Archive for ‘Cartazes’

31 Maio 2009

CARTAZES POLÍTICOS PARA AS EUROPEIAS

Por regra, os cartazes políticos relativos a eleições são maus do ponto de vista visual. Pelo menos, eu não os acho apelativos.

Os cartazes seguintes ilustram a presente campanha para as eleições para o parlamento europeu, que decorrem de amanhã a uma semana. A campanha em si não tem despertado interesse a não ser quezílias e alusões a casos judiciais.

Como memória futura das imagens públicas da campanha, coloco os cartazes (que vi no percurso que fiz) e considero doze pontos de observação dos mesmos:

1) aposta em rostos dos cabeças de lista, excepto o MPT,
2) alguns dos cartazes trazem apenas o cabeça de lista (PSD, CDS-PP, MEP, MMS), enquanto outros apresentam equipa (PS, CDU, BE),
3) alguns dos cartazes têm (ou tiveram já) ligação a outros cartazes com os líderes partidários (PSD, CDS-PP),
4) cartazes colocados com mais frequência nas principais vias ou rotundas das grandes cidades (fiz as imagens na Av. da República, em Lisboa),
5) identificação dos candidatos, excepto no cartaz do CDS-PP,
6) nos candidatos masculinos há o uso de casaco e gravata, excepto CDU e BE,
7) mais homens que mulheres como principais candidatos (excepto MEP, com uma mulher a cabeça de lista, e PS, com paridade de género),
8) principais elementos nos cartazes: partido, nome do candidato, mensagem política, sítio da internet,
9) apesar disso, é pequeno o número de elementos face à dimensão do cartaz, pois se tem em vista os principais destinatários dos cartazes: as pessoas que se deslocam de transporte ou automóvel,
10) referências à Europa (metade dos cartazes) e a Portugal (metade dos cartazes),
11) candidatos pertencentes a uma nova geração de políticos (excepto PS, além de alguma renovação na CDU),
12) cartazes distintos de um partido mas apenas com pequenas variações de tema (PSD).

13 Maio 2009

O CARTAZ SEGUNDO DIEGO ZACCARIA


Em finais de 2008, Diego Zaccaria lançou o livro L’Affiche, Paroles Publiques, da editora Textuel. Com doutoramento em História, Zaccaria é director do Centre du Graphisme d’Echirolles, tendo criado o Mês do grafismo em 1990. Desde então, foram organizadas mais de 150 exposições por este centro. Zaccaria é ainda presidente da Rede europeia do cartaz e do grafismo de autor.

O livro tem uma centena de cartazes (de autor, publicidade comercial e cultural, propaganda política), com análise do sítio e do papel do cartaz na sua época, com aspectos e valores sociais e tecnológicos e lugar de história, memória e debate público, aberto a diversos significados. Onde revê a história mundial da criação gráfica, o impacto visual, a mensagem. Distingue dois períodos: da revolução francesa à Segunda Guerra Mundial, depois da Libertação.

Fico-me pela análise de quatro cartazes inseridos no seu livro, respectivamente de Alfred Leete (1914-1915), James Montgomery Flagg (1917), Seymour Chwast (1965) e Andrea Rauch (1994). O primeiro tem o rosto de lord Kitchener, chamando à mobilização dos britânicos para a Primeira Guerra Mundial: o apelo foi forte, resultando numa mobilização de 35 mil voluntários por dia. O vigor do cartaz reside na adequação entre a representação da autoridade e o texto que exprime ordem e autoridade (Zaccaria, 2008: 52). O segundo cartaz, muito inspirado no anterior, é um apelo aos americanos para se alistarem nas forças em luta na Segunda Guerra Mundial: o ilustrador junta traços fisionómicos de George Washington e Abraham Lincoln, dois pais fundadores dos Estados Unidos. A imagem do Tio Sam resulta numa autoridade mais representada. A terceira imagem, pertencente ao caricaturista Seymour Chwast, que deve muito à banda desenhada, à arte psicadélica de San Francisco e ao universo pop de Liechtstein, segue o Tio Sam de Flagg: End Bad Breath tornou-se um ícone da contracultura dos anos sessenta, uma época de protesto contra a guerra do Vietname. Na boca do novo Tio Sam, em lugar dos dentes, vêem-se aviões americanos a bombardear as florestas vietnamitas. A quarta imagem segue a terceira: agora em vez de bombas, a boca prende uma televisão, sátira de Rauch às eleições italianas de 1994, denunciando o poder de Sua Emittenza (jogo de palavras entre emizenza, designação dada a Silvio Berlusconi, e emittenza, emissão). Berlusconi detém a posse de canais de televisão (pp. 156-157).

12 Maio 2009

CARTAZES DE 1974 E 1975

Imagem neo-realista, retirada das esculturas e das gravuras do ideário marxista. A ideia do super-homem, musculado, peito largo, decidido, rosto quadrado, de lutador. As mãos seguram um pau comprido, que poderia ser o remo do barco de pesca, mas é o cabo de uma grande bandeira vermelha. Logo atrás, igualmente musculada e de pescoço longo e cabelo comprido, a mulher segura a foice e o martelo na mão esquerda, com braço estendido. À direita, segura um ramo de cereais. Duas únicas cores: vermelho e amarelo, com algumas letras a preto, à direita da imagem. Há a referência a um comício (com a designação de grande) e de festa (poetas, actores, cantores).

A imagem estilizada remete, como acima disse, para a escultura, mas também para a banda desenhada, de estilo leve, rápido e vigoroso. A bandeira vermelha e os símbolos da foice e do martelo do Partido Comunista dominam o cartaz, no que constitui uma parcela poderosa. O casal aponta para a ruralidade (o trigo), mas o porte físico é urbano e jovem. Representa o futuro radioso (a ideia dos “amanhãs que cantam”).

Do outro lado do leque partidário, o CDS quer marcar espaço, daí a frase “Queremos responder”. A imagem tem uma impressionante carga neo-realista, como se o cartaz pertencesse a uma organização à esquerda. Em primeiro plano, vê-se uma mulher de costas, sem uma perna e apoiada por uma muleta. À cabeça leva um saco; usa um avental apertado nas costas. Caminha na borda do passeio, quase junto à linha do eléctrico. Do lado esquerdo, encontram-se automóveis estacionados e ao fundo um veículo que parece ser um eléctrico. O CDS quer dar resposta à pobreza urbana. Há uma espécie de combate à decadência e envelhecimento urbano.

O cartaz do Partido Comunista marca uma reunião. O cartaz do CDS introduz mais dramatismo, realçado pelos tons sépia da imagem. Claro que os dois partidos têm uma produção vasta de cartazes em 1975 – estes são dos mais interessantes que encontro no livro de José Gualberto de Almeida Freitas, A Guerra dos Cartazes – mas eles podem ser lidos de acordo com a postura de confiança num, desconfiança noutro, sucesso num, tentativa de reparar a sociedade noutro. Como se o marco de 1974 fosse uma marca genética: os jovens no PCP, os velhos no CDS.

O cartaz do PPD tem alguma semelhança com o do PCP: a importância da bandeira desfraldada, com o braço esquerdo do homem levantado e mão a segurar a bandeira, junto à mulher estilizada fazendo o sinal V com a mão direita, gesto que ainda hoje o partido usa em comícios e reuniões partidárias. Mas difere porque se trata de um casal jovem urbano, ambos de cabelo longo e camisas justas e desapertadas, moldando o corpo. São mais elegantes que os representados no cartaz do PCP. A estilização é maior, dando a ideia de liberdade, de movimento. O cartaz dá, como o do PCP, a ideia de confiança no futuro. Mas alerta para a necessidade de um “Portugal livre”, posição específica e oposta à do primeiro cartaz aqui presente, que quer preservar a revolução. 1974-1975, anos após a queda do regime do Estado Novo, são anos reveladores da dualidade política então instituída, as duas principais opções do novo regime: democracia ocidental ou de leste europeu?

Os cartazes do PS são os de leitura mais simples. Partido igualmente popular como o PPD e o PCP, o destaque da imagem vai também para a festa, o encontro, no estádio. Além do símbolo partidário – à semelhança dos outros cartazes analisados – a parte inferior mostra uma frente de comício, a partir de fotografia, com homens e mulheres, alguns de braço no ar e punho fechado, alguns de gravata.

O autor do livro, José Gualberto de Almeida Freitas, que permitiu a reprodução destes cartazes, considera que a produção gráfica foi uma marca de 1974 e anos seguintes. Na realidade, olhando para as dezenas de imagens dos partidos acima referidos, mas também de outros como o MDP, o MES, a UDP e o MRPP, siglas que desapareceram ou foram aglutinadas a outras forças partidárias, dá-se conta dessa riqueza. Mas as temáticas não são muitas e não se apostava na personalização como hoje. Os cartazes eram ou mais abstractos ou fixavam uma imagem antiga – luta, operários em greve, rostos duros. Há pouca alegria nos rostos, muita exasperação. A confiança no futuro que a mudança de regime augurava não tem equivalente nos cartazes. Nomeadamente, os partidos à esquerda, os que reflectiam ideários marxistas, decalcavam nos seus cartazes imagens provenientes do universo soviético ou chinês, daí cores amarelo e vermelho, mostrando uma ligação de operários e camponeses, em que os intelectuais empunhavam livros ou armas.

A estética desses cartazes, em geral, não é muito interessante. Produtos baratos, de comunicação rápida, exigiam textos ou frases fortes, com imagem menos importante. Muitos cartazes parecem desenhos de estudantes adolescentes. Bigodes, cabelos compridos nas mulheres, punhos levantados são uma constante quando há figuração. Mas não há gente com óculos, por exemplo.

Os cartazes abstractos (ou abstraccionistas) têm pouco relevo. Os cartazes não reflectem o envolvimento de artistas plásticos. Certamente há mais cartazes do que esta mostra. E um texto que fixe características, tendências e uma leitura semiótica. Por isso, a importância de trabalhos como o de Diego Zaccaria (a ler em próxima mensagem).

Leitura: José Gualberto de Almeida Freitas (2009). A Guerra dos Cartazes. Lisboa: Lembrabril

14 Janeiro 2009

CARTAZES

40 cartazes em exposição, 1994-2008, de Michel François em colaboração com Richard Venlet, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, até 22 de Fevereiro.

27 Novembro 2008

MÚSICA


Chocolate, o novo disco de Maria João e Mário Laginha, parece ser um exemplo de miscigenação cultural. A avaliar pelo cartaz.

24 Outubro 2008

CARTAZES DA OLIVA


No ISVOUGA (Instituto Superior de Entre Douro e Vouga, à rua António de Castro Corte Real, em Santa Maria da Feira), está patente uma exposição de cartazes publicitários das décadas de 1940 a 1970 da Oliva, empresa de fundição com sede em São João da Madeira. O material foi reunido por Paulo Marcelo, professor de Design daquela escola. A exposição pode ser visitada até 19 de Dezembro.

Fonte: Público de hoje.

15 Outubro 2008

EXPERIÊNCIA

Descobri agora o sítio Toondoo; daí, a minha experiência (história sem qualquer valor simbólico ou artístico).

\Historia1\

15 Junho 2008

COMO FORRAR AS PAREDES DE UM CAFÉ


Café Guadiana, Mértola

12 Dezembro 2007

CAMPANHA DE INCLUSÃO SOCIAL


A parceria do Projecto Isto Inclui-me: da Participação à Inclusão foi criada por iniciativa dos membros do Secretariado Executivo do Fórum Não Governamental de Acção para a Inclusão (FNGIS) (
Forum Inclusão) . Actualmente, a parceria engloba as seguintes instituições: Animar – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, Cruz Vermelha Portuguesa, FENACERCI – Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social, REAPN – Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal e ISS – Instituto da Segurança Social, IP.

Das razões do Projecto Isto Inclui-me: da Participação à Inclusão destacam-se: “O desenvolvimento da investigação social e a disseminação desse conhecimento no universo das organizações públicas e particulares vocacionadas para a intervenção social tem permitido consolidar a noção de que a Pobreza e a Exclusão Social são fenómenos de natureza essencialmente colectiva. A pobreza e a exclusão social são, sobretudo, resultado de formas de organização social”.

Para saber mais sobre esta instituição, clicar aqui.

Chamo a atenção para a actual campanha, nomeadamente os cartazes que a promovem, pelas suas leituras denotativa e conotativa.

12 Maio 2007

CARTAZES DE CINEMA


Por mim indicada ontem mesmo, a exposição Cinema em cartaz, patente na Cordoaria Nacional, merece uma visita. Só manifesto pena pelo escasso material informativo disponível para trazer embora (4 páginas de informação).


Há seis núcleos: 1) a caminho da sétima arte, 2) do palco ao ecrã, 3) da graça à desgraça, 4) silêncio… acção, 5) norte, sul, este, oeste, 6) os incompletos, e 7) projecção de filmes (Les victimes de l’alcool; Rigadin, peintre cubiste; Les misérables; Fantômas).

Destaco o primeiro e o terceiro núcleos. O primeiro é constituído por cartazes inspirados em obras célebres da literatura (os film d’art), em que a imagem ilustra os protagonistas em momentos célebres do enredo. No terceiro núcleo, nota-se a diversidade de géneros – filmes cómicos, trágicos, épicos, documentais. E também filmes inspirados em temas bíblicos e aventuras e eventos exóticos.

11 Maio 2007

CINEMA EM CARTAZ


Trata-se do acervo Joaquim António Viegas do Museu Municipal de Faro em exposição na Cordoaria Nacional (Lisboa), aberta ao público até ao dia 24 de Junho.

Pelo que li do texto de Leonor Figueiredo, no Diário de Notícias de anteontem, a exposição é imperdível. São dezenas de cartazes onde se conta, afinal, a história dos primeiros filmes estrangeiros exibidos no nosso país (1904-1916). Há mesmo cartazes que as distribuidoras já não possuem, caso da Léon Gaumont. Marta Mestre, comissária adjunta, salienta o duplo valor dos cartazes – precursores da comunicação para o grande público e contemporâneos do surgimento do cinema enquanto indústria cultural (sigo o texto de Leonor Figueiredo).

Joaquim António Viegas (1874-1946) foi cenógrafo de Faro, tendo trabalhado no Real Colyseo e no Chiado Terrasse. Obteve os 136 cartazes de cinema nos circuitos das distribuidoras nacionais (a colecção tem ainda 140 cartazes de circo e publicidade). A colecção foi doada pelo seu filho, entretanto também já falecido.

Repito, pelas imagens publicadas no jornal, a exposição é mesmo a não perder!

11 Maio 2007

VENDA DE CARTAZES DE CINEMA


Ver o sítio CinemaScope, onde se anuncia a venda de cartazes de cinema, postais, fotografias e livros.

Segundo a promoção da loja, esta “oferece também, para além dos cartazes originais, uma enorme gama de reproduções de cartazes de cinema, que vão dos filmes clássicos aos blockbusters de maior sucesso”.

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