Teatro e Oficinas de Marionetas. Lê-se: “Rui Sousa começou a sua viagem pelo mundo mágico das marionetas em 2000 nas oficinas do Festival Internacional de Marionetas de Ovar. Aí produziu o seu primeiro espectáculo “Brainstorming” tendo estreia nesse mesmo festival. [...] Completou o curso superior de artes da ESAD em 1995 e desde então tem traçado um percurso ao encontro da arte. Frequentou várias formações para expandir o seu domínio de técnicas e novos materiais. Para além do trabalho de actor e manipulador, Rui Sousa é também produtor de espectáculos, construtor de marionetas e cenógrafo. Desenvolve também oficinas de construção de marionetas com jornais, outros materiais usados e resíduos”.
Links: www.myspace.com/ruisousa1975, http://www.aolharproboneco.blogspot.com/, http://www.youtube.com/watch?v=Vxmlcwa8qKE&feature=player_embedded.
ARTES VISUAIS E CRIATIVIDADE PEDAGÓGICA
Curso na Faculdade de Filosofia (Universidade Católica, Braga), composto por cinco seminários orientados por académicos nacionais e estrangeiros: Adolfo Lópes Quintás (Univ. Complutense, Madrid), Eileen Adams (Royal College of Arts, Reino Unido), Fátima Lambert (Instituto Politécnico, Porto), Fernando Ilídio (Univ. do Minho, Braga), Marko Rupnik (Fac. Hist. et Bon. Cult – PUG Pont. Athen. Anselm. Pont. Consiglio per la Cultura). Início: 19 de Novembro de 2010.
- “A arte constitui-se esteticamente como um valor por si mesmo, capaz de transformar o nosso olhar, a nossa percepção da realidade e da vida. Mas, ao mesmo tempo, ela é indutora de novas formas, novos dispositivos, novas estratégias que nos permitem alcançar criativamente outros valores, outros âmbitos, novas finalidades. Docentes, psicólogos, pedagogos, educadores e, de um modo geral, todos os que desenvolvem actividades de comunicação e de intermediação cultural e social reconhecem que, com a arte, a mensagem “passa melhor”. Dentre o universo da arte, as artes visuais adquiriram desde cedo um estatuto estético e cognitivo cimeiro, precisamente porque se descobriu que os sentidos e os dispositivos que elas activam permitem-nos chegar mais longe, alcançar uma realidade mais ampla, conhecer melhor e mais profundamente a realidade envolvente. Não é por acaso que ao longo da nossa tradição cultural sempre se valorizou a dimensão visual” (texto da entidade organizadora). Ler mais aqui.
FUNDRAISING CHALLENGE IN EUROPE
Michael Kaiser, president of the John F. Kennedy Center for the Performing Arts, about The Fundraising Challenge in Europe, has written the following:
- For the past ten years, my teaching abroad has focused on countries that are experiencing great political change and dramatic modifications in the arts ecology. I have taught in South Africa, Eastern Europe, the Arab World, Pakistan and China, for example. But a recent teaching trip to Lisbon, Portugal has me rethinking my strategy. Lisbon is a beautiful city with a strong arts tradition. One has only to walk down virtually any street to appreciate the beautiful architecture and the appreciation of aesthetics. [...] The current economic challenges in the world are forcing the government to reduce, sometimes radically, its support for arts organizations in the nation. This is clearly not a unique situation. Governments throughout Europe are now cutting arts subsidies, either gradually (France) or radically (England). [...] I remain convinced that some arts managers will be successful in building private philanthropy in Portugal and elsewhere. Already some are becoming successful. In England, for example, many major institutions can boast of highly sophisticated fundraising operations. It requires great discipline to keep at it, however. It takes courage to argue that a substantial portion of the budget will, one day, be financed by private contributions. And it takes a willingness to promote one’s organization in a way that attracts contributions. This aggressive approach to marketing is counter-cultural (The Huffington Post).
ARTE PÚBLICA
No dia 12 de Outubro, às 18:00, será lançado o livro Arte pública e cidadania: novas leituras da cidade criativa, de vários autores. A apresentação vai caber ao Prof. João Levy e a sessão irá ocorrer no Instituto Superior Técnico – Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura, 2º piso, sala 4.41. Haverá apresentação de imagens de algumas expressões actuais marcantes da Arte Pública.
NOTÍCIA DOS JORNAIS – I
O partido do governo anuncia a alteração legislativa dos contratos de trabalho dos profissionais das artes do espectáculo, em especial a protecção social. Os profissionais do espectáculo têm habitualmente trabalho intermitente e são pagos por recibo verde, o que inibe terem subsídio de doença ou desemprego.
CURSOS DA ESAD
A ESAD – Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos – vai lançar o terceiro programa de formação aberta ESAD/LAB, para o ano lectivo 2009/10, com 20 novos cursos de curta duração como design social, serigrafia experimental, lighting design, ilustração 3D, banda desenhada digital, ilustração para moda e softwares da área, arte urbana/graffiti e veejaying.
DESIGN DE COMUNICAÇÃO
- Design Social
- Ferramentas de Criatividade – Mapas Mentais
- Apresentações Multimédia e Técnicas de Apresentação
ARTES DIGITAIS E MULTIMÉDIA
- Ilustração e Banda Desenhada Digital
- Intermédia: Processos e Tecnologias
- Ilustração 3D Módulo 1/ Interface e Modelação
- Ilustração 3D Módulo 2/ Texturas e Materiais
- Ilustração 3D Módulo 3/ Iluminação e Rendering
- Lighting Design para Produções Cénicas
- Arte do Veejaying
DESIGN DE PRODUTO
- Introdução ao Design de Transportes / Automóveis
DESIGN DE MODA
- Gestão de Moda
- Kaledo, Software para Moda
- Ilustração de Moda: Homem e Criança
- Ilustração de Moda: Senhora
- Moda/ Modelação de Vestuário
JOALHARIA
- Joalharia: 5 retratos / 5 identidades
ARTES
- Oficina Fotográfica: narrativa e retrato
- Serigrafia Experimental
Práticas de Intervenção Artística
- Caracterização e Maquilhagem para Televisão e Moda
- Maquilhagem para Moda/ Avançado
- Caractecrização para Cinema, Televisão e Teatro/ Avançado
- Arte Urbana: Graffiti
DESIGN de INTERIORES
- Luminotecnia
- 3D Studio Max Intro3D Studio Max Modelação Avançada
- 3D Studio Max Renderização Avançada com V-Ray
- 3D Studio Max – Personagens
- Photoshop para Arquitectura e Design
Mais informações: ESAD
EXPOSIÇÃO – I
Trabalhos de ilustração e animação de Pedro Lino estão patentes na galeria WHO, à rua Luz Soriano, 71, em Lisboa (fachada do edifício em imagem abaixo), como anunciei aqui.
A exposição, prevista para fechar hoje, vai-se prolongar por mais duas semanas, com uma festa de encerramento.
Pedro Lino é licenciado em design de comunicação pela Faculdade de Belas Artes do Porto e tem um master em ilustração pelo Camberwell College of Arts de Londres. Actualmente faz um estágio na Trunk Animation de Londres. Venceu o prémio Jovem Cineasta Português no Cinanima 2004 com o filme A Menina Gorda (que coloquei na mensagem aqui). Está a preparar um novo filme, O Homem da Cabeça em Papelão. Para além de três filmes de animação em exibição na exposição, esta conta com ilustrações relacionadas com os filmes e com a obra que está a produzir.
A MORTE DE PINA BAUSCH

Pina Bausch nasceu em 1940 e morreu agora. Os jornais deram muito destaque a esta bailarina que revolucionou a dança. Várias vezes passou em Lisboa (reproduzo parcialmente a capa da revista “Actual” do Expresso de 4 de Julho último).
Retiro uma frase do texto de Cláudia Galhós no referido número da revista: “Nessas passagens [por Lisboa], ela não dava entrevistas. Era uma mulher silenciosa, de silhueta frágil, consumida por um mundo de emoções”.
ESPAÇOS ALTERNATIVOS CULTURAIS EM LISBOA
O projecto de mestrado de Luísa Fernández Falcon, Espaços Alternativos. O seu Lugar na Cidade de Lisboa, hoje defendido na Universidade Nova de Lisboa, abordou as artes performativas na actualidade. O centro do projecto foi a comparação em oposição de espaços oficiais (Gulbenkian, CCB, Culturgest) e alternativos (Zé dos Bois, A Capital, Casa dos Dias d’Água). O tempo de análise foi o de três décadas (1970 a 2000). Nesse sentido, referenciou os movimentos teatrais pós-1974, como Cornucópia, Comuna, Artistas Unidos. Destacou em 1994 a Galeria Zé dos Bois (ZDB), no Bairro Alto. Mas distinguiu igualmente as periferias da cidade, como a Malaposta (Olival de Baixo), Ginjal (Cacilhas) e Fábrica da Pólvora (Barcarena), além do Teatro da Garagem. Depois surgiriam a Escola de Artes Visuais Maus-Maus e Alkantara.
A definição de alternativo constrói-se num duplo sentido: 1) negativo, a ideia de oposição, 2) positivo, valorizando a atitude independente ou original e realçando o papel dos fanzines (hoje: ezines) como meios de divulgação da cultura alternativa. Destaca os limites entre o alternativo e o institucional: as instituições apoiam os criadores inovadores; a presença dos criadores valoriza o trabalho das instituições. Para a investigadora, os espaços alternativos, se bem sucedidos, podem entrar em ruptura (dissidência) ao tornarem-se “oficiais”.
O texto fala de subculturas (a partir de Dick Hebdige) e o sentimento de pertença a uma comunidade relacionada com o desejo de exclusividade. Mas, refere, se os projectos ou espaços alternativos começam a ganhar visibilidade, aumentam os recursos económicos e arranjam projectos mais ambiciosos. Igualmente, o texto aborda o papel dos responsáveis dos espaços, distinguindo nacionais e estrangeiros.
A autora, agora mestre em Práticas Culturais para Municípios, observa que os espaços alternativos são estruturas de equipas pequenas com um grande capital de entusiasmo, acolhendo uma grande diversidade de iniciativas e eventos (artes plásticas, concertos, cinema, conferências, workshops, festas) voltadas para públicos específicos e artistas participantes [ver pequeno vídeo com a posição da autora].
A investigação de Luísa Fernández foi co-orientada pelos professores António Pinto Ribeiro e António Camões Gouveia. No final das provas públicas, foi aconselhada a publicação do seu trabalho sob a forma de artigo.
APRESENTAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS PARA A CULTURA EM LISBOA

Hoje, ao fim da tarde, foi apresentado o trabalho Estratégias para a Cultura em Lisboa, coordenado por Pedro Costa e por uma equipa da Dinâmia/ISCTE, em encomenda da Câmara Municipal de Lisboa.
Do sumário executivo, retiro algumas ideias: “Lisboa tem uma oferta cultural variada e significativa, em termos quantitativos, e que tem crescido substancial e sustentadamente ao longo dos últimos anos, embora haja situações muito diferenciadas nas várias áreas culturais, exprimindo no entanto, e nalguns casos, um dinamismo que aparenta ser mais quantitativo que qualitativo”.
Quatro eixos principais propõe o texto Estratégias para a Cultura em Lisboa (p. 17): 1) promoção das competências cosmopolitas e da vocação internacional da cidade, 2) desenvolvimento das condições facilitadoras da criação e da produção cultural, 3) reforço da vivência da cidade e da sua memória e promoção do conhecimento, 4) revisão do modelo de governança cultural da cidade.
O resultado do trabalho agora tornado público é composto por 30 medidas e 14 projectos, como Pedro Costa salienta no pequeno vídeo em baixo. Das medidas (p. 126), destaco as duas primeiras: reestruturar a orgânica da Direcção Municipal de Cultura e reequacionar a missão e a estruturação orgânica da EGEAC – Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural. Ou seja: o trabalho recomenda que se comece por alterar a orgânica interna da autarquia, a sua governança. Na sequência, outras medidas sugeridas são igualmente importantes: instituição de concurso público para a nomeação de directores artísticos e programadores, definição de um quadro regulamentar de apoio financeiro municipal aos agentes culturais e mobilização dos agentes privados para o desenvolvimento das indústrias criativas na cidade. Dos projectos (p. 127), relevo a ideia de um canal de internet para a cidade (Lx Web TV), de um Centro de Arte Contemporânea de Lisboa, do Estudar Lisboa (programa de fomento à colaboração com instituições de ensino superior e centros de investigação da cidade) e Lisbon Summer of Arts (programa internacional de formação de jovens artistas).
De uma leitura rápida e em diagonal, saliento o que o texto diz sobre públicos da cultura: falta de estudos de públicos (p. 73), reconhecimento dos baixos níveis de rendimento económico dos cidadãos e da falta de hábitos culturais (p. 71), associados a uma baixo capital escolar. Apesar de tudo, o volume Estratégias para a Cultura em Lisboa indica a existência de uma procura significativa de eventos e equipamentos culturais, quer em termos de faixas etárias, públicos variados e poder económico. Depois, a enumeração dos territórios culturais, tais como a baixa pombalina, Chiado e Bairro Alto, Parque Mayer (a recuperar), o eixo da avenida Almirante Reis a partir do Martim Moniz, Santos, Parque das Nações, alguns bairros históricos.
[observação: em 23 de Novembro de 2008, escrevi sobre o tema e entrevistei o coordenador do projecto; ver aqui]
INTACTA: TEATRO, PERFORMANCE, MÚSICA, DANÇA

Direcção, Texto e Música de Teixeira Moita; Interpretação, Coreografia e Figurinos de Fabíola Fernandes, voz-off de William Gavião e com assistência e produção de Carlos Pinto Vinagre. Work in progress, o espectáculo é “revisto e aumentado”, após apresentação no auditório da Sociedade Portuguesa de Autores (Lisboa), com novas ideias e propostas que foram surgindo. “Junta-se sem misturar, num mesmo espaço cénico, diferentes expressões e linguagens artísticas, tendo como base um corpus dramático fixado em texto” (texto da organização). Dia 1 de Julho, pelas 21:35, nas Galerias de Paris (Rua das Galerias de Paris, Porto).
O ARTISTA COMO TRABALHADOR
No Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-ISCTE), encontra-se disponível para download o texto de Idalina Conde, Artists as Vulnerable Workers. Nele, indica-se que os artistas são trabalhadores vulneráveis quanto a contingências profissionais (subemprego, trabalho intermitente e múltiplo, contratos precários, baixos salários em certas categorias) mas também em termos de identidade dependente exposta a formas específicas de poder simbólico, desigualdade e processos de reconhecimento.
O texto pode ser lido integralmente aqui.
ARTE DE RUA EM STAHL

No século XX, dois movimentos artísticos foram da rua para o museu, a Pop Art (caso de Warhol) e o Fluxus (caso de Marchetti, imagem retirada do sítio do museu Vostell Malpartida), hoje vistas como épocas clássicas da arte moderna. A diferença entre as duas é fundamentalmente de marketing, com a primeira a ter uma audiência mais vasta e a segunda a permanecer relativamente obscura.
O mesmo pode acontecer com a arte de rua, após a comercialização dos “artistas” do graffti – os grafiteiros como gosto de chamar -, segundo a conclusão de Johannes Stahl [imagem em baixo] em livro recentemente editado pela h.f.ullmann e
chamado Street Art (2009, p. 145). Claro que os grafiteiros mudam, ao passarem da parede da rua para a tela do museu, com a posição de ilegalidade e espécie de sociedade secreta compensada pela visibilidade artística, o sujo face ao limpo. Stahl chama de arrogante a posição assumida pelos grafiteiros quando se autonomeiam como Alta Arte Popular Urbana ou Arte de Metropolitano ou Arte Pós-Graffiti (p. 151). O spray perde a mensagem política, se a tinha, e adquire o estatuto de bonita imagem.
No meu entendimento, têm de se fazer mais investigações sobre esta matéria. Ao pós-moderno e virtual (a cultura digital) opõem-se as novas corporeidades como os graffiti e as tatuagens (a híbrida cultura analógica e moderna).
Johannes Stahl estudou história de arte, literatura alemã, filosofia e urbanismo nas Universidades de Bona e Marburg (1978-1985). Até 1991, foi crítico de arte. Mais tarde, trabalhou na Bonner Kunstverein e na Escola de Artes Visuais de Leipzig, sendo actualmente pesquisador no College of Art and Design da universidade Burg Giebichenstein (Halle, Alemanha).
TAPEÇARIAS
O Museu da Presidência da República, em colaboração com a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre e o Museu da Tapeçaria de Portalegre-Guy Fino, tem patente até 31 de Julho a exposição Nós na Arte-Tapeçarias de Portalegre e Arte Contemporânea, no Palácio de Belém.

De entre os artistas presentes, destacam-se Vieira da Silva, Almada Negreiros, Júlio Pomar, Júlio Resende, José de Guimarães, Carlos Botelho, Camarinha, Le Corbusier e Cargaleiro e, de entre os mais jovens, Rui Moreira e Rigo.
COLECÇÃO ANTÓNIO CACHOLA

António Cachola esteve em Londres pela primeira vez em 1973, onde visitou todos os museus que pode. Começava aí o seu interesse pela arte e pelo colecção de obras de arte. Licenciado em economia e com uma pós-graduação em finanças públicas, o seu grande hóbi é a arte, e fá-lo na qualidade de um quase profissional. A abertura do Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE) com a colecção dele próprio foi um momento de grande alegria. No catálogo de apresentação do museu e da colecção, escreve o próprio António Cachola: “O objectivo não passa apenas pela descentralização da arte ou da cultura mas pela sua naturalização, por transformar a arte em algo natural e acessível a todos” (ver o vídeo, onde registei uma curta conversa com o coleccionador).
A colecção e o museu possuem arte contemporânea portuguesa criada da década de 1980 em diante. Nela observam-se artistas de plano internacional, de que se contam, entre outros, Rui Sanches, Xana, Joana Vasconcelos, Jorge Molder, Rui Chafes, José Pedro Croft, Fernanda Fragateiro, Pedro Cabrita Reis, Ângela Ferreira, Pedro Calapez, João Pedro Vale, Manuel Botelho, Edgar Martins, Francisco Vidal, Sofia Areal, Ana Vidigal. O director de programação é João Pinharanda.



O MACE abriu em Julho de 2007 num edifício anteriormente hospital da Misericórdia de Elvas, em estilo barroco tardio de meados do século XVIII. A adaptação do edifício para museu teve o contributo do arquitecto Pedro Reis e dos designers Filipe Alarcão e Henrique Cayatte. A colecção tem cerca de 300 obras que se expõem segundo temáticas diferentes.
PINTURA E ARTES VISUAIS
Paulo Variz, de quem escrevi no blogue aqui, é tema de um ensaio no blogue el pintor de la vida moderna, de Carlos Primo. Para o autor do blogue:
- Este joven artista portugués compagina su empleo diario como macroeconomista con una multitud de actividades creativas que él ejerce con frescura y sin prejuicios de ningún tipo. Diseña moda, pinta, hace collages y construye esculturas e instalaciones. Además, de vez en cuando trabaja como modelo. Lo más interesante de todo es el modo en que integra todas estas facetas bajo un fuerte contenido intelectual que sabe fagocitar y exteriorizar a través de su siempre sorprendente obra.
ESPECTÁCULOS E SOCIOLOGIA DOS PÚBLICOS
A ARTEMREDE – Teatros Associados, associação cultural criada em 2005 e que representa 16 municípios e uma escola, publicou recentemente o seu Plano Estratégico 2008-2015 (agradecimentos a Carlos Filipe Maia, que mo deu a conhecer).

De 2002 a 2006, abriram mais de 130 recintos em todo o país, entre bibliotecas, museus, teatros e centros culturais, alargando a oferta de programação e com melhores condições de acesso à cultura. Isso quer dizer que as autarquias têm dado um relevo especial à agenda da cultura.
Entre 1986 e 2003, houve um crescimento na evolução da despesa dos municípios (613%), mas processa-se uma inversão desde então, reflexo da crise económica. Por seu lado, o investimento do Ministério da Cultura foi mais elevado em 2001 e 2002.
O Plano Estratégico 2008-2015 distingue, no caso específico das artes do espectáculo, o finalizar o projecto de construção de teatros e cineteatros (financiados pelo POC/FEDER). O programa Difusão das Artes do espectáculo esteve em vigor em 2000-2002, complementando as redes de recintos. Há hoje mais espectáculos, festivais e eventos de rua. Contudo, processou-se uma quebra de público. A razão reside na oferta demasiado elevada face aos recursos financeiros e tempo disponível da população.
O texto agora disponível dá uma ênfase especial aos espectáculos promovidos pela ARTEMREDE – Teatros Associados, com 9253 espectadores em 2005 e 16740 em 2007. Quanto a formação, a associação realizou cursos de operador de som e imagem, técnico de palco, serviços educativos, gestão e programação de teatros municipais, marketing cultural e relações públicas, e-comunicação, percursos pela arte e cultura do século XX e outros. O plano mostra igualmente a importância da cultura em rede, com espaços de debate e reuniões. Nos anos de 2005 a 2007, o orçamento de promoção de espectáculos e actividades culturais alcançou cerca de 317 mil euros e as receitas atingiram um total de mais de 70 mil euros, enquanto os hotéis locais registaram ganhos de quase 48 mil euros e as gráficas locais um crescimento de quase 56 mil euros.
Das principais metas de consolidação e crescimento, o plano aponta cinco: novos associados (mais 5 a 10), orçamento de programação (aumento de 5% ao ano), públicos (mais 10% ao ano), criação artística (um mínimo de dois espectáculos novos por ano) e mecenato (correspondente a 5% do orçamento de programação). Desse modo, os eixos de intervenção estratégicos são seis: programação, públicos, formação, qualificação da gestão e funcionamento, sustentabilidade, governação e cultura de rede.
Os associados da ARTEMREDE – Teatros Associados são os municípios de (por ordem alfabética) Abrantes, Alcanena, Alçobaça, Almada, Almeirim, Barreiro, Cartaxo, Entroncamento, Moita, Montijo, Nazaré, Palmela, Santarém, Sintra, Sobral de Monte Agraço e Torres Novas. A meu ver, concelhos importantes como Cascais e Oeiras deveriam pertencer a esta associação.
Ver mais em ARTEMREDE.
ARQUITECTURA DE COIMBRA EM BERLIM
A Escada Mecânica no Castelo de Rivoli, em Itália, de João Mendes Ribeiro, e o aparthotel que o Atelier do Corvo projectou e está a ser construído em Angola são dois dos 21 projectos que compõem a exposição Arquitectura: Portugal fora de Portugal.
A exposição, promovida pela Ordem dos Arquitectos Portugueses, foi inaugurada no dia 4 de Março, na galeria Aedes/ Architekturforum em Berlim, por ocasião da visita de Estado à Alemanha de Aníbal Cavaco Silva. Está patente até 9 de Abril.
PROGRAMA DE CRIAÇÃO ARTÍSTICA DA GULBENKIAN

O Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística é um livro agora editado pela Fundação Calouste Gulbenkian, a ser lançado no dia 18 de Fevereiro pelas 18:30 no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. O livro cobre actividades de Janeiro de 2004 a Dezembro de 2008: realização de documentários, encenação de ópera, encenação de teatro, coreografia, realização de cinema, fotografia, argumento para cinema, cinema de animação 3D, artes visuais, artes de performance interdisciplinares e tecnológicas e videoarte.
Dizem os coordenadores do programa António Pinto Ribeiro e Catarina Vaz Pinto sobre os objectivos que levaram a Gulbenkian a avançar com o programa de Criatividade e Criação Artística: ausência generalizada de tradição no país da criação artística de autor, ausência e fragilidade das escolas de formação artística, falta de contexto de internacionalização, dificuldade de integração nos circuitos internacionais com as suas obras e discursos, dificuldade em legitimar a criação portuguesa nos fóruns internacionais, pertinência no ensaio de novos modos de incentivo à criação, produção e circulação de obras de artistas nacionais.
O programa foi possível tendo como orçamento anual a verba de 400 mil euros (que subiu para 450 mil a partir de 2006). As actividades decorreram no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão (Lisboa) e no Ar.Co (Almada, com o curso de artes visuais). Nalguns casos, criaram-se estratégias de follow up e de making of. Em termos de sequência, o INDIELISBOA 2006 criou uma sessão especial com o programa da Gulbenkian, incluindo três documentários e quatro filmes. Houve filmes feitos em colaboração com várias instituições universitárias e escolas profissionais de Portugal e de outros países. Os públicos receptores das formações tinham idades entre 22 e 35 anos (seleccionados de 1550 candidatos). No conjunto dos cursos produziram-se 166 obras.


















