Arquivo para ‘Cinema’

25 Abril 2011

VIDEOCLUBES

“Há cinco anos, o número de videoclubes em Portugal rondava os 1800. Em 2010, eram cerca de 300 (menos 83 por cento). As contas são da Federação Portuguesa de Editores de Videogramas (Fevip, que representa as editoras que vendem filmes aos videoclubes) e mostram um sector em queda abrupta” (Público). Razões: pirataria, partilha online e ofertas dos operadores de televisão.

2 Abril 2011

>MEL [BAL]

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Filme turco de Semih Kaplanoğlu (1963, İzmir, Turquia), Mel (Bal) conquistou o Urso de Ouro do Festival de Berlim em 2010. Mel, último filme da trilogia de Yusuf, que inclui igualmente Ovo e Leite, conta é a história do apicultor Yakup (Erdal Beşikçioğlu) que procura implantar as suas colmeias em novos locais de uma longínqua e ainda pouco desenvolvida região do Mar Negro. Um dia, ao subir a uma árvore para relocalizar a colmeia, o apicultor cai.

A mudança de plano, com a introdução do genérico do filme, deixa-nos fixado naquelas imagens, mas as que se seguem contam a história do filho Yusuf (Bora Altaş), de seis anos, a aprender a escrever e a ler na escola primária. O rapaz tem dificuldades em se expressar. A sua gaguez é motivo de troça na turma e ele vê-se marginalizado, não participando nos jogos e nas brincadeiras dos intervalos de aula. A sua mãe Zehra (Tülin Özen), trabalhadora de uma plantação de chá, sofre muito com a gaguez do filho mas não tem força para o levar a vencer a dificuldade, ao contrário de Yakup, que falava baixinho e dizia para o filho não revelar os sonhos que tinha tido.

Pela montagem do filme, vamos sendo introduzidos num universo maior. Primeiro, a oficina do apicultor, onde um plástico forte faz de porta de entrada. Depois, a cozinha simples, onde as três personagens, pai, mãe e filho se deslocam quase sempre de modo taciturno. Na cozinha já há comodidades como água corrente, gás e electricidade. Só mais tarde, nos é mostrada a sala com um sofá ao longo de três janelas juntas. Da casa parte-se para a aldeia e para a montanha. Os caminhos de terra conduzem-nos ao rio, à floresta, à casa no cimo da montanha onde as mulheres rezam e à encosta onde decorre a festa. O ambiente da natureza é o tema mais forte do filme.

O filme explora outra dimensão: a vontade latente de abandonar o campo e ir para a cidade. Zehra pergunta ao filho Yusuf se ele, quando crescer, não quer ir para a polícia. Mesmo no final da escala, o polícia tem um ordenado fixo, protege-se do mau tempo e das incertezas da agricultura. A Turquia moderna estava a nascer.

Na imagem: co-produtor Johannes Rexin, co-produtora Bettina Brokemper, actor Erdal Besikcioglu, realizador Semih Kaplanoglu, actor Bora Altas e actriz actress Tuelin Oezen durante o 60º Berlin International Film Festival em 16.2.2010 em Berlim, na ocasião da atribuição do prémio ao filme Bal (Mel) [foto de Pascal Le Segretain/Getty Images Europe]

2 Abril 2011

>OTHER RUSSIAS / RUSSIA’S OTHERS: FILMS IN AND ON THE MARGINS

>Just as New York is not America, so Moscow is not Russia. And more broadly, the center is not the periphery. The irony embedded in the Russian version is this: the “center” (be it Moscow or St. Petersburg) is located near the westernmost border of the country, seven times zones away from the easternmost border. At their root, however, the US and Russian clichés have entirely different meanings. The English cliché emphasizes the ethnic and cultural diversity of New York in comparison to the American heartland. The Russian version stresses the stark economic and infrastructural gap between the center and the periphery. Although this gap pre-dates even Soviet power, it has grown dramatically over the past two decades. The center has experienced a high increase in new construction (buildings and roads); the influx of domestic and foreign capital into the center has fostered a burgeoning middle-class with access to all consumer goods. Meanwhile, the periphery has been largely ignored; living conditions have deteriorated and roads become impassable. Poverty has risen sharply, accompanied by shortages of essential foodstuffs. For much of these two decades, Russian feature films, like the political administrative center, have ignored the periphery, focusing instead on the increasing wealth, proliferation of consumer goods, conspicuous consumption, and glossy life-styles in Moscow and St. Petersburg. In part this was a matter of convenience and economy: Moscow and St. Petersburg are the administrative and production centers of the Russian film industry: the Union of Filmmakers is based in Moscow and has its largest affiliate offices in St. Petersburg; four of the five film studios in the country are located in these two cities. In the past two years, however, directors have increasingly turned their attention to the conditions of life in the Russian periphery― to the smaller, outlying cities (Vladivostok, Perm, Rostov-on-the-Don), the rural countryside, and even the permafrost regions. Russian screens—the vast majority of which are overhauled screening halls and new multiplexes in the center—are now filled with an unexpected form of exotica: the Motherland! Critical and popular reactions to these images have been sharply mixed. Some have welcomed the expansion of locale shooting, the “authenticity” of the living conditions, and the examination of the hardships in these locations. Many more have fiercely attacked these films for “blackening” Russia; they compare these films to early post-Soviet chernukha (films that showed the ugly underside of life, inherited from the Soviet system). We ask you to join us during the week of 2-7 May 2011 and decide for yourselves. Vladimir Padunov, Department of Slavic Languages and Literatures Associate Director, Film Studies Program University of Pittsburgh, 427 Cathedral of Learning, Pittsburgh, PA 15260, Russian Film Symposium http://www.rusfilm.pitt.edu.

1 Abril 2011

>FESTA DO CINEMA ITALIANO

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Entre o final de 2010 e início do 2011 quase metade dos bilhetes vendidos nas salas italianas correspondiam a produções nacionais, que frequentemente têm receitas superiores às dos blockbusters americanos. Em Itália foram rodados mais de 130 longas-metragens e 300 documentários. Estes números demonstram que a indústria cinematográfica italiana continua a ser uma das mais importantes do mundo. Por esta razão é muito importante realizar um evento que possa proporcionar aos espectadores portugueses uma selecção das mais marcantes produções italianas.

Lisboa (14 a 21 de Abril), Coimbra (27 a 29 de Abril), Porto (29 de Abril a 3 de Maio) e Funchal (5 a 8 de Maio) são cidades onde vai estar o festival.

Para competição, foram escolhidos sete filmes que pela sua linguagem, ousadia e capacidade expressiva, se distinguiram durante o último ano, demonstrando competência e desejo de fazer cinema de qualidade. A perspicácia de algumas produtoras, o crescimento exponencial do circuito de festivais em conjunto com uma geração de jovens realizadores interessados, permitiu que a qualidade das produções apresentadas fosse particularmente alta, permitindo uma selecção de incontestável valor. Mais de um terço dos filmes produzidos anualmente em Itália são primeiras ou segundas obras: Pietro, de Danielle Gaglianone, La pecora nera, de Ascanio Celestini, Una vita tranquilla, de Claudio Cupellini, Ad ogni costo, de Davide Alfonsi e Denis Malagnino, Et in terra pax, de Matteo Botrugno e Daniele Coluccini, Notizie degli scavi, de Emidio Greco, e Hai paura del buio, de Massimo Coppola.

Saber mais em http://www.festadocinemaitaliano.com/.

23 Março 2011

>ELIZABETH (LIZ) TAYLOR

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Nascida em 1932 em Londres, mas mudando-se com os pais americanos (ele galerista, ela actriz) para os Estados Unidos em 1939, Elizabeth (Liz) Rosemond Taylor começou a carreira cinematográfica com dez anos, contratada pela Universal Pictures para quem filmou There’s One Born Every Minute. Revelou talento participando em filmes orientados para públicos infanto-juvenis, como na estreia em 1943 num pequeno papel da série Lassie. Na década de 1950, entrou em filmes como Um lugar ao sol, ao lado de Montgomery Clift, Assim caminha a humanidade, com Rock Hudson, A última vez que vi Paris, junto com Van Johnson e Donna Reed.

Liz Taylor foi considerada uma das mulheres mais bonitas do seu tempo, com traços delicados e olhos de cor azul-violeta e sobrancelhas espessas de cor negra. Ficou famosa também pelos seus casamentos, num total de oito. O mais mediático foi com o actor britânico Richard Burton, com quem aliás casou duas vezes (1964 e 1975). Os dois entraram em filmes como Cleópatra (1963), de Mankiewicz, Quem tem medo de Virgínia Woolf? (1966), de Mike Nichols, e A Fera Amansada (1967), de Franco Zeffirelli. Em Cleópatra ganhou um milhão de dólares. Em 1967, contracenou com Marlon Brando, em Reflexos num olho dourado, de John Huston.

Outros filmes dela foram A árvore da vida (1958), Gata em telhado de zinco quente (1959) e Bruscamente no verão passado (1960). Foi vencedora de dois óscar para melhor actriz (principal) pelas participações em Butterfield 8 (1960) e Quem tem medo de Virgínia Woolf?

Celebridade com muito glamour e diva dos anos de ouro do cinema norte-americano, foi grande compradora de jóias [imagem ao lado: cartaz de National Velvet, em 1944, onde contracenou com Mickey Rooney]. Amiga de Michael Jackson, que lhe dedicou alguns trabalhos como Liberian girl, desenvolveu acções filantrópicas, como fundos para as campanhas contra a sida na década de 1980, após a morte de Rock Hudson. Em 2001, recebeu de Bill Clinton a segunda mais importante medalha de reconhecimento a um cidadão norte-americano (apesar de ter nascido no Reino Unido).

Em 1997, teve uma cirurgia delicada para remover um tumor do cérebro. Anteriormente, debatera-se com problemas com álcool e drogas. Agora, após uma cirurgia, morreu por paragem cardíaca.

Fontes: Público, Diário de Notícias, IMDb e wikipedia. Ver vídeo aqui.

19 Março 2011

>POESIA (시)

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Jeong-hee Yoon (em hangul, 윤정희, nascida em 1944 na Coreia do Sul) é uma actriz que começou a trabalhar em 1967. Vivendo actualmente em Paris – casada com o pianist Kun-Woo Paik, de quem tem uma filha, violinista -, estava retirada do cinema desde meados da década de 1990 até ser desafiada a desempenhar o papel de Mija em Poesia (시). Ver mais informações da actriz na wikipedia.

Premiada ao longo da sua vasta carreira, Jeong-hee Yoon representa neste filme o papel de uma avó que vive com o seu neto numa pequena cidade das encostas do rio Han. A história desenrola-se em três sentidos: 1) ela entra numa aula de poesia, curso a decorrer no centro cultural da cidade, e procura escrever um poema, 2) o neto é acusado de, com outros colegas, violar uma rapariga que acaba por se suicidar, 3) Mija vive de uma pensão estatal mas trabalha regularmente ajudando um homem velho que tivera um AVC; a ela própria fora diagnosticada a doença de Alzheimer, em que a memória começa a perder-se. Chang-dong Lee é o realizador do filme, escritor e cineasta prestigiado e com passagem política como ministro da Cultura do seu país. O filme foi premiado com o melhor argumento no festival de Cannes em 2010.

18 Março 2011

>O FIM DO FICA

>Criado em 2007, o FICA (Fundo de Investimento do Cinema e Audiovisual) vai ser extinto. As três televisões generalistas, a Zon e a Meo não pagam as suas prestações desde 2008, totalizando uma verba de 50 milhões de euros. Por outro lado, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, indica que será feita para breve uma proposta de revisão da lei do cinema.

16 Março 2011

>SEMINÁRIO SOBRE TELEVISÃO

>A organização do seminário Televisão – Formas Audiovisuais de Ficção e Documentário convida os pesquisadores a enviar propostas de comunicação. O seminário faz parte do Encontro Anual da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, a realizar na UFRJ (Rio de Janeiro, Brasil) de 20 a 24 de Setembro de 2011.

O seminário pretende “discutir a televisão nos formatos que mais têm sido compartilhados com o cinema, ou seja, a ficção e o documentário. Trata-se de examinar e debater questões relativas à multiplicidade de gêneros e formatos televisivos e as suas articulações narrativas e estilísticas, assim como a qualidade e a composição audiovisual. O foco está na análise audiovisual, com a possibilidade de relacioná-la aos contextos histórico, social e cultural e às práticas de realização”. A inscrição deve fazer-se no sítio da Socine (http://www.socine.org.br/) até 31 de Março, podendo ali encontrar as normas para a apresentação de propostas e o programa do seminário.

5 Março 2011

>INDOMÁVEL

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Indomável (True Grit, 2010) é um filme realizado por Ethan Coen e Joel Coen, com Jeff Bridges, Matt Damon e Hailee Steinfeld nos principais papéis. Conta a história da vingança de uma rapariga a quem assassinaram o pai, a partir do livro True Grit, de Charles Portis. Um velho xerife acede ao pedido convicto da rapariga e prepara uma caça ao homem (ver trailer aqui). Em 1969, a história originara o filme A velha raposa, de Henry Hathaway, com John Wayne como protagonista (ver trailer aqui).

No meu entender, o filme merecia ganhar óscares na recente cerimónia de Hollywood (foi nomeado para dez óscares mas não recebeu nenhum).

28 Fevereiro 2011

>REVISTA DRAMA

>O n.º 3 da Revista DRAMA encontra-se já online. O tema deste número é a curta-metragem e conta com entrevistas ao especialista americano Richard Raskin, ao teórico britânico Paul Wells e a um dos directores do Curtas de Vila do Conde, Miguel Dias. Na secção temática, há textos de João Nunes, Gonçalo Galvão Teles e Carlos Conceição e artigos sobre as curtas-metragens de Davis Lynch e Pedro Costa (entre outros). No número, destaque ao italiano Tonino Guerra, argumentista assíduo colaborador de Fellini, Antonioni e Tarkovsky, através de uma biografia do autor e da transcrição de uma das suas últimas masterclasses. A revista apresenta ainda as rubricas de Crítica, Livros e Festivais, e a secção Actual, com entrevistas ao realizador de filme brasileiro muito premiado nos últimos anos, Marcos Jorge (realizador de Estômago), e Tiago Rodrigues, dramaturgo, encenador e argumentista da série da RTP Noite Sangrenta.

26 Fevereiro 2011

>O DISCURSO DO REI

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O Discurso do Rei, filme inglês dirigido por Tom Hooper (2010), com Colin Firth, Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter, conta a história do rei inglês George VI que, para superar a sua gaguez, contratou Lionel Logue, reputado mas excêntrico fonoaudiólogo. Este ajuda o rei a fazer um discurso no rádio no começo da II Guerra Mundial. O filme insere citações retiradas do diário de Logue, descoberto pouco tempo antes do arranque das filmagens.

Na semana de 17 a 23 de Fevereiro, O Discurso do Rei foi o filme mais visto nos cinemas portugueses, com 56311 espectadores. Tem uma fotografia belíssima e é apontado como um dos prováveis vencedores dos próximos óscares (realização, actores secundários).

A mim, importa-me outro tópico: o uso da rádio como meio de transmissão das mensagens dos poderosos, no caso o rei inglês. O filme mostra situações distintas onde se vê o peso da rádio no período retratado no filme (década de 1930). Do ponto de vista tecnológico, salientam-se o microfone, o elemento mais visível e emblemático da rádio, os cabos de transmissão, os aparelhos de amplificação, sintonia e emissão. Quanto aos aspectos sociais, o filme destaca a recepção da rádio nos lares, nos espaços públicos, nos centros de decisão política, na frente de combate.

21 Fevereiro 2011

>FILMES DE 37 PAÍSES A CONCURSO NO FESTIVAL DE CURTAS DO PORTO

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A menos de um mês do encerramento das inscrições, o Porto7 – Festival Internacional de Curtas-Metragens do Porto conta com a participação de 37 países com filmes inscritos para competição. O início do Porto 7 está marcado para 8 de Junho, no Pequeno Auditório do Rivoli Teatro Municipal, no Porto. O Porto7 recebe curtas-metragens para as competições: ficção internacional, ficção nacional, animação e videoclip. Sítio oficial: Porto7.

4 Fevereiro 2011

>INDICADORES DE CINEMA SEGUNDO O OBERCOM

>”Os indicadores de 2010 confirma as tendências já antes evidenciadas na edição de 2008, a saber, a televisão continua a ser a plataforma mais utilizada para consumo de filmes, seguida pelo DVD e pelas salas de cinema. Mantêm-se assimetrias no consumo de cinema que se evidenciam no cruzamento com a escolaridade, a idade e a região, e também com o género. Os filmes de produção nacional apresentam maior taxa de consumo na televisão e, nessa plataforma, pelas faixas de público com menor grau de escolaridade – dado que parece sugerir a importância de factores facilitadores combinados (tecnológicos e linguísticos) no acesso deste segmento da população aos filmes. Os resultados do inquérito sugerem ainda a pertinência de se explorar futuramente as relações entre a actividade cinematográfica e outros sectores da cultura e da economia, em particular o do turismo” (Obercom).

1 Fevereiro 2011

>REVISTA DE CINEMA E IMAGEM EM MOVIMENTO

>Está aberta a chamada de artigos para o segundo número de Cinema: Revista de Filosofia e Imagem em Movimento. Os editores convidam calorosamente autores interessados a submeterem artigos originais que abordem o tema das relações entre o cinema e a filosofia. Prazo limite para submissões: 1 de Março, 2011 (resumos) e 1 de Junho 2011 (artigos completos). Os temas aceites incluem os itens abaixo indicados (que poderão ser alargados a outros): *a filosofia do cinema actualmente, *epistemologia e ontologia do cinema e da imagem em movimento, *as relações entre os estudos fílmicos e a filosofia do cinema, *a divisão entre as abordagens da filosofia analítica e continental dentro da filosofia do cinema, *novas abordagens e correntes dentro da filosofia do cinema, *abordagens históricas à filosofia do cinema e à teoria do cinema, *cinema como filosofia. Os autores interessados são convidados a submeterem um resumo de aproximadamente 500 palavras e um CV resumido até dia 1 de Março de 2011. Após essa data, os autores dos resumos seleccionados serão convidados a submeter o seu artigo completo até dia 1 de Junho de 2011. As submissões poderão ser efectuadas on-line, através de um link na página electrónica da revista (http://www.fcsh.unl.pt/revistas/cjpmi), ou directamente aos editores no seguinte endereço electrónico: cjpmi@fcsh.unl.pt. São aceites submissões em português e inglês (assim como em francês e castelhano, mas apenas para autores nativos dessas línguas). Para qualquer questão adicional, é favor contactar os editores, Patrícia Silveirinha Castello Branco, Sérgio Dias Branco ou Susana Viegas.

28 Janeiro 2011

>MONSTRA – FESTIVAL DE ANIMAÇÃO DE LISBOA

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A 10ª edição da MONSTRA – Festival de Animação de Lisboa, já tem datas marcadas: de 21 a 27 de Março de 2011. O mais antigo festival de Lisboa continua a mostrar o que de melhor se realiza no mundo do cinema de animação.

Em Fevereiro, a MONSTRA estará em Arras, França, a convite da galeria Quai de la Batterie, onde participará em três actividades relacionadas com o cinema de animação, com Fernando Galrito, professor de animação na ESAD, programador e Director Artístico da Monstra, e Pedro Serrazina, realizador de filmes de animação.

24 Janeiro 2011

>IOSSELIANI

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Otar Iosseliani (ოთარ იოსელიანი, Tbilisi, Geórgia, 1934) é o realizador de Chantrapas (2010). Conta a história de Nicolas, que procura fazer um filme na Geórgia. Os dirigentes burocratas não entendem o conteúdo do mesmo e perseguem-no como dissidente. No fundo, o filme que ele se propõe fazer é sobre a liberdade e sobre a repressão, nem que as imagens mostrem apenas flores e plantas a serem derrubadas para a construção de uma zona habitacional. A repressão, no sentido da metáfora, é a perda da liberdade de vadiar após o final diário das aulas, a boleia do comboio de mercadorias, a iniciação do tabaco ou da bebida, como revela a analepse no filme. O avô conhece um amigo em Paris e encoraja-o a partir para França, pois encontrará um ambiente distinto. Nicolas, que trabalha na construção civil ou num jardim zoológico para sobreviver no Ocidente, prepara o seu filme. Os burocratas do seu país, noutra posição, parecem ajudá-lo – prometem não voltar a persegui-lo. Nicolas negoceia com os produtores, mas estes também não entendem o filme. Volta tudo quase ao princípio, com o regresso dele à Geórgia. O lar parece-lhe aconchegador, o avô procura descobrir o que Nicolas sabe de uma antiga apaixonada agora a viver em Paris. A família faz um piquenique, ele pesca. Os chantrapas são os que não servem para nada, os que devem ser excluídos. Certamente que uma sereia negra, surgida furtivamente num lago, o considerará e o levará para longe das burocracias do mundo. Talvez surja então a compreensão. Actores: Dato Tarielachvili, Tamuna Karumidze e Fanny Gonin. Vídeo no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=fs3wKEFnjMs&feature=player_embedded.

23 Janeiro 2011

>FILME INACABADO DE WELLES EM PRÓXIMA EXIBIÇÃO

>Uma obra de arte inacabada filmada por Orson Welles, The Other Side of the Wind, realizada há cerca de 40 anos vai chegar aos ecrãs, noticia hoje o jornal Observer. O filme narra as últimas horas da vida de um velho realizador de cinema. John Huston é o realizador em causa.

20 Janeiro 2011

>FIRST ANNUAL LONDON FILM AND MEDIA CONFERENCE

>It will take place 12-14 July 2011 at the Institute of Education, University of London, UK. The conference explores, celebrates and critiques the screen-based traditions of film, TV, and digital media. Organisers continue to accept proposals for 20-minute Papers and three-Paper Panels until the Revised Final Deadline of 31 March 2011. Keynote Speakers: Prof. Robert C. Allen (University of North Carolina, Chapel Hill), Prof. Julian Petley (Brunuel University, UK) and Prof. Michael Tracey (University of Colorado, Boulder). For full details of over 100 Papers already accepted from 33 nations, please see the conference website.

10 Janeiro 2011

>CINEMATECA HOMENAGEIA BÉNARD DA COSTA

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9 Janeiro 2011

>LOLA

>Lola (2009), do realizador filipino Brillante Mendoza (1960), é um dos filmes que mais gostei em 2010. Pela história e pela mensagem que transmite.

Duas avós (lola em filipino) têm de decidir o destino das suas famílias pobre de Malabon, em Manila. A história de cada uma é, se quisermos, complementar da outra. Uma delas, Lola Sepa (Anita Linda), vê o neto ser assassinado, a outra, Lola Purificação (Rustica Carpio) procura salvar o neto da prisão por ter assassinado. Lola Sepa usa a sua pequena pensão para comprar o caixão para o neto, pede um empréstimo para o funeral, negoceia com Lola Purificação a indemnização que a leve a desistir de apresentar queixa contra o neto desta (logo, a libertação da prisão). A avó Purificação empenha a televisão e comete pequenas fraudes na sua venda de legumes para obter o dinheiro para pagar a indemnização. Ambas cuidam de familiares – netos ou filho doente.

O realizador e a argumentista Linda Casimiro tinham visto uma notícia na televisão sobre uma avó que procurava apoio para o neto, preso por ter morto alguém de modo acidental. Outro artigo contava que uma mulher idosa pedira dinheiro para enterrar o neto. Ao ligar as duas histórias como uma narrativa, surge parte da ficção de Lola.

O filme foi feito em dez dias durante a época das chuvas em Manila; Brillante Mendoza quis mostrar como isso cria dificuldades às comunidades. O ambiente e o movimento permanente de água funcionaram como uma metáfora de vida e de morte. A água é simultaneamente fonte da vida e motor de destruição e catástrofe. Assim, ao juntar o crime ao efeito da água, mostra-se como as vidas das pessoas aparecem afectadas no espanto, na perda e na dor – no caso, aos olhos das duas velhas mulheres.

Das imagens mais fortes que retive, uma foi a do canal. Uma das frentes das casas dava para um canal. O pedido de esmolas para apoiar o funeral, o funeral em si, o uso dos barcos como meio de transporte, as conversas que as mulheres tinham com os passageiros dos barcos, as pequenas reuniões na varanda voltada para o canal, faziam deste o espaço público principal. Outra foi a da prisão e da conversa da avó Purificação com o seu neto. Uma terceira imagem forte surgiu no final do filme, quando se dá uma espécie de milagre dos peixes: a avó Sepa vê e pesca peixes no seu “aquário” da casa que dá para o canal. A leitura é de esperança – a um período tão complicado parecia surgir um período de abundância. Uma quarta imagem é a da conversa entre as duas avós num restaurante de fast food, quando acertam o preço da indemnização a pagar.

As duas avós são profissionais do cinema desde há muito. Anita Linda (nascida em 1924) participou em mais de 200 filmes – ela está activa desde a década de 1940, Rustica Carpio (nascida em 1930) trabalhou muito no cinema durante a década de 1970.

Trailer em http://www.imdb.com/video/screenplay/vi2450458393/.

4 Janeiro 2011

>INVESTIGAÇÃO EM CINEMA

>Amanhã, 5 de Janeiro, às 18:00, a Associação de Investigadores da Imagem em Movimento e a Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema promovem um colóquio intitulado A Cinemateca e a investigação de cinema em Portugal. O evento tem lugar no contexto das actividades destinadas a assinalar os trinta anos de projecções quotidianas da Cinemateca e pretende debater a natureza do trabalho de investigação de cinema, desafios e bloqueios e a potencial evolução da relação da Cinemateca com esse trabalho.

O colóquio conta com intervenções iniciais de Maria do Carmo Piçarra, José Filipe Costa e Tiago Baptista (investigadores), José Manuel Costa (sub-director da Cinemateca) e Ana Soares (presidente da AIM e moderadora).

30 Dezembro 2010

TULPAN

Tulpan é um filme dirigido por Sergey Dvortsevoy (2008), que conta a história de pastores do Cazaquistão. Asa (interpretado por Askhat Kuchinchirekov) é um antigo marinheiro da armada russa que regressa à estepe do Cazaquistão, onde passa a viver na casa da sua irmã Samal (Samal Yeslyamova) e o seu marido Ondas (Ondasyn Besikbasov) e os três filhos Beke, Maha e Nuka. O seu sonho é estabelecer-se como pastor do seu rebanho e casar com a única rapariga da planície Tulpan, que esta recusa (aliás, nunca se chega a vê-la). No grupo mais próximo de Asa, há ainda Boni (Tulepbergen Baisakalov), condutor de tractores, com o seu gosto pela cultura ocidental, nomeadamente americana.

A rádio era o único meio que chegava à tenda de Ondas e família. O filho mais velho fazia, ao final do dia, o relato dos acontecimentos do mundo: o progresso do Cazaquistão no futuro como um dos principais países produtores de petróleo, um terramoto no Japão, a estreia de uma peça de teatro em Moscovo. O filme mostra o desencanto (Ondas, Samal e os filhos abandonam a dura vida) mas também o renascimento (Asa cumpre o desejo de ser pastor, ao ver confiado o rebalho do patrão). O filme mostra uma paisagem desolada e pobre, as tempestades de areia, a vida dos animais (como o nascimento de um cordeiro), quase em estilo de documentário (etnografia) e não filme de ficção.

O filme ganhou diversos prémios como o Prix Un Certain Regard do festival de Cannes, melhor primeiro filme no festival de Londres, melhor filme no festival de Zurique e melhor realizador no Festival Internacional de Cinema de Tóquio (2008) [na foto, da esquerda para a direita, Askhat Kuchinchirekov(Асхат Kuchinchirekov), Samal Yeslyamova ou Samal Esljamova (Самал Еслямова) e Sergey Dvortsevoy (Сергей Дворцевой)].

29 Dezembro 2010

A CINEMATECA EM JANEIRO

“Não foi só por provocação, nem por vontade de lançar a confusão, que neste mês em que (nos) resolvemos perguntar “o que é programar uma cinemateca hoje?” acabámos por chegar a um programa que voluntariamente elide todas ou quase todas as regras que costumam orientar a estrutura da programação desta Cinemateca e, por certo, da maioria das outras cinematecas do mundo inteiro. Em vez dos habituais Ciclos e rubricas organizados em torno de um eixo definido – autoral, temático, geográfico, etc. – apenas um grande Ciclo que se funde com a pergunta do título, um Ciclo “em interrogação” que põe em destaque – em causa? – o próprio acto de programar, e de programar uma cinemateca. Muitas perguntas se albergam neste Ciclo, e também, embora isso não seja necessariamente o mais importante – como se diz noutro ponto deste programa, o Ciclo “é uma forma de perguntar” – algumas respostas e algumas afirmações. Ao suspender os critérios habituais, a equipa de programação da Cinemateca – que tem nomes, para além do do seu responsável, Luís Miguel Oliveira: chamam-se Antonio Rodrigues, Joana Ascensão, João Pedro Bénard, Maria João Madeira e Rita Azevedo Gomes – ficou face a face com o desafio de enfrentar um “puro” exercício de programação. Nenhuma regra pré-estabelecida, a não ser as definidas pelas escolhas de cada elemento, de modo a chegar a um programa que, exprimindo várias visões do que pode ser uma programação de cinemateca, as articula de modo a chegar ao desenho de uma só grande ideia de programação de cinemateca” (newsletter da Cinemateca a anunciar a programação de Janeiro de 2011).

Nesse mês, podem ver-se entre outros, filmes como Irmãos Lumière – montagem Cannes, de Louis e Auguste Lumière e Henri Langlois, Metropolis, de Fritz Lang, O Testamento do Dr. Mabuse, de Fritz Lang, O Nascimento de uma Nação, de David W. Griffith, Bom Dia Tristeza, de Otto Preminger, O Desprezo, de Jean-Luc Godard, e A Paixão de Joana d’Arc, de Carl Th. Dreyer. Quase que vale a pena acampar à porta da Cinemateca!

27 Dezembro 2010

O MÁGICO – UMA ESPÉCIE DE RETORNO A TATI

O Mágico é um filme de animação dirigido por Sylvain Chomet, a partir de argumento de Jacques Tati, realizador francês falecido em 1982, e Henri Marquet. Narra a história de um ilusionista que vê a sua actividade em perigo (pouca assistência aos seus espectáculos, predomínio de outras formas de entretenimento, como o pop e o rock).

Deixa Paris, vai para Londres e anda de cidade em cidade à procura de trabalho, até chegar à Escócia. Aí, num local onde actua, uma rapariguinha (Alice) fica fascinada pela sua magia e não o deixa mais. Estabelece-se uma relação de pai com filha (aliás, Tati destinara o papel a sua filha Sophie Tatischeff), mais tarde abandonada quando a jovem se apaixona. O mágico devolve o coelho (que sai da cartola) à natureza e volta à grande cidade. Entretanto, cruza-se com outros artistas do espectáculo (ventríloquos, circenses), profissões igualmente em decadência, no pequeno hotel onde se instalara.

A animação tem uma grande qualidade de imagem. Muitas vezes, parece que estamos a ver aguarelas, cuja nitidez se esbate ou clarifica à vez. O mágico lembra-nos muito as cenas cómicas dos filmes de Tati, sempre carregadas de humanismo sobre a complexidade das situações modernas e onde o riso se torna reflexivo. A personagem tem um andar trapalhão e veste quase sempre uma gabardina, a lembrar o realizador. Sobre o filme, li que se trata de uma carta de amor mas também de drama familiar e perda de inocência.

O mágico do filme tem a voz de Jean-Caluda Donda e Alice a de Eilidh Rankin. Sylvain Chomet foi realizador de Belleville Rendez-vous. Ele possui com a mulher, Sally, um estúdio em Edinburgo, cidade onde parte central da história decorre.

22 Dezembro 2010

MISTÉRIOS DE LISBOA

Making of Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz (longa-metragem e série de televisão). Ler mais.

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