19 Abril 2011

PEGADA

M. (admitamos ser esse o seu verdadeiro nome) comprou uma mobília escandinava adequada à dimensão da sua cozinha, com os equipamentos encastrados. Ficou tudo brilhante, com M. contente e a fazer a publicidade correspondente. Havia até espaço para remédios, ímans no frigorífico, lembretes próprios e recados para a família. O tempo foi acrescentando objectos, frascos de compota, documentos para fazer um livro de culinária, recordações de locais visitados. Nos tempos livres, M. pinta a óleo. Um dia, pôs a loiça na máquina de lavar e, depois da lavagem, abriu a porta e deixou exposta a loiça. Ficou uma instalação. Agora, há visitas guiadas à cozinha.

“a mulher sem meter o pé faz pegada” é uma variante de “a mulher, sem pôr o pé faz pegada”.

18 Abril 2011

PAISAGEM DUPLA

 

Porto, avenida Brasil.

16 Abril 2011

O ÚLTIMO BAILE DO SR. JOSÉ DA CUNHA

O texto é de Júlio Dinis (nome literário de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, escrito em 1857), a encenação de Humberto Pereira, os actores do Grupo de Teatro Amador do Órfeão da Foz do Douro (Porto), colectividade fundada em Janeiro de 1906.

Uma comédia divertida num acto, em que os amigos Alberto e Ernesto procuram revelar-se às suas amadas num baile de máscaras. Texto de uma época onde os códigos sociais e simbólicos eram bem demarcados e obedeciam a regras muito rígidas de honra e relacionamento. Dois pares amorososos (um já constituído com solidez, o outro à espera de aprovação), os sentimentos expressos de modo claro e sem subterfúgios, a necessidade de autorização do pai para a filha namorar (e a ausência significativa da mãe em tal decisão), o galã a querer seduzir uma mulher casada, cujo marido era muito ciumento, são alguns ingredientes psicológicos de uma peça ainda muito popular no conjunto de grupos de teatro amador.

Os actores da peça estreada em Maio de 2010 e cujo ciclo de representações chega ao fim são, por ordem alfabética, Álvaro Cardoso, Isabel Cardia, Francisco Silva, Esmeralda Rocha, José Agostinho, Humberto Pereira e Conceição Luz.

A colectividade insere-se numa zona simultaneamente popular e de classe mais elevada. A zona habitacional e a data de origem indicam isso. Hoje, pelo que percebi, além do teatro e da participação em festas populares como o S. João, o que levou o presidente da associação a pedir voluntários, o órfeão tem uma banda e outras actividades como futebol de mesa.

A assistência ao espectáculo conhecia-se entre si, o que ilustra a proximidade habitacional e gostos próximos daquilo a que João Teixeira Lopes e Bárbara Aibéo (Os públicos da cultura em Santa Maria da Feira, 2007) chamaram de activismo popular (esfera da criação sem autor, como teatro amador e cantar-dançar-tocar um instrumento, público jovem na transição para a vida adulta e em contexto de menor capital cultural), por distinção de ecletismo cultivado, doméstico convivial e doméstico audiovisual. Aqui, há uma diferença face ao que os dois sociólogos indicam, pois o público é mais velho, identificado na linha Jordi López e Ercília García (El consumo de las artes escénicas y musicales en España, 2002), quando se referiam à cultura espanhola da zarzuela e do flamenco.

14 Abril 2011

NÃO PODE O PAÍS SER COMO AS EQUIPAS DE FUTEBOL?

Hoje, as três equipas portuguesas passaram à fase seguinte na competição europeia de futebol que disputam, o que é uma alegria para quem gosta da modalidade. O país tem de (precisa de) ser ganhador como o futebol, para vencer a enorme crise financeira e de atitude moral.

14 Abril 2011

JOSÉ CARLOS ABRANTES APONTADO PARA PROVEDOR DA RTP

Conforme adiantara aqui no blogue, a provedoria da RTP parece, finalmente, resolvida. José Carlos Abrantes foi o nome escolhido pela administração da RTP para provedor do telespectador. Falta apenas a confirmação do Conselho de Opinião, cuja posição é vinculativa, com reunião agendada para 18 de Abril.

Antigo provedor do Diário de Notícias, professor universitário e investigador na área dos media, José Carlos Abrantes é o nome avançado pela estação de televisão pública para o cargo de provedor. O novo provedor da RTP, que sucede a José Manuel Paquete de Oliveira, prevê um cargo muito activo: “Imagino um mandato com muito correio, com muita participação. Procurarei dar muita atenção às questões da informação. Pessoalmente, acho que é um sector muito importante”, disse. Promete dar atenção ao tema da literacia dos media, pois “uma das funções do provedor é explicar como se fazem as notícias e a programação”.

Com 66 anos, nascido em Cabanas de Viriato, leccionou Teoria e História da Imagem no curso de Jornalismo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1994-2001) e na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. Entre Abril de 2004 e Junho de 2007 foi provedor do leitor do Diário de Notícias. É autor de títulos como A construção do olhar (org.) (2005), Televisão: das audiências aos públicos (org.), em colaboração com Daniel Dayan (2006) e Ecrãs em mudança (org.) (2006), 1001 razões para gostar de Portugal (2005) [que continua num dos seus múltiplos blogues, Razões para Gostar de Portugal]. Grande organizador de eventos e tertúlias culturais e mediáticos, tem trabalhado com a Livraria Almedina, o Teatro S. Luís e o Instituto Franco-Português, entre outras instituições, é director de uma colecção das Edições 70, onde publiquei o meu livro Indústrias Culturais.

Ao José Carlos, envio daqui um abraço de parabéns.

14 Abril 2011

SUSPENSÃO DO DAB NA RTP

A RTP pediu à Anacom a suspensão da emissão digital de rádio em sistema DAB (Digital Audio Broadcasting), aguardando uma decisão do organismo regulador (Meios & Publicidade). Sabia-se já que o sistema usado pela rádio de Estado carecia de actualização. Recorde-se ainda que o DAB tem tido uma história estranha, pois está a ser usado no Reino Unido, após um esforço conjunto do Estado, dos fabricantes e das estações, mas foi rejeitado noutros países da Europa comunitária.

13 Abril 2011

LEI DA TELEVISÃO

“A nova Lei da Televisão, que inclui a transposição para Portugal da directiva europeia, foi publicada ontem [dia 11] em Diário da República, depois de ter sido aprovada pelo Parlamento em Fevereiro. O novo diploma integra, por exemplo, a eliminação do intervalo mínimo de vinte minutos entre pausas publicitárias e obriga os canais a publicar nas suas páginas Internet informações relativas à propriedade dos operadores (Meios & Publicidade).

13 Abril 2011

DESAPARECIMENTO DA ONDA CURTA DA RDP

“A RTP pediu ao Governo a «suspensão temporária» das emissões da RDP Internacional em Onda Curta após uma avaliação devido ao reduzido número de ouvintes e aos custos acrescidos, disse à Lusa fonte oficial da empresa” (Briefing).

13 Abril 2011

MEDIA E ACTOS ELEITORAIS PARA MÁRIO BACALHAU

 

O livro de Mário Bacalhau, Atitudes, opiniões e comportamentos políticos dos portugueses: 1973-1993. Cultura política e instituições políticas, evolução e tipologia do sistema partidário, afinidade partidária e perfil dos eleitores, data de 1994, mas a sua temática é actual, devido ao período pré-eleitoral que atravessamos.

Não é meu propósito estudar o tema mas tão só analisar as poucas páginas que o autor dedica aos media e aos líderes de opinião (pp.39-44). Mário Bacalhau (nascido em 1936) observa duas utilizações dos media: 1) contribuem para um maior volume de informação e difusão de comportamentos diferenciados, diminuindo a influência das normas de uma comunidade que tendem para a uniformização, 2) informam de modo universal e criam homogeneização reduzindo as diferenças dos grupos de referência. Os media favorecem as tomadas de consciência.

De acordo com a investigação produzida pelo autor, realizada em 1978, 1984 e 1993, a audiência dos principais media aumentou de modo impressivo. Por exemplo, ler um jornal semanário subiu de 14,3% em 1978 para 32,2% em 1993. Do mesmo modo, acompanhar o noticiário televisivo diário subiu de 69,6% em 1978 para 95,5% em 1993, o que significa quase todo o universo.

No índice de exposição (frequência de audiência ou contacto), concluiu por bastante exposição (52,3%), seguida de pouca exposição (27,4%), números que alteram conforme o nível de instrução. Por exemplo, entre a população com frequência universitária, havia um elevado índice de exposição (51%), um bom índice de exposição (39,5%) e pouca exposição (9,5%). A participação política e a manifestação de opiniões aumenta quando é maior o índice de exposição.

Outro resultado que me parece interessante é o que diz respeito à percentagem de população com níveis elevados de liderança. Mário Bacalhau indica que a percentagem de líderes de opinião era mais elevada em 1978 que nos outros anos estudados (1984 e 1993). A explicação residia, diz o autor, na maior instabilidade política no primeiro daqueles anos, pois havia mais actos eleitorais e sucediam-se com mais frequência as campanhas eleitorais, com os media a dedicarem mais tempo e espaço à informação sobre os assuntos políticos e o governo, transformados em assuntos de interesse do quotidiano dos cidadãos.

Se esta “lei” se verificar agora, justifica-se o maior envolvimento dos canais de televisão na campanha eleitoral que se avizinha, com entrevistas e reportagens, numa situação crucial para a vida de Portugal, com a vinda do FMI em ocasião de crise considerada a mais grave de há 150 anos. Hoje de manhã, numa recolha de depoimentos de populares ouvidos pela rádio pública em Bragança, uma senhora dizia que a vinda do FMI tinha a ver com as nossas contas bancárias. Dívida soberana, default, resgate e FEEF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) são algumas das novas palavras comuns que temos ouvido com insistência nas últimas semanas.

13 Abril 2011

BLOGUE PREMIADO PELA DEUSTCHE WELLE

O blogue A Tunisian Girl venceu a sétima edição anual da Deutsche Welle Blog Awards, premiada por um júri internacional de especialistas em blogues e media. Lina Mhenni Ben, de 27 anos, professora na Universidade de Túnis, tem um blogue onde escreve sobre a repressão e a censura no seu país desde 2007, ainda antes da revolta popular depor o presidente Ben Ali. Durante os protestos de Dezembro de 2010 e Janeiro de 2011, ela esteve em lugares como Sidi Bouzid e Kasrine, onde documentou a repressão e os assassinatos que ali ocorreram. Agora, mantém um olhar atento sobre a evolução politica na Tunísia [texto construído a partir da notícia do European Journalism Centre].

12 Abril 2011

APECOM

Após o pedido de demissão do presidente da APECOM (Associação Portuguesa das Empresas de Conselho em Comunicação e Relações Públicas), a associação avança a convocatória de eleições para 18 de Maio (fonte: Meios e Publicidade).

11 Abril 2011

O YOUTUBE ESTÁ CADA VEZ MAIS PERTO DA TELEVISÃO

No final da passada semana, o YouTube criou um “palco” para eventos ao vivo (youtube.com/live). Assim, após inscrição, os espectadores podem assistir a espectáculos e eventos transmitidos por parceiros da Google, como shows, actividades desportivas e entrevistas. O YouTube planeia testar uma versão da plataforma de modo a que cada utilizador da plataforma possa ver os seus próprios shows em tempo real. Há programas a emitir no momento em que o utilizador acede, em simultâneo, e outros com horário previsto para emissão, como na plataforma da televisão por cabo existem canais diferentes com programação específica. Mais de dois mil milhões de vídeos são vistos diariamente no YouTube, o que quer dizer: consumir mais tempo online em vez do tempo dedicado à televisão (via Google).

11 Abril 2011

PROVEDOR DO ESPECTADOR DA RTP

O recém-saído provedor do telespectador da RTP, José Manuel Paquete de Oliveira, dá hoje uma longa entrevista ao jornal Público sobre a função que desempenhou durante cinco anos. Indica que a anterior administração o ouvia muito e que a actual está mais preocupada com as audiências e as finanças. Paquete de Oliveira entende dever haver mais atenção à relação audiências com serviço público: “a televisão pública será sempre responsável pela tal distinção e pela qualidade do seu produto”, disse.

Sobre uma hipotética governamentalização da RTP, o antigo provedor diz não ter constatado nem ter qualquer testemunho para comprovar interferências, embora considere que a televisão pública tem essa marca genética de ser pública, logo, de poder ser “a televisão da voz do dono”. Das conversas mantidas com José Alberto Carvalho (saído para a TVI conjuntamente com Judite Sousa), este reflectia muito sobre a subjugação e o escrutínio a que estava sujeito.

Das queixas mais recebidas, o sociólogo falou sobre a duração dos programas, caso dos noticiários e do seu cumprimento. Foi um combate dele mas também da ERC, que fez determinações. E destacou ainda a sua reflexão sobre programas considerados de serviço público, como o Prós e Contras e sobre o tempo nos noticiários dedicado a informação de política partidária (pelo que se viu neste fim-de-semana, parece-me haver um grande exagero de uso de tempo para essa actividade), ao futebol e à moral conservadora levantada por alguns programas de humor.

Na entrevista, Paquete de Oliveira confessa que sentia que o lugar fora criado para resolver problemas de má consciência. No lead do texto assinado por Joana Amaral Cardoso e Jorge Mourinha, lê-se que, depois de Paquete de Oliveira “ter batido com a porta”, a RTP ainda não arranjou substituto. Segundo me informavam na semana passada, o caso estaria prestes a ser resolvido. Esperemos, pois, pelos próximos dias.

10 Abril 2011

MUSEU DE PORTIMÃO PREMIADO

O Museu de Portimão venceu a primeira edição do DASA, Prémio do Mundo do Trabalho 2011, atribuído ontem em Dortmund (Alemanha). Segundo o director do museu, José Gameiro, é importante “este reconhecimento do museu, numa visão ligada mais a uma perspectiva histórica”. O museu abriu as suas portas em 17 de Maio de 2008, instalado na antiga fábrica de conservas Feu.

10 Abril 2011

CAFÉ MAJESTIC

O Café Majestic, no Porto, foi eleito o sexto café mais bonito do mundo, segundo o sítio UCityGuides, num Top 10 que classifica aquele espaço portuense como um dos mais atraentes, da fachada ao interior e ao jardim de inverno.

Lê-se no sítio: “When European cafés became the preferred hangouts of their city’s intellectuals in the late 19th and early 20th centuries, they turned into cultural institutions with ornate, palatial interiors. Many if not most of them remain open today, although the main visitors are now tourists guided by their guidebooks. Those cafés are now essentially museums where coffee and pastries are served at high prices, while others have been turned into full-blown restaurants, and a few still attempt to keep their cultural heritage alive by hosting literary and other cultural events. The biggest café cities are Paris, Vienna, Venice, and Budapest, where café interiors are at their most sumptuous, but you’ll find some extraordinarily beautiful cafés throughout Europe and even in the big cities of the Americas that emulated the grandiosity of the Old World. At UCityGuides we’re always looking for what’s new and extraordinary, but also love to spend some time in what the past has done best. So after countless coffees, pastries, calories, and overpriced drinks, we bring you the list of the ten most beautiful cafés in the world”.

10 Abril 2011

PRAÇA DA BATALHA, PORTO

“A vinda de pessoas traria consequências positivas: as casas seriam ocupadas, o comércio tradicional renasceria, os mercados estariam reabilitados, os cinemas de rua voltavam a abrir, os teatros enchiam” (Inês d’Orey, fotógrafa, sobre o Porto, no Público de hoje).

Mais à frente, no mesmo jornal, João Pedro Barros escreve sobre um programa de concertos na praça da Batalha, no Porto, a arrancar no próximo fim-de-semana, integrado no projecto Odisseia, do Teatro Nacional de São João. São dois fins-de-semana dedicados à cabo-verdiana Ritinha Lobo e ao português João Afonso. O futuro da praça, diz-se, passa pelo binómio turismo/cultura. A movida nocturna sente-se no lado de “lá” da avenida dos Aliados, isto é: Clérigos. O lado de “cá”, isto é, rua de Santa Catarina e praça da Batalha, podem revitalizar-se, fazendo um percurso oposto ao que a requalificação arquitectónica de 2001 conduziu: uma área sempre deserta. A praça tem tudo para ser uma referência, refere um antigo governante da cidade, com teatros, cinemas, unidades hoteleiras, uma universidade, até a Messe dos Oficiais.

9 Abril 2011

ELIHU KATZ

Só agora li o texto de Elihu Katz (אליהוא כ”ץ) sobre a leitura da recepção a partir da teoria dos efeitos limitados de Paul Lazarsfeld (original de 1989).

Nascido em 1926, o primeiro livro de Katz foi feito em co-autoria com Lazarsfeld (Personal influence: the part played by people in the flow of mass communications, 1955), sobre o fluxo da influência e das interseccções da comunicação de massa e interpessoal. Depois, entre aulas, nomeadamente na Annenberg School for Communication da Universidade da Pennsylvania, presidência da televisão de Israel (1967-1969) e livros, escreveu sobre o sociólogo francês Gabriel Tarde (pode ser lido no livro La réception, como o texto que indico em primeiro lugar), analisou o impacto da televisão com autores como Michael Gurevitch, escreveu Media events com Daniel Dayan (em português: A história em directo. Os acontecimentos mediáticos da televisão, Minerva, 1999), e participou no primeiro congresso da SOPCOM em 1999, com o importante texto One hundred years of communication research, onde falaria do seu “herói” Gabriel Tarde.

Lazarsfeld, nas suas investigações em especial no seu Bureau of Applied Social Research, criado em 1937, ocupou-se da comunicação de massa no processo de decisão: votar, comprar, ir ao cinema, mudar de opinião. Os efeitos dos media, até então profundos e duradouros sobre as audiências, eram temperados com os processos selectivos de atenção, percepção e memória. Estas, escreveu Katz, dependem de variáveis de situação como idade, história familiar, pertença política. O jornal, a rádio e os outros media partilham com o grupo primário um duplo papel: rede de informação, gerador de pressão social. Katz considera ainda aplicável, hoje, a teoria do fluxo de comunicação em dois passos, corrigindo algumas perspectivas como a substituição da influência pela informação, a partilha de influência de vários líderes, etapas múltiplas em vez de apenas duas.

Katz apresenta três perspectivas discordantes do modelo de efeitos limitados: institucional, crítico e tecnológico. O mais sedutor e o mais atacado por Katz é o crítico, centrado nos textos de Todd Gitlin. Curiosamente, o livro organizado por João Pissarra Esteves, Comunicação e sociedade. Os efeitos sociais dos meios de comunicação de massa, 2002, publica um texto de Katz e outro de Gitlin, onde este segundo autor evidencia a polémica). Gitlin, segundo Katz, releva a ambiguidade e liberdade de público e a escassa influência do líder de opinião, exactamente o oposto dos autores dos efeitos limitados. Para Gitlin, na leitura de Katz, o poder dos media é grande, com estes a construirem a realidade política e social, a decidirem o que é politicamente legítimo ou desviante, a fazerem a imagem dos movimentos sociais.

A leitura do texto de Katz permite-me reconstituir a visão sobre o paradigma dominante ou administrativo ou teoria dos efeitos limitados, como se chamou à linha de investigação de Lazarsfeld, já no final da década de 1970 e anos seguintes. A sua compreensão pode ter apenas um interesse histórico, mas leva-me a olhar a querela público-audiência de outro modo.

Leitura: Elihu Katz (2009). “Lire la réception à travers le modèle des effets limités. Actualité de Lazarsfeld”. Em Cécile Méadel (coord.) La réception. Paris: CNRS Éditions, pp. 47-67

9 Abril 2011

ÁRVORES IRMÃS

9 Abril 2011

BEATRIZ PACHECO PEREIRA EXPÕE

Exposição individual de escultura de Beatriz Pacheco Pereira no Palacete Viscondes de Balsemão, Praça Carlos Alberto, 71, Porto, até 29 de Abril. Este ano, ela foi responsável pela concepção e execução do Programa Cinema e Artes Plásticas do Fantasporto, festival de cinema fantástico do Porto, com a produção de 17 filmes sobre artistas plásticos portugueses contemporâneos.

9 Abril 2011

JOSÉ AFONSO FURTADO E O TWITTER

José Afonso Furtado, director da Biblioteca de Arte da Gulbenkian, aparece na lista das 140 melhores contas do Twitter em todo o mundo segundo a Time. A qualidade da conta de notícias sobre o mundo da indústrias editorial valeu a Furtado a classificação. Ele, que tem mais de sete mil seguidores, usa o Twitter como ferramenta de trabalho para troca de informação, indica o semanário Sol, de onde estou a retirar a informação.

8 Abril 2011

MYSPACE EM QUEDA

No Público de hoje, Vítor Belanciano escreve sobre a ascensão e queda da rede social MySpace. Nasceu em 2004, pelas mãos de Chris DeWolfe e Tom Anderson, com a capacidade de os músicos colocarem directamente os seus temas num perfil em vez de usarem o sistema de distribuição tradicional e de toda a cadeia de valor até então em uso: formar uma banda, conseguir um contrato, editar um disco e passá-lo na rádio e na televisão, com concertos incluídos. Apareceram fenómenos como Arctic Monkeys e Lily Allen, surgidos do nada. Até 2008, 180 milhões de pessoas adoptaram a rede. Uma alteração dera-se, entretanto: em 2005, Rupert Murdoch comprara o MySpace por 580 milhões de dólares. Com o aparecimento do Facebook, a rede MySpace quis competir, alargando o nicho inicial da música a elaboração de perfis, troca de fotografias, músicas e textos. A estratégia de seguimento revelou-se um desastre, com novo desenho gráfico (275 milhões de dólares de custo), além de que apareceram sítios mais atraentes como Last.fm ou Spotify e o próprio Facebook. O MySpace perdeu 130 milhões de utilizadores, passou da segunda plataforma mais visitada, depois da Google, para o actual 58º lugar. Murdoch acumulou dívidas e despediu e encerrou escritórios já este ano, como aqui escrevi. Agora o patrão do grupo Media News Corp procura compradores para o sítio musical.

8 Abril 2011

DEZ ANOS DE IPOD

Roland Barthes considerava as catedrais como a forma icónica da sociedade da Idade Média. Na década de 1950, os automóveis ocupavam esse lugar; agora, é o iPod. O texto de José Fialho Gouveia no Sol é sobre os dez anos do aparelho da Apple. Jonathan Rubinstein, do departamento de hardware da Apple, contratara o engenheiro Tony Fadell, encarregando-o de desenhar um leitor de mp3, em que o centro seria a roda táctil que permite aceder a um ficheiro em três cliques. Para trás, ficava uma longa história de invenções: em 1977, o matemático alemão Karlheinz Brandenburg estudava a compressão da música em pequenos ficheiros; em 1991, Brandenburg e Dieter Seitzer construiram o algoritmo que tornava possível o mp1; em 1994, chegava-se ao mp2 e, em 1996, ao mp3. O primeiro leitor portátil tinha capacidade de 32 Mb, o MPMan F10 da empresa sul-coreana SaeHan, chegado ao mercado em 1998. O iPod da Apple, de 5 Gb de memória, era lançado em Outubro de 2001. Depois, toda a indústria musical alterou-se. O iTunes é responsável pela maior parte das vendas digitais, mas as cópias ilegais entram em colisão com os direitos autorais e direitos conexos de cem anos, a precisar de adaptação. A indústria foi obrigada a adaptar-se ao mundo digital, apesar da qualidade do som ter reduzido.

8 Abril 2011

JUDITE SOUSA

Reforçar e não mudar a linha de informação da TVI parece ser a linha condutora de Judite Sousa na entrevista publicada hoje no semanário Sol. 32 anos na RTP de uma vida de 50 anos levou-a a chorar na despedida da RTP. Aqui, deixou amigos: José Rodrigues dos Santos, Vítor Gonçalves, que assumiu o cargo de director-adjunto de informação. E recorda também José Eduardo Moniz, que a fez trocar o Porto por Lisboa. À ideia que a redacção da RTP se sentia intimidada quando chegava, ela responde que não, mas adianta que tem características de liderança.

A jornalista fala muito das audiências. O seu programa Vidas Contadas em 2010 foi o de maior audiência em termos de informação semanal na RTP. Dois dos seus três programas de informação no ano transacto fizeram subir as audiências. Acha natural os 24,2% de share obtido na entrevista de estreia na TVI ao ministro das Finanças. Para Judite Sousa, “os movimentos das audiências não são automáticos. [...] Têm a ver com as idiossincrasias das empresas e com as idiossincrasias do público. É um processo que leva tempo”.

Sobre José Alberto Carvalho, que também se transferiu da RTP para a TVI, considera existir uma complementaridade entre os dois. Ela é mais pragmática e frontal, ele procura estabelecer consensos, conversa e escuta.

8 Abril 2011

JORNAL SOL

A administração do semanário Sol passou a assegurar a direcção comercial do semanário (Meios & Publicidade).

7 Abril 2011

JORNAIS

Numa atitude inédita, diversos jornais ingleses pertencentes a grupos diferentes estão a trabalhar juntos para vender espaço publicitário. Os jornais são The Guardian, The Times, Daily Telegraph, The Independent, The Sun, Daily Mail, Daily Mirror e os seus congéneres que saem ao domingo. Como? Oferecem um pacote publicitário de marcas publicitárias, no caso ligadas ao torneio de ténis em Wimbledon no próximo mês de Junho. A iniciativa da Newspaper Marketing Agency visa atrair as marcas para um meio tradicional, os jornais. Esperemos que seja uma das formas da reinvenção do papel (a partir de notícia do European Journalism Centre).

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