Arquivo para ‘Fotografia’

13 Janeiro 2011

>EXPOSIÇÃO SEMENTES NO MICROONDAS NA ALT FABRIK

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27 Dezembro 2010

PAISAGEM

8 Dezembro 2010

EXPOSIÇÃO DE EDUARDO GAGEIRO

25 Novembro 2010

ALL MOST, EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE SAL NUNKACHOV EM VIANA DO CASTELO

2 Outubro 2010

FOTOGRAFIA

As porcelanas das casas de banho masculinas são variadas, umas mais recatadas (mais individualizadas) que outras, com separadores entre cada mictório. Quase sempre, o equipamento fica junto a uma parede de cor neutra, algumas vezes há graffiti adequados (ou como alegoria) à situação, nunca agradáveis de ler. Marcel Duchamp, em 1917, usou um mictório como obra de arte, a que chamou A Fonte, e tornou-o uma das mais representativas manifestações do dadaísmo. Recentemente, colocaram-se suportes de publicidade, mas raro esta existe. Em cafés e locais onde a música é elemento principal, as paredes surgem adornadas com cartazes de espectáculos anteriores. Em Amsterdão, numa praça com muitas cervejarias, a edilidade colocou um urinol mesmo no centro desse espaço público. Nele, não há qualquer resguardo dos olhares exteriores, como em alguns urinóis de estilo arte nova. No jardim do Passeio Alegre, no Porto, em edifício adequado à função, pode-se apreciar uma casa de banho pública de finais do século XIX como se fosse museu. Sinaléctica e vocábulos indicativos do local (toilette, servicios, WC, Homens, Ladies) e odores (por isso, a contínua necessidade de água corrente e sabões, detergentes e cheiros químicos fortes) são elementos permanentes. Por vezes, na sinaléctica há muita criatividade, podendo dizer-se que a uma ideia geral universal surgem múltiplas alternativas, tornando até a leitura muito complexa. À ideia antiga de gratuitidade do serviço corresponde uma crescente corrente do seu pagamento, como em locais em Londres ou Paris, estrategicamente colocados em zonas de grande concentração urbana como os monumentos públicos, ou em todas as grandes cidades com espaços metálicos identificados onde se coloca uma moeda em ranhura para entrar. Um movimento mais recente foi o de colocar imagens como a que surge ao lado. Não se torna necessário fazer uma longa dissertação sobre o que se vê (foto gentilmente cedida por PCS, tirada em Praga).

13 Junho 2010

DAVIDE MONTELEONE

  • “Northern Caucasus is a mix of stereotypes as well as surprises. For centuries it has been a country of political, religious, military and expansionist rivalry, a struggle between opposing states, and also between allied states. Ever since the beginning of the 19th century, this region has been part of the tsarist Russian Empire, later absorbed by the Soviet Block. With the 1991 radical transformations involving the entire Warsaw Pact coalition, and the storm caused by the collapse of the Soviet Union, new and ancient disputes resurfaced, and in some cases worsened, and revived political and economic aims of supremacy in the area” (Davide Monteleone, Burn).

Yesterday, it was announced in Charlottesville (Virginia, USA), during the Festival LOOKbetween, that Davide Monteleone is the winner of the Emerging Photographer Fund in 2010, an initiative of Burn Magazine. Since 2003, he lives both in Italy and Russia and started working regularly with major national and international newspapers such as D, Io Donna, L’espresso, New York Times, Time, Stern, and the New Yorker. Davide Monteleone, an Italian photographer born in 1974, will receive $15,000 from Burn Magazine through the Magnum Cultural Foundation to continue his work in the Northern Caucasus. The jury award was established by Alessandra Sanguinetti, Michael “Nick” Nichols and Bruce Gilden [Nazran, Republic of Ingushetia, during a wedding, January 2010, photo from Burn].

22 Abril 2010

CURSO DE FOTOGRAFIA

A partir de 18 de Maio, às terças-feiras, durante seis semanas, com cada sessão das 20:00 às 22:00, vai começar o curso O Fotográfico como Retrato e “Readymade”. O curso “experimentará em torno destas questões, convocando o readymade, a fotografia, o cinema, a pintura e o digital, o rosto e o corpo, a identidade, a paisagem e a cartografia, a ausência e a presença, o verdadeiro e o falso, a realidade e a fantasia, a unicidade e a multiplicidade” (texto da organização). Professor: José António Leitão. Saber mais aqui.

25 Fevereiro 2010

COLLOQUE PHOTO RENNES

L’IMAGE PUBLIQUE # 4 presents an European Interdisciplinary Conference. Photography at the Crossroads of Humanities and Social Sciences. Photographic approaches, uses of photography, cultural and social mediations. Tuesday 5th and Wednesday 6th of October 2010 – Rennes and Métropole (France). As objectives, this interdisciplinary conference comes into the framework of the European Gruntvig programme, being open to the works of young European researchers and favouring access for all types of public to current academic debate, notably in the course of continuing education. See more details at Colloque Photo Rennes.

22 Fevereiro 2010

FOTOGRAFIA COM SUSANA PAIVA

Objectivos: reflectir sobre as práticas contemporânea do fotodocumentalismo. O workshop visa desafiar os participantes a produzirem um pequeno ensaio fotográfico documental. Formadora: Susana Paiva. Local: Casa da Esquina, Coimbra. Datas: 3 a 7 de Março. Email: Casa da Esquina.

22 Fevereiro 2010

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE MÁRIO PIRES

“O Chiado é uma das zonas mais emblemática de Lisboa. Há muito que está presente nas letras portuguesas e faz parte dos hábitos da capital. Muitos dos seus ex-libris são igualmente lugares comuns fotográficos.

“Ao aceitar o desafio de fotografar o Chiado, apenas tinha a certeza de que não queria caminhar por trilhos já demasiado pisados. Não tendo pretensões a originalidade, escolhi tratar o tema de modo a reflectir sobre as dúvidas que sinto em relação ao papel da fotografia como “descritora” da realidade e às falhas desse modelo.

“Porquê escolher um único ponto de vista quando podemos ter vários ? Acredito que um dos papéis da arte é o de mostrar que a realidade tem muitos sentidos, muitos mais do que aqueles que os sentidos nos revelam. Espero apenas contribuir para que possam descobrir maneiras diferentes de olhar o Chiado”.

Texto de Mário Pires como convite para a sua exposição de fotografia 7 Visões no Chiado, que inaugura no dia 26 de Fevereiro, pelas 18:30, e se prolonga até 30 de Março, no LiberOffice Chiado, Largo Rafael Bordalo Pinheiro, 16, Lisboa [imagem retirada do sítio Estética Fotográfica, do autor].

19 Fevereiro 2010

POLAROID – LEILÃO DE FOTOGRAFIAS

A 16 de Outubro de 2009, o jornal i publicava Polaroid is back: “As pequenas fotografias que se revelam no instante seguinte estão de volta. A empresa Summit Global Group vai recomeçar a fabricar as máquinas fotográficas da marca Polaroid e as películas das máquinas vão ficar a cargo de uma fábrica holandesa. Apesar de ter entrado em bancarrota em 2008, a licença de comercialização da Polaroid foi comprada em Maio por outra empresa por 87,6 milhões de dólares (cerca de 58,8 milhões de euros) e agora, as Polaroid vão voltar às lojas em 2010 com modelos digitais e analógicos. E os clientes mais fiéis também não vão ser esquecidos. Também vão ser postos à venda rolos para as máquinas mais antigas”.

Hoje, no mesmo i, o texto de Carol Vogel (New York Times) destaca a má gestão e o avanço da fotografia digital como o problema que a Polaroid sentiu. Daí, a venda de 1200 obras no próximo Verão em leilão da Sotheby’s. Fundada em 1937, foi à falência a primeira vez em 2001 e a segunda vez em 2008. Desta vez, um tribunal condenou a Polaroid a vender uma parte da sua colecção de fotografias, com nomes como Ansel Adams, Robert Rauschenberg, Robert Frank, Robert Mapplethorne, Andy Warhol e outros, esperando-se que a venda de 1200 objectos atinja entre 5,5 e 8,45 milhões de euros. A colecção Polaroid possui mais de 10 mil imagens.

19 Fevereiro 2010

FOTOGRAFIA E DIREITOS DE AUTOR

9 Fevereiro 2010

FOTOGRAFIA

O Movimento de Expressão Fotográfica (MEF) trabalha na área da imagem, com destaque para a fotografia. O MEF está “envolvido em projectos com instituições e associações ligadas à área da acção social, que compreendem acções de formação visando públicos que por norma tendem a não usufruir das mesmas oportunidades que o cidadão comum, como é o caso de pessoas portadoras de deficiências visuais, motoras e mentais, ou pessoas social e ou economicamente carenciadas”. Com existência desde o ano 2000, surgiu inicialmente ligado aos cursos de fotografia (projecto 1600) da Junta de Freguesia de Carnide, no âmbito do projecto “Contigo Vais Longe” da câmara de Lisboa (ver mais em MEF).

4 Fevereiro 2010

PRÉMIO FOTOJORNALISMO ESTAÇÃO IMAGEM MORA

A associação cultural Estação Imagem, cuja sede fica na antiga estação de caminho-de-ferro da vila, e a Câmara Municipal de Mora decidiram instituir um prémio nacional de fotojornalismo, a partir de 2010, também aberto aos fotojornalistas dos PALOP.

Categorias fixas: Reportagem Notícias; Reportagem Vida Quotidiana; Reportagem Acção no Desporto; Reportagem Arte e Espectáculos; Reportagem Ambiente, Série de Retrato.

Para saber mais: Estação Imagem.

2 Fevereiro 2010

WORKSHOP de FOTOGRAFIA DOCUMENTAL

Desenvolvimento de projecto, com o objectivo de reflectir sobre as práticas contemporânea do fotodocumentalismo. O workshop desafia os participantes à produção de um pequeno ensaio fotográfico documental. Formadora: Susana Paiva. Local: Casa da Esquina, Coimbra. Datas: 3 a 7 de Março. Mais informações aqui e aqui.

7 Janeiro 2010

FOTOGRAFIA

MEF – Movimento de Expressão Fotográfica (geral@mef.pt; http://www.mef.pt/, http://movimentodeexpressaofotografica.wordpress.com/). Curso de iniciação da fotografia a 3 de Fevereiro.

29 Novembro 2009

RELVAS, LUMIÈRE E VON STUCK

O chalet de Carlos Relvas e o seu espólio pessoal (livros, máquinas fotográficas, mobiliário, laboratório) lembram-me outras duas casas, de outros visionários, a dos irmãos Lumière em Lyon (cinema) e de Franz von Stuck em Munique (pintura).

O museu dos Lumière (ver o texto que aqui escrevi sob a designação Lumière) abriu em 2003, em Lyon (França), ocupando a casa onde os irmãos inventaram o cinematógrafo. Filhos de um fotógrafo muito conhecido em Lyon, eles próprios tornados fotógrafos, evoluiram para o mais novo medium de então, o cinema. Estávamos em Março de 1895.

Por seu lado, o pintor Franz von Stuck (1863-1928), impulsionador do Jugendstil, a arte nova de Munique, tornou a sua casa uma autêntica obra de arte (ver meu comentário no blogue, em Villa Stuck).Tectos, paredes e o quadro Die Sünde são dos espaços mais fantásticos que vi.


Em todas estas casas, nota-se a invenção e criatividade, a ousadia e o excentrismo das actividades dos seus autores à época, apoiados em fortunas sólidas e em espírito aventureiro. Mas acabam aqui as semelhanças. A casa dos Lumière tem muito equipamento cinematográfico da época, o espólio de Relvas é menor. Os Lumière foram profissionais, fizeram filmes que circularam no mundo, arriscando mas ganhando muito dinheiro. Relvas ter-se-ia mostrado satisfeito pelo reconhecimento internacional pelos prémios e pelas medalhas em concursos de fotografia, dado o modo que o levou a imprimir em alto relevo na parede de entrada a reprodução dessas medalhas, além do seu lado científico e benemérito, ao desenhar um bote salvador no rio Douro.

Desconheço as políticas de aquisição de bens, mas não me parece absurdo que o museu de Lyon compre equipamentos da época de modo a ter uma colecção muito vasta. Depois, as casas-museu de Lumière e de von Stuck ficam em cidades ricas de dois dos mais ricos países da Europa, em quarteirões associados à burguesia dessas cidades, com árvores e ruas limpas, afastadas dos núcleos históricos sobrepovoados e barulhentos. Arredada do olhar crítico mas cosmopolita das elites urbanas desses países, a casa de Relvas ficava na grande propriedade rural, então como ainda hoje numa planície agrícola muito fértil junto à antiga estrada real de Lisboa ao Porto. Os Lumière e von Stuck teriam visitantes vizinhos apreciadores da sua arte, numa circulação permanente de novas ideias, Relvas saía da Golegã em busca do contacto intelectual internacional, de modo a manter-se actualizado.

28 Novembro 2009

GOLEGÃ (I)

A Casa-Estúdio Carlos Relvas (1838-1894) fica na Golegã, de onde o fotógrafo era natural. O estúdio (ou chalet, como ficou conhecido), inaugurado em 1876, teve projecto do próprio Relvas, com traços revivalistas que vão do neo-gótico ao neo-romântico e que parecem antecipar arte nova, pela utilização do ferro forjado (33 toneladas usadas) e do vidro como materiais essenciais. O vidro permite entrar muita luz, preciosa para o trabalho do fotógrafo na exposição lenta dos seus modelos. Rico proprietário e lavrador da planície ribatejana, o fotógrafo expôs e ganhou prémios em Portugal, França, Áustria, Estados Unidos e outros países. A Casa Carlos Relvas foi reaberta em 2007, depois de obras de restauro, já na posse da autarquia da Golegã. Sítio a visitar, ele combina com a obra de José Relvas, seu filho, mais voltado para a pintura, faiança, arte sacra e livros, como se pode ver na Casa dos Patudos, em Alpiarça. Se Carlos Relvas foi monárquico, José Relvas proclamou a República em Outubro de 1910.

Com cerca de seis mil habitantes, a Golegã é igualmente conhecida pela sua igreja matriz, designada por Nossa Senhora da Conceição, do século XVI e um dos exemplares melhor conservados do estilo manuelino, e pela feira nacional do cavalo. Curioso o signo usado na publicidade de rua das lojas da Golegã: o cavalo está sempre presente nessa sinaléctica.

30 Agosto 2009

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA DE PAULO GASPAR FERREIRA

Chama-se Anima Vegetalis – Imaginário Botânico do Mosteiro de Tibães, exposição de fotografias que foram sendo engendradas por Paulo Gaspar Ferreira numa pequena cela monástica do Mosteiro de Tibães ao longo de dois anos.

Compõe-se de 70 imagens fotográficas, base de um “livro” de folhas soltas acompanhadas por textos (também soltos) da autoria do iluminista português Theodoro d’Almeida (Recreação Filosófica, 1786). As fotografias são feitas com “peças” encontradas no chão de Tibães. A edição está limitada a 300 exemplares.

O projecto nasceu da continuidade de um trabalho que o autor apresentara no Museu Amadeo de Souza-Cardoso, Espíritos Elementares – 23 simulacros. Com algas do mar de Vila Chã (Mindelo – Vila do Conde), ele tinha construido uma exposição e um livro, com textos de Casimiro de Brito, Albano Martins, Ana Hatherly, Ramos Rosa, Melo e Castro, Fernando Guimarães, Teresa Horta e outros.


Inauguração da exposição e apresentação do livro no mosteiro de S. Martinho de Tibães (perto de Braga), no dia 12 de Setembro, pelas 18:00. Anteriormente, pelas 15:30, haverá uma visita guiada ao mosteiro.

29 Agosto 2009

FOTOGRAFIA

O PORTFOLIO PROJECT e o Teatro dos Castelos organizam um fim-de-semana (12 e 13 de Setembro) em torno da fotografia. Actividades:

12/09 (14:00-18:30), no Quarteirão das Artes, Montemor-o-Velho, leitura crítica de portfolios por Souâd Mechta e Susana Paiva.

(19:30m-20:30), no Espaço Rosa dos Ventos, Montemor-o-Velho, conversa informal sobre o papel do editor fotográfico. Análise do modelo francês. Espaço aberto para o debate de ideias sobre a temática.

13/09 (14:30-20:30), no Hotel Quinta das Lágrimas, Coimbra, encontro entre membros do TPP. Leitura crítica de portfolios por Souad Mechta.

Mais informações em PORTFOLIO PROJECT

22 Agosto 2009

IMAGENS


Alcácer do Sal, Amarante e Porto.

28 Julho 2009

ARQUITECTURA ROMENA

Hoje, 28 de Julho, pelas 19:00, o Instituto Cultural Romeno em Lisboa inaugura no Museu da Água – Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras a exposição fotográfica de arquitectura Art Nouveau na Roménia. A abertura da exposição conta com Sorin Vasilescu, o curador da exposição, com uma conferência sobre o tema. Mais informações no sítio do Instituto.

4 Julho 2009

ALENTEJO ANTIGO

20 Junho 2009

SOBRE A FOTOGRAFIA

Quando voltei a olhar para uma das fotografias da pequena colecção que Eduardo Cintra Torres me enviou e que abaixo coloquei, dei-me conta do seu valor sociológico e estético.

Em primeiro lugar, o olhar do fotógrafo sobre a composição principal: os quadros de Claude Monet (série: passeio de senhora com chapéu de sol), uma senhora numa cadeira de rodas e um homem a fotografar a senhora e os quadros. A fotografia de Cintra Torres é basicamente uma imagem sobre a imagem, uma recomposição, um olhar cultural prévio, uma conotação. Talvez seja contrário ao espírito da semiótica, mas a denotação aparece depois da conotação. O fotógrafo da fotografia que coloquei debruçou-se sobre o olhar do outro fotógrafo.

Em segundo lugar, imagina-se uma fotografia capturada pelo fotógrafo que aparece à direita na imagem. Trata-se de uma imagem feita para recordar depois. No início das fotografias com anónimos populares, eles olhavam hirtos para a câmara. Esta era lenta na fixação da imagem e exigia contenção de movimentos. Depois, com a massificação da fotografia, surgiam imagens de amigos em confraternização e em festas, desorganizadas em termos de enquadramento, ou de famílias, com posicionamento bem vincado em termos de hierarquia ou grupo etário (as crianças à frente, o pai ou a mãe em lugar bem destacado no enquadramento da imagem). Por vezes, os fotografados aparecem à frente, ou enquadrados por, (de) um monumento importante de uma cidade visitada, marca do cosmopolitismo. Eram fotografias que se reproduziam em papel e se colocavam em molduras (aprendi a usar o termo francês passepartout), marcas de um tempo ou acontecimento, em que as pessoas eram o elemento principal. A fotografia tirada no museu de Orsay é de uma variante deste tipo: o monumento é substituído por pinturas, possibilidade permitida pela massificação das máquinas digitais, com melhor adaptação a condições de luz e a permissão em museus para fotografar os objectos. A senhora de idade fotografada fica com uma recordação para mostrar a amigos e familiares: a visita ao museu, com uma forte identificação.

Em terceiro lugar, e decorrente da segunda ideia, o acesso à obra de arte, a pluralidade de reproduções nas diversas indústrias culturais, a facilidade de fazer uma imagem com uma máquina digital ou telemóvel (que me parece o caso), terminam de uma vez por todas com a ideia de aura, conceito de Walter Benjamin, a dificuldade de conhecer e aceder a uma pintura ou a uma qualquer imagem que não estivesse dentro do nosso espaço geográfico. Benjamin referia-se à democratização da imagem trazida pelo cinema e, claro, pela fotografia, mas ainda produzida por artistas, técnicos, especialistas. Agora, todas as pessoas podem fazer imagens, acumulam-se dezenas ou centenas ou milhares de imagens sobre um assunto ou acontecimento, há uma maior circulação dos indivíduos pelas cidades do mundo. Ao invés da aura, que dava um cunho de único (e por isso venerável), nasce uma bulimia, provocada pela multiplicação de imagens, sem selecção ou hierarquia das imagens (qualidade, envolvência, oportunidade, significado). O objecto fotográfico não tem valor universal mas apenas individual.

A quarta ideia decorre igualmente das segunda e terceira ideias: o uso social da imagem. Como se guardam imagens no Flickr, no Picasa, no Sapo, no Facebook ou noutro sítio qualquer, ficamos com um grande acervo que permite o estudo das classes sociais, etárias e geográficas. A fotografia está para além do aparelho que fotografa; ela reside muito no olhar que fotografa. Pela fotografia, conhecemos modas, rituais e costumes, valores, relações sociais. Quase que conseguimos fazer história e sociologia de um ano ou de uma região, olhando e estudando essas múltiplas imagens.

Este é um aperitivo para a leitura de O Visual e o Quotidiano, livro organizado por José Machado Pais, Clara Carvalho e Neusa Mendes de Gusmão.

12 Junho 2009

PORTO ANTIGO

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