A GFK vai experimentar em breve o novo sistema de medição de audiências, com ele a iniciar a sério a 1 de Janeiro de 2012. Para o director-geral da empresa, António Salvador, “Começamos este mês a fase da identificação do universo e da selecção da amostra. A instalação dos aparelhos está prevista para o início da segunda metade do ano” (Correio da Manhã). A tecnologia a usar será a de audio-matching (método de amostragem de som para a detecção dos canais).
AUDIÊNCIAS DE MEIOS (1952)
“Todos os jornais e revistas possuem leitores, poucos ou muitos. Porém, os jornais e as revistas têm tiragens que nem sempre correspondem ao seu verdadeiro número de leitores. Há que diferenciar entre os chamados leitores regulares e os leitores ocasionais ou excepcionais, como sejam os leitores de domingo, nos jornais, ou de tiragens especiais, nas revistas” [Salviano Cruz (1952). "Problemas económicos dos jornais e revistas de Portugal e os seus leitores". A Revista de Pesquisas Económico-Sociais, 3: 303-319].
Assim, pergunta Salviano Cruz, quantos leitores tem determinada publicação? E como são qualitativamente, social e economicamente? O autor parte de um inquérito feito em Lisboa e no Porto pelo processo de amostra estruturada (embora não diga o número de inquiridos, a data em que o trabalho foi feito, qual a entidade que solicitou o estudo e a margem de erro, elementos hoje fundamentais num inquérito, mas indica haver dois estudos por ano, em Junho e em Dezembro). Trata-se, a meu ver, do primeiro texto e estudo de meios em Portugal, pelo que merece uma atenção especial.
Quanto a Lisboa, o jornal mais lido em 1952 era o Diário de Notícias, seguindo-se o Diário Popular, O Século e O Diário de Lisboa, este apresentado como “o jornal mais progressivo e dinâmico desde há 20 a 25 anos”. Além dos chamados quatro grandes, o autor faz uma classificação da imprensa independente em três grupos: 1) desportiva, com A Bola à frente, 2) política, com O Diário da Manhã à frente de A República, e 3) católica, com As Novidades e A Voz. Em Lisboa, 60% dos leitores de classe média e superior, 73% da classe média baixa e 70% de homens e 59% de mulheres lêem o Diário de Notícias; no Porto, 80% de leitores da classe média alta lêem O Primeiro de Janeiro, com 66% de homens e 43% de mulheres.
Já no tocante aos jornais do Porto, O Primeiro de Janeiro aparece à frente, seguido do Jornal de Notícias, O Comércio do Porto e o Diário do Norte. Na imprensa desportiva, O Norte Desportivo aparece à frente de A Bola e O Mundo Desportivo.
Enquanto em Lisboa a imprensa do Porto não chega aos 6%, no Porto a imprensa de Lisboa alcança 27%. Em termos de leitura regular, o Diário de Notícias atinge 57% dos leitores, a que se seguem O Diário Popular e O Século.
O impacto da publicidade junto dos leitores é um dos elementos primordiais do estudo de Salviano Cruz. Por exemplo, a publicidade a produtos higiénicos de carácter feminino no Diário de Lisboa parece pouco indicada. Por outro lado, o preço da publicidade em O Século pode não se justificar, dado o número pouco representativo de leitores que a apreciam. O autor recomenda ser pouco aconselhável economicamente fazer publicidade nos quatro principais jornais de Lisboa em simultâneo. No Porto, para os produtos populares de multidão (é a palavra usada), O Jornal de Notícias é o segundo mais indicado. Destaca-se a atitude menos receptiva à publicidade por parte de O Primeiro de Janeiro.
Salviano Cruz chama a atenção para as estatísticas inflacionadas de tiragem e de vendas apresentadas pelos jornais.
Quanto a revistas, o estudo conclui que 17% da população de Lisboa e 42% da população do Porto não lê revistas. As mais lidas são O Século Ilustrado (45 mil leitores), A Flama (cerca de 43 mil leitores), Modas e Bordados (quase 38 mil leitores). Os leitores regulares predominam sobre os ocasionais. Se O Século Ilustrado é lido pela classe média superior para cima e tem mais leitores masculinos no Porto e femininos em Lisboa, A Flama é lida pela classe média baixa, principalmente no Porto, com maior afluência de leitores católicos. Modas e Bordados e Eva são publicações para mulheres e As Selecções do Reader’s Digest tem na classe média alta o maior número de leitores.
Dos assuntos mais lidos nos jornais, primeiro vem o noticiário internacional e depois o nacional. Os leitores de O Século também gostam de ler os editoriais e o caso do dia (penso que crime ou outro assunto do dia) e os leitores do Diário de Notícias apreciam os anúncios e a secção Cidade.
O autor, na parte final do seu artigo, volta ao tema da publicidade. Escreve ele que, em contraste com as dificuldades da publicidade na imprensa, a da rádio está em aperfeiçoamento, além de que existem cerca de 600 mil aparelhos espalhados pelo país. O maior jornal não ia além de 90 mil leitores, o que indica uma maior concorrência entre os meios. A televisão ainda não tinha chegado e baralhado de novo as estimativas.
ELIHU KATZ
Só agora li o texto de Elihu Katz (אליהוא כ”ץ) sobre a leitura da recepção a partir da teoria dos efeitos limitados de Paul Lazarsfeld (original de 1989).
Nascido em 1926, o primeiro livro de Katz foi feito em co-autoria com Lazarsfeld (Personal influence: the part played by people in the flow of mass communications, 1955), sobre o fluxo da influência e das interseccções da comunicação de massa e interpessoal. Depois, entre aulas, nomeadamente na Annenberg School for Communication da Universidade da Pennsylvania, presidência da televisão de Israel (1967-1969) e livros, escreveu sobre o sociólogo francês Gabriel Tarde (pode ser lido no livro La réception, como o texto que indico em primeiro lugar), analisou o impacto da televisão com autores como Michael Gurevitch, escreveu Media events com Daniel Dayan (em português: A história em directo. Os acontecimentos mediáticos da televisão, Minerva, 1999), e participou no primeiro congresso da SOPCOM em 1999, com o importante texto One hundred years of communication research, onde falaria do seu “herói” Gabriel Tarde.
Lazarsfeld, nas suas investigações em especial no seu Bureau of Applied Social Research, criado em 1937, ocupou-se da comunicação de massa no processo de decisão: votar, comprar, ir ao cinema, mudar de opinião. Os efeitos dos media, até então profundos e duradouros sobre as audiências, eram temperados com os processos selectivos de atenção, percepção e memória. Estas, escreveu Katz, dependem de variáveis de situação como idade, história familiar, pertença política. O jornal, a rádio e os outros media partilham com o grupo primário um duplo papel: rede de informação, gerador de pressão social. Katz considera ainda aplicável, hoje, a teoria do fluxo de comunicação em dois passos, corrigindo algumas perspectivas como a substituição da influência pela informação, a partilha de influência de vários líderes, etapas múltiplas em vez de apenas duas.
Katz apresenta três perspectivas discordantes do modelo de efeitos limitados: institucional, crítico e tecnológico. O mais sedutor e o mais atacado por Katz é o crítico, centrado nos textos de Todd Gitlin. Curiosamente, o livro organizado por João Pissarra Esteves, Comunicação e sociedade. Os efeitos sociais dos meios de comunicação de massa, 2002, publica um texto de Katz e outro de Gitlin, onde este segundo autor evidencia a polémica). Gitlin, segundo Katz, releva a ambiguidade e liberdade de público e a escassa influência do líder de opinião, exactamente o oposto dos autores dos efeitos limitados. Para Gitlin, na leitura de Katz, o poder dos media é grande, com estes a construirem a realidade política e social, a decidirem o que é politicamente legítimo ou desviante, a fazerem a imagem dos movimentos sociais.
A leitura do texto de Katz permite-me reconstituir a visão sobre o paradigma dominante ou administrativo ou teoria dos efeitos limitados, como se chamou à linha de investigação de Lazarsfeld, já no final da década de 1970 e anos seguintes. A sua compreensão pode ter apenas um interesse histórico, mas leva-me a olhar a querela público-audiência de outro modo.
Leitura: Elihu Katz (2009). “Lire la réception à travers le modèle des effets limités. Actualité de Lazarsfeld”. Em Cécile Méadel (coord.) La réception. Paris: CNRS Éditions, pp. 47-67
>AUDIENCES
>From Audience to Users and Beyond is the second Finnish COST Action-seminar. The organizer of the second conference is Aalto TAIK Department of Media in cooperation with Media Factory, Aalto SCI and Aalto ECON, Tampere University and University of Helsinki. Aalto University, Otaniemi, Finland June, 6-7, 2011. For more information contact Professor Maija Töyry (maija.toyry@aalto.fi).
>AUDIÊNCIAS EM MARÇO
>Em Março de 2011, a TVI obteve 26,3% de share de audiência, a SIC 23,5%, a RTP1 23,0%, a RTP2 4,4% e o cabo e outros canais 22,7%. Dos 15 programas mais vistos de Março, oito foram transmissões de futebol e programas associados, quatro programas de informação e entrevista e três novelas (Marktest).
>AUDIÊNCIAS EM CÉCILE MÉADEL
>
De entre as representações do conceito público, a sondagem é uma das mais usadas formas de medir. A medição de audiências situa-se no mesmo plano, com emprego estatístico, quando aplicada à televisão, à rádio e, mas recentemente, à internet, onde se aplicam valores ligados a públicos-alvo, programação.
No seu livro Quantifier le public (2010), Cécile Méadel analisa a evolução da medição de audiências de um tempo qualitativo até uma época de valores quantitativos. Aparelhagem metodológica, definição do objecto, utilizações dos resultados, inquérito telefónico, caderno diário, audímetro, são alguns dos elementos trabalhados no livro.
O texto é objectivo, mas nota-se uma espécie de nostalgia pela perda de importância do conceito público face ao de audiência, de modo menos notório e apaixonado que nos livros de Daniel Dayan. Méadel (2010: 10) afirma a existência de críticas (técnicas), a primeira das quais acentua o carácter artificial das medidas, a diferença muito negligenciada entre público e audiência e os limites, em particular científicos, dos dados que nada dizem em termos das práticas de consumo.
Em segundo lugar, a crítica entra nas esferas do político, do mediático e do universitário, dada a articulação desastrosa entre medidas de audiência e qualidade de programas. O audímetro é uma espécie de separador da programação em direcção ao menor denominador comum, de fraqueza da qualidade intelectual dos programas. O audímetro parece ser o oposto da inteligência na televisão ou o audímetro é a desculpa para a a falta de debate (Méadel, 2010: 11). Ainda: o audímetro é um instrumento de gestão económica das marcas.
A autora escreve sobre o Big Brother, o programa audimétrico por excelência, que condensa todos os ingredientes da televisão contemporânea (directo, interactividade, autenticidade e intimidade), construído para ser falado pelos outros. No fundo, a medição de audiência marginaliza o estudo qualitativo e aprofundado das práticas culturais dos usos da rádio e da televisão (Méadel, 2010: 15).
O livro identifica o desenvolvimento dos inquéritos estatísticos nas décadas de 1950 e 1960, aplicados respectivamente à rádio e à televisão em França, a produção de publicações, o interesse da matéria sobre os políticos e as empresas (de audiovisual, anunciantes) e o uso do audímetro.
Cécile Méadel é investigadora do Centre de sociologie de l’innovations (CNRS) e professora universitária, publicou nomeadamente uma Histoire de la radio des années trente, que este blogueiro leu com muita atenção e prazer, e conjuntamente com Jérôme Bourdon está a organizar a edição do livro Deconstructing the ratings machine: television audience measurement worldwide (com capítulos de especialistas na área como Philip M. Napoli e Tom O’Regan).
Leitura: Cécile Méadel (2010). Quantifier le public. Histoire des mesures de la radio et de la télévision. Paris: Economica, 283 páginas
>INOVAÇÕES NAS AUDIÊNCIAS
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A introdução do Local People Meter (LPM), desenvolvido pela Nielsen em 210 mercados de televisão local nos Estados Unidos encontrou muita resistência. O LPM foi um salto metodológico importante, passando dos diários em papel para os set-top meters electrónicos semelhantes aos usados nas audiências de televisão nacionais na década de 1980.
Tudo começou com o primeiro sistema de teste em Boston nos finais da década de 1990, vinda principalmente das estações televisivas locais. A resistência devia-se a: 1) mudança substancial na metodologia existente (e ruptura nas práticas instauradas), 2) custos associados à mudança, 3) incapacidade dos media absorverem tanta informação, 4) a Nielsen instituiu a mudança antes de haver acreditação do sistema por parte do Media Rating Council americano (MRC). Com o sistema LPM, as estações locais experimentaram quebras significativas, ao passo que os canais por cabo experimentaram crescimentos significativos.
Leitura: Philip M. Napoli (2011). Audience evolution. New technologies and the transformation of media audiences. Nova Iorque: Columbia University Press, pp. 132-135
>AUDIÊNCIAS
>A Marktest apresentou queixa na Autoridade da Concorrência na contestação do resultado do concurso da CAEM (Comissão de Análise de Estudos de Mercado) em que ganhou a GFK, noticia hoje o Expresso.
>AUDIMETRIA
>Em comunicado, a Marktest “não se conforma, sem contestação” a classificação no concurso para medição de audiências na televisão, onde ficou atrás da GFK, com resultados divulgados há duas semanas. A Marktest entende que a decisão foi o “resultado de um processo, dirigido, desde o início, contra si” e que “não foi escolhida a proposta mais qualificada do ponto de vista técnico, tecnológico e aquela que assegurava um melhor nível de serviço” (Meios & Publicidade). A Marktest, que tem fornecido ao mercado os dados de audiência de televisão nos últimos 18 anos, obteve a melhor pontuação na fase técnica, mas Fernando Cruz, director-executivo da Comissão de Análise de Estudos de Mercado (CAEM), indica que a GFK apresentou a proposta financeiramente mais baixa. Segundo a mesma notícia, a opção pela GFK “levantou, no entanto, reservas junto dos operadores, dado o facto dos meters propostos não estarem implementados em nenhum mercado, tendo sido pedido uma certificação dos aparelhos ao CESP – Centre d’Études des Supports de Publicité (a mesma entidade que validou o caderno de encargos)”.
>GFK GANHA AUDIÊNCIAS
>A GFK ganhou o concurso de audimetria, comunicou hoje a Comissão de Análise de Estudos de Meios (CAEM). A Marktest, que actualmente assegura a medição das audiências de televisão, ficou em segundo lugar (notícia a partir da newsletter Meios e Publicidade).
>AUDIÊNCIAS DA PORTO CANAL
>O canal de televisão regional por cabo Porto Canal refutou os argumentos da Marktest Audimetria sobre a diferença de valores de audiência entre diferentes estudos, reafirmando que o sistema de medição utilizado pela Marktest não é fiável. O canal reiteraria a “confiança na veracidade dos dados avançados pelo Instituto de Pesquisa de Opinião de Mercado (IPOM), que concluiu que 5,7% dos telespectadores dos cinco distritos do Norte vêem diariamente a estação”. O Porto Canal anunciou em Outubro o abandono do sistema de medição de audiências da Marktest Audimetria, criticando a sua fiabilidade. A Marktest Audimetria indicou que o share do Porto Canal baixou de 0,9% em Setembro de 2010 para 0,4% em Janeiro e argumentou que foram usados termos de comparação que não o podem ser (a partir de notícia da Briefing).
>AUDIÊNCIAS
>Ontem, a Comissão de Análise de Estudos de Meios (CAEM) juntou canais de televisão, anunciantes e agências de meios. Aí deveria ser anunciado o nome do vencedor do concurso para medir as audiências televisivas nos próximos cinco anos. Das candidatas (TNS, Nielsen, Euroexpansão, GfK e Marktest), as duas últimas pareciam as que reuniam mais consensos mas não o suficiente para atribuir unanimidade. Segundo os jornais, a decisão de eleger a próxima entidade responsável pela medição de audiências em tempo de televisão digital Portugal fica adiada e sem uma data limite para uma posição. Assim, mantém-se a Marktest como empresa que fornece informação sobre as audiências televisivas.
>MEDIÇÃO DE AUDIÊNCIAS
>Espera-se que amanhã a CAEM (Comissão de Análise de Estudos de Meios) torne conhecida a empresa que vai fazer a medição de audiências nos próximos cinco anos, até agora a cargo da Marktest. Esta ou a GFK são as empresas finalistas do concurso. Ainda não há unanimidade quanto à escolha. Os canais de televisão defendem a necessidade de haver um novo rumo com a multinacional GFK, ao passo que a maioria dos anunciantes e das agências de meios consideram que a Marktest apresenta maior solidez na proposta e conhece bem a realidade nacional, tendo de adaptar o serviço às inovações actuais (fonte: Económico).
CIBAR10
CIBAR’s 2010 conference will be held in Amsterdam, The Netherlands, at the invitation of Radio Netherlands Worldwide (RNW). Dates are 15th-17th November 2010. Countries and regions of the greatest interest to broadcasters these days are often those where research is most difficult to do. Can we get better research by pooling resources, funding and people? Are there places where the odds will always be against us? How should research design deal with fragmenting audiences available on multiple platforms? Should researchers seek to manage client expectations more forcefully, or just continue to do the best we can? Read more.
CIBAR10
CIBAR’s 2010 conference will be held in Amsterdam, The Netherlands, at the invitation of Radio Netherlands Worldwide (RNW). Dates are 15th-17th November 2010. Countries and regions of the greatest interest to broadcasters these days are often those where research is most difficult to do. Can we get better research by pooling resources, funding and people? Are there places where the odds will always be against us? How should research design deal with fragmenting audiences available on multiple platforms? Should researchers seek to manage client expectations more forcefully, or just continue to do the best we can? Read more.
AUDIÊNCIAS
A CAEM convidou as empresas Marktest, Kantar Media/TNS, GFK, AGB Nielsen e Euroexpansão para o concurso do novo sistema de audimetria, enviando cartas com informação sobre o caderno de encargos (especificações técnicas e projecto de contrato). Espera-se que as empresas indiquem o seu interesse ainda esta semana. No fim de Outubro, a CAEM deverá receber as propostas, com o objectivo de ter o fornecedor e o novo sistema de audimetria até Dezembro. O contrato, com práticas internacionais, tem a duração de cinco anos [Meios & Publicidade de hoje].
MEDIÇÃO DE AUDIÊNCIAS
A CAEM arranca hoje com o concurso para o novo sistema de medição de audiências de televisão, com a entrada da televisão digital terrestre. Segundo a newsletter da Meios & Publicidade, são quatro empresas a concorrer: Marktest, Kantar Media/TNS, GFK e AGB Nielsen. O actual sistema de audimetria está em vigor desde 1998 e é da responsabilidade da Marktest. Este é o quarto concurso de medição de audiências de televisão em Portugal. O primeiro fornecedor foi a Ecotel, o segundo a AGB e o terceiro a Marktest.
NOVO SISTEMA DE MEDIÇÃO DE AUDIÊNCIAS
- “AGB Nielsen, Kantal Media/TNS, GFK e Marktest são as empresas abordadas pela CAEM no âmbito do processo do novo sistema de medição de audiências de televisão, adiantou ao M&P Fernando Cruz, director-executivo da entidade que reúne representantes dos media, anunciantes e agências de meios. As empresas de estudos de mercado foram abordadas pelo organismo para averiguar do seu interesse em participar num eventual concurso público que a Comissão de Análise de Estudos de Mercado venha a avançar para o novo sistema de audimetria. A decisão sobre a forma como a CAEM irá abordar o mercado (concurso público, consulta ou ajuste directo), explica Fernando Cruz, levará em linha de conta o feedback das empresas contactadas, sendo a decisão tomada na próxima reunião da CAEM prevista para 7 de Setembro” [in Meios & Publicidade de hoje].
AUDIÊNCIAS DE RÁDIO
A audiência acumulada de véspera da rádio é de 57,1%, considerando o universo dos residentes no Continente com 15 e mais anos para primeiro semestre de 2010, segundo os dados da Marktest. Para o estudo agora divulgado, são os residentes na Grande Lisboa os que têm maior consumo deste meio (61,6%).
O CONSUMO DE TELEVISÃO PELOS JOVENS
Dados da Marktest Audimetria e da MediaMonitor, ao longo da última década, mostram estabilidade nas audiências de televisão do grupo etário 15-24 anos. Tomando como referência os anos limites da análise, a audiência total de televisão (Reach) passou de 71,0% em 2000 para 72,6% em 2009 e a audiência média de televisão (Rat) dos jovens dos 15 aos 24 anos de 11,0% em 2000 para 10,8% em 2009 (Marktest). O pico da televisão para este grupo era, em 2009, entre as 21:30 e as 22:00, quando atingia 26,5% de audiência média (26,6% entre as 21:45 e as 22:00).
Isto põe de lado a transferência de consumos da televisão para a internet nos mais jovens, como se lê em alguns sítios, o que torna mais complexa a leitura dos consumos dos media em Portugal.
AINDA AS AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO
Esta semana, fiz referência aqui a um problema de medição de audiências da televisão. A revista das sextas-feiras do Diário de Notícias, “Notícias TV”, traz alguns esclarecimentos e explicações, texto que sigo muito de perto nesta mensagem. Tudo começara com a transmissão de um jogo de futebol pela TVI, ausente dos programas mais vistos no dia. A correcção pela empresa de audimetria colocou o jogo como o segundo programa mais visto do dia, não impedindo a auditoria que a CAEM (Comissão de Análise de Estudos de Meios) irá efectuar.
As medições de audimetria baseiam-se nos dados recolhidos em mil lares (cerca de três mil pessoas), amostra a que depois se aplica o universo do país (9459000 indivíduos). Os lares são escolhidos e contactados pela empresa de audimetria, a Marktest, obrigados a sigilo e a responder a inquéritos regulares feitos pela Marktest e pela CAEM, de modo a saber se os programas vistos correspondem ao que os dados estatísticos indicam. Cada lar permanece até um máximo de quatro anos no painel.
Uma das dificuldades presentes é a ausência de medição fora de lares. Isso é mais patente quando se trata de mega-eventos transmitidos pela televisão, como os jogos de futebol, vistos por muita gente fora do lar, caso de restaurantes ou ecrãs gigantes colocados em praças e espaços públicos. A próxima chegada da televisão digital terrestre vai obrigar a uma remodelação total dos audímetros em 2012, que passarão a registar o som emitido pelo televisor e comparar automaticamente com todas as emissões no ar, o sistema audiomatching, a ser utilizado no Reino Unido, por exemplo. Tal significa uma maior exactidão na recolha de dados, o que traduz um investimento inicial elevado: cada audímetro (aparelho, instalação, ligação, manutenção) está estimado entre um a dois mil euros (se um lar tiver três televisores, o investimento multiplica-se por este número), embora o valor não seja o mais rigoroso (o texto que sigo aqui indica um valor de três mil euros por audímetro e ano).
No blogue, continuaremos a acompanhar o tema com muita atenção.
MEDIÇÃO DE AUDIÊNCIAS DA MARKTEST
“A TVI exigiu que seja feita uma auditoria urgente ao sistema de medição de audiências da televisão utilizado pela Marktest alegando existirem falhas e falta de qualidade do serviço, anunciou a administração da estação em comunicado. A declaração surge na sequência de um erro nas audiências relativas a sábado e publicadas pela Marktest que, segundo a TVI, constituiu “o culminar de um processo de descrédito total do actual sistema de mediação de audiências de televisão em Portugal”” (Meios & Publicidade de ontem).
AUDIÊNCIAS DE RÁDIO (3º E 4º TRIMESTRE DE 2008)
Os dados da Marktest referentes aos 3º e 4º trimestres de 2008 permitem ver algumas variações interessantes. Assim, no grupo Renascença, a RFM baixou e a Renascença e a Mega FM subiram, enquanto aparecem já valores referentes à Rádio Sim. No grupo Media Capital, a Rádio Comercial e a M80 subiram mas as restantes estações do grupo mantiveram ou desceram em termos de share de audiência. A TSF subiu. No grupo RDP, houve movimento positivo nas Antenas 1 e 3 e manutenção na rádio de música clássica. As outras rádios somaram 18,9% no 3º trimestre e 17,2% no quarto trimestre, e respostas não sabe/não responde baixaram de 2,1% para 1,8% nos períodos acima identificados, o que significa uma mais fina compreensão dos inquiridos e maior precisão das respostas.
MEDIÇÃO DE AUDIÊNCIAS
Em 30 de Abril de 2004, publiquei aqui um texto sobre medição de audiências. Um leitor atento enviou-me, hoje, algumas rectificações, que coloquei na referida mensagem e replico aqui, agradecendo a amabilidade desse leitor:
1. O primeiro estudo de audiência de imprensa foi realizado e publicado, em 1952, pelo Dr. Salviano Cruz, na Revista de Pesquisas Económicas e Sociais (vol.II, Setembro-Dezembro 1952),
2. Entre 1980 e 1982, a Teor instalou um painel semanal de audiência e avaliação dos progamas da RTP,
3. A NORMA realizou Estudos de Audiência de Meios até 1990, criou a primeira base de dados interactiva online, com a audiência de todos os meios de comunicação, para utilização pelas agências de publicidade e outros clientes. Em 1990, instalou o sistema de audimetria para a audiência de televisão.
DADOS DE TELEVISÃO E INTERNET

Em termos de audiências de televisão, na semana de 5 a 11 de Maio, a TVI teve 30,2% de share de audiência, seguindo-se a SIC com 26,5%, a RTP1 com 23,1%, a RTP2com 5,3% e o cabo e outros canais com 14,9%. Na lista dos dez programas de maior audiência, os programas de informação lideraram (seis), seguindo-se as novelas (três) e o programa de comentários ao jogo de futebol da Liga Bwin.
Quanto à internet, foi de 1964 milhares o número de utilizadores únicos de internet que acederam a partir de casa, baixando face a semanas anteriores. O tempo de navegação repartiu-se pelos domínios de topo .com (51,7%) e .pt (36,5%). Os restantes domínios de topo representaram na semana 11,8% do tempo dedicado a este meio.
[informação e imagens a partir de Marktest]















