FOTOGRAFIA

As porcelanas das casas de banho masculinas são variadas, umas mais recatadas (mais individualizadas) que outras, com separadores entre cada mictório. Quase sempre, o equipamento fica junto a uma parede de cor neutra, algumas vezes há graffiti adequados (ou como alegoria) à situação, nunca agradáveis de ler. Marcel Duchamp, em 1917, usou um mictório como obra de arte, a que chamou A Fonte, e tornou-o uma das mais representativas manifestações do dadaísmo. Recentemente, colocaram-se suportes de publicidade, mas raro esta existe. Em cafés e locais onde a música é elemento principal, as paredes surgem adornadas com cartazes de espectáculos anteriores. Em Amsterdão, numa praça com muitas cervejarias, a edilidade colocou um urinol mesmo no centro desse espaço público. Nele, não há qualquer resguardo dos olhares exteriores, como em alguns urinóis de estilo arte nova. No jardim do Passeio Alegre, no Porto, em edifício adequado à função, pode-se apreciar uma casa de banho pública de finais do século XIX como se fosse museu. Sinaléctica e vocábulos indicativos do local (toilette, servicios, WC, Homens, Ladies) e odores (por isso, a contínua necessidade de água corrente e sabões, detergentes e cheiros químicos fortes) são elementos permanentes. Por vezes, na sinaléctica há muita criatividade, podendo dizer-se que a uma ideia geral universal surgem múltiplas alternativas, tornando até a leitura muito complexa. À ideia antiga de gratuitidade do serviço corresponde uma crescente corrente do seu pagamento, como em locais em Londres ou Paris, estrategicamente colocados em zonas de grande concentração urbana como os monumentos públicos, ou em todas as grandes cidades com espaços metálicos identificados onde se coloca uma moeda em ranhura para entrar. Um movimento mais recente foi o de colocar imagens como a que surge ao lado. Não se torna necessário fazer uma longa dissertação sobre o que se vê (foto gentilmente cedida por PCS, tirada em Praga).

DAVIDE MONTELEONE

  • “Northern Caucasus is a mix of stereotypes as well as surprises. For centuries it has been a country of political, religious, military and expansionist rivalry, a struggle between opposing states, and also between allied states. Ever since the beginning of the 19th century, this region has been part of the tsarist Russian Empire, later absorbed by the Soviet Block. With the 1991 radical transformations involving the entire Warsaw Pact coalition, and the storm caused by the collapse of the Soviet Union, new and ancient disputes resurfaced, and in some cases worsened, and revived political and economic aims of supremacy in the area” (Davide Monteleone, Burn).

Yesterday, it was announced in Charlottesville (Virginia, USA), during the Festival LOOKbetween, that Davide Monteleone is the winner of the Emerging Photographer Fund in 2010, an initiative of Burn Magazine. Since 2003, he lives both in Italy and Russia and started working regularly with major national and international newspapers such as D, Io Donna, L’espresso, New York Times, Time, Stern, and the New Yorker. Davide Monteleone, an Italian photographer born in 1974, will receive $15,000 from Burn Magazine through the Magnum Cultural Foundation to continue his work in the Northern Caucasus. The jury award was established by Alessandra Sanguinetti, Michael “Nick” Nichols and Bruce Gilden [Nazran, Republic of Ingushetia, during a wedding, January 2010, photo from Burn].

CURSO DE FOTOGRAFIA

A partir de 18 de Maio, às terças-feiras, durante seis semanas, com cada sessão das 20:00 às 22:00, vai começar o curso O Fotográfico como Retrato e “Readymade”. O curso “experimentará em torno destas questões, convocando o readymade, a fotografia, o cinema, a pintura e o digital, o rosto e o corpo, a identidade, a paisagem e a cartografia, a ausência e a presença, o verdadeiro e o falso, a realidade e a fantasia, a unicidade e a multiplicidade” (texto da organização). Professor: José António Leitão. Saber mais aqui.