50 ANOS DE BRASÍLIA EM EXPOSIÇÃO EM LISBOA
SEMENTES. VALOR CAPITAL
O MUDE, Museu do Design e da Moda Colecção Francisco Capelo, a partir do dia 18 próximo, abre a exposição Sementes. Valor Capital.
“Depois de terem guardado dinheiro e riquezas várias durante mais de 50 anos, os antigos cofres do Banco Nacional Ultramarino, actualmente propriedade da CML/ MUDE, recebem [...] um bem vivo de toda a Humanidade, um valor capital do qual depende a própria sobrevivência das espécies – AS SEMENTES. O MUDE abre assim ao público a sala dos antigos cofres [imagem em cima], apresentando 500 variedades de sementes agrícolas plantadas em Portugal, tratando-se de uma oportunidade de conhecer melhor esta riqueza e de perceber um pouco melhor o design que a natureza nos legou. Compreender a importância das sementes é lembrar que estiveram na origem da agricultura e dos primeiros povoamentos sedentários, da escrita, do cálculo e da aritmética. Entendidas como dote de casamento em tempos passados, serviram também de moeda nas transacções comerciais. [...] Produzida em colaboração com o Instituto Superior de Agronomia, o Banco Germoplasma Vegetal e a Associação Colher para Semear que constituíram a sua comissão cientifica, esta exposição espera contribuir para a sensibilização e consciencialização do público em relação a temática da biodiversidade” (informação da organização).
EXPOSIÇÃO DE CINEMA EM PORTUGAL
SCOOTERS NO MUDE
A exposição Lá vai ela, formosa e segura, scooters da colecção de João Seixas, 1945-1970, estará patente no MUDE (Museu do Design e da Moda), em Lisboa, até 24 de Outubro de 2010. Ressalto dois elementos: a exposição (que aconselho vivamente a ver) e o catálogo. Em meu entender, a exposição fica muito bem complementada pelo catálogo, pois à memória visual dos objectos junta-se a materialidade no catálogo, aquela com as dimensões físicas, este com as cores e o design vincado nas duas dimensões do papel. Acrescento um terceiro elemento: as peças de moda (vestuário com design de autores de grande prestígio), inseridas no contexto histórico das máquinas de duas rodas.
No catálogo, Bárbara Coutinho, directora do museu, explica o título: “A Leonor cantada por Luís Vaz Camões, que ia descalça para a fonte, »fermosa, e não segura», é reinventada por António Gedeão, em 1961, e passa a ir «voando para a praia, na estrada preta. Vai na brasa, de lambreta». Animado por esta nova Leonor e embalados pela sonoridade do poema, intitulámos Lá vai ela, formosa e segura a exposição que apresenta a evolução da scooter entre 1945 e 1970″.
Pedro Teotónio Pereira, em texto no mesmo catálogo, realça o desenvolvimento da scooter em simultâneo com o biquíni (1946)e o new look de Christian Dior (1947), mas também o primeiro rádio portátil da Sony (1954), o pronto-a-comer, as máquinas de lavar, os aspiradores e os gira-discos. 1946 foi o ano em que surgiram a Vespa, da Piaggio, e a Lambretta, da Innocenti. A publicidade da scooter Sachs de 1956 dizia: “É a scooter que em todos os pontos do Mundo é exigida para Senhoras, Párocos e cavalheiros de qualquer classe”.
A primeira motocicleta surgiu em 1894 na Alemanha, explicam João Seixas e João Lopes da Silva no catálogo, mas o veículo que mais se aproxima da scooter foi lançado em França em 1902. A trotineta americana de 1915, parente antiga de veículos ressuscitados recentemente, faz parte da genealogia dos veículos propulsionados por um motor de combustão de duas rodas, ou “o automóvel em duas rodas”, como dizia um folheto da Unibus em 1920.
A massificação e a idade de ouro das scooters surgiu entre 1946 e 1960. Estudantes universitários e mulheres assumiam-se como os principais difusores e consumidores do meio de locomoção, fácil de conduzir e estacionar em cidades cada vez mais complicadas quanto a tráfego rodoviário (à esquerda, cartaz do filme Roman Holiday, de William Wyler, com Gregory Peck e Audrey Hepburn, em que esta conduz uma scooter; ver vídeo a seguir). Empresas italianas, como as indicadas acima, produziram milhões de scooters. Indica Bárbara Coutinho no seu texto que Portugal também teve a sua scooter: a Casal Carina, da Metalurgia Carina, de Aveiro, produzida em 1967, e utilizada sobretudo por mulheres na zona de Aveiro que se deslocavam nas suas viagens entre casa e emprego.
SCOOTERS NO MUDE
O MUDE – Museu do Design e da Moda inaugura, no piso 1, a exposição Lá vai ela – Formosa e Segura – Colecção João Seixas, no próximo dia 22 de Julho, pelas 19h30. A exposição pretende colocar em diálogo diferentes scooters, na sua maioria europeias, de 1945 a 1970, com uma selecção de peças da Colecção de Francisco Capelo, sublinhando a transformação de linhas e silhuetas, para além da alteração das formas, cores e materiais, de modo a dar maior visibilidade à evolução das mentalidades e diferentes contextos socioculturais. A primeira apresentação da exposição será feita por Bárbara Coutinho, directora do MUDE, e pelos comissários João Seixas e Pedro Teotónio Pereira, no dia 21 Julho, às 12:00, no MUDE (que pena: o blogueiro vai estar noutro local, mas não vai perder a exposição).
EXPOSIÇÃO NO PORTO
A exposição Espólio de Arte Digital do Museu da Bienal de Cerveira na galeria Por Amor à Arte Galeria (R. Miguel Bombarda, 572, Porto) inaugura no dia 5 de Junho (Sábado), pelas 16:00 e fica patente ao público até 3 de Julho de 2010. Do comunicado da organização, lê-se:
- Considerar as artes digitais como uma forma de expressão plástica, só por si, merece reflexão tanto mais que o computador é um instrumento de trabalho ao mesmo título que a rebarbadora o é para a escultura, a tinta em tubo pré-fabricada o é para a pintura. O problema reside no que é possível fazer com esses instrumentos para a execução da obra de arte, e as novas capacidades que são abertas ao criador face às novas ferramentas. É frequente confundir-se virtuosismo tecnológico com obra de arte, sobretudo numa época em que a novidade dos instrumentos nos maravilha com os resultados obtidos. É certo que, na área digital, há especialidades que beneficiam com esse virtuosismo, como seja a publicidade na web ou no cinema, as indústrias de divertimento como jogos e simulações virtuais, etc. No entanto não podemos esquecer que ao mesmo título que a música e a escrita, as artes plásticas são ciências onde a tecnologia é indissociável da criatividade, e por essa mesma razão as artes digitais são uma nova ciência que se tornou indissociável das novas formas criativas. A mostra aqui presente é certamente um exemplo vivo do aproveitamento tecnológico como forma de arte, por artistas que, não sendo especialistas da tecnologia, souberam aproveitar esta ferramenta para expressar as suas tendências artísticas pessoais, virtualmente, mas numa linguagem contemporânea.
GRAÇA MORAIS E POR PARIS
De 29 de Maio a 19 de Setembro, das 11:30 às 18:00, no CAMB (Centro de Arte Manuel de Brito), em Algés, de terça-feira a domingo (última sexta de cada mês, das 11:30 às 24:00).
A primeira exposição é de Graça Morais, onde se podem ver obras referenciais do percurso de uma das artistas mais representativas da Colecção de Arte Manuel de Brito e da história da arte portuguesa. A segunda exposição, Por Paris, apresenta obras de artistas da modernidade portuguesa como Vieira da Silva, Júlio Pomar, René Bértholo, Lourdes Castro, Pedro Escada, entre outros, num diálogo com nomes internacionais como Sónia Delaunay, Arpad Szenes, Arman, Christo, Ian Voss, Niki de Saint Phalle e Vasarely [ver mais em http://camb.cm-oeiras.pt/].
AMERICAN FAMILY, DE DAVID ALAN HARVEY
Até 1 de Junho, na EFTI Escuela de Fotografía. Centro de imagen (Madrid)*, encontra-se exposta a exposição American Family do fotógrafo americano David Alan Harvey.
- Nos últimos dois anos, tenho viajado de carro pelo meu país para fotografar famílias americanas. Este é um trabalho em desenvolvimento que espero concluir dentro de mais dois anos. Comecei este projecto, porque queria explorar as relações familiares e espero reunir uma espécie de álbum de família colectivo. Trabalhei com película de médio formato, a preto e branco e a cores, tal como os álbuns de fotos de família. Todo este trabalho parte do meu primeiro álbum de família que fiz aos 14 anos. A exposição e o livro Off for a family drive, incluirá fotos de grande formato e pequenos instantâneos. A minha intenção não foi fazer retratos profissionais, mas sim fazer com que este trabalho se assemelhe, tanto quanto possível, a um álbum de família.
David Alan Harvey (1944, San Francisco, EUA). Membro da agência Magnum Photos desde 1997, e colaborador da National Geographic Magazine, é um clássico fotógrafo documentalista. Interessa-se mais pela integridade do tema que pelos aspectos técnicos e procura minimizar a sua presença para não influenciar as situações que fotografa. Das suas obras, destacam-se Cuba (2000), Divided Soul (2003) e Living Proof (2007). É editor da revista online Burn.
[textos sobre a exposição nos jornais El País e Público (Espanha)]
* EFTI Escuela de Fotografía. Centro de imagen fica na Calle Fuenterrabía, 4 e 6, Madrid. Metro: L1. Menéndez Pelayo ou Atocha Renfe.
EXPOSIÇÃO DE DESENHO HUMORÍSTICO EM LISBOA
No dia 3 de Maio, pelas 17:30, inaugura na Galeria de Exposições dos Paços do Concelho de Lisboa a exposição O Jogo da Política Moderna!, que “constitui uma excelente oportunidade para, a partir do desenho humorístico e da caricatura política e social publicada na imprensa pelos humoristas portugueses da época, mergulhar na política” da I República Portuguesa. Peças das colecções municipais, algumas até inéditas (Hemeroteca Municipal de Lisboa e Museu Rafael Bordalo Pinheiro) [informação da organização].
ISTAMBUL EM EXPOSIÇÃO NO CCB
Hoje, no CCB, foi inaugurada a exposição Istambul Perdida, Anos 50-60, do grande fotógrafo turco Ara Güler, que não se deslocou a Lisboa em virtude do falecimento da sua mulher na semana passada. Apresentou a exposição a comissária Laura Serani (na fotografia).
Esta exposição marca o início do Festival Pontes para Istambul, mostra de fotografia, literatura, cinema e música até 1 de Abril. O jornal do festival, com o programa detalhado, ilustrado com fotos de Ara Güler, está disponível em Festival Pontes para Istambul.
Texto e imagem de Carlos Filipe Maia, a quem agradeço.
JOANA VASCONCELOS
Joana Vasconcelos (Paris, 8 de Novembro de 1971) inaugura hoje, no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, a sua primeira exposição antológica. Intitula-se Sem rede e é comissariada por Miguel Amado.
JOANA VASCONCELOS NO PROJECTO JARDIM BORDALLO PINHEIRO
Joana Vasconcelos, no projecto Jardim Bordallo Pinheiro, no Museu da Cidade, Lisboa. Ideia de Catarina Portas, quando a empresa de faiança que pertenceu a Rafael Bordallo Pinheiro ameaçava fechar por falência, com a ceramista Elsa Rebelo responsável por recuperar os moldes originais da peça de Bordallo Pinheiro. São peças de cerâmica em dimensões exageradas, como cães, gatos, macacos, caracóis, répteis, peixes, batráquios, lagostas. Bordallo Pinheiro concebera essas espécies em cerâmica para decorar o pavilhão português na Exposição Universal de Paris (1889) [ler mais no sítio do Museu da Cidade]. O projecto custou 120 mil euros à autarquia lisboeta.
JOGOS DE ESPELHOS
Jogos de Espelhos foi o título escolhido para a nova exposição (sexta) da colecção António Cachola no Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE), inaugurada hoje ao fim da tarde. O nome é retirado de um conjunto escultórico de José Pedro Croft em ferro, vidro e espelhos. A explicação e a articulação com as outras peças é mostrada no primeiro vídeo abaixo, onde João Pinharanda, director de programação do museu, fala.
A exposição ocupa dois espaços, um no museu e outro no paiol de Nª Senhora da Conceição. No primeiro, para além do citado José Pedro Croft, expõem-se nomeadamente obras de Pedro Cabrita Reis, Filipa César, Alexandre Farto, Inês Botelho, João Jacinto, Edgar Martins, Maria Lusitano, João Onofre, Luís Palma, Mauro Cerqueira, Noé Sendas, Isabel Simões, Fátima Mendonça, Daniel Barroca, Pedro Portugal, Ricardo Leandro e César Engstrom, João Louro, João Paulo Feliciano e Joana Vasconcelos. No paiol, arranjado para o efeito, há esculturas e instalações de Rui Sanches (segundo vídeo), Fernanda Fragateiro e Nuno Silva. O terceiro vídeo contém uma curta declaração do coleccionista.
A sexta exposição da colecção mostra obras de cariz diverso mas unidas numa característica comum, a de peças nunca apresentadas em outras ocasiões, por falta de oportunidade temática, espaço de montagem, condições de apresentação ou por recente aquisição. A colecção António Cachola está aberta a várias tendências da arte contemporânea e aos artistas portugueses, com perspectivas de reflexo e reenvio, de multiplicação e fragmentação (texto de João Pinharanda, no folheto da exposição). A exposição está patente até 4 de Julho e, em Setembro, estará visível no Centro Cultural de Belém, Lisboa, por troca de peças da colecção de Joe Berardo, que será visitável no MACE.
EXPOSIÇÃO NO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE ELVAS
No próximo sábado, dia 23 de Janeiro, pelas 18:00, inaugura uma exposição no MACE -Museu de Arte Contemporânea de Elvas, intitulada Colecção António Cachola: Jogos de Espelhos.
Recupero agora a entrevista e visita guiada pelo próprio António Cachola, em Abril de 2009.
RODCHENKO & POPOVA
Aleksandr Rodchenko [Александр Родченко] e Liubov Popova [Любо́вь Попо́ва] foram as personagens mais influentes na exploração do construtivismo, através da linguagem da abstracção geométrica. Precedida pela ruptura do suprematismo de Malevich e acrescida pelos ideais trazidos pela revolução de 1917, a geração de Rodchenko e Popova traz para a arte a vanguarda militante, a que mistura um corte radical com a arte considerada burguesa, a da representação pictórica da realidade, com um modelo inspirado na arquitectura, na colagem, na indústria e nas máquinas, pressupõe também a substituição do modelo expositivo em que o museu é um espaço de conteúdo (Borja-Villel, catálogo da exposição).
O construtivismo, iniciado com a exposição 5×5=25 e a participação no pavilhão russo da Exposition des Arts Décoratifs et Industriels Modernes (Paris, 1925), é ainda definido como o fluxo das coisas na sua permanência, a relação entre a obra e o contexto espacial e entre o espectador e o texto. A nova ideologia estética junta outros artistas, como Varvara Stepanova [Варвара Степанова], mulher de Rodchenko, Varvara Bubnova, Nadezhda Udaltsova [Надежда Удальцова] e Alexandra Exter [Александра Экстер].
No catálogo da exposição, escreve Margarita Tupitsyn que os construtivistas convenceram-se que as formas não objectivas desempenhariam um papel chave na transformação da sociedade após Outubro de 1917. Rodchenko e Popova nomearam o construtivismo como a arte de produção, juntando collages abstractas e bordados de camponesas (em Popova), e ainda mobiliário, decoração, murais, desenhos, desenho gráfico, fotografia, cartazes, símbolos políticos, capas de revistas, cenários de teatro, cinema. Em 1918, fundava-se a Oficina dos Museus, dirigida por Rodchenko, artista bem engajado no compromisso comunista, e que começou a comprar e distribuir obras vanguardistas pelos museus regionais, traduzindo-se em dinheiro para os artistas envolvidos na sua produção. O conceito de pintor como artista isolado não fazia parte do novo ideário. Em finais de 1918, a obra de Malevitch, Quadrado negro, fez rebentar forte polémica, o que levou Rodchenko e os colegas à ruptura com o suprematismo e à apologia do construtivismo. A primeira exposição inaugurava-se na Primavera de 1919, ano de aproximação de Rodchenko e Stepanova a Kandinsky, em casa de quem viveram durante algum tempo, temperando as suas obras com o expressionismo deste. Já em 1921, o grupo dos construtivistas rebelava-se contra Kandisnky e a sua psicologia da percepção. 1921 foi ainda o ano de aproximação do grupo ao cineasta Dziga Vertov, com o seu noticiário Kino-Pravda (Cinema Verdade).
Christina Kiaer, no mesmo catálogo da exposição, prefere destacar a questão do género, realçando o facto de Popova ser mulher. Muito antes das lutas do feminismo na década de 1970, Liubov Popova representa um papel importante, dada a pequena quantidade de mulheres influentes nas vanguardas estéticas da Rússia soviética nas primeiras décadas do século XX. Contudo, Kiaer compara as inúmeras manifestações e exposições dedicadas a Rodchenko face a Popova para notar a assimetria entre os dois. Depois, Popova morreu cedo (e o seu filho também teve uma existência de apenas quatro anos e meio). Vestuário e desenhos de moda, cartazes e cenários para o teatro são algumas das áreas em que Popova se destacou mais.
Rodchenko e o seu construtivismo seriam marginalizados quando o realismo socialista de Estaline irrompeu e se tornou a arte oficial do regime.
A exposição patente no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madrid) tem a colaboração da Tate Modern (Londres) e de inúmeros museus que acederam a mostar obras das suas colecções.
AS LÁGRIMAS DE EROS
Se é certo que “diabólico” significa essencialmente a coincidência da morte e do erotismo, se o diabo não é ao fim e ao cabo senão a nossa própria loucura se choramos, se profundos soluços se nos desprendem – ou bem se nos domina um riso nervoso – não podemos deixar de perceber, vinculada ao nascente erotismo, a preocupação, a obsessão da morte (da morte num sentido trágico, ainda que no fim de contas, risível) [George Bataille (2007; original de 1961). Las lágrimas de Eros. Barcelona, Tusquets Editores, p. 41].
Narra J. M. Lo Duca, responsável pela escolha da iconografia, a história do livro de Bataille: “Durante dois anos, de Julho de 1959 a Abril de 1961, Bataille elabora o plano da obra, que adopta cada vez mais o cariz de uma conclusão de todos os temas que lhe foram caros. Sem dúvida, a redacção foi elaborada com muita lentidão, e As lágimas de Eros sofria constantes atrasos por causa dos acontecimentos” (p. 10). Esclarece-nos a introdução do próprio autor: “O sentido do livro é, como primeiro passo, o do abrir a consciência à identidade da «pequena morte» e da morte definitiva: da voluptuosidade e do delírio ao horror sem limites” (p. 37).
A exposição no museu Thyssen-Bornemisza e Fundación Caja Madrid tem o livro de Bataille como assunto, onde ele discute o tema clássico da relação entre Eros e Thanatos, entre a conduta sexual e o instinto da morte, no sentido do experienciar o sagrado, em que o erotismo é objecto tabu, proibição que ilumina o proibido (visita virtual aqui). Vénus, Uranus e Cronus, Adão, esfinges, sereias e serpentes, as tentações de Santo António e o martírio de São Sebastião e Andrómeda, Jacinto, Cleópatra e Ofélia, Maria Madalena e São João Baptista, lidos e interpretados na pintura europeia ao longo dos séculos. William-Adolphe Bouguereau (Banhista, 1870), John Currin, Honeymoon Nude, 1998), James White (Sem Título, 2004 ), Henri Rousseau (A encantadora de serpentes, 1907), Camille Corot (A fonte, 1869-1870), Gustave Courbet (Mulher nas ondas, 1868), Gustave Doré (Andrómeda, 1869), Franz von Stuck (Judite e Holofernes, 1927) e Man Ray (Lágrimas de vidro, 1933) contam-se entre as muito belas imagens expostas.
EXPOSIÇÃO GRAPHIAS – DO PAPEL AO PIXEL
Graphias – do Papel ao Pixel é uma exposição que abre no próximo dia 17 na Marta Traba, em S. Paulo (Brasil), sendo Saulo Di Tarso o seu curador. Este “viajou pela América do Sul, Europa e África e constatou que a produção gráfica contemporânea dos países visitados têm mais afinidades do que discrepâncias em relação às manifestações da arte no Brasil. É a globalização da produção simbólica perpassada pelos media e vazada na mais alta tecnologia” (informação do sítio do Memorial).
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EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA DE PAULO GASPAR FERREIRA
Chama-se Anima Vegetalis – Imaginário Botânico do Mosteiro de Tibães, exposição de fotografias que foram sendo engendradas por Paulo Gaspar Ferreira numa pequena cela monástica do Mosteiro de Tibães ao longo de dois anos.
Compõe-se de 70 imagens fotográficas, base de um “livro” de folhas soltas acompanhadas por textos (também soltos) da autoria do iluminista português Theodoro d’Almeida (Recreação Filosófica, 1786). As fotografias são feitas com “peças” encontradas no chão de Tibães. A edição está limitada a 300 exemplares.
O projecto nasceu da continuidade de um trabalho que o autor apresentara no Museu Amadeo de Souza-Cardoso, Espíritos Elementares – 23 simulacros. Com algas do mar de Vila Chã (Mindelo – Vila do Conde), ele tinha construido uma exposição e um livro, com textos de Casimiro de Brito, Albano Martins, Ana Hatherly, Ramos Rosa, Melo e Castro, Fernando Guimarães, Teresa Horta e outros.

Inauguração da exposição e apresentação do livro no mosteiro de S. Martinho de Tibães (perto de Braga), no dia 12 de Setembro, pelas 18:00. Anteriormente, pelas 15:30, haverá uma visita guiada ao mosteiro.
MUDE

O MUDE (Museu do Design e da Moda, à Rua Augusta, Lisboa) abriu muito recentemente as suas portas, albergando a colecção Fernando Capelo (anteriormente no CCB). Dos objectivos do museu, “Constituir um pólo museológico que dê a conhecer a todo o público, nacional e estrangeiro, a evolução do design do século XX até à actualidade” [imagem do interior do museu retirada do sítio do MUDE]. Dos públicos, “O museu dirige-se a todo o público através de uma programação variada e de espaços de encontro e lazer”.
No CCB, havia uma grande parte da colecção exposta. Apesar de bem apresentada, ela perdia-se no espaço do Centro. Agora, o que se vê é uma parcela mais pequena da colecção mas de um modo mais agradável. Podemos dizer que há mais espaço. O próprio interior do edifício, um antigo banco, conservou alguns dos elementos antigos, adaptando a forma a uma nova função. Por exemplo, o balcão do banco funciona como marcador de itinerários. Ontem, quando visitei o museu, fiquei agradavelmente surpreendido com o número de visitantes. Claro que abriu agora e a entrada é gratuita até 1 de Julho, mas a localização do museu e a importância da colecção principal que alberga são dois elementos que auguram um grande sucesso.
Esta semana, inaugurou a exposição temporária intitulada em português Ombro a Ombro, com cerca de 250 cartazes políticos, com a maior parte desses cartazes oriundo de uma colecção de Zurique, onde esteve patente até Fevereiro passado. É interessante, até porque contradiz uma ideia que expressei aqui no dia 31 de Maio, pois muitos dos cartazes mostrados possibilitam leituras ricas em termos de semiótica e de sociologia, nomeadamente.
Cito, para além dos inevitáveis retratos e cartazes de Mao, Lenine, Guevara, Schwarzenegger e Obama, os de Mitterrand, Nixon, Soares e da líder da Ucrânia Yulia Tymoshenko (imagem retirada do sítio Hyperbolic Chamber). Ou as fotografias de Francesco Vezzoli (imagens retiradas do sítio New York).
EXPOSIÇÃO DE CARTAZES POLÍTICOS
Quase 250 cartazes políticos, muitos deles pertencentes a colecção suíça, podem ser vistos a partir de hoje no Museu do Design e da Moda (MUDE), na antiga sede do Banco Nacional Ultramarino, na Rua Augusta, aqui em Lisboa. O título da exposição, que se prolonga até Outubro, é Ombro a Ombro. Podem ser vistos cartazes de líderes como Kennedy, Che Guevara e Salazar. O objectivo da exposição, disse a directora do museu, Bárbara Coutinho, é mostrar como a imagem dos políticos do século XX foi construída e desconstruída [a partir de take da agência Lusa]. Além do do Museu do Design de Zurique, há cartazes pertencentes a entidades como Comissão Nacional de Eleições, Arquivos Nacionais da Torre do Tombo, Universidade de Aveiro e Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra.
SOBRE A EXPOSIÇÃO OBSCENA: 2 ANOS EM IMAGENS
- Em 2009 queremos marcar os dois anos de existência da Obscena-revista de artes performativas com um conjunto de iniciativas que nos levem junto dos leitores e ampliem o trabalho que temos vindo a desenvolver. Foi nesse quadro que pensámos numa exposição de fotografias que desse conta dos rostos que ao longo destes dois anos foram a notícia, o tema ou o pretexto para um artigo. Juntámos o melhor das imagens propositadamente criadas para as páginas virtuais e impressas da OBSCENA, acrescentámos-lhe algumas das cartas brancas de alguns dos artistas visuais que tão generosamente acederam ao nosso convite e revolvemos o arquivo em busca das fotografias inéditas para montar uma exposição que é não mais do que um pretexto para que nos siga por mais um ano (texto da organização).
Contactos: Quarta Parede – Associação de Artes Performativas da Covilhã, Rua Celestino David, Lote 4, r/c dir., Covilhã, email: qp@quartaparede.pt
EXPERIMENTADESIGN

A Bienal ExperimentaDesign já lançou o programa da próxima edição em Lisboa, que reabre o calendário dos grandes eventos de design e criatividade internacionais (9 de Setembro a 8 de Novembro). Além de exposições, promove debates, conferências e projectos especiais realizados em locais privilegiados da capital portuguesa. Ver o blogue da ExperimentaDesign.
ARTE AO VENTO

Estremoz (até amanhã), Macedo de Cavaleiros (24 de Julho a 16 de Agosto) e Azambuja (de 3 de Setembro a 1 de Outubro) são os concelhos portugueses onde se apresenta a arte ao vento (Art al Vent). Expõem-se 104 obras que interpretam a tradição secular de exibir colchas nas varandas e representando 26 países. A mostra começou na cidade de Gata de Gorgos (Alicante, Espanha) e já passou por Teruel, Chefchauen, Aquisgran, Monschau e Kornelimünster, isto é, Espanha, Marrocos, Alemanha e, agora, Portugal. Do catálogo da exposição, retiro um comentário de María Jesús Salvá Monfort (conselheira da cultura de Gata de Gorgos): “Se, na época medieval, os palácios e as casas senhoriais enfeitavam as suas fachadas com tapeçarias, os povos mediterrânicos continuam, hoje em dia, com esta tradição. Para a passagem das procissões religiosas, as fachadas das nossas ruas vestem-se com as mais ricas colchas de seda adamascada, rendas de bilros e outras rendas” [imagens feitas em Estremoz].











































