Arquivo para ‘Teatro’

21 Abril 2011

FATAL 2011 – FESTIVAL ANUAL DE TEATRO ACADÉMICO DE LISBOA

O FATAL 2011 – Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa traz, de 11 a 29 de Maio, quinze grupos de teatro de dentro e fora de fonteiras. Para além dos espectáculos, o festival vai encher a capital com exposições, workshops e uma residência artística com alunos. Contacto: fatal.comunicacao@reitoria.ul.pt.

21 Abril 2011

TEATRO

“Se Adão e Eva eram brancos de onde é que vieram os pretos”?

“Percutindo bidons, cruzando palavras e canto, erguendo a voz ou evocando a poesia num bailado, Nosso Senhor da Purificação comove, provoca e cativa o público num espectáculo onde a música, a luz e a representação se elevam a prece. Ao longo de sessenta minutos são apresentados diferentes quadros do processo clássico de imigração e consequentes problemáticas de integração na sociedade de acolhimento. Numa perspectiva crítica e dinâmica da sociedade urbana actual fala-se abertamente de partidas e chegadas, de sonhos e de loucura, levantam-se dúvidas e afirmam-se certezas”.

Textos: actores, António Terra, Hugo Barreiros, Ondjaki, São Correia. Actores: Anuku Lorosae, Gany Ferreira, Hélder Silva, Mada Madavazane, Mary Joss, Solange Sanhá, Soraya Ramos. Participação especial: Valéria Carvalho. Composição e direcção musical: Pedro Lima. Coreografia: Sandra Roque.

Teatro A Barraca, 28 de Abril a 1 de Maio.

16 Abril 2011

O ÚLTIMO BAILE DO SR. JOSÉ DA CUNHA

O texto é de Júlio Dinis (nome literário de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, escrito em 1857), a encenação de Humberto Pereira, os actores do Grupo de Teatro Amador do Órfeão da Foz do Douro (Porto), colectividade fundada em Janeiro de 1906.

Uma comédia divertida num acto, em que os amigos Alberto e Ernesto procuram revelar-se às suas amadas num baile de máscaras. Texto de uma época onde os códigos sociais e simbólicos eram bem demarcados e obedeciam a regras muito rígidas de honra e relacionamento. Dois pares amorososos (um já constituído com solidez, o outro à espera de aprovação), os sentimentos expressos de modo claro e sem subterfúgios, a necessidade de autorização do pai para a filha namorar (e a ausência significativa da mãe em tal decisão), o galã a querer seduzir uma mulher casada, cujo marido era muito ciumento, são alguns ingredientes psicológicos de uma peça ainda muito popular no conjunto de grupos de teatro amador.

Os actores da peça estreada em Maio de 2010 e cujo ciclo de representações chega ao fim são, por ordem alfabética, Álvaro Cardoso, Isabel Cardia, Francisco Silva, Esmeralda Rocha, José Agostinho, Humberto Pereira e Conceição Luz.

A colectividade insere-se numa zona simultaneamente popular e de classe mais elevada. A zona habitacional e a data de origem indicam isso. Hoje, pelo que percebi, além do teatro e da participação em festas populares como o S. João, o que levou o presidente da associação a pedir voluntários, o órfeão tem uma banda e outras actividades como futebol de mesa.

A assistência ao espectáculo conhecia-se entre si, o que ilustra a proximidade habitacional e gostos próximos daquilo a que João Teixeira Lopes e Bárbara Aibéo (Os públicos da cultura em Santa Maria da Feira, 2007) chamaram de activismo popular (esfera da criação sem autor, como teatro amador e cantar-dançar-tocar um instrumento, público jovem na transição para a vida adulta e em contexto de menor capital cultural), por distinção de ecletismo cultivado, doméstico convivial e doméstico audiovisual. Aqui, há uma diferença face ao que os dois sociólogos indicam, pois o público é mais velho, identificado na linha Jordi López e Ercília García (El consumo de las artes escénicas y musicales en España, 2002), quando se referiam à cultura espanhola da zarzuela e do flamenco.

27 Março 2011

>DIA MUNDIAL DO TEATRO

>”Dizer onde começa e acaba o fascínio do teatro é, para mim, dizer onde começa e acaba o fascínio pela vida, pela interacção entre pessoas, culturas, hábitos adquiridos ou impostos, liberdades conquistadas ou suprimidas. Dizer qual é o papel do teatro nos dias de hoje, como sempre, é realçar o papel de tornar visível o que a mente pode não conseguir ou não se atrever a ver, trazer à emoção os sorrisos adivinhados e sentidos, trazer à luz da sociedade as dores infligidas e sofridas, mesmo até as que são aceites e as que não nos atrevemos a rejeitar. O teatro é, e sempre será, o palco onde a vida se pode mostrar e onde se constrói vida para além da que vivemos, levando-nos a sonhar, equacionar e arriscar. Para mim, é isto o teatro” (início da mensagem de Margarida Fonseca Santos para a Sociedade Portuguesa de Autores no Dia Mundial de Teatro).

17 Março 2011

>TEATRO POPULAR E ERUDITO

>Aparentemente, as peças pareciam trocadas. In the woods (de Stephen Sondheim) é um musical a partir dos contos dos irmãos Grimm e também Charles Perrault: capucinho vermelho, cinderela. Mas, a segunda parte da peça, após a satisfação dos desejos, torna-se mais complicada. Se, até aí, cada personagem dependia da sua sorte pessoal, dos desejos individuais se cumprirem, na segunda parte todos precisam de todos para se salvarem do gigante. A assistência, de cabelos grisalhos na sua maioria, conhecia-se entre si, formando uma comunidade de interesses. Lembrei-me de uma zarzuela que vi em Madrid. O espírito é semelhante: o teatro de amadores. Mas, enquanto em Madrid era um teatrinho, em Ottawa a sala da sociedade de teatro musical Orpheus, associação criada em 1906, tinha uma dimensão apreciável, só com plateia. A sociedade é composta por muitos amigos, colaboradores e voluntários; daí os cumprimentos no começo e as apreciações no intervalo e no final do musical.

A peça no NCA, em francês, conta a verdade de um soldado (Vérité de soldat, de Soungalo Samaké, com texto adaptado de Jean-Louis Sagot-Duvauroux), peça em torno da independência do Mali, antiga colónia francesa, e dos golpes de Estado subsequentes. Cinquenta anos de independência do Mali representados por um narrador, por um soldado e por uma mulher. Há uma diálogo permanente entre o narrador e uma das outras personagens, frente a frente, ou com o soldado voltado para a plateia interrogado pelo narrador, antigo torturado por aquele. Quando narrador e mulher ou narrador e soldado estão frente a frente, a personagem à direita do palco é filmada e projectada em ecrã no fundo do palco. O soldado fala frequentemente em mali, com legendagem em francês. Não há movimento, mas os diálogos dão conta de uma grande plasticidade e de uma grande emoção. O que aconteceu no Mali, aconteceu possivelmente em Angola, na Guiné-Bissau, em Moçambique. E anteriormente no Brasil e no Canadá, aqui com especificidades, pois o grupo triunfador nasceu do seio do antigo colonizador. A mensagem do colonizador é substituída por outras forças que demoram a ajustar-se e a prosseguir num sentido justo. O soldado é autor e vítima dessas transformações: de agricultor, alistou-se como voluntário nos para-quedistas e serviu sucessivamente as forças coloniais, as da independência e das forças do golpe de Estado. Vigilante do deposto presidente, com a morte súbita deste, é preso e condenado. Mais tarde, é libertado e enceta conversa com o narrador, que torturara, devido à ligação pessoal com o presidente deposto. A mulher, que a independência e o golpe militar não haviam considerado como género igualmente com direitos, foi a mais relutante em aceitar as justificações do soldado. Contudo, este, apesar de polícia do presidente deposto, criou uma deferência grande para com ele.

Se o teatro da peça musical estava cheio, o teatro da NAC não tinha muita assistência. A primeira peça era de divertimento, a segunda obrigava a uma reflexão. O movimento, a alegria e a música da primeira não se comparavam com a densidade textual da segunda – apesar do texto ser uma longa conversa.

16 Janeiro 2011

>MEMÓRIAS DE CRIADAS DE SERVIR

>

“As vidas invisíveis das empregadas internas” é o título de capa da Pública de hoje (texto de Luís Francisco). Em tema, a vida das empregadas domésticas internas, com histórias daquelas mulheres que trabalham em casa de outros, criam filhos que não são os seus e partilham alegrias e tristezas dos seus patrões. São histórias de vida: Henriqueta, Francisca, Lurdes. A Associação das Criadas de Servir tem estatutos de 1932 e artigos da imprensa na década de 1960 indicam que as empregadas internas não queriam fardas. Hoje, o Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Actividades Domésticas abrange a defesa do interesse dessa actividade. Outrora, o trabalho pertencia a mulheres vindas da província, hoje, são imigrantes que ocupam as tarefas.

O tema parte da peça de Jorge Silva Melo, Fala da criada dos Noailles que no fim de contas vamos descobrir chamar-se também Séverine numa noite do inverno de 1975, em Hyères, actualmente a ser representada no teatro da Trindade (Lisboa). Séverine era o nome da empregada que trabalhava na casa dos condes de Noailles e que posava para pintores e entrou no filme de Luis Buñuel L’Âge d’Or (1930). Outros criados eram Mariette, Gisette, Lilette, Josette, Gaston.

A peça, inspirada em O Meu Último Suspiro, livro de memórias de Buñuel, e nas botinas do seu Diário de uma Criada de Quartoconta a história dos Noailles vistos a partir das recordações da criada Séverine (numa belíssima interpretação de Elsa Galvão). Os Noailles verdadeiros tinham casado em 1923. Já antes do casamento eram amigos de Jean Cocteau e Picasso; depois tornaram-se amigos, apoiaram projectos e compraram obras de, entre outros, Man Ray, Salvador Dalí, Balthus, Brancusi, Miró e Buñuel (caso do filme L’Âge d’Or). Importantes mecenas do cubismo e do surrealismo, a casa dos Noailles foi ocupada pelo exército italiano na Segunda Guerra Mundial e transformada em hospital. Depois, continuou a ser a residência dos Noailles, hoje é um centro de arte.

A criada Séverine mostra a vida íntima, social e artística dos condes segundo a sua cultura e perspectiva. Começa com a história do jantar do artista D. Luis Buñuel com o seu antigo mecenas e amigo Conde de Noailles, onde comem pescada cozida. Fala incessantemente de números: as 150 personagens de Buñuel, os 356 desenhos (de Picasso), as 203 lâmpadas fundidas do candelabro. De Picasso, sem o nomear, “Diz que é espanhol. Espero que não seja aquele pequenito e entroncado que me apalpava o rabo sempre que eu o ia servir e que vinha cá com uma mulher diferente sempre mesmo que fosse hoje e no dia seguinte e depois de amanhã”. Sobre Wagner, também sem o nomear, a criada fala de “Uma música muito complicada que o senhor conde também gostava muito. A música da Isolda, morte dela ou assim. A Isolda era uma cadela da senhora condessa que dormia com ela e um dia morreu e fizeram esta música, a morte da Isolda”. Sobre os artistas, a criada enuncia apenas os nomes próprios – Monsieur Jean [Cocteau], Monsieur Maurice [Ravel] (cujo ritmo e repetição musical ajudava a bater claras em castelo) -, refere-se perifrasticamente – “o espanhol pequenito e entroncado”, “o rapaz do peito sem pêlos”). No final, surgem os fantasmas de 32 mecenas a invadir a cena, como Peggy Guggenheim, Calouste Gulbenkian, Catarina da Rússia e o próprio conde Charles de Noailles. Surgem outras citações ao vivo, como Déjeuner sur l’herbe de Manet.

5 Dezembro 2010

BRECHT NO TEATRO ABERTO

Uma sala de teatro cheia é um consolo, como a que se verificou na Sala Azul do Teatro Aberto, onde está em cena O senhor Puntila e o seu criado Matti, de Bertold Brecht, numa versão João Lourenço e Vera San Payo de Lemos, dramaturgia de Vera San Payo de Lemos, encenação e realização de vídeo de João Lourenço e música de Mazgani.

Retiro a sinopse do sítio do Teatro Aberto: “Puntila [Miguel Guilherme], um proprietário rural que aprecia demasiado a bebida, sofre de dupla personalidade: quando está sóbrio é arrogante e egocêntrico, quando está ébrio é fraternal e compassivo. Oscilando entre ambos os extremos, surpreende e confunde tudo e todos, amigos, desconhecidos e subordinados, em especial Matti [Sérgio Praia], o seu motorista e confidente. Escrita em 1940, durante o exílio de Brecht na Finlândia, esta peça é «uma comédia de carácter em tom popular», baseada numa comédia de enganos e em contos da escritora finlandesa Hella Wuolijoki. O tema do senhor e do servo surge tratado numa panóplia de figura e situações, impregnadas de humor e poesia. Ao som de baladas, dança-se o tango finlandês, cantam-se louvores à exuberância da natureza e aos prazeres da bebida, sabendo que, apesar do sonho da igualdade entre os homens, «a água e o azeite nunca se vão misturar»”.

No foyer do teatro, há uma exposição de cartazes e imagens de peças de Brecht anteriormente apresentadas pelo Teatro Aberto, no que é um dos autores de referência daquele teatro da Praça de Espanha.

29 Novembro 2010

A CULTURA HOJE

  • “À pergunta sobre se aceitaria hoje assumir o cargo de ministra da Cultura a resposta foi evasiva: «Não sei se aceitaria. […] Comecei o mandato cheia de expectativa de que estavam criadas as condições para consolidarmos o nosso tecido cultural» (entrevista de Gabriela Canavilhas ao Jornal de Notícias e de que li um excerto no Público).

Um dos temas mais focados foi a questão das mudanças previstas na gestão financeira dos dois teatros nacionais (D. Maria II e São João), com racionalização de meios e canalização de mais recursos para a programação, de acordo com a perspectiva de Gabriela Canavilhas. A ministra considera que Diogo Infante e Ricardo Pais, ligados a essas duas estruturas, são dos que mais criticam a mudança da gestão financeira para a Opart (Organismo de Produção Artística).

O artigo de Ricardo Pais, no Público de hoje, é deveras corrosivo para a ministra, embora haja apartes que não entendi, certamente tendo como alvo um só leitor(a). A ministra é uma mulher das artes – e tudo isto (os cortes orçamentais, as críticas) é muito duro. Ela está a desempenhar um papel difícil e com espaço cada vez mais apertado. Parece-me que a dificuldade atinge todos os governantes.

28 Novembro 2010

CITAÇÃO

A editora americana de Heiner Müller contava a seguinte história: ela e o marido viviam numa zona abastada do Estado de Massachusetts. Os vizinhos quiseram saber o que fazia o casal, que explicou estar ligado ao teatro, uma actividade com “um palco onde há pessoas que representam, que fazem como se fossem outras pessoas, e representam a vida dessas pessoas. Em baixo, estão sentadas pessoas que olham e ouvem, podem gostar ou não, no fim, aplaudem ou não”. A mulher do vizinho percebeu logo: claro, isso é a televisão!

O actor confessa-se cansado, com o público a não se importar com ele. O outro actor diz-lhe que não, que o público o adora e que vai ao teatro ver as peças porque ali só se representa qualidade. O velho actor duvida: no final do espectáculo, o público vai-se embora e dormir, esquecendo-o.

O actor é Luís Miguel Cintra. Fim de Citação é uma colagem de textos, uma colecção de citações de Luiza Neto Jorge, Beckett, Genet, Lorca, Pirandelo, Müller e outros. O actor chama-lhe também um prólogo, um “lever de rideau”, uma advertência. E ainda um improviso, porque em vez de Fim de Citação estava para ser uma produção com outra entidade, mas os cortes no orçamento impediram essa actividade. Luís Miguel Cintra diz ainda que se trata de um balanço de 37 anos do teatro Cornucópia, com uma revisitação por encenações já vistas. As personagens são, aliás, o encenador (Luís Lima Barreto), a assistente de encenação (Sofia Marques), o contra-regra (Dinis Gomes), o actor (Luís Miguel Cintra) e o urso (Manuel Romano, que é o verdadeiro assistente de encenação na peça). Os espelhos permitem ver os actores de costas e de lado – e também o público, como no quadro As Meninas de Velásquez.

Luís Miguel Cintra mostra a sua melancolia ao escrever sobre o tempo presente: “Caminhamos a passos largos para uma lógica de mercado nas artes dos espectáculos que cada vez nos empurrará mais para o mesmo desprezo pelo público que é próprio das empresas comerciais: cada pessoa, mais que pessoa, será um porta-moedas”.

No final, os actores cantam em playback o “Agnus Dei” da Missa da Coroação de Mozart (Sofia Marques “com” a voz de Stich-Randall). O palco ficaria vazio, confundindo-se com o que existe para lá dele: o bastidor. O público bateu palmas, veio-se embora mas não esqueceu o actor nem o seu teatro. Para o ano, mesmo com os cortes orçamentais, esperamos ver o actor em A Catatua Verde, de Arthur Schnitzler (Teatro D. Maria II) e A Varanda, de Jean Genet (Teatro do Bairro Alto).

21 Outubro 2010

A MORTE DE MARIANA REY MONTEIRO

  • P: Nasceu no palco. Mas a sua estreia só aconteceu aos 24 anos. Antes só tinha pisado o palco aos 12 anos para uma participação num coro, na peça “A Castro”, de António Ferreira, no Mosteiro de Alcobaça, não foi?

    R: Foi e não foi. Nasci num ambiente em que não se falava de outra coisa senão de teatro e também de música. O meu avô Alexandre Rey Colaço era compositor. Por vezes também se falava em pintura, porque tinha uma tia muito talentosa, Alice Rey Colaço. A mistura dos sangues dos meus avós deu a vários membros da família sensibilidade artística: o meu avô, que era filho de um francês e de uma espanhola, nasceu em Tânger, estudou música em Madrid, casou com uma filha de uma francesa e de um alemão e foi viver para Berlim! Muitas vezes ponho-me a ver até onde vai a minha memória desses tempos… Mas ainda bem que fala nesse espectáculo ao ar livre em Alcobaça — as pessoas esquecem-se muito depressa das coisas importantes que houve, e os meus pais [Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro, donos da empresa que explorou, a partir de 1929, o Teatro Nacional D. Maria II] fizeram coisas muito importantes no campo teatral. Essa foi uma delas. A minha mãe achou que era uma maneira útil para a minha educação fazer parte daquele coro. Quando houve a repetição, tinha eu 18 anos, já não entrei porque os meus pais tinham pavor que eu fosse para o teatro.

Da entrevista de Adelino Gomes a Mariana Rey Colaço Robles Monteiro, agora falecida com 87 anos. A entrevista foi efectuada em 14 de Janeiro de 2003 (Público).

17 Outubro 2010

CORRA COMO UM COELHO

“De 15 de outubro a 14 de novembro de 2010. Corra como um Coelho, da Cia. dos Outros, é um espetáculo criado em processo colaborativo sob a orientação do prof. dr. Antônio Araújo (CAC) e coorientação do prof. José Fernando Azevedo (EAD). Trata-se de uma comédia que constrói uma síntese sobre o absurdo cotidiano de uma sociedade regida por simulacros, pastiches e clichês. O espetáculo dialoga com o humor nonsense, embrenhando-se no labirinto de excessos e absurdos do cotidiano, tomando por referências as obras de Dorothy Parker e Lewis Carroll, as imagens de Norman Rockwell, a filmografia de David Lynch e as gags do cinema mudo. A Cia. dos Outros é fruto de um encontro de jovens artistas do Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP e da Escola de Arte Dramática (EAD) iniciado em 2006 com a montagem do espetáculo Holocausto”. Teatro da Universidade de São Paulo, R. Maria Antonia, 294 – Consolação. tuspmkt@usp.br - 11 3123.5223  [informação retirada do blogue Portal Cultural da Zest]

28 Setembro 2010

FESTIVAIA

Eliana e Sofia Cavalcante, idealizadoras do Núcleo Passo Livre, realizam a primeira edição do FestiVaia no período de 1 a 10 de Outubro, no Espaço Cariris, em São Paulo, Brasil, em homenagem dupla: ao  Viva Vaia de Augusto de Campos e ao poeta francês Jean Cocteau pela célebre frase de sua autoria: “Aquilo que o público vaia, cultive-o, porque é você” (fotografia: Eliana Cavalcante em A Pulga).

28 Setembro 2010

VAMOS FAZER UMA ÓPERA

Um divertimento para gente miúda, de Benjamin Britten e Eric Crozier. 2 de Outubro, 16:00, M/6, Sala Principal do Teatro Municipal de Almada. Na escola (Teatro) – encenação de Paulo Matos. O Pequeno Limpa-Chaminés (Ópera) – versão portuguesa de Alexandre Delgado. Let’s make an opera, na concepção original de Benjamin Britten e Eric Crozier, nasceu da vontade de criar uma ópera para e feita por crianças. O público, maioritariamente constituído por jovens, deverá sentir não só que está a assistir a todo o processo de produção de um espectáculo de ópera, desde a sua criação, ao seu planeamento, ensaios, construção, mas também que faz parte dele como personagem colectivo na forma do coro.

26 Setembro 2010

TEATRO II

Diogo Infante recorda que foi em 1998 que encenou Tennessee Williams a primeira vez: O Jardim Zoológico de Cristal. Agora, coube a vez a Um Eléctrico Chamado Desejo, começada a escrever por Williams em 1945 e estreada dois anos depois em Nova Iorque, com Jessica Tandy e Marlon Brando entre outros.

“Blanche DuBois, uma frágil e solitária beldade sulista, decide visitar a sua irmã, Stella, que vive num bairro pobre de Nova Orleães. Numa altura em que a sua vida se encontra em declínio, Blanche acaba por se confrontar com o marido de Stella, Stanley Kowalski, cujo temperamento rude tanto ofende como atrai a sua educada sensibilidade. Enquanto o jazz dos anos 40 enche os bares locais durante a noite, as tensões crescem até atingirem um ponto de ruptura inevitável (texto do sítio do Teatro Nacional D. Maria II).

Sobre a peça, escreve Mário Jorge Torres: “Stella [Lúcia Moniz], como uma espécie de alegoria do espectador e centro filosófico de uma reflexão sobre a existência, colocar-se-ia, assim, entre duas forças tentadoras, sempre duais e contraditórias: Blanche [Alexandra Lencastre], representante da cultura, do idealismo e do culto do Belo (mas também da fraqueza, do desequilíbrio, da mentira e da rejeição das amarras ao real), e Stanley Kowalski [Albano Jerónimo], a encarnação de uma sexualidade agressiva, de uma animalidade crua e elementar, mas também da hipótese da sobrevivência, da procriação, do jogo bipolar entre masculinidade assertiva e um retrógrado caminho de regresso à idade das cavernas”.

O autor, sobre a peça, recorda como começou a escrevê-la depois de ser operado a um dos olhos, que sofria de uma catarata: “como acto final de reabilitação, instalei-me durante algum tempo em Chapala [México] para trabalhar numa peça chamada The Poker Night que, posteriormente, se passou a chamar Um Eléctrico Chamado Desejo. É apenas no seu trabalho que um artista consegue encontrar a realidade e a satisfação, uma vez que o mundo real é menos intenso do que o mundo inventado e, consequentemente, do que a vida, sem se recorrer a um distúrbio intenso, nada parece muito substancial”.

Alexandra Lencastre, actriz que se estreou no teatro em 1985 na peça Pílades, com encenação de Mário Feliciano, já não representava num palco há 15 anos. Durante este longo período participou em programas de televisão, séries, telenovelas e cinema. O regresso é muito feliz, pois desempenha o papel da esquizofrénica Blanche DuBois com enorme classe e expressão. 

http://www.youtube.com/v/Uf0lTf1lnsY?fs=1&hl=pt_BR

26 Setembro 2010

TEATRO I

Ifigénia na Táurida, de Goethe, estreada no teatro Cornucópia em Setembro do ano passado, teve agora uma curta passagem pelo Teatro Municipal de Almada, saindo hoje de cena. A encenação coube a Luís Miguel Cintra, a recriação poética a Frederico Lourenço e o cenário e os figurinos a Cristina Reis.

Beatriz Batarda (Ifigénia), Luís Miguel Cintra (Toas, rei dos Tauros), Paulo Moura Lopes (Orestes), Vítor d’Andrade (Pílades) e José Manuel Mendes (Arcas) interpretaram a peça de Goethe, interessado pela cultura clássica grega, onde recuperou a história de Ifigénia, filha de Agamemnón e Clitemnestra, que aquele decidira sacrificar para obter os favores dos deuses no cerco a Tróia. A deusa Diana salvara-a, tornando-a sacerdotisa na Táurida. Mais tarde, Orestes vinga a morte do pai, assassinado pela mãe, e foge, perseguido pelas Fúrias. Com o amigo Pílades, chega à Táurida e resgata a irmã do rei Toas, levando-a de retorno à Grécia.

Escreve o encenador: “O trajecto é o das trevas para a luz. Em Ifigénia, em Orestes, em Toas. É o da transformação da barbárie ou da velha Cultura em Civilização. É o caminho até à revelação da verdadeira natureza de Deus através da revelação de cada um a si próprio. [...] É esse amor à verdade (o de Ifigénia, neste caso) que tudo move. No confronto com o que a vida nos traz, com o «acaso», se se quiser, «coisa que não dominamos». É esse o fogo, o desejo do confronto. O tema da peça julgo que é o próprio Conhecimento. Citando a própria Ifigénia: conhecimento de si próprio”. Mais à frente, Cintra refere o autor, Goethe, que indica ser a peça pobre em vida exterior, “mas rica em vida interior. E é essa vida interior que o actor teria de recriar”.

A peça gira em torno de Toas, Orestes e Ifigénia. Melhor, é Ifigénia o centro: ela, ciente da sua fraqueza, vê igualmente as fraquezas dos homens. As suas palavras, o poder que ela tem contra a espada dos homens, acabam por tecer os destinos daqueles seres, o da liberdade para Orestes e Pílades, igualmente para ela, e o da razão, da cedência e do reconhecimento do envelhecimento e da lenta perda de poder em Toas. Na realidade, Ifigénia ocupa todo o espaço do palco, e mostra-nos em quase duas horas o grande dramatismo da história de uma família amaldiçoada pela violência e pelas mortes desde Tártaro (fotografia retirada do sítio do Teatro da Cornucópia).

13 Julho 2010

DIRECÇÃO DO TEATRO SÃO LUIZ EM CONCURSO

Encontra-se aberto o concurso para a direcção artística do Teatro Municipal São Luiz (Lisboa). As candidaturas decorrem até às 18:00 do dia 20 de Julho, com todos os candidatos a fazerem inscrição obrigatória na plataforma electrónica www.vortalgov.pt. O júri do concurso é constituído por Miguel Honrado (presidente), Ana Marin, António Pinto Ribeiro, Emmanuel Demarcy Mota e Pedro Burmester (vogais). Saber mais através do email concursosaoluiz@egeac.pt.

27 Junho 2010

IONESCO

Hoje é o dia derradeiro da representação da peça O rei está a morrer de Eugène Ionesco no teatro Comuna, numa encenação de João Mota.

Logo no começo da peça se anuncia que o rei Bérenger (Carlos Paulo) vai morrer no final do espectáculo (90 minutos depois). Quem o diz é Margarida (Tânia Alves), primeira mulher do rei, enquanto Maria (Ana Lúcia Palminha), segunda mulher do rei, procura manter vivo o seu amor. Margarida é apoiada pelo médico e carrasco (Rui Neto), enquanto a empregada (Mia Farr) e o sentinela (Alexandre Lopes) manifestam sentimentos contraditórios.

No texto que acompanha a apresentação da peça, lê-se: “Uma comédia que mostra o quão ridículos podemos ser quando nos confrontamos com a efemeridade da vida e o inútil apego que temos às coisas materiais”. Ionesco, um dos principais nomes do teatro do absurdo, reflecte sobre o poder e a perda de poder e o modo como cada indivíduo olha a realidade e a morte que se aproxima cada dia ou cada hora. O rei Bérenger julgava ter o poder de fazer chuva ou mudar a orientação e movimento dos astros, mas o seu reino já se afundava no abismo, ou as fronteiras reduziam porque os países vizinhos aproveitavam a sua falta de força para imporem novas fronteiras, e os cidadãos morriam (afogados, assassinados, por desleixo ou falta de convicções). O poder já estava noutras mãos, nas da primeira mulher (e também no físico e médico e carrasco), enquanto se assiste à lenta e pouco digna agonia do rei.

21 Junho 2010

PEÇA DAS OFICINAS DE TEATRO NA COMUNA

“Seis mulheres com diferentes percursos de vida encontram-se para tentar falar pela primeira vez e ultrapassar os gestos repetitivos com que aos poucos têm destruído as suas vidas e a daqueles que as rodeiam”. Comuna Teatro de Pesquisa (Lisboa), 26 de Junho às 20:00. Vícios Anónimos, trabalho colectivo. Elenco: Ana Brilha, Filipa Marques, Patricia Caeiro, Rute Moura, Teresa Macedo e Vera Venancio. Direcção e Encenação: João Rosa. Ver mais em Oficinas de Teatro.

23 Maio 2010

OLÁ E ADEUZINHO

Olá e Adeuzinho é uma peça de Athol Fugard (África do Sul, 1932), encenada por Beatriz Batarda e interpretada por Catarina Lacerda e Dinarte Branco, apresentada no Teatro da Cornucópia (Lisboa).

Ester e Johnnie são filhos de um antigo ferroviário, Joahnnes Cornelius Smit, que teve um acidente e ficou inválido para o trabalho. Os Smit faziam parte da população branca pobre da África do Sul, com a história a narrar o regresso de Ester a casa paterna após doze anos em Joanesburgo, na esperança de receber parte da herança do pai (que estaria a morrer), composta essencialmente pela indemnização que a empresa de caminhos de ferro pagara ao velho Smit.

Enquanto abrem as malas do pai em busca desse dinheiro, os irmãos vão narrando as suas vidas complicadas e quase sem futuro. Ele, sem emprego pois concorrera a um lugar da mesma empresa do pai mas ficara pelo caminho, passando a vida a fazer de enfermeiro do pai, uma vez que a mãe morrera muito cedo. Ela, regressada de uma vida dedicada à prostituição, redescobre as fotografias da família, os vestidos da mãe e os sapatos que usara quando criança, tudo coisas velhas e sem sentido. No final, ela descobre que o pai já falecera e que o irmão mantinha a ilusão de ainda apoiar o doente. Ela parte, pois não há nenhum dinheiro para herdar, mas ele ganha uma história pessoal: usa as muletas e fala da empresa de caminhos de ferro, uma transferência de pai para filho, útil para quem não via sentido na vida.

A representação é muito segura e convincente. A encenação é minimalista, mostrando bem um quadro de família disfuncional e indigente num contexto social mais geral de pobreza e de depressão económica. A peça passa-se quase toda no lado direito do palco, dando mais intimidade à relação dos irmãos, sempre em desacordo (valores, Deus, o dinheiro), num texto muito denso e dramático (gostei muito do monólogo inicial interpretado por Dinarte Branco). É a primeira encenação de Beatriz Batarda. A peça de Athol Fugard, crítico do antigo regime vigente na África do  Sul, o apartheid, já foi representada em Portugal por Zita Duarte e Luís Miguel Cintra em 1983, para a televisão.

Catarina Lacerda fez o papel de Laurinda no filme de António Ferreira, Deus não quis (2007). Dinarte Branco tem uma carreira mais longa, participando nomeadamente em televisão, com Os Contemporâneos (2008-2009) e Mistérios de Lisboa (2010).

16 Maio 2010

LIGAÇÕES

Ligações, A partir de Choderlos de Laclos (1741-1803). Adaptação e Encenação: Pedro Barão; Interpretação: Nuno Bernardo (Valmont), Alexandra Freudenthal (Merteuil), Gabriela Relvas (Tourvel), Jenny Romero, Marta Amado, Paula Antunes, Tatiana Pereira, Francisco Gomes e Sérgio Marcelino (companhia In Impetus). A marquesa de Merteuil, personagem pérfida, e o visconde de Valmont, libertino e antigo amante daquela, urdem um enredo sobre amor e traição, com intrigas e planos de sedução, que apanha a senhora (madame de) Tourvel, uma recém-casada. Ligações perigosas, romance de Choderlos de Laclos publicado em 1782 e adaptado ao cinema diversas vezes, narra as relações de aristocratas através de cartas que trocam entre si.

A peça é longa mas bem interpretada, de grande dureza em especial para as actrizes, com cenografia complexa a obrigar a muitos cortes atendendo aos sucessivos quadros. Está em cena numa sala na cave do liceu Camões, agora a comemorar cem anos de ensino, até 6 de Junho de 2010, às 5ª, 6ª, sábado e domingo, às 22:00. Os actores representam a peça mesmo junto aos espectadores [mais informações aqui] [imagem feita na cave do liceu Camões].

4 Maio 2010

TEATRO – AGORA A SÉRIO

Agora a Sério é uma peça de Tom Stoppard, traduzida e encenada por Pedro Mexia e apresentada no Teatro Aberto (Lisboa). Pedro Lima, São José Correia, João Reis, Ana Brandão, Nuno Casanovas, Diana Costa e Silva e Afonso Lagarto interpretam.

A peça conta a história de Henry, um dramaturgo dividido entre duas actrizes, Charlotte e Annie, uma peça de teatro dentro do teatro, como evidencia a primeira cena. Comédia de uma forte destreza verbal, como reconhece o tradutor e encenador, Agora a Sério fala de amor e atracção sexual, com situações que se repetem (como a cena do comboio). A peça tem um forte registo autobiográfico.

Stoppard nasceu na República Checa em 1937, indo com dois anos para Singapura, passando pela Índia em 1941 até se fixar na Inglaterra em 1946. Trabalharia como jornalista e crítico, antes de começar a escrever para rádio e televisão. Em 1966 publicou um romance. Depois experimentou a escrita para teatro, notabilizando-se nessa área.

28 Abril 2010

TEATRO NACIONAL DE SÃO CARLOS

O maestro britânico Martin André será o director artístico do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) a partir de 1 de Agosto próximo. Substitui Christoph Dammann. Jorge Salavisa será o presidente do Conselho de Administração do Opart (empresa pública que gere o Teatro São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado) a partir de 18 de Maio próximo. Jorge Salavisa é o actual director do Teatro de São Luiz (base: notícia do Público Online).

15 Abril 2010

TEATRO DA VERTIGEM

À procura de emprego, de Michel Vinaver, no Teatro da Vertigem, Bela Vista, S. Paulo, no dia 20 de Abril de 2004.

28 Março 2010

A FAMÍLIA PORTUGUESA NO TEATRO ABERTO

António é o ausente sempre presente: foi ele quem pagou a casa onde vive a família, seria ele que poria ordem à desordem da vida da sua família. Isaura (Teresa Faria), a viúva, é a intérprete da sua memória, mas já confunde a fantasia com a realidade. O filho Zé (João Maria Pinto) esteve na guerra colonial, mais propriamente em Moçambique, trazendo ainda hoje os traumas da experiência. Depois do regresso, aderiu ao Partido. Agora, já reformado, é acometido permanentemente por achaques e receios de cancro, que já dizimou um dos pulmões. A vida não lhe correu muito bem, resume. A mulher, Rosa (Luísa Salgueiro), secretária numa escola secundária, vive entre apoiar o Zé e os filhos, tendo ainda que dar conta da sogra Isaura, com quem não se relaciona nada bem. Os filhos são Ricardo (Bruno Simões), que trabalha num banco e é o principal sustentáculo da família, e Rui (Carlos Malvarez), ainda adolescente a acabar o ensino secundário e a pensar em entrar como voluntário para as forças armadas, a que o pai se opõe veementemente.

Uma família portuguesa, de Filomena Oliveira e Miguel Real, mostra uma família a caminho da desestruturação, dadas as dificuldades diárias: a falta de dinheiro, a doença, a desesperança, os pequenos problemas tornados quase impossíveis de resolução. Parece haver uma predisposição inconsciente que marca a vida da família, um destino e um percurso indestrutíveis e sem alternativa [imagem ao lado fornecida pela produção da peça].

A encenação de Cristina Carvalhal é um frenesim do começo ao fim, deixando quase sem respirar os espectadores (além dos actores, claro), entre o coro grego inicial e o teatro de acção, uma espécie de bailado ao largo do palco com exercícios de equilíbrio em cima de móveis ou na cama, além do musical. Gostei do movimento mas também apreciei os silêncios, o centrar da história num dos lados do palco, com temas mais intimistas e introspectivos. Por seu lado, o cenário da arquitecta Ana Vaz vai ao encontro do texto de José Gil, publicado no catálogo da peça: Portugal releva o pequeno, o pequenino, os múltiplos bibelots e fotografias e objectos que enchem uma casa. O lar é um amontoado de coisas que quase obnubilam o pensamento e o diálogo entre as pessoas. As coisas estão acima das pessoas. Daí o movimento quase permanente de mudar os objectos para que as personagens se sentem ou andem de um lado para o outro.

A peça foi premiada pela Sociedade Portuguesa de Autores em 2008. Agora em cena no Teatro Aberto compreendem-se as razões. Mas não projecta um futuro optimista, desanuviador. Afinal: o que foram as guerras coloniais? E a entrada dos partidos políticos no quotidiano das famílias? Como se comporta uma família portuguesa nas relações entre os seus elementos?

Ontem, foi Dia Mundial do Teatro e, antes da peça, foi lida uma mensagem da Sociedade Portuguesa de Autores, assinada pelo actor Rui Mendes.

25 Março 2010

UMA FAMÍLIA PORTUGUESA

De Filomena Oliveira e Miguel Real, com encenação de Cristina Carvalhal, na Sala Vermelha do Teatro Aberto, de quarta-feira a sábado (21:30) e domingo (16:00), em cena até 2 de Maio. Com Bruno Simões, Carlos Malvarez, João Maria Pinto, Luísa Salgueiro e Teresa Faria.

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