Arquivo para ‘Jornalismo’

6 Abril 2011

INFORMAÇÃO NA TVI

“A nova direcção de informação da TVI, que conta desde esta semana com José Alberto Carvalho e Judite de Sousa, prepara um «reposicionamento editorial» da informação da estação de Queluz e promete, para as próximas semanas, um novo projecto cenográfico e de conteúdos” (Público).

21 Março 2011

>ELEMENTOS PARA A COMPREENSÃO DO JORNALISMO MODERNO

>Simon Vodrey apresentou um texto sobre o lugar do telégrafo na história da comunicação, em especial no jornalismo. Seguindo necessariamente Harold Innis e James Carey, usou a metodologia da análise de conteúdo num jornal durante o período da guerra civil dos Estados Unidos (1861-1865). Como pergunta de partida quis saber qual o papel do telégrafo durante a guerra e o contributo da tecnologia para o jornalismo moderno. O jornal estudado foi o New York Times, porque ficava na cidade mais populosa do país e porque era o único jornal ainda em circulação dessa época (fundado em 1851). Como conclusões, fixei as seguintes: 1) o conflito foi prolongado, o que permitiu uma recolha prolongada de informação para a sua cobertura, 2) aumento do espaço para cobertura local e comentário político, 3) o relato da guerra levou a mudanças na reportagem até aí baseada na narrativa, 4) a assinatura do jornalista nas peças que escrevia tornou-se uma característica padrão do jornalismo americano, 5) aumento das fontes de informação identificadas.

4 Março 2011

>O PÚBLICO VOLTA ÀS CAPAS BONITAS

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Depois de um período de desinspiração, o jornal Público volta às capas bonitas. Já esta semana, uma das capas tinha chamado a minha atenção, mas deixei escapar a oportunidade de a manifestar aqui. O tema de capa de hoje é excelente e bem construído, mesmo que o leitor não concorde com tudo o que está escrito. Se tiver tempo disponível durante o dia de hoje, espero voltar ao tópico.

24 Fevereiro 2011

>REVISTA JORNALISMO & JORNALISTAS

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O número mais recente da revista Jornalismo e Jornalistas tem como temas principais duas conferências internacionais (jornalismo e democracia, ciberjornalismo), modelo de webtv em Portugal, análise do sítio Wikileaks e uma longa entrevista a Carla Baptista e Fernando Correia.

Retiro um pedacinho da entrevista feita por Helena de Sousa Freitas a estes dois investigadores, com uma resposta de Carla Baptista sobre sensacionalismo: “A imprensa moderna não inventou o sensacionalismo. Os jornais contavam as histórias de incêndios ou de homicídios seguidos de suicídios com um sentido de romanesco e para grande deleite dos jornalistas e do público. Num jornal como o Diário Popular, era muito visível a preocupação em estar próximo dos leitores. Os informadores estavam nos hospitais, nos tribunais… E o telefone era a ligação ao mundo, pelo que havia sempre alguém de plantão ao pé do telefone à espera de notícias”.

23 Fevereiro 2011

>JORNALISMO E MERCADO DE TRABALHO

>O mercado de trabalho do jornalismo foi estável ao longo de décadas, mas mudou radicalmente (Singer, 2011: 103). Um terço dos jornalistas são freelancers, fazem parte de uma pool de talentos subutilizados (Hesmondhalgh, 2007). A combinação entre precariedade de trabalho, regime crescente de trabalho freelancer, difícil contexto económico dos media financiados pela publicidade e mudança do poder dos jornalistas para as audiências e os empregadores colocam um conjunto de mudanças e desafios particulares nas empresas de media (Deuze e Fortunati, 2011: 113). Inquéritos identificados por estes dois autores indicam que os jornalistas entendem a difícil e complexa situação da gestão dos media na actualidade mas ainda se interrogam sobre os factores que motivam a mudança. Por outro lado, é realçada a necessidade em investir na comunicação, formação, incentivos e recompensas. As mudanças ocorrem em simultâneo com emagrecimentos (downsizings) e layoffs, associados a equipas mais pequenas, orçamentos mais baixos e menores recursos. A negociação do contrato individual resulta em deterioração das condições de trabalho dos jornalistas: salários mais baixos, menos segurança laboral e relações de trabalho mais eventuais (número variável de horas de trabalho, rotação de emprego, flexibilização de horários). Olhando para a organização contemporânea de trabalho em situação transnacional, conclui-se pela criação de uma força de trabalho mais flexível, multitarefas e com muita mobilidade. Isto tem consequências na qualidade das notícias produzidas.

Leituras: Deuze, Mark, e Leopoldina Fortunati (2011). “Atypical newswork, atypical media management”. In Mark Deuze (ed.) Managing media work. Los Angeles, Londres, Nova Deli, Singapura e Washington: Sage
Singer, Janet (2011). “Journalism in a network”. In Mark Deuze (ed.) Managing media work. Los Angeles, Londres, Nova Deli, Singapura e Washington: Sage
Hesmondhalgh, David (2007). Cultural industries. Londres: Sage

29 Janeiro 2011

>TELEJORNALISMO

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Os noticiários televisivos são actualmente a principal fonte de informação da sociedade – eis o ponto de partida que reuniu oito investigadores (e jornalistas) do Brasil e de Portugal. O resultado é o livro Telejornalismo. A nova praça pública (2006), organizado por Alfredo Vizeu, Flávio Porcello e Célia Mota. A ideia do livro nasceu em 2005, quando foi criada uma rede de pesquisa em telejornalismo no Brasil. Além dos autores que organizaram o volume, o livro conta com textos de Sylvia Moretzsohn, Beatriz Becker, Iluska Coutinho, Aline Lins e João Carlos Correia, e um prefácio de Elias Machado.

No livro, analisam-se rotinas produtivas, modos como os jornalistas procuram atrair o público com as suas notícias, que códigos particulares, que audiência presumida, distinção entre urgência do “vivo” e tempo real (visibilidade por oposição à reflexão), como assinalam os noticiários as experiências do quotidiano, da festa e da comemoração em termos de identidade, que dramaturgia usa o noticiário, que cidadania é veiculada, relação entre televisão e poder, construção autoral colectiva. Semiótica, fenomenologia, sociologia do jornalismo, antropologia, são algumas das ciências usadas no livro.

Retenho algumas das ideias do texto de João Carlos Correia, docente da Universidade da Beira Interior (Covilhã): o mundo parece-nos como se apresenta e há uma premissa de confiança na permanência das estruturas do mundo, o que implica um padrão organizado de rotina (p. 203). Na perspectiva fenomenológica aplicada ao jornalismo, existe uma visão convencional associada ao senso comum. Seguindo o fenomenólogo Alfred Schutz, o conhecimento do mundo do senso comum é próprio de uma comunidade bem integrada, com aparência de coerência, clareza e consistência (p. 211). Se há uma ruptura, após essa alteração, o jornalista reorganiza o tempo e o espaço das ideias e cria uma rotina, uma continuidade, uma trama narrativa que imprime um dado significado aos acontecimentos (p. 205). João Carlos Correia fala de diversidade, pressuposição, leitura preferencial e enquadramento. O autor escreve ainda sobre a construção da realidade social, que atravessa as obras de Berger, Luckmann e Tuchman.

Leitura: Alfredo Vizeu, Flávio Porcello e Célia Mota (2006) (org.). Telejornalismo. A nova praça pública. Florianópolis: Editora Insular, 223 páginas

18 Janeiro 2011

>O CIBERJORNALISMO SEGUNDO HELDER BASTOS

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Origens e evolução do ciberjornalismo em Portugal é o mais recente livro de Helder Bastos, editado pela Afrontamento. Com quatro capítulos (contexto global do ciberjornalismo, antecedentes do ciberjornalismo em Portugal, periodização em três fases, e evolução do modelo de negócios), constitui um útil instrumento de trabalho para quem quer estudar e conhecer o jornalismo electrónico em Portugal.

Bastos identifica o começo do ciberjornalismo em Portugal em 1995 e distingue três períodos: implementação (1995-1998), expansão ou boom (1999-2000) e depressão e relativa estagnação (2001-2010). O terceiro capítulo, onde investiga esta matéria, já tinha sido objecto de edição, embora numa versão mais curta, na revista Jornalismo & Jornalistas. O autor chama a atenção para o facto do livro ser um contributo, focado que está na produção jornalística online com sede em empresas que recorrem ao trabalho de profissionais, não abordando especificamente a imprensa desportiva, económica, local e académica (p. 11).

Se o primeiro capítulo trata da contextualização genérica do ciberjornalismo a nível internacional, o terceiro, como escrito acima, narra os principais episódios da história nacional e o quarto debate os modelos de negócio (gratuito, pago, misto), o leitor fica atento ao capítulo 2, com os antecedentes do ciberjornalismo em Portugal. É o capítulo mais pequeno e menos central do livro, mas a sua leitura despertou-me uma grande curiosidade. Nessas páginas, Helder Bastos fala da substituição do analógico pelo digital, do mecânico pelo electrónico, da máquina de escrever pelo computador.

Afinal, tal período não está muito longe de nós. Segundo o autor, a primeira redacção a ser informatizada foi o já desaparecido Comércio do Porto, em meados de 1985 (p. 29). Um outro texto, de José Luiz Fernandes e Fernando Cascais, situa a introdução das tecnologias digitais nos media portugueses em 1983-1984, com a entrada de computadores nas redacções, mas não indica quando os jornais substituiram as máquinas de escrever. Isto é, as redacções dos principais jornais estavam informatizadas até ao final dessa década. O que significa que há pouco mais de vinte anos os computadores entraram nos media. Logo depois, entrou a internet e implantaram-se os jornais electrónicos. O mundo acelerou muito desde então.

Helder Bastos tem doutoramento em Ciências da Comunicação. É docente na Universidade do Porto, onde lecciona disciplinas relacionadas com a comunicação e o jornalismo. Foi jornalista entre 1988 e 2003, nomeadamente no Jornal de Notícias (primeiro profissional a trabalhar no online do jornal, e do país, dado que aquele jornal foi o pioneiro), Rádio Press e Diário de Notícias, onde ocupou o lugar de editor e responsável da redacção no Porto. Da sua obra publicada destaco Jornalismo electrónico. Internet e reconfiguração de práticas nas redacções (2000). É um dos fundadores do Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) e co-fundador do Observatório do Ciberjornalismo (ObCiber).

Leitura: Helder Bastos (2010). Origens e evolução do ciberjornalismo em Portugal. Porto: Afrontamento, 106 páginas

18 Janeiro 2011

>CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA DOS MEDIA E DO JORNALISMO

>Está aberta a chamada de trabalhos (call for papers) para o Congresso Internacional sobre História dos Media e do Jornalismo que o Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) vai realizar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, nos próximos dias 6 e 7 de Outubro. Mais informações aqui.

12 Janeiro 2011

>PLURALISMO PARTIDÁRIO, RTP E ERC

>”O director de informação da RTP afirmou hoje que os dados da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) sobre pluralismo partidário na estação pública são um “absurdo jornalístico” que pode colidir com o código deontológico da profissão. [...] “É um absurdo jornalístico que pode no limite levar a criar notícias e a fazer jornalismo ‘excel’”, declarou o director de informação da RTP” (Público).

12 Janeiro 2011

>DIÁRIO DE UMA ESTAGIÁRIA

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“Ir estagiar para a [...] é o sonho de qualquer pessoa que tire o curso em Comunicação Social, Jornalismo, Ciências da Comunicação e por aí adiante, e que queira mesmo seguir jornalismo. Entrar naquela redação com vinte ou vinte e poucos anos é ter o futuro na nossas mãos e poder olhá-lo, mesmo alí à nossa frente.[...] É que se achavamos que era aquilo que queriamos fazer, passado uns dias temos toda a certeza do mundo que é mesmo aquilo e só aquilo que queremos fazer da vida. [...] mesmo sem darmos ainda voz às peças, ver o nosso trabalho na televisão é tipo… não sei explicar! Só que depois, passados os 5 ou 6 meses de estágio, acaba tudo… Hoje foi o dia de acabar tudo para a [...]. Uma choradeira, um pranto, nem falava [...] Sabemos que até podemos ser bons, que temos muitas capacidades e que até escrevemos muito bem, mas isso é logo contornado pelas dificuldades do mercado de trabalho, pela crise, pelos estagiários deste mundo que são aos milhões e que trabalham a custo zero. Por isso, o dia de acabar tudo chega a todos… e eu sou a próxima” (Jojozinha, o blog).
31 Dezembro 2010

ANTROPOLOGIA DA NOTÍCIA E DO JORNALISMO

O método preferido da antropologia é a etnografia, apta para uma interpretação cultural. Os antropólogos produziram boas etnografias dos jornalistas, baseadas nas rotinas diárias do fazer as notícias [newsmaking]: americanos, como Tuchman (1978), Gans (1979), Fishman (1980); ingleses, como Schlesinger (1991) e Born (2005). Eles examinaram a noção de notícia em contextos culturais distintos e examinaram as estratégias pelas quais as notícias se definem, criam e disseminam.

Como escreveu Zelizer (2004: 176): o inquérito cultural assume que os jornalistas empregam o conhecimento colectivo, mesmo táctico, para se tornarem membros do grupo e manterem-se membros ao longo do tempo. É a ideia de comunidade interpretativa. Bird nomeia o novo campo de antropologia da notícia e do jornalismo e parte do princípio que vivemos num mundo mediado, em que muito do que as culturas “sabem” resulta do conhecimento produzido pelos media.

No livro organizado por Bird, há textos importantes como os de Karin Wahl-Jorgensen (News production, ethnography, and power), Zeinep Devrim Gürsel (U.S. Newsworld: the rule of text and everyday practices of editing the world), Dorle Dracklé (Gossip and resistance: local news media in transition: a case study from the Alentejo, Portugal), Dominic Boyer (Making (sense of) news in the era of digital information).

Leitura: S. Elizabeth Bird (2010). The anthropology of news. Global perspectives. Bloomington, IN: Indiana University Press

27 Dezembro 2010

SAPATOS E MALAS

“O Sexo e a Cidade deu grandes lições às mulheres. Aprenderam que os Manolos são os melhores sapatos do mundo, que comprar uma Louis Vuitton é como comprar ouro, um investimento, que mostrar as alças do soutien é cool. Aprendemos coisas de Cidade, portanto” (Ana Gomes Ferreira, Público de hoje).

18 Dezembro 2010

NÚMERO MAIS RECENTE DA REVISTA JORNALISMO E JORNALISTAS

Destaco três temas no número mais recente da revista Jornalismo e Jornalistas (44, de Outubro/Dezembro): a longa conversa com Adelino Gomes e Paquete de Oliveira sobre as suas experiências como provedores do ouvinte e do telespectador, mantida por Helena de Sousa Freitas, o texto de Álvaro Costa de Matos sobre a imprensa humorística da I República e o estudo sobre as celebridades na imprensa por Ana Jorge.

Fico com este último texto e aproveito algumas ideias dele. Há um ponto de partida, o da contradição e da tensão entre celebridade e notícia, que remete para os pólos do entretenimento e da esfera privada e da informação e da esfera pública. A celebridade conhece-se nos media devido ao seu valor-notícia de notoriedade e de fama. Mas a celebridade nos media existe desde há muito: os jornais do século XVII já tinham uma obsessão com os famosos. Mais à frente, e seguindo Martin Conboy, Ana Jorge indica que as notícias das celebridades respondem a uma tendência de personalização e de soft news (notícias de interesse humano), que privilegiam a intimidade da vida quotidiana dos famosos e vedetas. Ana Jorge acentua a dimensão comercial dos media nas décadas mais recentes, a convergência e a concentração como motivos para o crescimento das notícias de celebridades, dando exemplo das revistas cor-de-rosa (gossip no Reino Unido, del corazón em Espanha, presse people em França).

10 Dezembro 2010

O CIBERJORNALISMO EM PORTUGAL SEGUNDO HELDER BASTOS

As Origens e evolução do Ciberjornalismo em Portugal: Os primeiros quinze anos (1995-2010), livro escrito por Helder Bastos, docente da Universidade do Porto, foi apresentado ontem, no âmbito do II Congresso Internacional de Ciberjornalismo (Jornal de Notícias). Continua a ler-se no mesmo jornal: “«O livro é composto pelos antecedentes à chegada do Ciberjornalismo e depois, pelo seu nascimento em 1995 com o JN Online, sendo que é a partir daí que começo a desenvolver a história», explicou o autor. O docente referiu que apesar dos grandes avanços registados a nível de multimédia, «há ainda um longo caminho para andar”, a começar por “arranjar maneira de fazer pagar os sites» e a «contratar equipas que trabalhem só para o online».

6 Dezembro 2010

JORNALISMO E MEDIA NO CIMJ

Dois livros editados ao mesmo tempo na colecção do CIMJ (Centro de Investigação Media e Jornalismo) na editora Livros Horizontes significam uma grande aposta.

O primeiro, Do chumbo à era digital, é uma obra organizada por Nelson Traquina, o fundador do centro, com 13 leituras do jornalismo: o organizador, Rosa Maria Sobreira, Álvaro Costa de Matos, Fernando Correia, Carla Baptista, Ana Cabrera, Cristina Penedo, Rita Figueiras, Isabel Ferin Cunha, Willy S. Filho, Estrela Serrano, Maria João Silveirinha, Cristina Ponte e Rui Miguel Gomes. Do grupo, contam-se alguns discípulos dilectos de Traquina, o que mostra a importância do livro agora editado.

O organizador, na introdução, recorda o começo da década de 1990: “Quando em 1991, preparei a bibliografia para o meu primeiro seminário de graduação sobre o jornalismo no Mestrado em Comunicação Social (agora Ciências da Comunicação) na Universidade Nova de Lisboa, confrontei-me com um problema bem real de que não me tinha apercebido conscientemente até então: a quase inexistência de livros em língua portuguesa sobre o jornalismo e mesmo livros sobre a área mais vasta da Comunicação”.

Os textos distribuídos aos seus alunos desse memorável ano lectivo de 1991-1992, em instalações da universidade não longe da maternidade Alfredo da Costa, em aulas à quinta-feira à tarde, numa mesa em U, em que os alunos liam e partilhavam os conhecimentos adquiridos em 40 páginas semanais em média, seriam publicados na sua maioria dois anos depois na colectânea Jornalismo: questões, teorias e “estórias”, manual que tem servido de inspiração e trabalho a duas ou três gerações de estudantes em todo o país.

Prossegue o organizador da obra: “em 1997, foi criado um centro de investigação que pretendeu reunir pesquisadores de diversas universidades, públicas e privadas, com o intuito de se dedicar à investigação sobre os media e o jornalismo: o Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ)”. Na senda do centro, foi criada a colecção de livros, agora com mais de trinta títulos já publicados, e a revista Media & Jornalismo com treze números editados. Grande parte dos textos publicados no novo livro tiveram uma publicação prévia na revista e todos os seus autores são membros do CIMJ, numa linha do trabalho notável desempenhado por Nelson Traquina com investigadores e muitos dos seus alunos. Em 2001, saía o livro O jornalismo português em análise de casos (Nelson Traquina, Ana Cabrera, Cristina Ponte e Rogério Santos); em 2007, saía A problemática da SIDA como notícia (Nelson Traquina, Marisa Torres da Silva e Vanda Calado). A colectânea Jornalismo: questões, teorias e “estórias” era dedicada aos seus alunos e Big Show media (1997) foi um texto que incorporou os seus alunos de Produção Jornalística na Universidade Nova.

O segundo é a edição em português do importante livro de Daniel C. Hallin e Paolo Mancini, Sistemas de media: estudo comparativo. Três modelos de comunicação e política.

Os autores fizeram uma pesquisa sobre instituições de media em dezoito democracias da Europa ocidental e da América do norte e apresentam três modelos principais: pluralista polarizado, corporativista democrático e liberal. Na nota à edição portuguesa, Nelson Traquina faz notar não haver “quaisquer dúvidas sobre a riqueza de informação presente no trabalho de Hallin e Mancini”. Portugal aparece bem estudado no livro, com a colaboração de Traquina.

Num outro texto, Hallin [(2008). "Neoliberalism, social movements and change in media systems in the late twentieth century". In David Hesmondhalgh e Jason Toynbee, The media and social theory], descreve o audiovisual como se tendo desenvolvido numa linha distinta da imprensa, caso da Europa, muitas vezes com uma lógica de serviço público ligado ao poder de Estado, combinando uma lógica de profissionalismo jornalístico e uma relativamente produção cultural autónoma. Mesmo nos Estados Unidos, o audiovisual comercial era regulado pelo Estado e existia um modelo de confiança que impunha obrigações de serviço público aos seus proprietários. A velha ordem foi enfraquecida por vários factores. Um foi a comercialização dos próprios media. No audiovisual, isso foi patente, com a mudança do serviço público para a comercialização [a desregulação selvagem, designação de Nelson Traquina, apropriada no livro de Hallin e Mancini agora em língua portuguesa]. Nos Estados Unidos, a desregulação eliminou as obrigações de serviço público baseadas no “modelo de confiança”. Nos dois casos, além disso, os mercados televisivos tornaram-se mais competitivos.

6 Dezembro 2010

CONFERÊNCIA DA EMMA

A emma (European Media Management Education Association) anuncia a sua conferência anual marcada para 10 e 11 de Junho de 2011, na Faculdade de Jornalismo da Lomonosov Moscow State University, em Moscovo. Título: Restructuring and reorientation: Global and local media after the recession.

3 Dezembro 2010

II CONGRESSO INTERNACIONAL DE CIBERJORNALISMO

Vai decorrer nos dias 9 e 10 de Dezembro o II Congresso Internacional de Ciberjornalismo (instalações da licenciatura de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, à Praça Coronel Pacheco, Porto). Modelos de negócio para o jornalismo na Internet e Redes sociais e ciberjornalismo são temas estruturantes do evento, com personalidades de relevo nas temáticas em questão a nível nacional e internacional. O evento é organizado pelo Observatório do Ciberjornalismo, do Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (CETAC.media) e integra, também, o programa de comemorações dos 10 anos daquela licenciatura.

Na ocasião, será lançado o livro Origens e Evolução do Ciberjornalismo em Portugal: Os Primeiros Quinze Anos (1995-2010), de autoria de Helder Bastos (9 de Dezembro, 17:30, local do congresso).

1 Dezembro 2010

MUDANÇAS NO JORNALISMO

Metamorfoses jornalísticas. A reconfiguração da forma, livro organizado por Demétrio de Azeredo Soster e Fernando Firmino da Silva, tem como temas os blogues e microblogues, as redes sociais, o jornalismo móvel, a infografia, a wikipedia, a mediatização, o radiojornalismo, os géneros, a fotografia e os documentários.

Lê-se na contracapa: “Pensar em jornalismo no cenário actual implica reflectir sobre reconfigurações, seja por meio do surgimento de novos dispositivos ou da complexificação daqueles que desde há muito existem. Isso porque o ambiente de profunda imersão tecnológica em que o jornalismo se encontra, ao afectar a processualidade deste, também reconfigura as suas formas”.

Leitura: Demétrio de Azeredo Soster e Fernando Firmino da Silva (org.) (2009). Metamorfoses jornalísticas. A reconfiguração da forma. Santa Cruz do Sul: EDUNISC 

[o meu reconhecimento a Adriana Alves Rodrigues, que me deu a conhecer o volume]

28 Novembro 2010

JORNALISMO

“O jornalismo contemporâneo tem suas raízes na cidade, no fenômeno urbano moderno, representado pelas massivas movimentações de coisas e pessoas fomentadas pelo industrialismo (Hobsbawn, 1995). O jornal diário passa a ocupar o lugar onde outrora estiveram o galo, o sino das igrejas e a posição do sol na abóbada celeste na marcação do tempo da vida daqueles seres, desde então urbanizados. «(…) é a ideia de um aqui e agora, ou seja, de espaço e tempo entrecruzados, que preside à singularização do fato» (Sodré, 2009: 26). «A cidade teve um papel predominante na reestruturação geral do jornalismo. Em seus inícios, o jornalismo ocupava a maior parte de suas edições com notas e documentos oficiais, ao passo que nos finais do século [XIX] descobriu a cidade como fonte de notícias. O mundo público deixou de limitar-se aos assuntos do governo ou do comércio, para referir-se a todo fato que, na visão dos jornalistas, tinha interesse coletivo no seio de uma comunidade» (Machado, 2000)” (Marcos Palacios, Convergência e memória: jornalismo, contexto e história, MATRIZes, Julho/Dezembro 2010).

O texto de Marcos Palacios (actualmente professor visitante na Universidade da Beira Interior, Covilhã) aparece no número mais recente da revista do programa de pós-graduação em ciências da comunicação da Universidade de São Paulo.

26 Novembro 2010

LES CAHIERS DU JOURNALISME

L’Europe des médias face à la crise, texto de José-Manuel Nobre-Correia nos Cahiers du Journalisme, do Canadá, acaba de sair. Na sua análise incluem-se pluralismo e concentração, fragmentação e fragilidade, internet e gratuitidade, estreitamentos, apostas de grande risco, redefinições nas mutações e profundas transformações na história. Das conclusões sobre o fim de uma época e o nascimento de outra, percepcionam-se o lento desaparecimento da informação e do entretenimento gratuitos, a crescente discussão da ideia de informação como serviço público dado aos cidadãos e a redefinição da noção de pluralismo. O autor é professor do departamento de Sciences de l’information et de la communication da Université Libre de Bruxelles (ULB).

13 Novembro 2010

LUSA

“É certo que o futuro da Lusa deve suscitar interrogações: como manter uma equipa de 222 jornalistas quando, por exemplo, Belga (num país que conta 13 diários com 16 263 a 291 840 exemplares de difusão paga) tem exactamente cem? Como manter uma rede de 29 correspondentes no estrangeiro quando a mesma Belga não tem nenhum”? (J.-M. Nobre-Correia, Diário de Notícias).

13 Novembro 2010

LUSA

“É certo que o futuro da Lusa deve suscitar interrogações: como manter uma equipa de 222 jornalistas quando, por exemplo, Belga (num país que conta 13 diários com 16 263 a 291 840 exemplares de difusão paga) tem exactamente cem? Como manter uma rede de 29 correspondentes no estrangeiro quando a mesma Belga não tem nenhum”? (J.-M. Nobre-Correia, Diário de Notícias).

12 Novembro 2010

MAIS SOBRE A LUSA

“A «agregação» entre a Lusa e a RTP que está a ser ultimada pelo Governo poderá passar pela compra, pela televisão pública, dos 49,83 por cento do capital da agência noticiosa que actualmente estão dispersos entre accionistas privados. Um negócio que merece muitas reservas ao PSD, preocupado com uma eventual «renacionalização» da agência noticiosa. [...] Além dos 50,14 por cento detidos pelo Estado, os maiores accionistas privados são a Controlinveste (23,36 por cento) e a Impresa (22,35), seguidos pela cooperativa NP-Notícias de Portugal (2,72 por cento, e onde a Portugal Telecom tem uma participação), o PÚBLICO (1,38), a RTP (0,03), O Primeiro de Janeiro (0,01) e a Empresa do Diário do Minho (0,01). Dos actuais sete administradores, Controlinveste, Impresa e NP nomeiam três (um cada) e o Estado indica quatro – entre eles, o presidente, que é eleito em assembleia geral. Para além dos 5,325 milhões de euros do capital social, não foi possível perceber qual o valor actual da agência noticiosa” (Público).

12 Novembro 2010

MAIS SOBRE A LUSA

“A «agregação» entre a Lusa e a RTP que está a ser ultimada pelo Governo poderá passar pela compra, pela televisão pública, dos 49,83 por cento do capital da agência noticiosa que actualmente estão dispersos entre accionistas privados. Um negócio que merece muitas reservas ao PSD, preocupado com uma eventual «renacionalização» da agência noticiosa. [...] Além dos 50,14 por cento detidos pelo Estado, os maiores accionistas privados são a Controlinveste (23,36 por cento) e a Impresa (22,35), seguidos pela cooperativa NP-Notícias de Portugal (2,72 por cento, e onde a Portugal Telecom tem uma participação), o PÚBLICO (1,38), a RTP (0,03), O Primeiro de Janeiro (0,01) e a Empresa do Diário do Minho (0,01). Dos actuais sete administradores, Controlinveste, Impresa e NP nomeiam três (um cada) e o Estado indica quatro – entre eles, o presidente, que é eleito em assembleia geral. Para além dos 5,325 milhões de euros do capital social, não foi possível perceber qual o valor actual da agência noticiosa” (Público).

10 Novembro 2010

PACHECO PEREIRA SOBRE UM LIVRO MEU

Em programa televisivo recente (que não consegui ver), José Pacheco Pereira aconselhou a leitura de um livro meu: Do jornalismo aos media. Estudos sobre a realidade portuguesa. Colegas e antigos alunos têm-me dirigido mensagens sobre este assunto. Muito obrigado a Pacheco Pereira pela referência.

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