Arquivo para ‘Música’

21 Abril 2011

INSTRUMENTOS DE SOPRO

O IV concurso nacional de instrumentos de sopro Terras de La Salette terminou em Oliveira de Azeméis após a audição a três centenas e meia de músicos de todo o país. O concurso reuniu ao longo de cinco dias músicos de 130 concelhos, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores. O concerto dos laureados realiza-se hoje, às 17:00, no cineteatro Caracas. O concurso Terras de La Salette é uma organização da autarquia de Oliveira de Azeméis – que prestou esta informação – em parceria com a Federação das Associações do Município de Oliveira de Azeméis. Decorre anualmente neste concelho de tradição musical, com seis bandas filarmónicas e uma academia de música em actividade permanente.

8 Abril 2011

MYSPACE EM QUEDA

No Público de hoje, Vítor Belanciano escreve sobre a ascensão e queda da rede social MySpace. Nasceu em 2004, pelas mãos de Chris DeWolfe e Tom Anderson, com a capacidade de os músicos colocarem directamente os seus temas num perfil em vez de usarem o sistema de distribuição tradicional e de toda a cadeia de valor até então em uso: formar uma banda, conseguir um contrato, editar um disco e passá-lo na rádio e na televisão, com concertos incluídos. Apareceram fenómenos como Arctic Monkeys e Lily Allen, surgidos do nada. Até 2008, 180 milhões de pessoas adoptaram a rede. Uma alteração dera-se, entretanto: em 2005, Rupert Murdoch comprara o MySpace por 580 milhões de dólares. Com o aparecimento do Facebook, a rede MySpace quis competir, alargando o nicho inicial da música a elaboração de perfis, troca de fotografias, músicas e textos. A estratégia de seguimento revelou-se um desastre, com novo desenho gráfico (275 milhões de dólares de custo), além de que apareceram sítios mais atraentes como Last.fm ou Spotify e o próprio Facebook. O MySpace perdeu 130 milhões de utilizadores, passou da segunda plataforma mais visitada, depois da Google, para o actual 58º lugar. Murdoch acumulou dívidas e despediu e encerrou escritórios já este ano, como aqui escrevi. Agora o patrão do grupo Media News Corp procura compradores para o sítio musical.

8 Abril 2011

DEZ ANOS DE IPOD

Roland Barthes considerava as catedrais como a forma icónica da sociedade da Idade Média. Na década de 1950, os automóveis ocupavam esse lugar; agora, é o iPod. O texto de José Fialho Gouveia no Sol é sobre os dez anos do aparelho da Apple. Jonathan Rubinstein, do departamento de hardware da Apple, contratara o engenheiro Tony Fadell, encarregando-o de desenhar um leitor de mp3, em que o centro seria a roda táctil que permite aceder a um ficheiro em três cliques. Para trás, ficava uma longa história de invenções: em 1977, o matemático alemão Karlheinz Brandenburg estudava a compressão da música em pequenos ficheiros; em 1991, Brandenburg e Dieter Seitzer construiram o algoritmo que tornava possível o mp1; em 1994, chegava-se ao mp2 e, em 1996, ao mp3. O primeiro leitor portátil tinha capacidade de 32 Mb, o MPMan F10 da empresa sul-coreana SaeHan, chegado ao mercado em 1998. O iPod da Apple, de 5 Gb de memória, era lançado em Outubro de 2001. Depois, toda a indústria musical alterou-se. O iTunes é responsável pela maior parte das vendas digitais, mas as cópias ilegais entram em colisão com os direitos autorais e direitos conexos de cem anos, a precisar de adaptação. A indústria foi obrigada a adaptar-se ao mundo digital, apesar da qualidade do som ter reduzido.

1 Abril 2011

>FADO EM ALMADA

>

Gisela João é a fadista que o Teatro Municipal de Almada apresenta pela primeira vez fora do circuito do Porto. Actua desde 2003 e ganha em 2006 o Primeiro Prémio do XV Concurso de Fado Amador J. F. Lordelo do Ouro. Também em 2006 edita o CD Gisela João / O meu fado, onde é acompanhada à guitarra portuguesa e à viola. Com Paulo Parreira na guitarra portuguesa, Pedro Soares na viola de fado e Gustavo Roriz na viola baixo, ela actua no dia 9 de Abril, às 21:30, na Sala Experimental do Teatro Municipal de Almada.

17 Março 2011

>TEATRO POPULAR E ERUDITO

>Aparentemente, as peças pareciam trocadas. In the woods (de Stephen Sondheim) é um musical a partir dos contos dos irmãos Grimm e também Charles Perrault: capucinho vermelho, cinderela. Mas, a segunda parte da peça, após a satisfação dos desejos, torna-se mais complicada. Se, até aí, cada personagem dependia da sua sorte pessoal, dos desejos individuais se cumprirem, na segunda parte todos precisam de todos para se salvarem do gigante. A assistência, de cabelos grisalhos na sua maioria, conhecia-se entre si, formando uma comunidade de interesses. Lembrei-me de uma zarzuela que vi em Madrid. O espírito é semelhante: o teatro de amadores. Mas, enquanto em Madrid era um teatrinho, em Ottawa a sala da sociedade de teatro musical Orpheus, associação criada em 1906, tinha uma dimensão apreciável, só com plateia. A sociedade é composta por muitos amigos, colaboradores e voluntários; daí os cumprimentos no começo e as apreciações no intervalo e no final do musical.

A peça no NCA, em francês, conta a verdade de um soldado (Vérité de soldat, de Soungalo Samaké, com texto adaptado de Jean-Louis Sagot-Duvauroux), peça em torno da independência do Mali, antiga colónia francesa, e dos golpes de Estado subsequentes. Cinquenta anos de independência do Mali representados por um narrador, por um soldado e por uma mulher. Há uma diálogo permanente entre o narrador e uma das outras personagens, frente a frente, ou com o soldado voltado para a plateia interrogado pelo narrador, antigo torturado por aquele. Quando narrador e mulher ou narrador e soldado estão frente a frente, a personagem à direita do palco é filmada e projectada em ecrã no fundo do palco. O soldado fala frequentemente em mali, com legendagem em francês. Não há movimento, mas os diálogos dão conta de uma grande plasticidade e de uma grande emoção. O que aconteceu no Mali, aconteceu possivelmente em Angola, na Guiné-Bissau, em Moçambique. E anteriormente no Brasil e no Canadá, aqui com especificidades, pois o grupo triunfador nasceu do seio do antigo colonizador. A mensagem do colonizador é substituída por outras forças que demoram a ajustar-se e a prosseguir num sentido justo. O soldado é autor e vítima dessas transformações: de agricultor, alistou-se como voluntário nos para-quedistas e serviu sucessivamente as forças coloniais, as da independência e das forças do golpe de Estado. Vigilante do deposto presidente, com a morte súbita deste, é preso e condenado. Mais tarde, é libertado e enceta conversa com o narrador, que torturara, devido à ligação pessoal com o presidente deposto. A mulher, que a independência e o golpe militar não haviam considerado como género igualmente com direitos, foi a mais relutante em aceitar as justificações do soldado. Contudo, este, apesar de polícia do presidente deposto, criou uma deferência grande para com ele.

Se o teatro da peça musical estava cheio, o teatro da NAC não tinha muita assistência. A primeira peça era de divertimento, a segunda obrigava a uma reflexão. O movimento, a alegria e a música da primeira não se comparavam com a densidade textual da segunda – apesar do texto ser uma longa conversa.

2 Março 2011

>OFICINAS INSTRUMENTAIS

>

As oficinas instrumentais são ateliês de construção de instrumentos musicais e objectos sonoros e a aplicação musical dos mesmos. Pensadas especialmente para serem uma introdução prática e sensorial à musica, utilizando métodos pedagógicos modernos, inovadores e sobretudo atraentes. Este ensino permite aproveitar todas as aptidões que os formandos possuem e/ou podem vir a desenvolver. Sábado, 26 de Março de 2011, das 15:00 às 18:00, para destinatários de todas as idades, inscrições através do email institutodemusica.clp@gmail.com ou na recepção do Clube Literário do Porto (Rua Nova da Alfândega, 22, Porto).

28 Fevereiro 2011

>GESTÃO DAS INDÚSTRIAS CULTURAIS E CRIATIVAS

>Chris Bilton (2011: 31) considera que, na década de 1990, a palavra de ordem foi “o conteúdo é rei”. Mas, com a queda das empresas dot-com, por razões financeiras, e o crescimento avassalador dos conteúdos, houve uma desvalorização destes. A atenção dada hoje não é o que é o conteúdo mas o como se lança, a sua marca e as relações com os clientes. Por outras palavras: a gestão. Acostumados a receber conteúdos gratuitos, os consumidores foram persuadidos a pagar por um serviço de qualidade. E destaca o modelo de negócio que os Radioheads desenvolveram.

É aqui que entra Dave Itzkoff, quando publicou, no New York Times de 14 de Fevereiro último, que a banda britânica optou, logo após os Grammys (e, no Reino Unido, os prémios da British Academy of Film and Television Arts), por anunciar que o álbum The King of Limbs seria lançado em formato digital antes do lançamento físico em Maio. Contudo, ao contrário do álbum anterior, In Rainbows, em que os Radiohead permitiram aos seus fãs comprarem o disco pelo preço que entendessem, The King of Limbs não será vendido a preço flexível. No sítio The King of Limbs , a banda informa que a versão digital custa 7 euros (formato MP3) ou 11 euros (formato WAV).

O modelo parece solidificar-se. O novo disco da banda portuguesa The Gift, chamado Explode, começou a ser revelado hoje na internet, com o primeiro single RGB a poder ser ouvido (Diário de Leiria). Por seu lado, a cantora norte-americana Lady Gaga (Stefani Joanne Angelina Germanotta) lançou também hoje no seu sítio oficial o videoclip do single de avanço do álbum Born This Way, a conhecer na sua totalidade em Maio (Público).

Leitura: Chris Bilton (2011). “The management of the creative industries. From content to context”. In Mark Deuze (ed.) Managing media work. Los Angeles, Londres, Nova Deli, Singapura, Washington: Sage

16 Fevereiro 2011

ÓPERA – CICLO O SÃO CARLOS NO SÉCULO XIX

No Teatro Nacional de São Carlos, a 20 de Fevereiro, A ópera entre 1793 e 1828, com João Paulo Santos ao piano, Ana Paula Russo e Carla Simões como sopranos e Suzana Teixeira como meio-soprano, e a 27 de Fevereiro, Depois da Guerra Civil – O reportório italiano, com João Paulo Santos ao piano, Sónia Alcobaça como soprano, Maria Luísa de Freitas como meio-soprano e Luís Rodrigues como barítono.

6 Janeiro 2011

>MÚSICA NOVA

>Na agenda cultural 30 Dias em Oeiras deste mês, Ricardo Cabral (Ritchaz), 22 anos, e Luís Santos (Kéke), 23 anos, falam do seu projecto musical independente. Começaram a cantar com um pequeno gravador, improvisando vozes e batidas vocais, com letras que falavam dos colegas e dos professores. Com o uso do computador, passaram a misturar músicas e estilos. Em 2005, começaram a ter acesso a programas de produção musical e aprofundaram o seu conhecimento de música. Influenciados por kizomba, hip-hop, regaae, escrevendo sobre a procura da felicidade, têm actuado em festas locais e de bairro. Em 2006, participaram no programa Escolhas, patrocinado pela Gulbenkian, sendo escolhidos com a música Si me mi n’sta feliz. Deram concertos em Lisboa, Porto, Barcelona e lançaram o Proghetto, tendo gravado músicas. Estão a fazer um curso na escola Restart de Produção e Marketing Musical. Saber mais.

23 Dezembro 2010

ZUT ZOÉ

Novo vídeo de Zut Zoé, a partir do con­certo de Paris La Sor­bonne em 4 de Junho de 2010. Zut Zoé: cantora, Laurent Roussel: guitarras, coros, Franck Dehaut: guitarras, teclas, coros, Pascal Fouquereau: baixo, teclas, Eric Fitoussi: bateria.

18 Dezembro 2010

TECNOBREGA: CICLO PRODUTIVO DE MÚSICA

“Concebido na periferia de Belém, o tecnobrega nasceu distante das grandes gravadoras e dos meios de comunicação de massa, como jornais, emissoras de rádio e televisão. Mais do que a distância territorial, é a distância cultural que se mostra determinante para a marginalização desse estilo musical pela grande indústria. Mais do que um estilo musical, o tecnobrega é um mercado que criou novas formas de produção e distribuição. A apropriação das novas tecnologias é chave nesse ciclo produtivo. Estúdios caseiros, por exemplo, só foram possíveis graças ao acesso a equipamentos e computadores. O barateamento dos custos de produção por meio de tecnologias e mídias, como CDs e DVDs, possibilitou a criação de uma rede de diversos agentes no cenário musical de Belém, gerando trabalho, renda e acesso à cultura no Pará. O mercado é movimentado por casas de festas, shows, vendas nas ruas e as aparelhagens – gigantescas estruturas sonoras que protagonizam as festas do tecnobrega. Simplificadamente, podemos dizer que o mercado do tecnobrega funciona de acordo com o seguinte ciclo: 1) os artistas gravam em estúdios – próprios ou de terceiros; 2) as melhores produções são levadas a reprodutores de larga escala e camelôs; 3) ambulantes vendem os CDs a preços compatíveis com a realidade local e os divulgam; 4) DJs tocam nas festas; 5) artistas são contratados para shows; 6) nos shows, CDs e DVDs são gravados e vendidos; 7) bandas, músicas e aparelhagens fazem sucesso e realimentam o ciclo”.

Retirado de: Ronaldo Lemos e Oona Castro (2008). Tecnobrega. O Pará reinventando o negócio da música, Rio de Janeiro: Aeroplano,2008, p. 22 (texto completo aqui).

Vídeos: http://www.youtube.com/watch?v=7bg7py5VbKA (com apresentação do tecnobrega pelos dois autores do livro), http://www.youtube.com/watch?v=xo2sv3jjJi8.

11 Dezembro 2010

MADONNA VISTA POR BRUNO FERNANDES

Foi hoje ao fim do dia apresentado o livro de Bruno Fernandes MultiMadonna – O papel da imagem contraditória na construção de um fenómeno da indústria cultural. Editado pela Chiado Editora, com apresentação de Miguel Andrade, jornalista da SIC, no Bar Friends Bairro Alto, em Lisboa.

O livro resulta da dissertação de mestrado que o autor defendeu na Universidade Nova de Lisboa (2008).

http://www.youtube.com/v/qUfA3z8rysQ?fs=1&hl=pt_BR

5 Dezembro 2010

LIVRO SOBRE MADONNA

Bruno Fernandes e Chiado Editora apresentam o livro MultiMadonna – O papel da imagem contraditória na construção de um fenómeno da indústria cultural.

A sessão de lançamento será no dia 11 de Dezembro, às 19:00, no Bar Friends Bairro Alto, na Rua da Rosa, nº 99, Lisboa. Apresentação a cargo de Miguel Andrade, jornalista da SIC.

A partir das 23:00, haverá uma festa inteiramente dedicada à Madonna no Bar Funicular, na Rua da Bica Duarte Belo, nº 44, ficando a música a cargo do DJ MFA.

26 Novembro 2010

ENCICLOPÉDIA DA MÚSICA EM PORTUGAL NO SÉCULO XX

Enciclopédia da música em Portugal no século XX são quatro volumes dirigidos por Salwa Castelo-Branco, com coordenação executiva de António Tilly e coordenação adjunta de Rui Cidra, publicados pela editora Temas e Debates/Círculo de Leitores. A meu ver, trata-se de uma obra de inegável importância e que os leitores há muito ansiavam.

Fico-me pela leitura da entrada “Indústria Fonográfica”, dividida em enquadramento geral, recepção do fonógrafo e actividade das primeiras empresas discográficas em Portugal (1879-1925), formalização do mercado de fonogramas (1926-1934), papel da gravação na construção da “vedeta” e na afirmação de  repertórios entre as décadas de 30 e 60, criação de infra-estruturas de gravação e produção de suportes, autonomização da produção e emancipação do sector fonográfico nos anos 70: novos artistas e novo reportório, estabelecimento de empresas multinacionais em Portugal e pluralidade de domínios musicais (1979-1990), intensificação do investimento multinacional e crescimento do meio musical português (1990-2000).

Sobre a última década do século, a entrada, assinada por Leonor Losa, indica a intensificação das majors acompanhada pela criação de pequenas estruturas editoriais independentes ou de música alternativa, estimuladas pela descentralização das tecnologias de produção musical e pela pluralidade de gostos dos consumidores de música no país e o alargamento de espectáculos por intérpretes nacionais e internacionais (p. 642).

19 Novembro 2010

MADELEINE PEYROUX

Madeleine Peyroux [pronuncia-se Perú] (1974) juntou-se em 1989 a um grupo de músicos de rua que actuam habitualmente nas estações de metro [buskers]. Ela interpreta as suas músicas e letras, lembrando Billie Holiday. O seu primeiro álbum Dreamland data de 1996. Madeleine, uma americana que vivia em Paris como música de rua, entrou numa onda rápida de fama, aparecendo em festivas de jazz e abrindo concertos de Sarah McLachlan e Cesária Évora, enquanto o seu disco atingia 200 mil cópias vendidas (ler mais aqui). Seguiram-se os discos Careless Love (2004), Half the Perfect World (2006) e Bare Bones (2008). Ver Instead no YouTube e Little Bit, também no YouTube.

8 Novembro 2010

LADY GAGA

Não vou ensinar sociologia do espectáculo ou promover um curso de media e celebridades sobre ela, como numa universidade americana se irá fazer, mas Lady Gaga merece algumas linhas.

Vencedora dos MTV Europe Music Awards (melhor artista pop, melhor artista feminina e melhor canção (Bad Romance), propus à turma que elencasse várias características da cantora. Teatralidade, excentricidade e multiculturalismo foram atributos principais. O estilo de música não foi muito relevado, o que significa que Lady Gaga atrai pelo modo como se expõe e como os media a representam. Neste aspecto, é uma verdadeira artista pop.

Ao ver os seus fãs agradecerem-lhe por tudo o que fez por eles, interroguei-me? Na realidade, trata-se de uma questão de gosto – e ela elaborou um novo código de gosto. Ou melhor: um código de antigosto. Num dado momento, lembrei-me de Madonna, ou a mais recente Amy Winehouse. A cenarização, a provocação, o escândalo e a vida íntima correm em simultâneo com a qualidade da voz ou a estética musical. Se a carreira de Madonna vai longa, a sua capacidade de atrair multidões transportou-se para Lady Gaga, um fenómeno pós-pós-moderno, neo-barroco, com todo o kitsch e o peso dos media nela focados. Tatuagens, sapatos, roupa interior, óculos, penteados, gestos sexuais, relação humano-animal-máquina – há todo um catálogo ou enciclopédia nos seus vídeos. O mais atraente e repelente são os seus sapatos dourados de salto elevado.

No YouTube, quando procurei por Bad Romance, fui parar a um sítio já visitado 303562765 vezes – leia-se: trezentos milhões! Um fenómeno YouTube.

17 Outubro 2010

INTERNACIONALIZAÇÃO DA MÚSICA PORTUGUESA

Em Portugal a música popular não recebe dinheiros públicos. Os autores dizem que é preciso mudar este cenário e querem formar uma agência que apoie a internacionalização, à semelhança do que acontece noutros países da Europa. A apresentação foi ontem [dia 14]. O Governo revela interesse, mas não se compromete. Quando é que tudo isto começa a ser posto em prática? (Público)

O texto continua deste modo:

  • “A música portuguesa não erudita foi provavelmente até aqui a única indústria cultural nacional não subsidiada”, diz o documento [Portugal Music Export (PME), projecto para a criação de um organismo que fomente a exportação e internacionalização da música portuguesa, desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e pela Gestão dos Direitos dos Artistas (GDA)], numa alusão ao facto de haver verbas públicas destinadas à música clássica, teatro, cinema ou artes plásticas, esquecendo-se a música popular contemporânea. “Não estamos a pedir subsídios para artistas sobreviverem no mercado nacional, mas sim a solicitar investimento estratégico, de acordo com as nossas potencialidades e com o conhecimento que temos do mercado global.”

    [...] Nos anos 90, quando se pensava em cultura pop ou rock éramos de imediato transportados para os EUA e o Reino Unido. À volta não era o deserto, mas quase. Nos últimos dez anos muita coisa mudou. Os mercados inglês e americano ainda predominam, mas a realidade é fragmentada, e países que não tinham muita visibilidade no panorama global acabaram por se afirmar.

    É esse o caso do Canadá dos Arcade Fire, Broken Social Scene, Final Fantasy ou Feist, com cenas musicais vibrantes em cidades como Montreal, Toronto ou Vancôver. Naquele país a organização Factor, não exclusivamente dedicada à exportação, congrega dinheiros públicos e taxas de rádios privadas (cerca de nove milhões de euros anuais) para apoiar a indústria. Na Europa, países como Inglaterra, Alemanha, França, Itália ou Espanha possuem organismos dedicados à exportação, o mesmo sucedendo em territórios de dimensão populacional semelhante à de Portugal, como a Bélgica, a Suíça, a Áustria, a Estónia, a Hungria, a Dinamarca, a Suécia ou a Noruega”.

Texto a ler na totalidade no jornal Público.

28 Setembro 2010

JAZZ NO SEIXAL

Festival Internacional SeixalJazz 2010, de 20 de Outubro a 6 de Novembro

19 Setembro 2010

HIP-HOP

Hip-Hpo Danza Urbana é um espectáculo lúdico e didáctico que conta a história e evolução do hip hop como cultura, sobretura na dança. Os bailarinos ilustram as diferenças dos estilos popping, locking, freestyle e bboying (breakdance). Um espectáculo organizado por Artemrede, a iniciar no Montijo (25 de Setembro) e continuando por Benedita (27 de Setembro), Barreiro (30 de Setembro), Torres Vedras (1 de Outubro), Palmela (2 de Outubro), Oeiras (3 de Outubro), Almada (7 de Outubro), Abrantes (8 de Outubro) e Alcanena (9 de Outubro).

14 Julho 2010

NOTAS SOBRE O HEAVY METAL

Agora que estamos na época dos festivais de música popular e urbana, escrevo algumas notas sobre o heavy metal (música pesada), a partir do trabalho de um aluno meu, Nelson Nunes Fernandes, a quem agradeço a autorização para aqui publicar esses apontamentos. Parto de duas estruturas do género musical iniciado há cerca de quatro décadas, as de produção e de recepção.

Quanto à primeira, o género pode decompor-se em quatro elementos, o primeiro dos quais a estética dos músicos, geralmente identificados por cabelos compridos, tatuagens, roupas pretas e corpulência física. O segundo elemento é o da estética dos instrumentos musicais, em que as baterias são mais volumosas que noutros géneros de música eléctrica, apostando-se numa grande variedade de tambores e címbalos, além de dois bombos. A percussão de Mike Portnoy, dos Dream Theater, é um exemplo. Quanto às guitarras, há uma musicalidade mais negra, com sonoridade distorcida e volume muito elevado, com exemplos das Gibson Flying V, ESP Explorer (ambas usadas por James Hetfield, dos Metallica) e Dean Razorback (usada pelo desaparecido Dimebag Darrell, dos Pantera).


À sonoridade dos instrumentos, junta-se a voz: com frequência, ela é gritada. Mas também se valorizam a melodia e a musicalidade da voz. Se Bruce Dickinson, dos Iron Maiden, é um exemplo, também a prestação de Corey Taylor é significativa. Taylor tem duas intervenções distintas, conforme actua na banda Slipknot (onde produz sons guturais) e na Stone Sour (onde se pode comparar a um vencedor do concurso American Idol). Um último elemento é o das temáticas: ao invés da música popular, onde se abordam temas superficiais e de índole sentimental, o metal traz profundidade às questões, dando relevo à política e às problemáticas sociais.

Quanto à recepção, podemos falar de dois elementos, o primeiro é o do nível etário, composto maioritariamente por adolescentes e jovens adultos. O segundo prende-se com códigos usados pelos fãs e muito identificáveis durante os concertos. Um é o código de vestuário, com os rapazes vestindo t-shirts pretas ou com o logótipo ou outro sinal identificador da banda (e correntes presas às calças, agora deixadas à porta de entrada do recinto por questões de segurança) e as raparigas vestidas de preto e de maquilhagem preta nos lábios e/ou em volta dos olhos. O outro é o código dos comportamentos, casos do sinal de cornos (punho cerrado com dedos indicador e mindinho abertos), como se a música fosse uma forma de afastar o demónio e mau-olhado, gesto que funciona como cumprimento entre bandas e público (para o público, quer dizer que a música é óptima; para os artistas, indica que o público está a ter um comportamento excepcional), mosh pit (numa área do público, alguns membros chocam com outros, em especial quando a música tem um ritmo mais acelerado, o que significa libertação de energia), e gritos hey! hey! quando apenas a bateria marca o ritmo.
 
O heavy metal começou nos finais da década de 1960, em bandas como Led Zeppelin (aqui o link 
para uma versão de Whole Lotta Love) e Black Sabbath. No final da década seguinte, surgiria uma nova vaga, de que se destacaram Iron Maiden, Judas Priest, Motorhead e Saxon. Na década de 1980, surge uma primeira contaminação de géneros, como pop-metal, glam metal (bandas do tipo de Mötley Crue, Kiss, Aerosmith e Bon Jovi) e trash metal (Anthrax, Megadeth, Slayer e Metallica).

Há, para os cultores do heavy metal, uma manifesta criação de estereótipos que não fazem a regra. Violência, barulho e ruído gerados pelos concertos de bandas de heavy metal, que conduzem a destruição e caos após a conclusão dos concertos, é uma ideia exagerada dos que não gostam daquele tipo de música, afirmam os fãs do género.

8 Junho 2010

SCHUMANN NASCEU EM 1810

Robert Schumann nasceu a 8 de Junho de 1810, há duzentos anos, em Zwickau (Alemanha) [morreu em 1856]. Foi um compositor para quem o piano teve grande relevo. Viveu parte da sua vida em Leipzig. Escrevi aqui, a  3 de Setembro de 2007, sobre a cidade:

Leipzig é conhecida pela música. Johann Sebastian Bach (1685-1750) trabalhou e compôs aqui. O museu, em sua memória, dá conta dos principais passos dessa vida tão criativa [...]. Mas a cidade é ainda viveiro de outros músicos conceituados no panorama da música clássica, como Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847) e Robert Schumann (1810-1856).

30 Abril 2010

O PRÉMIO DOS DEOLINDA

Os Songlines Music Awards 2010, organizados pela revista inglesa Songlines, premiaram os portugueses Deolinda, na categoria “Newcomer”, com o álbum Canção ao Lado. Também na lista final de nomeados estiveram os luso-suecos Stockholm Lisboa Project (que se apresentam hoje no Montijo e amanhã em Cascais), na categoria “Cross-Cultural Collaboration”, e Lura, cantora de origem cabo-verdiana mas nascida em Lisboa, na categoria “Best Artist”. Mais informação aqui.

28 Abril 2010

TEATRO NACIONAL DE SÃO CARLOS

O maestro britânico Martin André será o director artístico do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) a partir de 1 de Agosto próximo. Substitui Christoph Dammann. Jorge Salavisa será o presidente do Conselho de Administração do Opart (empresa pública que gere o Teatro São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado) a partir de 18 de Maio próximo. Jorge Salavisa é o actual director do Teatro de São Luiz (base: notícia do Público Online).

26 Abril 2010

OS DIAS DA MÚSICA

Nos Dias da Música, de sexta-feira até ontem, venderam-se quase trinta mil bilhetes, com uma taxa de ocupação das salas a rondar os 87%. O tema foi As Paixões da Alma.

No próximo ano, o Centro Cultural de Belém acolherá o tema Da Europa ao Novo Mundo, com música criada entre o final do século XIX e o final da Segunda Guerra Mundial.

17 Abril 2010

MEMÓRIA FUTURA

Demian Cabaud Quarteto, Saxofínia + Banda da Armada Portuguesa, Bernardo Sassetti Trio. Ambientes sonoros distintos, públicos variados, horas imperdíveis.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.