Arquivo para ‘Imprensa’

22 Abril 2011

AUDIÊNCIAS DE MEIOS (1952)

“Todos os jornais e revistas possuem leitores, poucos ou muitos. Porém, os jornais e as revistas têm tiragens que nem sempre correspondem ao seu verdadeiro número de leitores. Há que diferenciar entre os chamados leitores regulares e os leitores ocasionais ou excepcionais, como sejam os leitores de domingo, nos jornais, ou de tiragens especiais, nas revistas” [Salviano Cruz (1952). "Problemas económicos dos jornais e revistas de Portugal e os seus leitores". A Revista de Pesquisas Económico-Sociais, 3: 303-319].

Assim, pergunta Salviano Cruz, quantos leitores tem determinada publicação? E como são qualitativamente, social e economicamente? O autor parte de um inquérito feito em Lisboa e no Porto pelo processo de amostra estruturada (embora não diga o número de inquiridos, a data em que o trabalho foi feito, qual a entidade que solicitou o estudo e a margem de erro, elementos hoje fundamentais num inquérito, mas indica haver dois estudos por ano, em Junho e em Dezembro). Trata-se, a meu ver, do primeiro texto e estudo de meios em Portugal, pelo que merece uma atenção especial.

Quanto a Lisboa, o jornal mais lido em 1952 era o Diário de Notícias, seguindo-se o Diário Popular, O Século e O Diário de Lisboa, este apresentado como “o jornal mais progressivo e dinâmico desde há 20 a 25 anos”. Além dos chamados quatro grandes, o autor faz uma classificação da imprensa independente em três grupos: 1) desportiva, com A Bola à frente, 2) política, com O Diário da Manhã à frente de A República, e 3) católica, com As Novidades e A Voz. Em Lisboa, 60% dos leitores de classe média e superior, 73% da classe média baixa e 70% de homens e 59% de mulheres lêem o Diário de Notícias; no Porto, 80% de leitores da classe média alta lêem O Primeiro de Janeiro, com 66% de homens e 43% de mulheres.

Já no tocante aos jornais do Porto, O Primeiro de Janeiro aparece à frente, seguido do Jornal de Notícias, O Comércio do Porto e o Diário do Norte. Na imprensa desportiva, O Norte Desportivo aparece à frente de A Bola e O Mundo Desportivo.

Enquanto em Lisboa a imprensa do Porto não chega aos 6%, no Porto a imprensa de Lisboa alcança 27%. Em termos de leitura regular, o Diário de Notícias atinge 57% dos leitores, a que se seguem O Diário Popular e O Século.

O impacto da publicidade junto dos leitores é um dos elementos primordiais do estudo de Salviano Cruz. Por exemplo, a publicidade a produtos higiénicos de carácter feminino no Diário de Lisboa parece pouco indicada. Por outro lado, o preço da publicidade em O Século pode não se justificar, dado o número pouco representativo de leitores que a apreciam. O autor recomenda ser pouco aconselhável economicamente fazer publicidade nos quatro principais jornais de Lisboa em simultâneo. No Porto, para os produtos populares de multidão (é a palavra usada), O Jornal de Notícias é o segundo mais indicado. Destaca-se a atitude menos receptiva à publicidade por parte de O Primeiro de Janeiro.

Salviano Cruz chama a atenção para as estatísticas inflacionadas de tiragem e de vendas apresentadas pelos jornais.

Quanto a revistas, o estudo conclui que 17% da população de Lisboa e 42% da população do Porto não lê revistas. As mais lidas são O Século Ilustrado (45 mil leitores), A Flama (cerca de 43 mil leitores), Modas e Bordados (quase 38 mil leitores). Os leitores regulares predominam sobre os ocasionais. Se O Século Ilustrado é lido pela classe média superior para cima e tem mais leitores masculinos no Porto e femininos em Lisboa, A Flama é lida pela classe média baixa, principalmente no Porto, com maior afluência de leitores católicos. Modas e Bordados e Eva são publicações para mulheres e As Selecções do Reader’s Digest tem na classe média alta o maior número de leitores.

Dos assuntos mais lidos nos jornais, primeiro vem o noticiário internacional e depois o nacional. Os leitores de O Século também gostam de ler os editoriais e o caso do dia (penso que crime ou outro assunto do dia) e os leitores do Diário de Notícias apreciam os anúncios e a secção Cidade.

O autor, na parte final do seu artigo, volta ao tema da publicidade. Escreve ele que, em contraste com as dificuldades da publicidade na imprensa, a da rádio está em aperfeiçoamento, além de que existem cerca de 600 mil aparelhos espalhados pelo país. O maior jornal não ia além de 90 mil leitores, o que indica uma maior concorrência entre os meios. A televisão ainda não tinha chegado e baralhado de novo as estimativas.

5 Fevereiro 2011

>ELLE E OUTRAS REVISTAS MUDAM DE MÃOS

>O grupo francês Lagardère, até agora o maior editor de revistas no mundo, cede 102 títulos publicados em 15 países (com excepção da França) ao grupo americano Hearst por 651 milhões de euros. A Elle, que conta 42 edições em todo o mundo, é uma das publicações em questão (fonte: J.-M. Nobre Correia, texto publicado hoje no Diário de Notícias).

29 Janeiro 2011

>IMPRENSA E INTERNET

>Na sua coluna do Diário de Notícias publicada hoje, J.-M. Nobre-Correia escreve sobre sucessivas crises que abalaram a imprensa: a rádio nas décadas de 1940 e 1950, a televisão nas décadas de 1960 e 1970, a perda dos monopólios com proliferação de rádios e televisões nas décadas de 1970 e 1980, a internet com abundância de fontes de informação e interactividade e possibilidade de criação de media nas décadas de 1990 e 2000. Para combater a quebra de vendas, abriram-se portas à “economia da gratuidade” e a passagem das “informações de serviço e dos classificados esvaziou seriamente duas funções sociais primárias dos jornais”. Mas a internet não permitiu atingir os resultados esperados em termos de pagamento das consultas, de assinaturas e de receitas publicitárias. O novo tablet da Apple parecia alterar esta situação, mas J.-M. Nobre-Correia apresenta razões para um novo falhanço.

22 Dezembro 2010

AID

Fernando Alves Monteiro, 65 anos, licenciado em teologia e administrador do Diário do Minho há cerca de dez anos, foi eleito presidente da Associação da Imprensa Diária (AID). A AID engloba todos os jornais diários regionais e procura representar, defender e promover os interesses empresariais dos seus associados, além de salvaguardar a liberdade de expressão e de pensamento (a partir de notícia do Público).

Os primeiro e segundo vice-presidentes são Adriano Callé Lucas (Diário de Aveiro) e José Miguel Piçarra (Diário do Sul). Este último presidiu já aos destinos da AID. Igualmente, Alves Monteiro fora já vice-presidente da associação.

2 Novembro 2010

PRACTICES AND CONSUMPTION OF CHRISTIAN PRESS READERS

In 2009, the Portuguese Christian Press Association (AIC, Associação de Imprensa de Inspiração Cristã) held a survey of publications that belongs to the Association, with 22 questions. The CESOP (Centro de Estudos de Sondagens e Opinião Pública, Centre for the Study of Polls and Public Opinion) from Catholic University of Portugal was responsible for this survey and its analysis. There were a total of 997 answers from valid surveys, concerning a total of 36 publications. It was not my intention to project the idea of a community of knowledge (Zelizer), nor to work on concepts such as passive or critical audiences (Hall), but to look into a specific set of publications (daily, weekly, fortnightly, monthly) included in the association. The production of this survey had several objectives, the first of which was to know the readers of the publications identified with religious ideals. Then, the intention was to find out the receptivity of those readers to advertising, as well as relating local, national and international news, with the objective of calculating the interaction in reading between regional and global topics.

19 Agosto 2010

PUBLICIDADE VERSUS JORNALISMO

Samuel Godinho, director-geral executivo da agência Carat Portugal, à revista “Pública” (Público, de 8 de Agosto último) falou da relação da publicidade com o jornalismo e da existência da imprensa. Para ele, a imprensa “tem de se redimensionar, reinventar do ponto de vista de conteúdos, olhar cada vez mais para o que o consumidor quer [...] As empresas estão por vezes distraídas, não têm acompanhado as dinâmicas do mercado e a evolução geracional do consumo. Os índices de leitura da população não aumentaram o que não quer dizer que os jovens estejam a ler menos, e estarão porventura muito mais informados do que a geração dos seus pais. [...] Têm acesso à informação de outras formas”.

O enunciado deste responsável da Carat Portugal merece reflexão, dada a importância das afirmações. Reconhece que os índices de leitura não aumentaram mas crê que haja mais informação acedida e consumida, o que parece uma contradição. Considera que há empresas distraídas na concepção dos seus modelos de negócio, desacompanhando as novas tendências. A meu ver, as empresas de media que actuam nos mercados considerados tradicionais – caso da imprensa em papel – têm trabalhado na internet mas ainda não encontraram um modelo rentável. Isso acontece em todo o Ocidente e não é problema apenas em Portugal. O responsável da Carat Portugal indica ser necessária a reinvenção de conteúdos, mas não sugere que tipo de reinvenção. Isto é, apontam-se os problemas mas surge uma dificuldade em apresentar soluções.

Talvez mais perto das soluções estejam Lennart Weibull & Åsa Nilsson, no texto editado este ano “Four decades of European newspapers: structure and content”, no livro de Jostein Gripsrud e Lennart Weibull, Media, markets & public spheres. Para os autores, há tendências precisas: aumento do preço dos jornais, quebra de publicidade por migração para a internet, aparecimento de jornais gratuitos. Mas também mais suplementos (muitos com linha editorial própria), fragmentação (com alargamento de temas culturais, económicos e desportivos, por exemplo), apropriação de bandeiras da imprensa tablóide pelos jornais de qualidade (como a ilustração editorial do tema central da edição, mais espaço para temas de consumo, bem-estar, entretenimento e “fofocas”). Estas linhas talvez indiquem o futuro da imprensa, a sua reinvenção, além do retrato dos problemas por Samuel Godinho, mesmo que desagradem a defensores de um modelo específico de imprensa.

30 Junho 2010

IMPRENSA LOCAL E REGIONAL: UM RETRATO ACTUAL

Foi hoje apresentado o estudo A imprensa Local e Regional em Portugal, da ERC.

O estudo decompõe-se em diversas fases, com diferentes metodologias: trabalho de campo (entrevistas a responsáveis dos meios locais e regionais), inquérito e análises financeira e jurídica. No inquérito, responderam 411 de um universo de 689 publicações. 80% destas publicações foram fundadas desde a década de 1980, o que significa juventude, 45% das quais têm versão electrónica da edição em papel. Dos jornalistas, 44,4% possuem carteira profissional de jornalista, 80,3% desempenha uma só função na publicação. 52,1% das publicações respondentes conta com menos de cinco colaboradores e 18,5% tem de 5 a 8 colaboradores, enquanto 18,5% não tem qualquer jornalista ao seu serviço. A publicidade comercial é a principal fonte de rendimento das publicações, seguindo-se assinaturas, publicidade institucional e venda em banca. De modo interessante, 31,9% são sociedades limitadas por quotas e 16,1% são fábricas de Igreja, traçando dois perfis de imprensa local e regional. A primeira tem mais colaboradores, títulos em papel e em formato electrónico e pertencem a grupos de media; a segunda tem menos colaboradores, títulos e uma periodicidade de edição mais alargada (quinzenal, mensal).

Da leitura do CD-Rom, retiro os seguintes dados: “A informação domina mais de metade da área impressa de três quartos das publicações analisadas (75,5%); a opinião ocupa até 20% da área impressa em 75,0% do total de publicações em estudo; o entretenimento, preenche uma proporção inferior a 10% da superfície impressa em 58,4% das publicações, estando ausente em 37,0% dos títulos em análise” (p. 437).

Seguindo estudos da Marktest, o trabalho agora apresentado traça o seguinte perfil dos leitores das publicações locais e regionais: mais homens (55%) do que mulheres, faixas etárias dos 25 aos 44 anos (41,3%), classes média baixa e média média (62,5%), reformados, pensionistas e desempregados (21,7%) (pp. 231-234).

Quanto a conclusões apresentadas na sessão da manhã (aquela onde pude estar presente), saliento: desenvolvimento de estratégias multimedia, integração em grupos de comunicação social, existência de projectos exclusivamente na internet, inexistência do controlo de tiragens, acesso nem sempre possível às fontes de informação, escassez de publicidade comercial, critérios de transparência na distribuição da publicidade, porte pago.

A ficha técnica do estudo tem os seguintes nomes – supervisão: Azeredo Lopes e Estrela Serrano; coordenação: Carla Martins e Telmo Gonçalves (ambos da Unidade de Análise de Média da ERC); analistas: Catarina Páscoa, Eulália Pereira, Pedro Puga (todos da Unidade de Análise de Média da ERC); Rui Mouta, Departamento Juridico da ERC; Henrique Dias Gonçalves, Gabinete de Estatística da ERC; Carla Oliveira (analista de media, colaboração externa); análise económico-financeira: Paulo Faustino, investigador, Media XXI – Consulting Research/Universidade do Porto.

26 Junho 2010

ESTUDO DE IMPRENSA LOCAL E REGIONAL

Apresentação do estudo da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), A imprensa local e regional em Portugal, no dia 30, na Fundação Calouste Gulbenkian. Coordenação do estudo de Carla Martins e Telmo Gonçalves, ambos da Unidade de Análise de Média (ERC).
Lê-se no sítio da ERC: “O estudo é o primeiro a realizar uma abordagem transversal deste sector da imprensa, abrangendo as suas dimensões mais relevantes, entre as quais se destaca a caracterização geral do sector; um “diário de campo” elaborado com base em testemunhos de responsáveis de jornais locais e regionais; um enquadramento jurídico do sector; uma análise económico-financeira; uma análise dos públicos da imprensa local e regional; os resultados de um inquérito às publicações do sector; uma análise morfológica e de conteúdo de publicações locais e regionais e um levantamento das deliberações e decisões da ERC sobre este sector no ano de 2009″.

20 Maio 2010

LIBERDADE DE IMPRENSA

“O relatório [sobre liberdade de imprensa], elaborado pela deputada comunista Rita Rato, conclui que as condições do exercício da liberdade de imprensa em Portugal têm vindo a diminuir e que o cenário começa a ser preocupante devido a uma complicada relação entre o poder económico, a política e os media e em especial o condicionamento crescente dos dois primeiros sobre a comunicação social” [Público de hoje].

22 Março 2010

100 ANOS DE IMPRENSA NA BATALHA

Na exposição 1909-2009 – 100 Anos de Imprensa no Concelho da Batalha, podem ver-se as capas dos primeiros números de jornais ao longo de um século como Batalha Nova, A Voz do Lena, Jornal da Golpilheira e Jornal da Batalha, este a celebrar o seu vigésimo aniversário. Há também máquinas fotográficas e de escrever antigas, para além de uma breve cronologia com os principais momentos da história do jornalismo, contributos para a compreensão da história local. Local do evento: Galeria de Exposições Mouzinho de Albuquerque (Batalha, mesmo ao lado do mosteiro), patente até 28 de Março, das 14:00 às 17:30.

[obrigado a Francisco Vicente pela informação]

18 Março 2010

THE INDEPENDENT

Após muitas negociações para a venda dos jornais The Independent e The Independent on Sunday, sabe-se que estes títulos irão pertencer a Alexander Lebedev, um milionário russo. Ontem, a secretaria de Estado para os Assuntos Comerciais do Reino Unido indicou não ser necessário investigar se havia matéria de concorrência, o que significa luz verde para o negócio.

O jornal vai custar uma libra a Lebedev, mas ele tem de fazer face a perdas de 10 milhões de libras anuais num jornal lançado em 1986. As negociações começaram em Dezembro último (fonte: editorsweblog.org).

18 Março 2010

O REAPARECIMENTO DO FRANCE-SOIR

O jornal France-Soir, um título histórico dos media franceses, foi relançado ontem por Alexander Pugachyov, filho do mais rico oligarca da Rússia. Além de um investimento forte em publicidade, foram publicados 500 mil exemplares a um valor de capa de 50 cêntimos, metade do preço dos concorrentes Le Parisien, Le Monde e Le Figaro (fonte: European Journalism Centre).

10 Fevereiro 2010

TESE DE DOUTORAMENTO

Foi hoje à tarde defendida a tese de doutoramento de Marisa Torres da Silva As cartas dos leitores na imprensa portuguesa: uma forma de comunicação e debate do público, na Universidade Nova de Lisboa. Foi classificada com a nota mais alta. No pequeno vídeo a seguir, a nova doutora diz quais são os principais pontos do seu trabalho.

10 Fevereiro 2010

AFINIDADES COM A IMPRENSA, SEGUNDO ESTUDO DA MARKTEST

“A análise dos dados do Bareme Imprensa da Marktest permite concluir que os indivíduos da classe social alta são os que possuem maior afinidade com a imprensa, revelando um consumo superior à média” (fonte: Marktest).

Diz o mesmo relatório que, a partir das principais variáveis sociodemográficas, quadros médios e superiores, homens, jovens, indivíduos da classes sociais mais elevadas e residentes nas regiões da Grande Lisboa e do Grande Porto apresentam também valores acima da média. Ao contrário, reformados e pensionistas, domésticas, indivíduos do Interior Norte e do Sul, pertencentes à classe social baixa e idosos com mais de 64 anos evidenciam hábitos de leitura de imprensa abaixo da média do universo.

5 Dezembro 2009

PRINTERNET. COMPARING TWO COMMUNICATIONS REVOLUTIONS: PRINTING AND THE INTERNET

Call for papers for an international colloquium at Tel Aviv University, on June 6, 2010. Scholars wishing to participate are invited to send a 500 words abstract to Prof. Jerome Bourdon, before January 30, 2010.

30 Outubro 2009

AS REVISTAS HUMORÍSTICAS NA COLECÇÃO DA HEMEROTECA MUNICIPALDE LISBOA (SÉC. XIX E XX)


Conferência Humor e Jornalismo Gráfico no Estado Novo: o bissemanário humorístico Os Ridículos, por Álvaro Costa de Matos (HML/Centro de Investigação Media e Jornalismo).

Data: 12 de Novembro, às 18:00. Local: Sala do Espelho da Hemeroteca. Mais informações aqui.

5 Junho 2009

RECOMENDAÇÕES PARA A IMPRENSA

O American Press Institute recomenda um conjunto de cinco pontos para a recuperação da indústria da imprensa (ver em editorsweblog.org, de ontem), em que o primeiro considera a migração, no conteúdo online, do acesso gratuito para o pago, em três opções: micropagamentos, subscrições e modelo híbrido. Ler na totalidade aqui.

29 Abril 2009

CARLA BAPTISTA NA HEMEROTECA MUNICIPAL

O CONTEXTO DA IMPRENSA PORTUGUESA DURANTE O MARCELISMO

Hoje, dia 30 de Abril, pelas 18:00, na Hemeroteca, na rua São Pedro de Alcântara, 3, em Lisboa. Carla Baptista é docente na Universidade Nova de Lisboa.

4 Março 2009

DIÁRIO DE NOTÍCIAS, JORNAL DE NOTÍCIAS E OUTROS DO GRUPO CONTROLINVESTE

  • Mais de centena e meia de pessoas, a maioria pertencente aos quatro jornais da Controlinveste, manifestaram-se hoje em frente ao edifício do Jornal de Notícias, no Porto, em protesto contra os 119 despedimentos anunciados pelo grupo. Entre os manifestantes encontram-se boa parte dos despedidos, mas também muitos trabalhadores não abrangidos pela medida – jornalistas e não jornalistas – pertencentes aos quadros dos quatro jornais do grupo, que inclui o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias, o 24 Horas e o diário desportivo O Jogo (Público Última Hora, 18:21).

O Diário de Notícias surgiu a 1 de Janeiro de 1865, ao preço de 10 réis. Um dos traços marcantes do jornal foi eliminar o artigo de fundo, pois “não discute política, nem sustenta polémica”. A imprensa noticiosa substituia a de opinião. A tiragem inicial foi de 5 mil exemplares, subindo para 9600 no final do primeiro ano. Desde o princípio, a sua venda foi feita por vendedores ambulantes, os ardinas, que apregoavam o jornal. Ao fim de dois meses de publicação, o jornal tinha 30 vendedores ao seu serviço, que recebiam dois réis por exemplar [em José Tengarrinha (1965). História da Imprensa Periódica Portuguesa. Lisboa: Portugália]. Na edição de 18 de Fevereiro de 1865, o Diário de Notícias trazia uma referência ao novo Jornal de Notícias (Porto), que havia adoptado uma forma de venda semelhante, copiando ainda o programa literário e administrativo do Diário de Notícias. A revolução do jornal de Lisboa espalhara-se ao país.

8 Janeiro 2009

"SEXTA" FECHA

A próxima edição do Sexta já não vai sair. O semanário gratuito pertencia às empresas editoras do Público e de A Bola e foi lançado em Outubro de 2007.

26 Novembro 2008

200 ANOS DE HISTÓRIA DOS MEDIA DO NORDESTE BRASILEIRO


O Simpósio 200 Anos de História da Mídia do Nordeste decorre de hoje a sexta-feira no Teatro do Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza (ver programa no jornal online O Povo).

Memória, história e media; Imprensa e práticas de poder; Os regimes de excepção e o exercício do jornalismo; Publicidade como espaço de memória e história; Estudos sobre a história dos media no país; A rádio e o quotidiano das cidades; Biografias: entre o jornalismo e a história; Televisão, memória e história; O cinema e a invenção do Nordeste; e conferência de Peter Burke (Universidade de Cambridge) Jornalismo na História – eis as coordenadas principais do encontro. Peter Burke, em entrevista ao jornal O Povo – que eu aconselho a ler na totalidade -, diria, entre muitas outras coisas, que

  • Se deixarmos os aspectos técnicos de lado, provavelmente é melhor não nos concentrar no processo de industrialização de forma isolada, mas olhar para as mudanças ao longo dos últimos 200 anos. Nesse caso, o que imediatamente nos vem à cabeça é o processo que, se quisermos, podemos chamar de “democratização”, mas, se preferirmos, chamamos de “popularização”. Por exemplo, jornais de baixo custo foram comprados e lidos amplamente por membros das classes trabalhadoras dos Estados Unidos e em alguns países da Europa do final do século XIX em diante. Mas esses jornais não eram simplesmente mais baratos, eles também foram remodelados para atender aos apelos de um público mais vasto, adotando um estilo muitas vezes descrito como “sensacionalista”. Havia mais fotos, mais carga dramática nas manchetes, notícias mais curtas, menos temas políticos e mais notícias de “interesse humano”.
9 Novembro 2008

MUSEU DA IMPRENSA NACIONAL, BRASÍLIA


O Museu Nacional da Imprensa fica no Sector da Indústria Gráfica (SIG), Quadra 06, Lote 800, em Brasília, desde 1982. Ouvimos o seu responsável, Rubens Cavalcanti Jr., falar do museu e da ligação da imprensa nacional à chegada da corte real portuguesa ao Rio de Janeiro em 1808, há duzentos anos atrás, portanto:

19 Outubro 2008

RECEPÇÃO CULTURAL


Na edição do Público de ontem, li com atenção artigos de três colunistas do caderno P2: Pedro Mexia sobre Audrey Hepburn, Eduardo Cintra Torres sobre narrativas e folhetins nos media (imprensa, rádio, televisão) e José Pacheco Pereira sobre as leituras infanto-juvenis da sua geração.

Cada um dos textos reflecte sobre memórias geracionais, sobre cultura popular e recepção cultural, atendendo ao conhecimento aprendido pelo indivíduo ou pela geração num determinado local cultural. A ideia central que retiro da leitura de textos de autores de duas gerações diferentes (arrumo Cintra Torres ao lado de Pacheco Pereira, embora aquele seja mais novo do que este) é a do forte impacto que produtos culturais exercem na sua juventude e que perduram como dos mais importantes na sua formação intelectual. Se em Mexia há a memória pessoal, embora ele seja novo demais para ter assistido à estreia dos filmes de Hepburn e coleccionado postais, fotografias, entrevistas ou outra memorabilia sobre a actriz, nos dois outros escritores essa memória é feita de comparações de culturas (alta e popular), de meios (revistas, livros, banda desenhada, rádio, televisão), onde as interpenetrações são evidentes, e de imagens.

Fico com uma pequena nota que retiro do texto de Pacheco Pereira: “O meu primeiro contacto com Xenofonte foi uma banda desenhada num livro de Português do ensino técnico, então tido como um ensino menor. Talvez por isso os puristas dos livros únicos permitiam uma banda desenhada em vez de excertos eruditos da Anábase que deviam ir para os liceus, porque era para os de «baixo», que queriam ser serralheiros, montadores electricistas ou mecânicos de automóveis”.

24 Setembro 2008

COLÓQUIO INTERNACIONAL 1808-2008 DOIS SÉCULOS DE IMPRENSA


Realiza-se, em 2 e 3 de Outubro de 2008, o Colóquio 1808 – 2008. Dois Séculos de Imprensa organizado pelo Grupo de Investigação Estudos de Comunicação e Educação (coordenado por Isabel Vargues, docente da Universidade de Coimbra e investigadora do CEIS20, Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX). O objectivo é “aprofundar temas relacionados com a história da imprensa e dos meios de comunicação nos séculos XIX e XX bem como apontar novos desafios”. Local: Auditório da Universidade de Coimbra.


O programa é o seguinte:

2 de Outubro (Quinta-feira)
9:30 – Sessão de Abertura
10:00 – Conferência de Abertura – José Marques de Melo (Universidade Metodista de S. Paulo) .
Apresentação por Isabel Ferin (FLUC/CIMJ)
11:00 Mesa Redonda – A Imprensa no Século XIX. Moderação: João Rui Pita (FFUC / CEIS20)
Intervenientes: Ana Teresa Peixinho (FLUC / CEIS20) – «Jornalismo e Literatura no século XIX: uma introdução»; Isabel Nobre Vargues (FLUC / CEIS20) – «O Conimbricense, um jornal exemplar na imprensa local e nacional»; José Miguel Sardica (UCP) – «“Parler le language des foules”. Napoleão e a opinião pública em Portugal (1807-1809)»
14:30 – Mesa Redonda – O Jornalismo no século XX. Moderação: Mário Matos e Lemos (CEIS20). Intervenientes: José Carlos Abrantes (Ex-Provedor do Leitor Diário de Notícias) – «Imprensa e Internet: da conversa de café à CNN do Século XXI»; Carlos Camponez (FLUC / CIMJ) – «Da vulgata localista à vulgata da proximidade – crítica da economia de proximidade dos media»; João Figueira (FLUC / CEIS20) – «A luta política como critério noticioso»
16.00 – Comunicações Livres – Apresentação: Luís Mota ( ESEC/CEIS20). Intervenientes: João Rui Pita (FFUC / CEIS20) – «Farmácia, Medicamentos e Saúde Pública na Minerva Lusitana»; Lennon Schneider (Mestrando na UC) – “Hipólito José da Costa e o Correio Braziliense – pioneiros do jornalismo luso-brasileiro”; Noémia Malva (CEIS20) – «O Jornal República Portuguesa e o jornalista João Chagas»; Marco Gomes (Doutorando na UC) – «A imprensa portuguesa na Revolução de Abril: novas formas de comunicar política»
3 de Outubro (Sexta-feira)
9:30 – Mesa Redonda – Novos Desafios dos Media. Moderação: Maria João Silveirinha (FLUC / CIMJ). Intervenientes: Clara Almeida Santos (FLUC / CEIS20) – «Dos mass media aos mess media?»; Sílvio Santos (FLUC / RDP) – «Para onde vai a rádio? Perspectivas de desenvolvimento do sector privado e do serviço público»; Bruno Vicente (Diário de Coimbra) – «Jornalismo Regional: mecânicas de trabalho»
11:15 – Conferência de Encerramento – Jesus Timóteo Alvarez (U. Complutense de Madrid) – «Revoluciones Inutiles». Apresentação por Isabel Nobre Vargues (FLUC /CEIS20)

23 Junho 2008

"IMPRENSA DE CORAÇÃO" EM DEBATE EM ARANJUEZ


El periodismo rosa a debate, eis o título do curso de Verão dirigido pelo professor Juan Luis López-Galiacho, de 30 de Junho a 4 de Julho, em Aranjuez (Espanha), organizado pela Universidad Rey Juan Carlos.

O curso trabalhará casos e conceitos tipo deste género jornalístico no panorama espanhol e internacional, onde o entretenimento, a fofoca e o sensacionalismo são elementos mais importantes que a informação. Participam profissionais espanhóis da imprensa de coração, como Chelo García Cortés, María Patiño, Jesús Mariñas e María Teresa Campos.

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