Arquivo para ‘Jornais’

8 Abril 2011

JORNAL SOL

A administração do semanário Sol passou a assegurar a direcção comercial do semanário (Meios & Publicidade).

5 Março 2011

>RIGOR E CREDIBILIDADE DA INFORMAÇÃO

>“Os jornais têm como missão clássica informar o público. A informação inclui notícias, reportagens, comentários, entrevistas e análises. Mas, como repositórios de informação, os jornais podem ser também produtores de serviços. Um jornal pode seleccionar informação relevante para um leitor tendo em conta a sua localização [...]. Mas, para além da informação, um jornal pode também oferecer a possibilidade de aquisição de serviços, algo que já existe nos portais. [...] A vantagem de um jornal como o Público sobre a web [...] tem a ver com o rigor e credibilidade da informação” (António Câmara, director da edição de hoje do Público, comemorativa dos 21 anos de existência do jornal).

28 Dezembro 2010

QUEBRA DE VENDAS DOS JORNAIS

Venda de jornais nos dez primeiros meses do ano quando comparada com igual período de 2009:

Correio da Manhã: 126.719 jornais por dia (mais 6,9%),
Jornal de Notícias: 84.815 ( menos 7,2%),
Público: 33.923 (menos 10,7%),
Diário de Notícias: 30.040 (menos 12,7%),
i: cerca de 10 mil (menos 17,5%).

Fonte: Público

13 Setembro 2010

NOVO DIRECTOR DO EXPRESSO

A partir de Janeiro de 2011, Ricardo Costa substitui Henrique Monteiro à frente do jornal Expresso. Monteiro vai assumir o cargo de administrador não executivo da Impresa e a direcção e coordenação editorial da área de novas plataformas. “O Grupo Impresa está absolutamente convicto de que o futuro da imprensa passa, em grande medida, pelo inevitável crescimento das plataformas móveis, dos tablets em geral e do ipad em particular. Acredita pois, que é sua obrigação definir uma estratégia de crescimento para os próximos anos que seja coerente com esta visão, não hesitando em investir meios nem em alocar os seus melhores recursos à sua eficaz prossecução” (notícia do Público on line).

3 Setembro 2010

UMA CAPA DE JORNAL

O que domina a actualidade mediática portuguesa de hoje é a divulgação do acórdão do tribunal que julga o processo Casa Pia (pedofilia) há cerca de oito anos. Não vi ainda televisão, mas haverá um corropio de imagens do julgamento mais mediático em Portugal, tema triste e lamentável. A capa do Público de hoje reserva a parte superior ao regresso de Alexandra Lencastre ao teatro, para interpretar Blanche DuBois na peça de Tennessee Williams, Um eléctrico chamado desejo. Dentro do jornal, Eduardo Cintra Torres escreve sobre as tapeçarias de Pastrana, encomendadas pelo rei Afonso V, panos de armar com quatro metros de altura e 10 de largura, e compara-as a grandes acontecimentos mediáticos com a visão dos conquistadores (quando lá foi, o blogueiro teve muita vontade de tocar os panos com os dedos).

16 Julho 2010

BAREME IMPRENSA, SEGUNDO TRIMESTRE 2010

Nos jornais diários, segundo o Bareme Imprensa da Marktest, o Correio da Manhã apresenta a posição de jornal mais lido no segundo trimestre de 2010, com 13% de audiência (subiu), o Jornal de Notícias tem uma audiência de 11,6% (baixou), o Público mantém 4,4% e o Diário de Notícias 3,6% (subiu). Ler mais aqui.

8 Julho 2010

DIRECÇÃO DO JORNAL I

O i, diário do Grupo Lena, vai passar a ser dirigido por Manuel Queiroz e Carlos Ferreira Madeira (fonte: Sol). O primeiro director e fundador foi Martim Avillez Figueiredo, entretanto colocado no grupo Impresa na área dos novos negócios.

28 Junho 2010

FIM DO JORNAL 24 HORAS

Na sequência do que já escrevi aqui, o jornal 24 Horas vai ter a sua última edição amanhã. Outro jornal do grupo Controlinveste, o gratuito Global Notícias, terá a sua última edição na quarta-feira. Sem discutir aqui a qualidade dos dois jornais, a reflexão a fazer é a gravidade da situação dos media impressos que encerram.

24 Junho 2010

JORNAL 24 HORAS

O jornal diário 24 Horas vai fechar, com alguns dos profissionais a passarem para outros títulos do grupo Controlinveste (O Jogo, Diário de Notícias). Tablóide, o jornal teve um período de grandes vendas, contando com frequência histórias de celebridades ligadas à televisão. Em Janeiro de 2006, ficou conhecido por ter revelado elementos ligados ao processo Casa Pia. Fundado em 1998 por José Rocha Vieira, seria comprado pela PT e, depois, pela Controlinveste. Pedro Tadeu, seu director durante seis anos, foi substituído por Nuno Azinheira em Agosto de 2009.

16 Abril 2010

A DEMISSÃO DE MARTIM AVILLEZ

“Martim Avillez Figueiredo, director do diário i, do grupo Lena, demitiu-se do cargo. Numa carta dirigida à administração do jornal, Avillez Figueiredo afirma sentir-se «defraudado». [...] Segundo informação da Lusa, André Macedo, director executivo do jornal, foi convidado a assumir o cargo, mas só dará uma resposta na segunda-feira” [Público online].

Havia uma certa previsibilidade na ocorrência, a partir do momento em que sairam notícias dando conta que o grupo Lena pretendia vender o diário e os jornais regionais que detém a propriedade. Depois, ao longo dos meses de existência do i, as vendas não subiram muito. O mercado de jornais em papel está muito difícil e um diário novo enfrenta uma concorrência muito grande. A incerteza quanto ao futuro torna-se maior.

26 Fevereiro 2010

PERDA DOS JORNAIS

“No conjunto, os jornais diários caíram 6,8% face ao ano homólogo” (i, hoje, p. 8).

16 Fevereiro 2010

HISTÓRIA DA IMPRENSA PERIÓDICA DESPORTIVA PORTUGUESA, 1875-2000

É o título da tese de doutoramento que Francisco Pinheiro vai defender no próximo dia 26 de Fevereiro, pelas 10:00, na Sala de Actos da Universidade de Évora.

Para o candidato, “Fazer a história da imprensa periódica desportiva portuguesa foi o objectivo da minha investigação de doutoramento, que
englobou a análise a 940 publicações periódicas desportivas, criadas em Portugal entre 1875 e o ano 2000. A construção desta história do jornalismo desportivo português permite compreender a importância e dimensão real desta área de especialização jornalística e fazer o seu enquadramento na história dos media em Portugal e no contexto internacional. Este estudo possibilitou ainda a identificação das principais linhas editoriais e tendências discursivas subjacentes à actividade jornalística desportiva portuguesa, assim como os diferentes trajectos e retóricas, em distintos espaços e dimensões temporais”.

Desejo boas provas a Francisco Pinheiro.

Francisco Pinheiro é autor do livro A Europa e Portugal na imprensa desportiva (1893- 1945), editado em 2006 pela MinervaCoimbra. Autor de outros livros sobre o futebol e organizador de tertúlias e exposições sobre aquele desporto, no livro acima identificado propõe “identificar e caracterizar os discursos produzidos, nos principais jornais desportivos portugueses, sobre a Europa e a nossa identidade nacional”, desde o começo do primeiro jornal desportivo (1893). Esse jornal fundador foi O Velocipedista (Porto), dedicado ao ciclismo.

16 Fevereiro 2010

A COMÉDIA EM PUBLICAÇÃO

Editado pela Intellect, o jornal Comedy Studies cobre múltiplos aspectos da comédia, com artigos sobre a comédia antiga e contemporânea, entrevistas a escritores e comediantes, cartas, editoriais e análise bibliográfica. O jornal procura ser um instrumento na criação de um discurso interdisciplinar sobre a natureza e prática da comédia, como se lê no editorial do primeiro número, agora editado:

“O lançamento da publicação Comedy Studies, pela licenciatura da Universidade de Solent atrairá muita atenção em termos de discussão da comédia. Para estudantes, fãs e profissionais da comédia, a pergunta é porque não se considerou antes a atenção da universidade à milenar tradição (de Aristóteles a Chris Morris)? A revista é um passo à frente no desenvolvimento do estudo da comédia como disciplina universitária, um fórum de discussão, análise e crítica da comédia. Para o qual oferece uma plataforma mundial aos académicos, autores e leitores interessados em comédia de modo a publicarem as suas opiniões e ideias”.

21 Janeiro 2010

ACESSO PAGO À INTERNET

O jornal New York Times vai tornar-se o primeiro grande jornal a taxar o acesso à internet, introduzindo um modelo de “medição” a iniciar em 2011. Os leitores que excedam um dado número de artigos lidos passam a pagar as consultas seguintes. O magnata dos media Rupert Murdoch também tenciona cobrar os acessos aos sítios dos jornais que são sua propriedade (TimesSun e News of the World) [fonte: European Journalism Center].

20 Janeiro 2010

LEITORES DE TÍTULOS DE JORNAIS

Quase metade dos utilizadores do Google News lêem os títulos das notícias mas não clicam nos sítios dos jornais para lerem a notícia, segundo um relatório divulgado ontem (a partir da newsletter do European Journalism Center de hoje). Ver a notícia completa aqui.

20 Janeiro 2010

NOVO PROVEDOR DO LEITOR DO JORNAL PÚBLICO

José Queirós, jornalista e anterior membro de direcções editoriais do Público vai ser o próximo provedor do leitor daquele jornal, a partir de Março (fonte: Público).

Por outro lado, recordo que a tese de doutoramento de Marisa Torres da Silva, As cartas dos leitores na imprensa portuguesa: uma forma de comunicação e debate do público, será defendida no dia 10 de Fevereiro, pelas 14:30, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

28 Dezembro 2009

A ÚLTIMA COLUNA DO PROVEDOR DO PÚBLICO

Ontem, foi a última coluna do provedor do Público, Joaquim Vieira, com dois anos de mandato. Foi um provedor claro, incisivo, objectivo. Vou ficar com saudades das suas colunas.

Joaquim Vieira deixou cinco recomendações – aos jornalistas do Público. Respigo rapidamente as suas ideias: 1) pensar nos leitores antes de decidir a publicação de cada matéria, 2) dosear a agenda entre temas de interesse público e de interesse do público, 3) cumprir as regras da produção jornalística, atender ao rigor dos factos e respeitar a língua, 4) considerar também a fotografia como elemento de informação, 5) entender o Público como uma marca de informação englobando os diversos suportes existentes, o que significa que o papel é um deles e que a empresa do jornal deve apostar ainda mais no online, “pois aí reside o futuro. E não só: também noutros suportes digitais, já criados ou a criar”.

A crónica tem, para além dos jornalistas, como destinatária a administração do projecto.

2 Dezembro 2009

OS JORNAIS AINDA SÃO PRECISOS (II)

O jornal i distribui hoje uma edição especial durante o congresso da World Association of Newspapers, a decorrer em Hyderabad, Índia (fonte: Meios e Publicidade). A edição é um “best of com as melhores histórias do i e algumas páginas premiadas na Society for News Design” e coincide com a apresentação de Martim Avillez Figueiredo, director do diário, sobre o tema The Power of Print.

2 Dezembro 2009

OS JORNAIS AINDA SÃO PRECISOS (I)

Ver aqui o slideshow de José Manuel Fernandes, director do jornal Público até finais de Outubro último, Porque precisamos ainda de jornais?

1 Dezembro 2009

FINANCIAL TIMES ONLINE

The Financial Times concluiu a digitalização das suas edições, de 1888, quando o jornal foi fundado, até 2006. São cerca de 790 mil páginas de acesso online, em que os temas centrais são finanças, política e assuntos internacionais.

Fonte: guardian.co.uk.

8 Novembro 2009

NEW YORK TIMES SOBRE O JORNAL I

No jornal New York Times de hoje, o novo jornal i é tema de um artigo assinado por Eric Pfanner (a partir de Paris). O artigo começa por dizer que Portugal é dos países com menor leitura de jornais; logo, lançar um novo diário é uma grande aventura. Além disso, o investimento publicitário nos jornais desceu 40% este ano.

O jornal americano ouviu José-Manuel Nobre-Correia (professor da Universidade Livre de Bruxelas), João Palmeiro (presidente da Associação Portuguesa de Imprensa) e Avillez Figueiredo (director do jornal e detentor de 5% do seu capital). O New York Times aponta algumas características do novo jornal: parece mais uma revista que um jornal, é agrafado, não segue o alinhamento tradicional dos jornais (notícias, editoriais e páginas de opinião, economia, desporto e cultura), mas coloca os editoriais e artigos de opinião no princípio do jornal, a que se seguem histórias políticas, económicas e outras mas sem estarem desligadas umas das outras. A secção final, Mais, agrupa as notícias de entretenimento, cultura e desporto.

O jornal i atingia 16,3 mil exemplares diários em termos de vendas no passado mês de Agosto, valor ainda abaixo dos outros jornais de qualidade (Público com 37 mil e Diário de Notícias com 31 mil). A publicidade no i está abaixo das expectativas (em 45%), mas o grupo Lena, que investiu €10 milhões, está satisfeito com os resultados, esperando atingir resultados positivos em cinco anos e o pagamento do investimento em oito anos.

Martim Avillez espera criar com o i uma marca forte, alargando-a para outros media. O grupo Lena (cujo negócio central é a construção civil) tem um conjunto sólido de jornais regionais.

30 Outubro 2009

DIGITALIZAÇÃO DA GAZETA DOS CAMINHOS DE FERRO


A Hemeroteca Municipal de Lisboa tem disponível em linha a Gazeta dos Caminhos de Ferro, inicialmente com o subtítulo De Portugal e Espanha, surgiu em Lisboa a 15 de Março de 1888 e publicou-se até Dezembro de 1971. Tem quase 30 mil imagens.

5 Setembro 2009

5 DE SETEMBRO DE 1967


“Nasser mandou prender o seu antigo braço direito” (“Conspiração anulada no Cairo”), “Egípcios e israelitas lutaram no canal do Suez” e “Vão assaltar Goma os mercenários de Schramme” eram os títulos principais do Jornal de Notícias (Porto) naquela terça-feira dia 5 de Setembro de 1967. Os acontecimentos deste dia aparecem retratados na edição da quarta-feira seguinte: “Duas horas de tiroteio entre jordanos e israelitas”, “Brasil: A Frente Ampla abriu a ofensiva política”, “De Gaulle é o primeiro presidente da França a visitar a Polónia”, “Requiem pela Federação da Arábia do Sul” e “No estádio das Antas – argentinos de mau perder”.

No Porto dessa época contei oito cinemas: S. João, Águia, Batalha, Trindade (que estrearia My Fair Lady, com Audrey Hepburn e Rex Harrison, na mesma semana), Olímpia, Coliseu, Rivoli (a estrear Do Alto do Terraço, com Paul Neumann e Joanne Woodward) e Vale Formoso. Os primeiros sete estavam num perímetro bem apertado, dentro da considerada baixa da cidade. Noutra sala, a do teatro Sá da Bandeira, Raul Solnado apresentava O Fusível. Hoje, restam quatro das salas e uma outra foi convertida em espaço de culto religioso.

O que deu a televisão de canal único no dia 5 de Setembro de 1967? Com emissão a começar às 19:30, com noticiário, a culinária aparecia pela mão de Maria de Lurdes Modesto, às 19:50, hora ideal para o jantar. Às 20:15, passava o filme infantil Carrocel Mágico. Novo noticiário às 21:30, antecedendo a noite de cinema, Professora de rumba, com Wallace Beery, Jane Powell, Elizabeth Taylor, Carmen Miranda e Xavier Cugat. A emissão terminava perto da meia-noite, com o terceiro noticiário do dia.

A programação da rádio portuense (Emissores Norte Reunidos) era a seguinte: 7:00 – Bom dia, 8:00 – Almanaque, 9:00 – Rádio Placard, 9:30 – R.M., 11:00 – ORSEC, 13:00 – Electro-Mecânico, 16:00 – Ideal Rádio, 18:00 – Rádio Porto, 21:00 – Rádio Clube do Norte, 24:00 – Última Hora, 3:00 – Fecho.


Na página de programação da televisão, o Jornal de Notícias dedicava espaço ao seu folhetim Milagre do Amor e às tiras de banda desenhada Lola, O Agente Secreto X-9 e Dr. Kildare (esta inspirada na série televisiva). Na referida edição de 5 de Setembro de 1967, a página dedicada à moda trazia um texto de Aurora Jardim, Coisas vistas a correr das montras (que começava assim: “Um quadro: galinha branca e lua por cima. Tudo de branco sobre fundo bege”), texto com imagens de colecções italianas para o Outono/Inverno e uma interrogação “Como será a Moda 68 em Paris”?

Detenho-me agora no desporto, nas páginas de emprego e nas viagens. Os torneios de futebol de início de época tinham algum destaque noticioso. Na associação do Porto, o Penafiel ganhava 4-3 ao Tirsense e o Boavista 4-2 ao Leça; na associação de Lisboa, o Benfica ganhava 6-0 ao Atlético e o Belenenses 2-1 ao Sporting. No próprio dia 5 de Setembro, o F.C.Porto, treinado por Pedroto, goleava a equipa campeã da Argentina, os Estudiantes, por 5-o. Quanto a pedidos de emprego, surgiam 10 para ajudante, 21 para criada (ou rapariga), 14 para empregados (de 12 anos para cima). E promoção de viagens: circuito italiano (9000$00), Europa castiça (6200$00), Paris-Lourdes (4500$00), Lourdes Madrid (2650$00).

Um concurso do vestido de chita em S. Pedro da Cova e a morte de Ricardo Ornelas, jornalista ligado ao futebol, constituiam outras notícias de relevo. E uma notícia de ciência: a Philips anunciava um novo rádio portátil, constituído de circuitos integrados. Estavam aí as novas tecnologias a brotar. Mais pequena era a informação, com base num comunicado das forças armadas portuguesas, sobre quatro soldados mortos na frente das guerras africanas: um em combate, um de doença e dois de acidentes de viação.

Não resisto a fazer alusão a duas outras notícias: a 5 de Setembro, sobre Theodorakis (o jornal recorda que foi o compositor da música do filme Zorba) a compor na prisão, para onde fora mandado pelo exército que tomara o poder em Abril de 1967; a 6 de Setembro, sobre uma frente ampla que decidira concorrer às eleições directas no Brasil, país com regime de ditadura desde 1964. O jornalista escreveu: “Espera-se que o governo do presidente Costa e Silva mantenha apertada vigilância sobre o novo movimento que tem afirmado não ser um terceiro partido político no Brasil”. Era inevitável a simpatia pelas ditaduras.

Nesse dia, senti-me adulto. Devo ter delirado com a vitória do Porto mas não me lembro de ver o filme com Elizabeth Taylor na televisão a preto e branco nem ouvi a rádio dos Emissores Norte Reunidos (não simpatizava com a programação popular; andava muito mais pelo Em Órbita do Rádio Clube Português, onde começava a ouvir os Fairport Convention e Sandy Denny, que hoje aprecio com nostalgia). Bebia toda a informação mas faltavam ainda os contornos mais complexos. Os anos ensinar-me-iam isso. Então, sentia-me cheio de força; agora, manifesto um certo cansaço.

29 Julho 2009

ÚLTIMA TEMPORADA DE TELEVISÃO SEGUNDO O JORNAL DE NOTÍCIAS

28 Julho 2009

PÚBLICO

  • A secretária já não é a mesma e até já mudou uma dúzia de vezes. A sala já não é a mesma e também já mudou uma boa meia dúzia de vezes. Os vizinhos de secretária mudaram, as secções mudaram. Nem o edifício é o mesmo. E a rua já não é a mesma. Nem sequer o bairro. E o jornal também já não é o mesmo.

Este é o começo da última crónica de José Vítor Malheiros no Público enquanto jornalista daquele diário, “autor da casa”, como escreveu. Ele, em Setembro e em princípio, regressa apenas como cronista.

Nos vinte anos que levou de Público, o jornalista diz que assistiu a uma profunda revolução na informação. Na crónica assinada hoje, fala de equipas que coordenou: “Passámos muitas horas febris a discutir entusiasmados os novos desafios à frente dos nossos olhos – num tempo onde havia tempo e alma para discutir”. E lembrou o “capitão que iniciou o que foi uma bela aventura, Vicente Jorge Silva”. Habituei-me a ler José Vítor Malheiros, a respeitá-lo. Como ele diz a propósito do capitão e da forma de escrever jornalismo: “com honra e com paixão, usando do bom senso e sem abdicar do bom gosto, com rigor e ao serviço do público, com imaginação e com irreverência, com sentido crítico e sem subserviência perante nenhum poder”.

Sim, o Público mudou. O jornal está muito estranho. Começo a não o reconhecer.

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