AS INTELECTUAIS PÚBLICAS PORTUGUESAS

Laura Pires inspirou-se no quadro de Giorgio de Chirico, Musas Inquietas, para o seu livro. A pintura mostra mulheres, musas numa paisagem metafísica com o castelo de Este em fundo, musas como a mitologia grega representava, ligadas às artes e ciências.

O objecto de trabalho de Laura Pires é falar de dez mulheres intelectuais de forte peso na sociedade nacional em cinco áreas: artes plásticas, música, ciência, arquitectura paisagista e gestão cultural (no Verão, escrevi sobre o livro de Isabel Canha, As mulheres normais têm qualquer coisa de excepcional, de onde retirei o exemplo de uma produtora de televisão, mas o registo das duas obras é muito distinto).

O livro apresenta-se dividido em cinco capítulos: introdução, contextualização teórica, contextualização histórica, áreas de actuação, considerações finais. Escreve Laura Pires que a característica comum às mulheres que observa e analisa é o facto de circularem em áreas governadas e dominadas pelos homens e dirigidas a públicos internacionais (p. 20) – Emília Nadal, Joana Vasconcelos, Maria João Pires, Joana Carneiro, Hanna Damásio, Leonor Parreira, Teresa Andresen, Cristina Castel-Branco, Simonetta Luz Afonso e Yvette Centeno. A escolha do tema resulta de vivências da autora: interesse pelo movimento feminista desde o tempo de estudante universitária, investigação sobre teoria crítica e questões do género e discussão com os seus alunos. Uma das opções metodológicas seguidas pela autora foi o trabalho de Jeffrey Alexander, designado como pertencendo à nova sociologia cultural americana, diferente da de Bourdieu e da escola dos cultural studies de Birmingham.

A autora escolheu metodologias distintas, uma delas a da interseccionalidade, “que indicia e procura examinar várias categorias de discriminação culturalmente construídas e que interagem a vários níveis, contribuindo assim para uma sistemática desigualdade social” (p. 245). Outra das metodologias utilizadas foi a de kiriarquia ou kiriarcado, neologismos que significam, a partir do grego, senhor/dono e governar/dominar e redefinem a “categoria analítica do patriarcado em termos de estruturas de dominação interseccionais e múltiplas” (p. 249), ou melhor: sistema de estruturas interseccionais e múltiplas de ordenação e subordinação, de governar e oprimir.

Laura Pires foi docente da Universidade Aberta e da Universidade Católica. Sobre a sua última aula na licenciatura de comunicação desta última universidade, escrevi aqui (30 de Maio de 2007), incluindo um pequeno vídeo.

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